Enxergar as pessoas como elas realmente são, não como gostaríamos que fossem No começo, tudo é bruma. Sinto que a paixão tem esse p...

Um olhar sem filtro

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Enxergar as pessoas como elas realmente são, não como gostaríamos que fossem
No começo, tudo é bruma. Sinto que a paixão tem esse poder de borrar os contornos, de transformar qualquer detalhe em algo encantador. Confesso até que, algumas vezes, amei mais a imagem que construí da pessoa que estava na minha frente. Mas com o tempo, essa névoa vai se dissipando. A convivência do dia a dia vai apagando talvez aquele brilho inicial. Aí chega aquele momento que ou começamos a ver quem ela é de verdade, ou continuamos nos enganando,

Boa parte do que o texto significa não se mostra explicitamente. Quando escrevemos deixamos implícitas algumas informações, e cabe ao...

Pressupostos e subentendidos

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Boa parte do que o texto significa não se mostra explicitamente. Quando escrevemos deixamos implícitas algumas informações, e cabe ao leitor completar as lacunas. Os implícitos são basicamente de dois tipos: pressupostos e subentendidos.

Tiramos uma foto , olhamos para ela por alguns segundos, damos zoom, olhamos de novo. Na verdade, é uma foto perfeitamente normal, ma...

Aprendendo a se reconhecer

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Tiramos uma foto, olhamos para ela por alguns segundos, damos zoom, olhamos de novo. Na verdade, é uma foto perfeitamente normal, mas ainda assim não a publicamos. Talvez porque não nos reconheçamos nela, ou talvez porque nos reconheçamos demais. Há uma estranha distância entre a imagem que vemos de nós mesmos e aquela que queremos, ou imaginamos, que os outros verão.

Ler O Corcunda de Notre-Dame hoje é como encostar o rosto num espelho antigo, daqueles que já viram gerações passarem, mas que ainda ...

Entre sinos e silêncios: as contradições humanas em ''O Corcunda de Notre-Dame''

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Ler O Corcunda de Notre-Dame hoje é como encostar o rosto num espelho antigo, daqueles que já viram gerações passarem, mas que ainda devolvem a nossa imagem com uma honestidade que chega a doer. Victor Hugo não escreveu apenas sobre uma Paris distante, medieval, feita de pedras frias e sinos barulhentos. Ele escreveu sobre o que teima em persistir dentro de nós, mesmo quando juramos que já evoluímos. É por isso que essa leitura incomoda tanto. Ela nos reconhece por dentro antes mesmo que a gente perceba o impacto.

Assisti pelo Youtube à homenagem oficial que o governo francês prestou ao pensador Edgar Morin , recentemente falecido aos 104 ano...

A França e a homenagem nacional a Edgar Morin

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Assisti pelo Youtube à homenagem oficial que o governo francês prestou ao pensador Edgar Morin, recentemente falecido aos 104 anos. Foram honras de Estado, com toda a pompa e a circunstância pertinentes. As mais importantes autoridades presentes, inclusive o presidente da República, que fez emocionado discurso. Também um ex-presidente e alguns ex-primeiros-ministros, sem falar nos intelectuais de peso. A cerimônia aconteceu no Hôtel des Invalides, local muito próprio para eventos desses porte e significado. Sentia-se que ali estava a França reverenciando um de seus filhos mais ilustres, verdadeiro patrimônio nacional.

“Ó rios de minha vida: os que cruzei sem ter visto e os que fluem, com mais tinta, no pélago das retinas de quem agora os recria! Não...

Rios Tigre e Eufrates: águas que moldaram a História

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“Ó rios de minha vida: os que cruzei sem ter visto e os que fluem, com mais tinta, no pélago das retinas de quem agora os recria! Não vi o Eufrates e o Tigre, ou o esfíngico Nilo, esse que corre por Biblos e se derrama em estrias às bordas de Alexandria.” Ivan Junqueira in O Rio / O outro lado, 2002

A deflagração da revolta armada de 1930 começou entre os dias 3 e 4 de outubro, nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Para...

Ponderações sobre 1930 e a palavra revolução

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A deflagração da revolta armada de 1930 começou entre os dias 3 e 4 de outubro, nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba. Espalhou-se pelo País e ocorreram combates entre revoltosos e legalistas, resultando em mortes e ferimentos de centenas de pessoas. Somente arrefeceram as lutas após a deposição de Washington Luís Pereira de Sousa da Presidência da República, no dia 24 daquele mês de outubro.

Tenho um amigo que acredita ter descoberto a fórmula da paz universal. Não está nos tratados diplomáticos, nem nas religiões, nem no...

Quando a distância é boa?

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Tenho um amigo que acredita ter descoberto a fórmula da paz universal. Não está nos tratados diplomáticos, nem nas religiões, nem nos livros de autoajuda vendidos em aeroportos. É muito mais simples: não fique perto demais das pessoas.

O “Bispo de Hipona”, conhecido como “Santo Agostinho”, diante da embaraçosa série de semelhanças entre o que prega “Jesus” no Evangel...

Com o devido deságio, o que houve foi plágio.

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O “Bispo de Hipona”, conhecido como “Santo Agostinho”, diante da embaraçosa série de semelhanças entre o que prega “Jesus” no Evangelho e o que o velho “Sócrates” prega – quatrocentos anos antes – na obra de “Platão”, diz que o grego fora mais um profeta da Salvação. Na verdade, com o devido deságio, o que houve foi plágio.

A fêmea, na acepção científica que a antropóloga Fátima Quintas descreve em “A Civilização do Açúcar”, coletânea de estudos com o selo...

A nossa cachaça

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A fêmea, na acepção científica que a antropóloga Fátima Quintas descreve em “A Civilização do Açúcar”, coletânea de estudos com o selo da Fundação Gilberto Freyre, mais me convence da intuição de um velho cronista biriteiro sobre a origem da cachaça. O modo como a
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escritora anima a nossa cunhã luzidia, de cabelos sempre molhados, deslumbrada com o garanhão aportado de longas viagens salgadas, afogueado de todas as hiperestesias do trópico, me faz acreditar no “cajual da sodomia” em que demora a História da Paraíba, do velho Horácio de Almeida, noticiando os festins da indiada no seu veraneio primitivo.

A estrada era longa e tortuosa. Fazia frio, e o vento gelado invadia-lhe as narinas, congelando seus pulmões. Mas ele seguia lúcido, p...

O amor e as águas

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A estrada era longa e tortuosa. Fazia frio, e o vento gelado invadia-lhe as narinas, congelando seus pulmões. Mas ele seguia lúcido, pois, no final, haveria a promessa de encontrar o amor.

Atravessou trilhas cheias de ribanceiras e até adentrou numa planície cheia de canaviais. Ali, a lama cobria-lhe até as canelas, e a chã molhada salpicava suas costas de estalactites de barro, costas afora.

Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só, Não sei sentir-me onde estou. (...) Fernando Pessoa...

Fernando Pessoa: eterno e múltiplo

fernando pessoa heteronimos
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
(...) Fernando Pessoa. Não sei quantas almas tenho
A visita à Casa/Museu Fernando Pessoa me levou a reler livros de poemas de Fernando Pessoa e a consultar livros teóricos e de crítica literária sobre esse poeta múltiplo. Um deles foi Para compreender Fernando Pessoa, de Amélia Pinto Pais, professora e estudiosa da obra do poeta português.

A obra A Doutrina Espírita como filosofia teogônica, de Bezerra de Menezes , ocupa um lugar singular dentro da tradição filosófico-esp...

A Doutrina Espírita como filosofia teogônica

bezerra espiritismo teogonia transcendencia consciencia metafisica
A obra A Doutrina Espírita como filosofia teogônica, de Bezerra de Menezes, ocupa um lugar singular dentro da tradição filosófico-espiritual brasileira. Não se trata apenas de um texto apologético do Espiritismo, nem tampouco de um tratado metafísico convencional. O livro ergue-se como uma tentativa audaciosa de reconciliar razão, transcendência e destino humano numa arquitetura teogônica — isto é, numa reflexão sobre a origem divina da consciência e da existência.
bezerra espiritismo teogonia transcendencia consciencia metafisica
Bezerra não escreve como um teólogo dogmático, mas como um homem dividido entre ciência, filosofia e fé. Seu texto pulsa exatamente nessa tensão.

Não constitui nenhuma novidade afirmar que o teatro de Anchieta é doutrinário, o que significa dizer que a literatura não é utilizada ...

José de Anchieta e o Auto de São Lourenço (Conclusão)

padre anchieta indios auto sao lourenco
Não constitui nenhuma novidade afirmar que o teatro de Anchieta é doutrinário, o que significa dizer que a literatura não é utilizada como um fim em si mesma, mas como meio para atingir uma finalidade, no caso, a catequese. Das várias peças produzidas por Anchieta com esse intuito, destaca-se o Auto de São Lourenço (Teatro; seleção e tradução de Eduardo Navarro,

Provavelmente sou a única pessoa no mundo que frequenta a mesma padaria três vezes ao dia e não come nenhuma espécie de pão. Logo q...

A padaria

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Provavelmente sou a única pessoa no mundo que frequenta a mesma padaria três vezes ao dia e não come nenhuma espécie de pão.

Logo que as portas abrem, já estou à espera, vindo da caminhada da madrugada. Forma-se uma mesa absurdamente eclética, com até 15 participantes. Ricos, lisos, mentirosos, gabolas, tímidos, engraçados... tem de tudo. Qualquer assunto é discutido aos

Nada mais me surpreende. Tudo o que for estabelecido pelo homem não me surpreende mais. Principalmente se esses homens estiverem g...

Água de morro acima

agua hidrica aquiferos desigualdade politicas sustentabilidade
Nada mais me surpreende.

Tudo o que for estabelecido pelo homem não me surpreende mais. Principalmente se esses homens estiverem georreferenciados na Praça dos Três Poderes, em Brasília. No mais, é colocar o moedor de carne a fazer linguiça de baixa qualidade para a saúde pública, com sabor questionável.

Nada mais surpreende porque o país perdeu a capacidade de sustentar consequências.

Conta-se que foi Albert Einstein, com sua Teoria da Relatividade, quem abriu a porta da sala para embarque no tempo. Depois, veio Ki...

De Maria Boa a Eleanor

segunda guerra aviao natal
Conta-se que foi Albert Einstein, com sua Teoria da Relatividade, quem abriu a porta da sala para embarque no tempo. Depois, veio Kip Thorne – ganhador do Prêmio Nobel de Física de 2017 – com seus “buracos de minhoca” cuja abertura requer o emprego da energia negativa oriunda de flutuações quânticas no vácuo. O pessoal do ramo dá a isso o título de “Efeito Casimir”. O colega Michio Kaku, também físico teórico, jura que a viagem

ARREPIO Não quero que a mão de outrem roube o lugar do seu toque em meu corpo (esta ausência que me ressente, e que a presen...

Girassóis em busca de uma resposta do Céu

poesia capixaba espirito-santense jorge elias neto girassois
ARREPIO
Não quero que a mão de outrem roube o lugar do seu toque em meu corpo (esta ausência que me ressente, e que a presença de outro calor, que não o seu, só faz acentuar o vazio) Tenho andado — simplesmente Mas e a poesia da pele, a justificativa de sermos dois e o recanto do Mundo

Em pinceladas rápidas, vamos desenhar o perfil deste homem. Édouard Manet, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Candido Portinari, Ismael N...

Antônio Bento: traços na branca nuvem do tempo

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Em pinceladas rápidas, vamos desenhar o perfil deste homem.
Édouard Manet, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Candido Portinari, Ismael Nery, Maria Campos e Milton Dacosta — estes são alguns dos artistas resenhados pelas mãos do crítico de arte ararunense Antônio Bento.

Em sua obra Políticas da Inimizade , publicada originalmente em francês em 2016, o filósofo camaronês Achille Mbembe desenvolve uma ...

Políticas da inimizade

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Em sua obra Políticas da Inimizade, publicada originalmente em francês em 2016, o filósofo camaronês Achille Mbembe desenvolve uma crítica às formas contemporâneas de poder, exclusão e violência ao longo de cinco capítulos. Em conjunto, esses capítulos revelam sua preocupação com os mecanismos atuais de produção da exclusão, da violência e da morte, demonstrando como o racismo, o colonialismo e a lógica da inimizade continuam a estruturar o ódio nos discursos políticos

A busca pela autenticidade em um mundo repleto de expectativas externas é uma das questões mais profundas que o ser humano enfrenta....

A beleza da autenticidade

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A busca pela autenticidade em um mundo repleto de expectativas externas é uma das questões mais profundas que o ser humano enfrenta. Vivemos em uma era onde as interações estão mediadas por telas, e a comparação se tornou um hábito cotidiano. Nesse contexto, a essência do ser se dilui, e a vida se transforma em um teatro onde muitos atuam papéis que não refletem sua verdadeira natureza.

Como já fizemos entender , elas eram sete. Um grupo coeso e de amizade de anos, desde os tempos da boneca e de pular amarelinha. Vamos ...

O inusitado caso das 7 mulheres

amizade beleza humor ironia conquista surpresa
Como já fizemos entender, elas eram sete. Um grupo coeso e de amizade de anos, desde os tempos da boneca e de pular amarelinha. Vamos a elas: Das Graças, Do Carmo, Da Guia, Das Dores, Da Conceição, Do Socorro e Nair. À exceção de Nair, as outras seis eram mulheres lindas que só vendo. Nessa meia dúzia de beldades, tínhamos as loiras, as morenas e até uma ruiva. Olhos que iam do verde-esmeralda ao azul-celeste, passando pelos
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amendoados e os negros como uma jabuticaba. Deusas gregas, diziam uns ao se referirem àquelas esculturas, àqueles corpos onde nada sobrava e nada faltava. O detalhe é que ali todas eram solteiras e assim estavam; devemos tais circunstâncias ao nível de exigência dessas seis mulheres. Pretendentes não faltavam.

Na Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 4,18), lemos: “Abraão, contra toda humana esperança, firmou-se na esperança e na fé.” A esp...

Humana esperança

Na Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 4,18), lemos: “Abraão, contra toda humana esperança, firmou-se na esperança e na fé.”
A esperança é um bem comum a todos. Temos o livre-arbítrio de acolhê-la ou não em nosso coração. Nem todos conseguem fazer brilhar essa bússola estimuladora da transformação e da reforma íntima.

Quando eu era menino, não gostava muito do meu aniversário. E sabe por quê? Porque, como é em junho, só me davam fogos de São João...

O maior presente

Quando eu era menino, não gostava muito do meu aniversário. E sabe por quê? Porque, como é em junho, só me davam fogos de São João: mijão, estrelinha, traque-de-chumbo, diabinho, e nada de brinquedos, caixa de chocolates e assim por diante. Não fiz como fez meu filho caçula, menino ainda, que, em certo aniversário, devolveu todos os presentes que recebera, tal a sua sinceridade, que superou a delicadeza. Ansioso por brinquedos, naquele dia só recebera roupas, daí a devolução.

Alguém ou algo bateu à minha porta no dia em que o tempo já dissipara todo o silêncio. O silêncio gritara no exercício de me fazer ser ...

Lutos diários

semblante introspeccao lutos diarios leo barbosa
Alguém ou algo bateu à minha porta no dia em que o tempo já dissipara todo o silêncio. O silêncio gritara no exercício de me fazer ser um reflexo de tudo aquilo que eu suportara nos dias sem nobreza. Um rugido de leão ecoando numa caverna onde apenas uma fresta de sol veio trazer a nitidez de que eu precisava. Não é um sofrimento vitimado, mas ritmado, por isso faço poesia. O que vale versar?

Retornando da caminhada pelas ruas com carros sonolentos, na tarde morna, com o Sol deixando as nuvens avermelhadas, lembrei de foto...

A Sinfonia da Serra do Pirauá

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Retornando da caminhada pelas ruas com carros sonolentos, na tarde morna, com o Sol deixando as nuvens avermelhadas, lembrei de fotografias da paisagem de Pirauá, lugarzinho no município de Natuba, na divisa da Paraíba com Pernambuco, que tinham as mesmas características do céu que eu observava naquele momento.

Ela estava inconformada. A sua irmã havia se separado do marido, tinha três filhas pequenas e adolescentes e, mesmo sob o pedido de ...

Minha irmã só quer beijar na boca!

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Ela estava inconformada. A sua irmã havia se separado do marido, tinha três filhas pequenas e adolescentes e, mesmo sob o pedido de volta do marido, não queria mais ser casada. Havia descoberto a cerveja e o forró. Como pode? Só levando uma camada de pau. Mas a minha mãe vai botá-la nos eixos. A irmã tem cinquenta anos, mas quem já viu sair à noite para caçar forró por aí afora?

A linguagem nos define. Dize-me como falas e te direi quem és. A identidade entre pessoa e discurso tanto revela a personalidade do ind...

Cada um é o que fala

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A linguagem nos define. Dize-me como falas e te direi quem és. A identidade entre pessoa e discurso tanto revela a personalidade do indivíduo, quanto reflete a classe ou profissão a que ele pertence. Um médico não usa as mesmas palavras que um economista, nem este tem o mesmo discurso de um advogado.

Há datas que são meros acidentes cronológicos, efemérides que o tempo dissolve como sal na água. Outras, porém, inscrevem-se na própri...

Viver em liberdade

segunda guerra normandia liberdade
Há datas que são meros acidentes cronológicos, efemérides que o tempo dissolve como sal na água. Outras, porém, inscrevem-se na própria carne da história. Mas não como lembranças, como interrogações que recusam o silêncio. O dia 6 de junho de 1944 pertence a essa segunda ordem, não é apenas uma data, é um limiar.

Dica de leitura Certos livros surgem não apenas do desejo de escrever, mas da urgência de reorganizar emocionalmente aquilo que a vid...

Quando a dor se transforma em linguagem de resistência

maternidade sofrimento memoria resiliencia acolhimento superacao
Dica de leitura
Certos livros surgem não apenas do desejo de escrever, mas da urgência de reorganizar emocionalmente aquilo que a vida deixou em ruínas. *Sob o olhar de uma mãe: um filho especial* nasce desse lugar delicado e profundamente humano, no qual a escrita
maternidade sofrimento memoria resiliencia acolhimento superacao
Instagram: @lucietebarbosanutri
funciona como tentativa de compreensão, acolhimento e permanência. O texto se constrói a partir da memória, mas não de uma memória contemplativa ou distante. Pelo contrário: trata-se de uma lembrança viva, dolorosa, ainda pulsando sob a pele da narradora.

Você já marcou um encontro com um livro? Não falo daquele gesto automático de abrir qualquer página para matar o tempo. Falo de compro...

Eu marquei um encontro com um livro e ele sabia mais sobre mim do que eu mesmo

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Você já marcou um encontro com um livro? Não falo daquele gesto automático de abrir qualquer página para matar o tempo. Falo de compromisso mesmo, quase um ritual silencioso, desses que a gente prepara sem perceber que está preparando. Um encontro com hora, lugar e uma expectativa que não se explica direito, mas que fica ali, rondando o peito como quem sabe que algo importante vai acontecer. Porque há livros que não são lidos. São encontrados. Quando isso acontece, não é você quem escolhe o momento. É o momento que te escolhe.

Fui ao lançamento do novo livro de Gonzaga Rodrigues como quem vai presenciar um momento histórico. E de fato era – e foi – um evento...

Gonzaga em pleno palco

gonzaga rodrigues jornalismo literatura memoria homenagem resgate cultura
Fui ao lançamento do novo livro de Gonzaga Rodrigues como quem vai presenciar um momento histórico. E de fato era – e foi – um evento extraordinário, pois não é todo dia que se vê um nonagenário a publicar livro. Pode-se dizer então que o autor teve mais essa ventura na vida, uma vida longa, rica e consagrada. Para quem, ainda moço, chegou na capital com a cara e a coragem para abrir caminhos, não é pouca coisa, convenhamos. O menino de Alagoa Nova, filho de Seu Manuel Avelino e Dona Tonina, como um verdadeiro César, veio, viu e venceu.

Existe uma fraude moderna mais sofisticada e cruel que muitas ditaduras: a obrigação de parecer feliz enquanto se afunda. O sujeito...

A tirania da felicidade produtiva

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Existe uma fraude moderna mais sofisticada e cruel que muitas ditaduras: a obrigação de parecer feliz enquanto se afunda. O sujeito ganha mal, dorme pouco, pega ônibus lotado, é descartável na empresa e ainda precisa sorrir como um animador de auditório corporativo. Não basta trabalhar. É preciso “vestir a camisa”. Uma camisa, aliás, comprada em doze vezes pelo próprio funcionário, que mal consegue pagar o aluguel.

O dia mal nasceu. A noite dá seu último adeus, dizendo:

Mendigos

solidao abandono fe esperanca invisibilidade afeto
O dia mal nasceu. A noite dá seu último adeus, dizendo:

Foi o que li nesta última quarta-feira, 3, ao abrir a página para chegar de espírito aberto à bem-humorada crônica semanal de Luiz ...

Paínho, mainha morreu!

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Foi o que li nesta última quarta-feira, 3, ao abrir a página para chegar de espírito aberto à bem-humorada crônica semanal de Luiz Augusto de Paiva e deparar com o imprevisto, já um mês depois de decorrido.

“Tu me inspiras em teus enigmas. É a incógnita! A esfinge! E assim, te torno começo e fim. Sem saber onde começou e se vai terminar...

O enigma silencioso da Grande Esfinge de Gizé

egito piramide esfinge deserto
“Tu me inspiras em teus enigmas. É a incógnita! A esfinge! E assim, te torno começo e fim. Sem saber onde começou e se vai terminar.” Isabella Blanco
Quando pensamos no Antigo Egito, há uma imagem que geralmente nos vem de imediato à mente: a da grande Esfinge de Gizé que, diz o imaginário popular, toda ela será coberta de mistérios, enigmas e maldições...

Desafios, Conquistas e a Ciência do Bem-Estar no Lar A família é a primeira escola da alma e o laboratório bendito onde se fundem as...

A arte de conviver em família

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Desafios, Conquistas e a Ciência do Bem-Estar no Lar
A família é a primeira escola da alma e o laboratório bendito onde se fundem as sublimes leis da evolução espiritual. Na visão espírita, a família não é um mero acaso consanguíneo, mas um reencontro de corações necessitados de reajuste, aprendizado e, acima de tudo, de amor. Desenvolver relacionamentos saudáveis, cultivar a resiliência e promover a transformação pessoal sob o mesmo teto deixa de ser uma contingência social para tornar-se uma verdadeira ciência da alma: a arte da lapidação mútua.

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Fundamentos da Harmonia
As diretrizes para uma coexistência enriquecedora remontam aos ensinamentos do Cristo e às bases da Codificação. Jesus sintetizou o roteiro perfeito ao exortar: “Tratai todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem” (Lucas, 6:31). Em sintonia, os Benfeitores Espirituais esclarecem, em O Livro dos Espíritos (q. 893), que "a sublimidade da virtude está no sacrifício do interesse pessoal pelo bem do próximo. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade". No cotidiano doméstico, essa caridade se desdobra em quatro pilares fundamentais:

• Empatia ativa: prática de uma escuta profunda e genuína em relação ao outro, despida de julgamentos.
• Assertividade: comunicação clara, sincera e respeitosa, estruturada sem agressão ou passividade.
• Autoconhecimento: base principal para reconhecer emoções e regular reações no lar. Dados indicam que o autoconhecimento é percebido como a base fundamental (71,8%) para relacionamentos saudáveis.
• Flexibilidade: habilidade de adaptar perspectivas diante da diversidade de pensamentos e caracteres.
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Desafios do Mundo Moderno e a “Criatura Exata”
No panorama contemporâneo, as pressões externas testam a estabilidade do lar. Na obra Respostas da Vida, psicografada por Chico Xavier, o Benfeitor André Luiz, no capítulo "Conviver", traz reflexões profundas sobre esses embates. Ele nos recorda que a pessoa difícil em nossa intimidade é a “criatura exata” para o nosso progresso espiritual. Sob essa ótica, o conflito deixa de ser uma guerra destrutiva e passa a ser um sinalizador pedagógico, apontando onde precisamos trabalhar a paciência e a empatia. A Comunicação Não Violenta (CNV) corrobora essa visão ao propor que toda agressão é a expressão trágica de uma necessidade não atendida.

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A Lei da Reciprocidade: Suportar para Ser Suportado
André Luiz destaca que é preciso saber suportar as falhas alheias para que as nossas também sejam toleradas na mesma medida. Isso exige a imediata suspensão do julgamento ríspido, pois nunca temos o quadro completo da dor ou das lutas do outro. É preciso imenso cuidado com a “franqueza rude”: ser honesto é um pilar da convivência, mas a franqueza sem empatia assemelha-se a lançar água fervente sobre uma planta. Palavras duras matam o canal de comunicação e destroem o crescimento do outro, em vez de nutri-lo. O convite é para cultivarmos as relações com desvelo, falando sempre com compaixão.

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O Amor como Liberdade e Evolução
O verdadeiro amor liberta em vez de escravizar. Amar de forma superior é ajudar o outro a encontrar a si mesmo e a caminhar, não a nos obedecer. O objetivo da convivência superior é agir por amor e compaixão, nunca por culpa, medo ou obrigação. Para tanto, é fundamental reconhecer e respeitar o tempo de evolução e o ritmo particular de cada membro da família.

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Apertando os Laços
Abençoemos a nossa família, mesmo que nela exista alguém que temporariamente nos magoe. Aproveitemos a bendita oportunidade reencarnatória de esclarecimento e reconciliação, cientes de que, no futuro, se colhe rigorosamente o que hoje se semeia. Que transformemos nossos lares em oficinas de luz e santuários de paz, com almas ligadas e felizes na mesma união, sintonizadas no pulsar de um só coração.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. Brasília: FEB, 2016.
ROSENBERG, Marshall B. Comunicação não violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. Tradução de Mário Vilela. São Paulo: Ágora, 2006.
XAVIER, Francisco Cândido. Respostas da Vida. Pelo espírito André Luiz. 12. ed. São Paulo: Ideal, 2012.

O livro Café Morno , de Rosilene Leonardo da Silva, nasce de uma percepção delicada da existência: o instante intermediário das esc...

Café Morno

O livro Café Morno, de Rosilene Leonardo da Silva, nasce de uma percepção delicada da existência: o instante intermediário das escolhas humanas. O próprio título já funciona como metáfora do estado emocional contemporâneo — nem fervor absoluto, nem frio definitivo, mas a morna hesitação diante da vida. A autora transforma esse símbolo cotidiano numa chave filosófica e afetiva para compreender o sertão, a memória e a condição feminina. A obra venceu o Prêmio Literário José Lins do Rego na categoria conto, consolidando-se como uma das vozes relevantes da nova literatura paraibana.

Entre os estudiosos , é unânime a condição do padre José de Anchieta (1534-1597) como o personagem mais importante do Brasil do século...

José de Anchieta e o Auto de São Lourenço (Introdução)

padre anchieta indios historia
Entre os estudiosos, é unânime a condição do padre José de Anchieta (1534-1597) como o personagem mais importante do Brasil do século XVI, tendo em vista a obra cultural que desenvolveu e nos legou. Aos 19 anos de idade, ainda um noviço, ele chega ao Brasil para dar continuidade ao trabalho de catequese, iniciado pelo padre Manuel da Nóbrega quatro anos antes, em 1549. Como missionário Jesuíta, sua maior incumbência era a conversão dos índios,

Que Carlos Bilardo era técnico da vitoriosa seleção da Argentina todo mundo sabe. Poucos sabem, entretanto, que ele proibiu seus jogad...

Superstições no futebol

supersticoes futebol bilardo goycochea argentina rituais
Que Carlos Bilardo era técnico da vitoriosa seleção da Argentina todo mundo sabe. Poucos sabem, entretanto, que ele proibiu seus jogadores de comer frango porque se tratava de um símbolo de covardia e dava azar.

Eu aprendi cedo que educação acontece quando existe perda, quando pesa no bolso. Perda concreta. Dinheiro. Tempo. Prestígio.

Descalços sem calçadas

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Eu aprendi cedo que educação acontece quando existe perda, quando pesa no bolso. Perda concreta. Dinheiro. Tempo. Prestígio.

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