O Sertão Educa não é apenas um livro sobre o sertão; é um livro escrito a partir do sertão. Essa distinção é fundamental para compr...

O Sertão Educa, de Gilmar Leite

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O Sertão Educa não é apenas um livro sobre o sertão; é um livro escrito a partir do sertão. Essa distinção é fundamental para compreender a força estética e intelectual da obra de Gilmar Leite Ferreira. Nascido da sua pesquisa de doutorado e posteriormente transformado em livro, o trabalho propõe uma reflexão singular: o sertão não é um espaço de carência ou atraso, mas uma instância pedagógica capaz de formar sensibilidades, valores e modos de existir.

Da Série: Deixemos Homero falar – Parte VII No que diz respeito à terra dos Ciclopes, objeto deste ensaio, a tradição aponta, como...

A Nostalgia da Memória III ou Meu nome é Ninguém

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Da Série: Deixemos Homero falar – Parte VII
No que diz respeito à terra dos Ciclopes, objeto deste ensaio, a tradição aponta, como localização mais provável, a Sicília, a chamada Ilha Trinácria, por causa dos seus três promontórios – o Peloro, a nordeste; o Lilibeu, a oeste; e o Paquino, a sudeste, formando um triângulo. Na narrativa homérica, não se nomeia a Ilha dos Ciclopes, de modo a se imaginar uma
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possível localização. Além dessa grande ilha não nomeada, Odisseus faz referência a uma ilhota, onde ele fundeou o grosso de sua frota (Canto IX, versos 116-117; 136-151).

Na minha juventude , era comum a gente se apaixonar por algum artista famoso. Isso fazia parte da vida e era um acontecimento especial....

O tempo passou... que pena!

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Na minha juventude, era comum a gente se apaixonar por algum artista famoso. Isso fazia parte da vida e era um acontecimento especial. Nossos ídolos eram como super-heróis: míticos e inatingíveis. Restava-nos sonhar com a possibilidade de conhecê-los pessoalmente, um dia.

IGARAKUÊ significa “canoa virada”. Era assim que os povos nativos reconheciam e nomeavam o peixe-boi quando ele subia para respirar....

Igarakuê

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IGARAKUÊ significa “canoa virada”. Era assim que os povos nativos reconheciam e nomeavam o peixe-boi quando ele subia para respirar. Mamífero aquático, o Trichechus manatus expunha o dorso arredondado sobre a água e, por um instante, seu lombo lembrava o casco de uma canoa emborcada. O nome nasceu de uma observação precisa e, ao mesmo tempo, imagética: subir, respirar e desaparecer novamente.

Não, eu não tinha perdido para sempre, como supunha, nem emprestado sem retorno o “Zélins, Flamengo até morrer”, livro contendo crônic...

O livro que a traça não comeu

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Não, eu não tinha perdido para sempre, como supunha, nem emprestado sem retorno o “Zélins, Flamengo até morrer”, livro contendo crônicas esportivas de José Lins do Rego selecionadas por Edilberto Coutinho. Encontrei-o, com o coração em festa, no fundo da grande caixa de papelão esquecida num quartinho da casa antiga onde hoje mora o mais velho dos meus três filhos. Ali, ainda jaziam outros livros e uns 150 recortes de matérias minhas no “Jornal do Commercio”, do Recife,

Não será novidade a sensação de estranheza que acomete boa parte da Humanidade terrestre nesse período de ocaso expiatório-provacional ...

Atribulados e perplexos!

Não será novidade a sensação de estranheza que acomete boa parte da Humanidade terrestre nesse período de ocaso expiatório-provacional e de alvorecer de uma Nova Era de regeneração.

A obra não se entrega à leitura passiva, tampouco se acomoda à linearidade do discurso tradicional. Seu projeto poético parece nascer ...

Abril Alienado, do poeta Percio Lima

A obra não se entrega à leitura passiva, tampouco se acomoda à linearidade do discurso tradicional. Seu projeto poético parece nascer justamente da recusa ao conforto, da negação de qualquer estabilidade semântica. Aqui, a linguagem não funciona como ponte: ela é abismo.

A indignação que surge ao perceber o abismo entre o cidadão comum e o poder público é tão antiga quanto a própria civilização. Gastar...

A paz no travesseiro

sesta consciencia tranquila
A indignação que surge ao perceber o abismo entre o cidadão comum e o poder público é tão antiga quanto a própria civilização. Gastar energia, tempo e afeto defendendo figuras que sequer sabem o nosso nome é uma das maiores ilusões da vida moderna.

Aqui, nessas latitudes menores, que revelam nossa proximidade com aquela linha que divide o Hemisfério em duas partes, não é possível...

Confissões num domingo chuvoso

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Aqui, nessas latitudes menores, que revelam nossa proximidade com aquela linha que divide o Hemisfério em duas partes, não é possível distinguirmos as quatro estações que aprendemos nas aulas do colégio ou que lemos nos alfarrábios de geografia. Aqui são só duas as estações: a das águas e a do Sol. Nesse primeiro domingo de setembro, recebemos as últimas chuvas da temporada das águas; lavaram meu quintal, aquietaram minha alma.

Reflexões éticas sobre a prudência, o arbítrio e a integridade da consciência Era uma daquelas noites em que a conversa escapa ...

Entre dois males

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Reflexões éticas sobre a prudência, o arbítrio e a integridade da consciência
Era uma daquelas noites em que a conversa escapa do controle e vira algo maior. Estávamos na varanda, tínhamos vinho, petiscos e um longo tempo para conversar. O charuto ainda estava apagado, enrolado entre os dedos, esperando o momento certo. Foi quando a porta se abriu pela última vez e já estávamos todos prontos para nossa confraria de todo mês. Agora era dar início ao ritual, pois bons papos sempre começam com um certo ritual. Não havia pressa, não precisávamos chegar ou correr, pois já estávamos agora. Era só dar força às memórias e aos temas, sempre sobre algo que presenciamos durante o tempo de nossa ausência de convívio.

A escrita, até mesmo para os escritores mais profícuos, tem sido fonte de sofrimento e de prazer. Esse misto de sensações é reforçado ...

O mal-estar na escrita

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A escrita, até mesmo para os escritores mais profícuos, tem sido fonte de sofrimento e de prazer. Esse misto de sensações é reforçado devido a uma visão romântica do talento e da inspiração para processos artísticos, numa concepção de que escrever está mais relacionado a dom do que a trabalho, como se a labuta com as palavras diminuísse o artesão. É à ideia de artesania que nos voltaremos, a partir das reflexões do psicólogo Robson Cruz em suas obras “Bloqueio da escrita acadêmica – caminhos para escrever com conforto e sentido” (Artesã, 2020); “O mal-estar na escrita acadêmica: um problema político” (Parábola, 2024) e “Zen e a arte da escrita acadêmica” (Artesã, 2025).

literatura psicanalise psicologia
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Um dos grandes problemas da produção textual é considerar o texto como produto que já virá perfeito, sem ser necessário reescrevê-lo, submetê-lo a constantes refeituras e leituras feitas pelo próprio autor e por agentes externos, professores, revisores, críticos especializados. Na primeira obra de Cruz, ele aponta que Freud escrevia regularmente, dedicava-se ao estudo de sua língua materna e outros idiomas, convivia com seus dramas e tramas, com auxílio de autores diversos. Isso contribuía para que escrevesse com mais segurança. Quase toda sua obra foi construída em torno do gênero ensaio, cuja denominação é autoexplicativa.

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Sigmund Freud (1856–1939), médico austríaco e fundador da psicanálise, trabalha em sua escrivaninha ▪ Londres, 1938 ▪ Foto: Freud Museum
Escrever passa por esse processo de ensaiar repetidas vezes até que a execução se dê satisfatoriamente. Diversos autores já afirmaram que não se publica um texto/livro – abandona-o. Sim, chega uma hora que precisamos deixá-lo ir, retirá-lo da gaveta ou dos milhares de arquivos dispersos. Com isso, não se defende que seja tudo publicado. Moacyr Scliar dizia que a lixeira era uma grande aliada do escritor, apesar de muito poder ser reciclado. O que não serviu a um texto pode ser aproveitado em outro.

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Moacyr Scliar (1937–2011), escritor, médico e cronista brasileiro, autor de romances, contos e textos marcados pelo interesse pela cultura e pela condição humana. ▪ Div.
Sobre o âmbito acadêmico, Robson descontrói em “O mal-estar na escrita acadêmica” a ideia de que os estudantes terem ingressado nas universidades representa domínio suficiente de leitura e escrita para o trabalho que será exigido nesse espaço. Afirma que, assim como outros bens distribuídos desigualmente, os letramentos também fazem parte daquilo a que todos deveriam ter direito, mas poucos obtêm, de fato. O acesso à cultura letrada ainda persiste como um problema político, sendo um privilégio de poucos e abarcado por discursos nos quais a meritocracia impera para pôr vendas sobre os olhos
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de quem pode mudar essa realidade.

Em “Zen e a arte da escrita acadêmica”, o autor retoma a ideia de “bancar” a imprecisão como forma de seguirmos adiante em nossos projetos de escrita e de autoconhecimento, processos intimamente interligados. Nas palavras de Cruz:

“Talvez a defesa da escrita imprecisa faça mais sentido se a tratarmos também como uma psicoterapia da escrita acadêmica, visto que o conhecimento mais valioso num consultório de psicologia clínica é aquele que se constrói via uma linguagem vacilante e imprecisa. Qualquer psicoterapeuta bem formado sabe disso. Apenas quando o paciente se liberta das certezas que tem sobre si mesmo e se interessa por aquilo que é impreciso em sua linguagem, é que as possibilidades para a mudança psicológica surgem”.
Entre a linguagem acadêmica e a elaboração na clínica, o processo ocorre de maneira oposta, porque na academia espera-se do pesquisador/estudante muitas certezas, mas esse suposto
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Robson Nascimento da Cruz, psicólogo, professor e pesquisador brasileiro, dedicado ao estudo da vida acadêmica, da escrita e da história da psicologia. ▪ Fonte: PUC/RS
saber frequentemente se reveste de arrogância e de opressão a quem entende a dúvida como um processo salutar e lícito na construção do saber.

Ainda em “Zen”, aborda-se a relação do corpo na escrita, lembrando-nos do quanto a utilização das mãos e da postura corporal diante do texto são relevantes para o efeito psicológico na escrita. O ritmo e o som da digitação, o bailar dos dedos, a respiração consciente, tudo isso e outros aspectos têm influência na confecção textual.

Robson Cruz há anos se dedica ao estudo de escrita criativa no meio acadêmico, aos sofrimentos psíquicos oriundos desse contexto e como a política gerencia esses sintomas. É psicólogo, professor da Puc-Minas. Seus textos merecem ser lidos por muitas pessoas que sofrem desse mal-estar na escrita, para compreensão de que não necessariamente precisamos nos livrar dessa angústia, mas aprender a escrever com ela, sem romanceá-la, conciliando as múltiplas sensações do processo criativo.

Amigos residentes nesta cidade convenceram-me a levá-los ao sítio onde havia me criado. Isso foi há cinco décadas, talvez. Mas as lem...

Ainda é possível sonhar

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Amigos residentes nesta cidade convenceram-me a levá-los ao sítio onde havia me criado. Isso foi há cinco décadas, talvez. Mas as lembranças de agora, quando as relembro, são agradáveis.

Para o meu filho Daniel e minha nora, Bruna Já em São Paulo, a perplexidade foi em visitar a Cidade Matarazzo. Um megacomplexo de luxo...

São Paulo das Artes

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Para o meu filho Daniel e minha nora, Bruna
Já em São Paulo, a perplexidade foi em visitar a Cidade Matarazzo. Um megacomplexo de luxo (mas aberto ao público gratuitamente), localizado na região central da cidade. O projeto, idealizado pelo francês Alexandre Allard, está posicionado no meio de três hectares de Mata Atlântica, em um terreno de mais de 30 mil metros quadrados, onde ficava o antigo Hospital Matarazzo, a 200 metros da Avenida Paulista.

Além do Hospital, outros edifícios históricos, como a Maternidade Condessa Filomena Matarazzo (1943) e a Capela Santa Luzia (1922), também foram restaurados. Fiquei zonza de ver tanta coisa linda: jardins exuberantes, exposições de arte várias, em especial a
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Maternidade Matarazzo, parte do antigo Complexo do Hospital Matarazzo, idealizado no início do século XX por Francesco Matarazzo, célebre imigrante italiano ▪️ Instagram: @nutriflabuschgorz
com as suas linhas, cogumelos gigantes, “Somos um único fio”, de Sandra Anselmi; lojas-conceito; gastronomia distribuída em inúmeros ambientes distintos; o restaurante novo da Bela Gil, Preta Maria; fileiras de stands vendendo chás, biscoitos, geleias e outros quitutes. E muita gente diversa circulando. Um tiramisu de sobremesa que jamais esquecerei. Pelas paredes? Fotos antigas, pratos pregados no teto, madeira de demolição, cores sépia, os presuntos pendurados, os lustres, as luzes, as velas, o Hotel Rosewood. Um destaque para a instalação “Infinite Library, Biblioteca Infinita”, um labirinto de espelhos, um diálogo imperceptível entre um pergaminho e outro. Uma outra intitulada “Come Home Again, Voltar para Casa”. E mais uma: “Sou o outro do outro”. Perdi-me nos novelos, nos livros, nos espelhos e nos meus outros, literalmente.

Em uma de suas crônicas, Luis Fernando Veríssimo afirmou que nunca tinha usado o ponto e vírgula. A observação do escritor gaúcho, que ...

Pontuar

Em uma de suas crônicas, Luis Fernando Veríssimo afirmou que nunca tinha usado o ponto e vírgula. A observação do escritor gaúcho, que é antes uma blague contra os gramáticos e puristas, sugere-nos algumas reflexões sobre a arte de pontuar. Ela tem a ver com um dos atributos fundamentais da poesia ou da prosa, que é o ritmo.
GD'Art
Literatura é linguagem ritmada, e, para se imprimir ao texto o seu ritmo, é fundamental o uso desses sinais, que, se a alguns aborrecem e inibem, a outros empolgam e mesmo encantam.

Certa noite , quando o mundo parecia cansado de existir, o tempo encontrou a morte sentada à margem de uma estrada. Não havia relógi...

Vencer o tempo ou fugir da morte

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Certa noite, quando o mundo parecia cansado de existir, o tempo encontrou a morte sentada à margem de uma estrada.

Não havia relógios por perto, nenhum sino anunciava a hora, apenas o silêncio, aquele silêncio profundo que costuma aparecer quando a vida já disse tudo o que tinha para dizer.

Que a velhice é um fardo, isso é a realidade. Que poucos cuidam de seus velhos em um país cada vez mais envelhecido é um fato.

Olhos vazios

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Que a velhice é um fardo, isso é a realidade. Que poucos cuidam de seus velhos em um país cada vez mais envelhecido é um fato.

Dizem os físicos que o tempo só corre para a frente, mas a psique humana ignora solenemente as leis da termodinâmica. Há dias em q...

O eco do tempo no peito: Reflexões sobre a saudade

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Dizem os físicos que o tempo só corre para a frente, mas a psique humana ignora solenemente as leis da termodinâmica. Há dias em que a gravidade interior opera ao contrário, puxando o peito para trás, numa dobra invisível do calendário onde o passado deixa de ser arquivo para se tornar presença física. O peito pesa e esvazia ao mesmo tempo, um paradoxo que os filósofos tentam decifrar há milênios, a psicologia chama de memória afetiva e a sociologia trata como o eco coletivo do pertencimento.

Dedico à professora Neide Medeiros, devota de Graciliano. Penso — e, mais que penso, sinto — que o Nordeste e o nordestino geral...

Estereótipo nordestino na crítica de S. Bernardo, de Graciliano Ramos

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Dedico à professora Neide Medeiros, devota de Graciliano.
Penso — e, mais que penso, sinto — que o Nordeste e o nordestino geralmente são vistos pelos brasileiros de outras regiões, com ênfase nos cariocas e nos paulistanos metidos a cosmopolitas, de forma estereotipada. Nem preciso ressaltar — mas fá-lo-ei — o caráter negativo dessa imagem, pois ele já vem intrínseco à própria definição da palavra estereótipo como “concepção baseada em ideias preconcebidas sobre algo ou alguém, sem o seu conhecimento real, geralmente de cunho preconceituoso ou repleta de afirmações gerais e inverdades”. Isso diz tudo — ou quase.

Recentemente, em Salvador, um repórter estava fazendo uma entrada ao vivo diante de um hospital quando um cachorro de rua se aproximou...

O que podemos fazer?

cuidado responsabilidade humanidade gesto melhorar empatia
Recentemente, em Salvador, um repórter estava fazendo uma entrada ao vivo diante de um hospital quando um cachorro de rua se aproximou. O animal brincou com ele, afastou-se e depois voltou carregando um pedaço de pano, deitou sobre o pé do jornalista e ficou ali. O repórter não podia brincar muito porque estava cobrindo uma notícia triste, mas deu o máximo de atenção que podia. O suficiente para a cena chamar bastante a atenção nas redes digitais. O corte da reportagem
cuidado responsabilidade humanidade gesto melhorar empatia
GD'Art
viralizou e chegou até a dona do cachorro. Descobriu-se que o cãozinho estava desaparecido havia mais de um mês e que sua família o procurava. O que começou como uma interrupção banal de uma reportagem terminou com o cachorro reencontrando sua tutora. O próprio repórter resumiu a experiência dizendo que um pequeno gesto de cuidado pode transformar completamente o dia e a vida de alguém.

Nascida por volta de 1507 a.C., Hatshepsut (que significa “a primeira das nobres senhoras”) era uma princesa legítima, filha do rei T...

A majestade do Templo de Hatshepsut (Parte 2)

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Nascida por volta de 1507 a.C., Hatshepsut (que significa “a primeira das nobres senhoras”) era uma princesa legítima, filha do rei Tutmósis I e da rainha Ahmose. Após a morte de seu pai, o trono passou para o seu meio-irmão e marido, Tutmósis II, que viria a falecer por volta de 1479 a.C. após um curto reinado. Como o seu enteado Tutmósis III era ainda criança (teria cerca de 2 ou 3 anos de idade), Hatshepsut assumiu o papel de faraó-regente, governando por quase 22 anos (de 1479 a 1458 a.C.).

Apesar de encravada numa garganta de serras do meu mundo particular, num dos vales mais profundos ou mais misteriosos da minha paisage...

Onde fui achar Ricardo

camara barragem tragedia ricardo obras borborema
Apesar de encravada numa garganta de serras do meu mundo particular, num dos vales mais profundos ou mais misteriosos da minha paisagem infantil, vivi, já velho, o estouro da barragem do Camará, esquivando-me por aqui, sem correr atrás, salvo para abraçar os familiares no estrago que o rio fez na Rua do Tacho, em Alagoa Grande, onde sobrevivia um querido tio gago de 96 anos. A torrente grossa levou-lhe a calçada.

Quem imaginaria que um dia o bicho gente voaria para lá e para cá nas asas de um passarão de metal movido a hidrocarbonetos? Incrív...

Bem-vindos a bordo

Quem imaginaria que um dia o bicho gente voaria para lá e para cá nas asas de um passarão de metal movido a hidrocarbonetos? Incrível! E, por mais que eu decole e pouse, não perco o encantamento. Geralmente, grudo o nariz na janelinha, abro os olhos e viajo.

Existem livros que procuram explicar um poeta. Existem outros, mais raros, que procuram devolver-lhe a complexidade. A Sombra e a Qui...

A sombra e a quimera: a crítica como forma de reencontrar Augusto dos Anjos

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Existem livros que procuram explicar um poeta. Existem outros, mais raros, que procuram devolver-lhe a complexidade. A Sombra e a Quimera: escritos sobre Augusto dos Anjos, de Chico Viana, pertence a essa segunda categoria. Não se trata simplesmente de mais um estudo sobre o autor de Eu, mas de uma reunião de ensaios que procuram desmontar algumas imagens cristalizadas em torno do poeta paraibano e, ao mesmo tempo, revelar a extraordinária riqueza formal, temática e psicológica de sua poesia.

Desconheço um escritor brasileiro que brinque mais com as palavras do que Guimarães Rosa , demonstrando um profundo conhecimento de no...

Oito palavras, em Guimarães Rosa

grande sertao veredas riobaldo aspeito guimaraes rosa
Desconheço um escritor brasileiro que brinque mais com as palavras do que Guimarães Rosa, demonstrando um profundo conhecimento de nossa língua. Atenção para o que eu afirmo: desconheço, não é que não possa existir. E o sentido de brincar, não é o da ludicidade pela ludicidade,

Estava discutindo com amigos sobre feriados, festas e outros que tais nestes tempos escuros. De repente, ante um comentário idiota, me...

Se me fosse dado escolher, a figura de Deus seria feminina

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Estava discutindo com amigos sobre feriados, festas e outros que tais nestes tempos escuros. De repente, ante um comentário idiota, me bateu a obrigatoriedade de nós, homens, respeitarmos mais as mulheres. É que, em nosso mundinho masculino, não atinamos para a oceânica maravilha que são as mulheres. Só que, às vezes, elas também não têm conhecimento do quanto são fantásticas.

Sempre gostei de pensar. E deixo meu pensamento solto para refletir sobre o que algumas frases me dizem e mergulho em perguntas como ...

O apreço não tem apreço

afeto amizade pensamento companhia carinho apreco
Sempre gostei de pensar. E deixo meu pensamento solto para refletir sobre o que algumas frases me dizem e mergulho em perguntas como quem abre uma fresta na janela do tempo para pensar.

Na minha vida, há frases que me fizeram pensar e crescer, e muitas delas saíram de dentro de casa, da casa da minha mainha. Meu pai, o Neguinho Durval, gostava de nos educar e de nos mostrar ensinamentos por meio de frases, pedindo para a gente parar e pensar sobre elas.

Não são muitas , são 15, no máximo, as palavras da língua portuguesa iniciadas com o dígrafo “lh”. Vamos lá: lhe, pronome pessoal obl...

Gil, o lhano

gentileza lhaneza francisco gil messias
Não são muitas, são 15, no máximo, as palavras da língua portuguesa iniciadas com o dígrafo “lh”. Vamos lá: lhe, pronome pessoal oblíquo átono e as contrações das quais resultam lha, lhas e lho, lhos. Depois, temos esquisitices como lharamba, dança popular bem antiga, e lheguelhé, algo ou alguém reles, insignificante. Também, lheismo, embora, originalmente, isso diga respeito a leismo, fenômeno linguístico do espanhol, ao que eu me informo.

Na janela se debatiam as gotas de chuva, e elas tinham o seu sentido de permanência no vidro. Primeiro se chocavam no mesmo ponto e,...

O salto

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Na janela se debatiam as gotas de chuva, e elas tinham o seu sentido de permanência no vidro. Primeiro se chocavam no mesmo ponto e, atordoadas, escorriam até o peitoril da janela. Mas não foi assim com a lágrima de sangue no calor interno daquele quarto.

A pequena tela acima — com o retrato que fiz do Hamlet menino — não sei que fim levou. É fruto da cena que trago aqui, de meu romance ...

Por isso tanta angústia!

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A pequena tela acima — com o retrato que fiz do Hamlet menino — não sei que fim levou. É fruto da cena que trago aqui, de meu romance "A angústia de Hamlet, segundo seu amigo Horácio, paraibano", que encerrou minha "História universal da angústia", Ed. Bertrand Brasil, 2004, e saiu em edição solo pela Arribaçã, no ano passado.

Melancolia — Sempre esta melancolia, estas sobras de um dia triste. Estou assim, hoje. Procuro alguma coisa atrás das coisas. N...

Sempre esta melancolia...

poesia cristina siqueira tatui
Melancolia — Sempre esta melancolia, estas sobras de um dia triste. Estou assim, hoje. Procuro alguma coisa atrás das coisas. Não tenho pena das sobras... É nelas que permaneço inteira. Eu que me sinto tantas. Ser tantas também é uma forma de inteireza. E o medo? E o fracasso?

Sempre senti uma vontade genuína de construir relações de verdade. Em um mundo onde o ódio e o rancor ganham espaço com tanta fac...

Entre afetos e algoritmos

idosos anciaos rede social algoritmo amizade virtual
Sempre senti uma vontade genuína de construir relações de verdade. Em um mundo onde o ódio e o rancor ganham espaço com tanta facilidade, o que eu busco é bem mais simples: conversas honestas, interações sem máscaras e a liberdade de ser quem eu sou, sem a obrigação de agradar a todo mundo ou me encaixar nas expectativas dos outros.

O Cenário Santana, um bairro na Zona Norte de São José dos Campos. Foi onde ocorreu o fato que vou relatar. Comecemos por minha casa...

Uma pequena trapaça

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O Cenário
Santana, um bairro na Zona Norte de São José dos Campos. Foi onde ocorreu o fato que vou relatar. Comecemos por minha casa. Ficava na Av. Princesa Isabel, 1610. Vamos agora à barbearia do senhor Cincinato, que já ficava um pouquinho mais ao norte. De casa até lá, não mais que 1,5 km. Localizada na Monteiro Lobato, rua que desembocava na Paróquia de Sant’Ana, atravessando a Rui Barbosa, essa, a via principal que conectava o centro da cidade à Ponte Velha do Rio Paraíba.

... queremos um mundo colorido, onde haja sempre espaço para o vermelho, o azul, o amarelo, o verde, o cinza... Edison Borba , Apre...

Livros artísticos

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... queremos um mundo colorido, onde haja sempre espaço para o vermelho, o azul, o amarelo, o verde, o cinza... Edison Borba, Apresentação dos 40 anos da publicação do livro Flicts
Há livros que nos cativam pela beleza do texto, outros pela ilustração; existem aqueles que se caracterizam pela ousadia do projeto gráfico; quando escritores e artistas plásticos conseguem reunir esses três elementos, o leitor se sente recompensado. Ler livros bons e bonitos ainda é um dos maiores prazeres para os amantes da literatura.

“Contra o silêncio e o ruído invento a Palavra, liberdade que se inventa e me inventa a cada dia.” Octavio Paz Deitei a toalha br...

Silêncio refletido

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“Contra o silêncio e o ruído invento a Palavra, liberdade que se inventa e me inventa a cada dia.” Octavio Paz
Deitei a toalha branca. Levantei a bandeira. Corpo a corpo reclamei os horizontes tão vislumbrados, mas tão pouco alcançados. É o cúmulo do descompasso ir na contramão de si mesmo, um exercício para que tudo seja reparado. E aqui estou a ancorar numa identidade sem forma, com sensação de mea culpa por fraquejar no autoconhecimento.

"Quando eu era moleca, uma vez meu pai chegou em casa com a cara assustada. Naquele tempo não tínhamos a imediatez de hoje. Nem...

Rose: Uma alegria que se dissolveu no ar

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"Quando eu era moleca, uma vez meu pai chegou em casa com a cara assustada. Naquele tempo não tínhamos a imediatez de hoje. Nem a sincronicidade dos fatos. Menos ainda imagens. Não tínhamos fotos. Qual o susto do meu pai? Soube que a sobrinha Rose, uma ruivinha da pesada e cheia de sardas, tinha desaparecido de casa e, pequenina que era, todos enlouqueceram. Qual a surpresa? A linda pimentinha estava escondida no telhado. Sem violino, para, quem sabe, ver o mundo de cima. Outra perspectiva. Horizontes
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perdidos. Que, com certeza, mulher feita, viu de perto, mundos e mundos. Correr é preciso. E Rose também corre. E toma vinho. E viaja. E se formou com os unguentos. E continua com os cabelos vermelhos. Uma graça atávica no temperamento. É sarcástica. Engraçada. Leve. Irônica. Tem savoir faire. E uma legião de amigos. E eu, sua prima, a quem chama de Aninha! E eu gosto!

Havia descido do ônibus no bairro onde moro, com exemplar do jornal A União na mão. Aguardando para atravessar a rua, um carro para ...

Jornal impresso

jornal impresso cronica memoria leitura redacao
Havia descido do ônibus no bairro onde moro, com exemplar do jornal A União na mão. Aguardando para atravessar a rua, um carro para ao meu lado. Tomo um susto. O motorista baixa o vidro da porta e, de supetão, pergunta onde eu tinha comprado o jornal. Logo respondi, indicando os locais onde são comercializados jornais e revistas.

Como estão teus relacionamentos com as pessoas que te são caras? Estás realmente valorizando o que recebes? Ou acreditas que quem se...

Relacionamentos

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Como estão teus relacionamentos com as pessoas que te são caras? Estás realmente valorizando o que recebes? Ou acreditas que quem se dedica, se preocupa, se desdobra para estar presente não faz mais do que obrigação por ter tua amizade?

Em mais uma dessas reportagens sobre hábitos de vida, leio que a maioria dos brasileiros é de sedentários. São raros os que fazem exer...

A arte de malhar

exercicio sedentarismo ginastica saude arte movimento
Em mais uma dessas reportagens sobre hábitos de vida, leio que a maioria dos brasileiros é de sedentários. São raros os que fazem exercícios físicos e pouquíssimos aqueles que, pelo menos, gostam de andar a pé.

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