30.6.26
Quando morava na minha casa, na Rua Oceano Pacífico — e esse oceano gigante para uma rua pequenina —, nos tempos de ruas enlamaçadas ...
A maritaca e a abelha
Quando morava na minha casa, na Rua Oceano Pacífico — e esse oceano gigante para uma rua pequenina —, nos tempos de ruas enlamaçadas e bois a passar na porta, todos os dias, por volta das 18 horas, um casal de sapos pequenos (caçotes) entrava aos pulos na minha sala e ia namorar embaixo da estante. Ficava a ouvir os gemidos, digo, o coaxar do namoro. Todos os dias lá vinham eles, os caçotinhos. Ficava sempre impressionada com a pontualidade. Não me consta que sapos tenham relógios. Mas rituais, isso eles tinham. E aconchego para namorar juntinhos. Todo dia faziam tudo sempre igual: me visitavam às seis horas da tarde. Bem que poderia ser letra de Cotidiano, de Chico Buarque. Com gosto de hortelã e tudo.
30.6.26
Por mais que a obra não seja um reflexo d...
Augusto por Humberto Nóbrega
Por mais que a obra não seja um reflexo direto do autor, é grande a tendência de se confundir uma com o outro. Isto se aplica particularmente a um poeta como Augusto dos Anjos, cujas idiossincrasias pessoais e literárias sempre despertaram curiosidade nos que estudam ou simplesmente apreciam seus poemas. O pessimismo, a morbidez, a fixação na morte, presentes na maioria dos seus versos, fazem pensar que ele era um desses misantropos infensos aos apelos mundanos. Tal impressão é acentuada pelas imagens de doença e deterioração física, comumente associadas a um possível “caso clínico” do indivíduo e não ao universo simbólico do poeta.
29.6.26
Dizem que os livros escolhem seus leitores. Se isso for verdade, Jardim Brasil: Contos, de Ronaldo Lima Lins, passou anos me dando um ...
O livro que não queria ser meu
Dizem que os livros escolhem seus leitores. Se isso for verdade, Jardim Brasil: Contos, de Ronaldo Lima Lins, passou anos me dando um drible digno de Copa do Mundo. Nossa história começou em julho de 2000, sob o pretexto de um romance que o tempo, com sua sabedoria costumeira, transformou em uma daquelas amizades que a gente carrega para a vida inteira.
29.6.26
Durante a Peste Negra, na França, em 1348, a população queimava fogueiras e ervas aromáticas nas ruas e mantinha quarentena de 40 dia...
No fim das contas
Durante a Peste Negra, na França, em 1348, a população queimava fogueiras e ervas aromáticas nas ruas e mantinha quarentena de 40 dias. Eles acreditavam na "teoria dos miasmas", que dizia que a doença era transmitida pelo ar contaminado e pelo mau cheiro. Então, a população tentava purificar o ar. Mais tarde, descobriram que aquela fumaçeira de nada adiantou, pois a pandemia que devastou a Europa e a Ásia foi provocada pela *Yersinia pestis*, uma bactéria que se espalhou principalmente por meio de pulgas e roedores.
29.6.26
Agora é lei, no Rio de Janeiro: o 21 de junho, por decreto municipal, passa a ser oficialmente o Dia de Machado de Assis. Esta é a...
21 de junho: Dia de Machado de Assis
Agora é lei, no Rio de Janeiro: o 21 de junho, por decreto municipal, passa a ser oficialmente o Dia de Machado de Assis. Esta é a data do nascimento do escritor e daqui para a frente, espera-se, será devidamente comemorada na cidade em que nasceu. Demorou, mas no Brasil é assim mesmo, já sabemos: o que for do bem chega atrasado e o que for do mal chegou ontem.
28.6.26
Não posso nem devo queixar-me da idade avançada ou de suas naturais limitações. Da janela de minha infância, em Alagoa Nova, privado...
Tão longe e tão perto
Não posso nem devo queixar-me da idade avançada ou de suas naturais limitações. Da janela de minha infância, em Alagoa Nova, privado da soltura das ruas, perturbava-me acompanhar os passos miudinhos, arrastados, do velho Cazumba em direção à casa paroquial do sobrinho, apenas quatro ou cinco casas, uma pegada com a outra, do outro lado da rua.
28.6.26
Há receitas antigas que nunca envelhecem, apenas ficam mais embaraçosas quando a gente percebe que passou a vida inteira ignorando o b...
Como viver bem?
Há receitas antigas que nunca envelhecem, apenas ficam mais embaraçosas quando a gente percebe que passou a vida inteira ignorando o básico.
27.6.26
A poesia de Políbio Alves ocupa um lugar singular na literatura paraibana contemporânea. Em Varadouro, sua obra mais emblemática, o p...
Políbio Alves e a Poesia do Varadouro
A poesia de Políbio Alves ocupa um lugar singular na literatura paraibana contemporânea. Em Varadouro, sua obra mais emblemática, o poeta transforma um espaço geográfico específico de João Pessoa — o antigo bairro do Varadouro e as margens do Rio Sanhauá — em território mítico, histórico e existencial. O que poderia ser apenas uma evocação memorialística converte-se em uma vasta cartografia poética da identidade paraibana.
27.6.26
Ao meu amigo, confrade e professor João Trindade Cavalcanti O meu texto da semana passada ( Quem precisa de edições críticas? | Am...
José Lins e a edição crítica
Ao meu amigo, confrade e professor João Trindade Cavalcanti
O meu texto da semana passada (
Quem precisa de edições críticas? | Ambiente de Leitura Carlos Romero) foi uma introdução sobre o tema da edição crítica, motivado por um curso que ministrei sobre José Lins do Rego, tendo como objeto a
Trilogia de Carlos de Melo, denominação que dei às três obras iniciais do escritor,
Menino de engenho (1932),
Doidinho (1933) e
Banguê (1934).
26.6.26
Minha primeira lembrança conduz ao térreo do Paraíba Palace Hotel, onde o profissional das tesouras, Cruz, sempre repetia o mesmo cort...
Os queridos barbeiros
Minha primeira lembrança conduz ao térreo do Paraíba Palace Hotel, onde o profissional das tesouras, Cruz, sempre repetia o mesmo corte: alemão. Usava uma máquina que raspava as laterais do couro cabeludo e deixava apenas uns poucos cabelos no cocuruto, algo bem militar. Em seguida, besuntava minha cabeça com uma porcaria chamada petróleo.
26.6.26
Tenho me sentido triste ultimamente. Não é uma tristeza de choro ou soluço.
Jogar conversa fora
Tenho me sentido triste ultimamente. Não é uma tristeza de choro ou soluço.
26.6.26
Orgulho daquele pai , o moço Geraldo cantava o Hino Nacional inteirinho desde os seis anos de idade. No começo da adolescência, sabia q...
O Underwood, o Hino e a Copa
Orgulho daquele pai, o moço Geraldo cantava o Hino Nacional inteirinho desde os seis anos de idade. No começo da adolescência, sabia que as margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico. Então, quando nosso professor de Português pediu à classe para achar o sujeito no verso inicial deste que é um dos mais belos cânticos cívicos do mundo, Geraldinho não se deixou enganar pela inversão da frase. “As margens plácidas, professor”,
25.6.26
No último dia 21 de junho, Gonzaga Rodrigues celebrou 93 anos em plena atividade, com uma produtividade que eu, seis décadas mais novo,...
Gonzaga Rodrigues nos arquivos da Ditadura
No último dia 21 de junho, Gonzaga Rodrigues celebrou 93 anos em plena atividade, com uma produtividade que eu, seis décadas mais novo, confesso invejar. Além das crônicas semanais publicadas em
A União e no
Ambiente de Leitura Carlos Romero, ele relançou, em maio passado, a biografia do jornalista paraibano José Maria dos Santos (Ed. Ideia, 2026) — um feito verdadeiramente notável para um nonagenário.
25.6.26
Tenho várias amigas muito queridas, cada uma com seus problemas. Uma, com os pais velhinhos, não consegue visitá-los tanto quanto g...
A dor própria é mais dolorida?
Tenho várias amigas muito queridas, cada uma com seus problemas. Uma, com os pais velhinhos, não consegue visitá-los tanto quanto gostaria, pois vive em outro país. Outra, foi despejada de onde morava, por uma amiga (?),
25.6.26
A filosofia de aprender no silêncio reflete uma profunda busca por compreensão e conexão com o mundo interior. Este espaço de qui...
Ecos do silêncio
A filosofia de aprender no silêncio reflete uma profunda busca por compreensão e conexão com o mundo interior. Este espaço de quietude, como defendido por pensadores como Martin Heidegger, não se resume à ausência de som, mas à criação de um ambiente propício à reflexão e ao autoconhecimento. Para ele, o silêncio é essencial
24.6.26
LACRIMOSA Bem-vindo, crepúsculo — profundo vermelho de um retoque divino — que diz da tormenta, submundo da memória, que diz do des...
Bem-vindo, crepúsculo ⏤ profundo
LACRIMOSA
Bem-vindo, crepúsculo — profundo
vermelho de um retoque divino —
que diz da tormenta, submundo
da memória, que diz do destino
O enfado, o desfalecimento
do dia, que serviu-se do tempo;
de um Sol a apagar-se, moribundo,
dando a sua face ao esquecimento
24.6.26
Nascido na primavera de 1950, convivi com um medo que só desapareceu depois que me vi chegado à adolescência: ficar doente. Ficar d...
As doentes
Nascido na primavera de 1950, convivi com um medo que só desapareceu depois que me vi chegado à adolescência: ficar doente. Ficar doente? Só isso? Bem, é preciso entender que “ficar doente” era um mero eufemismo para estar enfermo dos pulmões, tuberculoso. Dizer que alguém era doente era dizer que a criatura era portadora de tuberculose. À época, ainda uma doença mortal.
24.6.26
Bem jovem e criando três filhos ainda muito pequeninos, assisti a uma entrevista que muito me tocou. Falava-se a respeito das mães...
Prismas
Bem jovem e criando três filhos ainda muito pequeninos, assisti a uma entrevista que muito me tocou. Falava-se a respeito das mães de filhos com necessidades especiais; no caso dessa mãe, em específico, ela tinha um filho diagnosticado com paralisia cerebral.
24.6.26
Por estes tempos juninos lembramos que da mesma forma em que pouco se pensa em Jesus, na época de Natal, menos ainda em João Batista no...
O maior profeta de todos os tempos
Por estes tempos juninos lembramos que da mesma forma em que pouco se pensa em Jesus, na época de Natal, menos ainda em João Batista nos dias de São João. Assim como o peru e o champagne, as quadrilhas, o forró e canjicas roubam a cena dos homenageados.
24.6.26
Amar é retirar excessos. Desobstruir a passagem de tudo que impede nosso crescimento. É preencher vazios, embora não por completo. A...
Amar é retirar excessos
Amar é retirar excessos. Desobstruir a passagem de tudo que impede nosso crescimento. É preencher vazios, embora não por completo. Amar também é limitar. Não é tolher, delimitar fronteiras, meramente. É pôr foco. É contemplar – fazer do nosso olhar um descanso. O amor deve se dispor de si para ser ao outro.
23.6.26
Desde cedo, nos meus vinte e tantos anos, quando me separei pela primeira vez, vi-me diante dessa pergunta crucial na vida de qualquer ...
O que desejamos?
Desde cedo, nos meus vinte e tantos anos, quando me separei pela primeira vez, vi-me diante dessa pergunta crucial na vida de qualquer pessoa, mais precisamente na vida das mulheres. Somos criadas para seguir o desejo do outro: o pai, o marido, a sociedade.
23.6.26
Quererá Vossa Alteza saber novas da terra descoberta 500 anos atrás, à qual, em razão de uma árvore que lá então grassava, deu-se o no...
Segunda carta de Caminha
Quererá Vossa Alteza saber novas da terra descoberta 500 anos atrás, à qual, em razão de uma árvore que lá então grassava, deu-se o nome de Brasil. Muito folgaria em satisfazer vosso desejo, se outras fossem as notícias que vos pudesse mandar. Mas que resta a um súdito leal senão satisfazer a ordem e o desejo do seu rei? Segue, então, um sucinto relato do que reencontramos.
22.6.26
Quando o despertador toca às seis e meia, meu primeiro gesto do dia não é um pensamento profundo sobre a existência, é o tatear cego ...
O café esfria na xícara
Quando o despertador toca às seis e meia, meu primeiro gesto do dia não é um pensamento profundo sobre a existência, é o tatear cego em busca do celular para silenciar o alarme. No espelho do banheiro, encaro o rosto amassado e uma lista mental de pendências que mal cabem
22.6.26
O que Dorian Gray nos diz sobre a Era do Feed Infinito Quando Oscar Wilde publicou O Retrato de Dorian Gray no final do século XIX,...
O espelho de vidro e o filtro digital
O que Dorian Gray nos diz sobre a Era do Feed Infinito
Quando Oscar Wilde publicou O Retrato de Dorian Gray no final do século XIX, ele não estava apenas escrevendo um romance gótico ou uma crítica à hipocrisia vitoriana. Ele estava, sem saber, desenhando o rascunho psicológico do século XXI. A história do jovem aristocrata que preserva sua juventude impecável enquanto uma pintura secreta envelhece e apodrece em seu lugar é a metáfora
22.6.26
O Quintella do título não é o avô matemático, já falecido e muito conhecido dos estudantes brasileiros em meados do século passado,...
Alta cultura nos ensaios de Ary Quintella
O Quintella do título não é o avô matemático, já falecido e muito conhecido dos estudantes brasileiros em meados do século passado, e sim o neto, diplomata e fino escritor, que recentemente publicou o excelente Geografia do Tempo (Andrea Jakobsson Estúdio Editorial Ltda., Rio de Janeiro), reunião de 32 ensaios.
21.6.26
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, surpreendeu muita gente ao citar Sócrates em um discurso sobre a Copa do Mundo de 2026. E não...
Quem nada sabe?
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, surpreendeu muita gente ao citar Sócrates em um discurso sobre a Copa do Mundo de 2026. E não falava do filósofo grego que ensinou Atenas a pensar. Falava do brasileiro de barba cerrada, passes precisos e ideias perigosamente livres: o capitão da Democracia Corinthiana, movimento que defendia a participação dos jogadores nas decisões do clube e apoiava a redemocratização do Brasil, isso em plena ditadura militar.
21.6.26
Necessidade de ser entendido, todos temos.
Grandeza interior
Necessidade de ser entendido, todos temos.
21.6.26
“(...) Quem fez de Kairouan o céu do meio dia? E contudo terra onde um alfaiate cose a noite junto à porta. E cada dia o céu se faz ...
Kairouan: fortaleza de pedra no Magrebe
“(...) Quem fez de Kairouan o céu do meio dia? E contudo terra onde um alfaiate cose a noite junto à porta. E cada dia o céu se faz madeira de porta, cimento de molduras e as sete curvas da ruela (…) Marabout, deixa-me soletrar o nome do teu santo. Mesquita, deixa-me ficar nos arredores do nada e diz-me quanta poeira terei de comer, quanto azul verter (…) Diz que me vês atravessar o Souk, bater à minha porta na Medina (…) Diz que sou o teu azul na terra quando adormecemos no poço mais fundo de Kairouan onde se espelha o céu nas nossas asas (...) Kairouan une os dois lados do meu coração como uma palmeira hermafrodita.”
21.6.26
Eu tinha um primo em Campina Grande chamado João Ferreira Viana. Chegara aos meus 14 anos e me entendi livre para pular o muro do inte...
Recordar é bem melhor que viver
Eu tinha um primo em Campina Grande chamado João Ferreira Viana. Chegara aos meus 14 anos e me entendi livre para pular o muro do internato, correr seis léguas a pé até Alagoa Nova e iludir a boa-fé de meus pais com a alegação de mal passadio no internato.
21.6.26
Desde os primórdios da civilização, a Humanidade busca respostas para as grandes questões da existência: quem somos, de onde viemos,...
Contribuição do Espiritismo ao progresso da Humanidade
Desde os primórdios da civilização, a Humanidade busca respostas para as grandes questões da existência: quem somos, de onde viemos, para onde vamos e qual o sentido da vida?!… Em meio aos avanços científicos, tecnológicos e sociais que marcaram os últimos séculos, o Espiritismo surgiu como uma proposta renovadora, capaz de dialogar simultaneamente com a razão e o sentimento. Codificado por Allan Kardec no século XIX, apresenta uma visão integral do ser humano,
21.6.26
Quando o jornalista Gonzaga Rodrigues (1933) comemora 93 anos, neste domingo, 21 de junho, é justo que se faça homenagem a este que ...
Gonzaga - uma vida bem escrita
Quando o jornalista Gonzaga Rodrigues (1933) comemora 93 anos, neste domingo, 21 de junho, é justo que se faça homenagem a este que José Américo de Almeida, econômico em elogios, ressaltava como sendo um cronista que era da Paraíba porque não quis ser do Brasil, preferindo ficar na terra onde nasceu.
20.6.26
Os versos que abrem Poema Sobre as Obras da Terra , de Solha , funcionam como uma verdadeira chave de leitura da obra. Vejamos os que ...
W. J. Solha e a poética da continuidade humana
Os versos que abrem Poema Sobre as Obras da Terra, de
Solha, funcionam como uma verdadeira chave de leitura da obra. Vejamos os que separei na página 8:
20.6.26
Dizem os mestres que os grafemas (letras), mais o som (fonemas) de uma palavra e o conceito que dela temos não têm, de fato, uma rela...
O vazio
Dizem os mestres que os grafemas (letras), mais o som (fonemas) de uma palavra e o conceito que dela temos não têm, de fato, uma relação com o que ela representa.
20.6.26
Falar de Gonzaga Rodrigues é falar de uma rara convergência entre jornalismo, literatura e memória. Em uma época em que a velocidade ...
Gonzaga Rodrigues, o cronista incomparável
Falar de
Gonzaga Rodrigues é falar de uma rara convergência entre jornalismo, literatura e memória. Em uma época em que a velocidade da notícia muitas vezes sufoca a contemplação, Gonzaga transformou o cotidiano em matéria estética, elevando a crônica a um patamar de permanência. Seu texto não apenas informa: recria o mundo. Sua escrita não registra os fatos: devolve-lhes alma.
20.6.26
Não é a primeira vez que trago este assunto à baila: a nossa indigência cultural, com relação às edições críticas. O abandono da Filo...
Quem precisa de edições críticas?
Não é a primeira vez que trago este assunto à baila: a nossa indigência cultural, com relação às edições críticas. O abandono da Filologia, nos currículos universitários, leva ao desconhecimento da
ecdótica, como prática de preparação de edições confiáveis. Atente-se para o fato de que a edição crítica não é a edição que contém textos críticos sobre ela, mas aquela que, através de um estudo exaustivo e minucioso, busca fixar um texto, aproximando-o, o máximo possível, da vontade autoral. Por outro lado, também
19.6.26
O que é um filho da p_ _ _? Depende. Na frase “Conheci um político filho da p_ _ _”, trata-se evidentemente de um adjunto adnominal....
Alguns políticos servem para algumas coisas
O que é um filho da p_ _ _? Depende. Na frase “Conheci um político filho da p_ _ _”, trata-se evidentemente de um adjunto adnominal. Mas prestem bem atenção numa pequena variação. Se eu disser que “o político é um filho da p_ _ _”, passa a se tratar de um predicativo. Outra pequena variação: “Esse filho da p_ _ _ é um político”, e então já será sujeito.
19.6.26
Dica de leitura A crônica, quando escrita com autenticidade, possui a rara capacidade de transformar o aparentemente banal em mat...
Eu e Eles: Olhos Brilhantes, de Ricardo Salim (vol. 2)
Dica de leitura
A crônica, quando escrita com autenticidade, possui a rara capacidade de transformar o aparentemente banal em matéria de permanência. Em Eu e Eles – Volume 2: Crônicas Olhos Brilhantes, Ricardo Salim reafirma essa potência ao construir uma obra que observa o cotidiano com delicadeza, humor e consciência crítica, sem perder a leveza que sustenta o gênero.
19.6.26
Desde menino fui medroso. Cresci cercado de medos. Medo de ficar sozinho. Medo de me sentir fechado dentro de uma caixa de fósforos q...
Medos e preconceitos
Desde menino fui medroso. Cresci cercado de medos. Medo de ficar sozinho. Medo de me sentir fechado dentro de uma caixa de fósforos quando tinha febre. O medo foi construção para a resistência.
19.6.26
E lá estava ele nos últimos meses de Mestrado, a 2,6 mil quilômetros de casa, desde um aeroporto até o outro. Por carro, a viagem torn...
O junho que mora em nós
E lá estava ele nos últimos meses de Mestrado, a 2,6 mil quilômetros de casa, desde um aeroporto até o outro. Por carro, a viagem torna-se mais comprida: uns 3 mil e tantos quilômetros no lombo de três rodovias. De todo modo, o distanciamento de pai, mãe, irmãos e amigos fazia-se mais sentido, agora, no junho de danças, bandeirolas, fogueiras, fogos, pamonhas e canjicas. Percebera isso um ano antes e, na ocasião, buscara a Arena Floripa,
18.6.26
Desde o surgimento das civilizações ocidentais e orientais nesses mais de cinquenta mil anos, reconhece-se que o som rítmico e harmôn...
Som intrauterino
Desde o surgimento das civilizações ocidentais e orientais nesses mais de cinquenta mil anos, reconhece-se que o som rítmico e harmônico exerce uma influência positiva sobre a saúde e o comportamento humano. Nesses últimos doze mil anos, a música não era apenas entretenimento, mas uma ciência matemática fundamental, um instrumento de formação moral e uma via de conexão direta com o divino,
18.6.26
Desde Narciso, ver-se é um dos mais profundos desejos do ser humano: como disse Caetano, ele (Narciso) acha feio o que não é espelho.
O novo sempre vem
Desde Narciso, ver-se é um dos mais profundos desejos do ser humano: como disse Caetano, ele (Narciso) acha feio o que não é espelho.
18.6.26
Há preconceitos que desaparecem com o tempo. Outros apenas mudam de roupa. Quando alguém anuncia que vai cursar Medicina, os apl...
Escrever e aprender é como respirar
Há preconceitos que desaparecem com o tempo.
Outros apenas mudam de roupa.
Quando alguém anuncia que vai cursar Medicina, os aplausos costumam ser imediatos. Direito? Excelente escolha. Engenharia? Ótimo futuro. Informática? A profissão do momento – ou do "amanhã" (que "amanhã"? Tudo é tão rápido!). Mas experimente dizer que pretende cursar Letras.
18.6.26
Em um mundo ideal , onde todos pensam e sentem da mesma forma, a essência da humanidade se tornaria um eco monótono, sem a riqueza da...
A beleza da divergência
Em um mundo ideal, onde todos pensam e sentem da mesma forma, a essência da humanidade se tornaria um eco monótono, sem a riqueza das nuances que tornam a vida vibrante. A verdadeira beleza reside na diversidade de pensamentos, na pluralidade de experiências e na capacidade de dialogar a partir de perspectivas distintas.
17.6.26
A CAMINHADA Nasci na cidade de Patos. Meu pai era juiz daquela comarca. A minha caminhada na profissão iniciou-se ainda menino, com ...
Minha história de vida
A CAMINHADA
Nasci na cidade de Patos. Meu pai era juiz daquela comarca. A minha caminhada na profissão iniciou-se ainda menino, com a influência distante do meu tio José da Nóbrega Espínola, irmão do meu pai, médico radicado no Rio de Janeiro. Herdeiro de seu nome, achava que deveria herdar também a sua profissão.
17.6.26
Já começo dizendo que ando com vontade de matar o Moacir, Sempre fui homem da paz, da boa convivência, e essas histórias de resolver a...
Cuide-se, Moacir
Já começo dizendo que ando com vontade de matar o Moacir, Sempre fui homem da paz, da boa convivência, e essas histórias de resolver as coisas no tapa ou no chumbo não é da minha praia. Fujo de uma encrenca como o diabo foge da cruz. Mas tenho meus limites, e como dizem, se eu me esparramar fica difícil juntar depois. Moacir esparramou a minha raiva e agora não consegue juntar os cacos. Estou por aqui com ele.
17.6.26
Sou contemporâneo do ontem; moderno do amanhã. Atemporalizado pela pressa, articulado pelo desejo. Parte da mudança está em mim e n...
Serestar
Sou contemporâneo do ontem; moderno do amanhã. Atemporalizado pela pressa, articulado pelo desejo. Parte da mudança está em mim e não devo tomar a outra face como sendo minha. Sei que o autoconhecimento demanda já tanto de mim. Deverei me aturar até o esgotamento, utilizando mecanismos de defesa: sublimação, subterfúgios para que não me destrua antes de insistir nesse processo de (re)construção diária.
16.6.26
As cidades do Brejo paraibano vivem um clima de efervescência cultural e visitações turísticas. Em qualquer época do ano, é possível d...
Turismo religioso e cultural (2)
As cidades do Brejo paraibano vivem um clima de efervescência cultural e visitações turísticas. Em qualquer época do ano, é possível desfrutar das riquezas naturais, do aconchego do frio e do abraço de seus habitantes.
16.6.26
Enxergar as pessoas como elas realmente são, não como gostaríamos que fossem No começo, tudo é bruma. Sinto que a paixão tem esse p...
Um olhar sem filtro
Enxergar as pessoas como elas realmente são, não como gostaríamos que fossem
No começo, tudo é bruma. Sinto que a paixão tem esse poder de borrar os contornos, de transformar qualquer detalhe em algo encantador. Confesso até que, algumas vezes, amei mais a imagem que construí da pessoa que estava na minha frente. Mas com o tempo, essa névoa vai se dissipando. A convivência do dia a dia vai apagando talvez aquele brilho inicial. Aí chega aquele momento que ou começamos a ver quem ela é de verdade, ou continuamos nos enganando,
16.6.26
Boa parte do que o texto significa não se mostra explicitamente. Quando escrevemos deixamos implícitas algumas informações, e cabe ao...
Pressupostos e subentendidos
Boa parte do que o texto significa não se mostra explicitamente. Quando escrevemos deixamos implícitas algumas informações, e cabe ao leitor completar as lacunas. Os implícitos são basicamente de dois tipos: pressupostos e subentendidos.
15.6.26
Tiramos uma foto , olhamos para ela por alguns segundos, damos zoom, olhamos de novo. Na verdade, é uma foto perfeitamente normal, ma...
Aprendendo a se reconhecer
Tiramos uma foto, olhamos para ela por alguns segundos, damos zoom, olhamos de novo. Na verdade, é uma foto perfeitamente normal, mas ainda assim não a publicamos. Talvez porque não nos reconheçamos nela, ou talvez porque nos reconheçamos demais. Há uma estranha distância entre a imagem que vemos de nós mesmos e aquela que queremos, ou imaginamos, que os outros verão.