Sobrevoando o deserto do Saara, um piloto e narrador da história, sofre uma pane em seu avião, fato que o obriga a fazer um pouso ...

De pilotos e de anjos

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana veronica farias pequeno principe antoine saint exupery

Sobrevoando o deserto do Saara, um piloto e narrador da história, sofre uma pane em seu avião, fato que o obriga a fazer um pouso forçado. Muito cansado ele adormece e acorda com uma presença singela de um principezinho de cabelos dourados que lhe afirma ter vindo do planeta chamado B612.

A introdução do livro a que me refiro é "O pequeno Príncipe" de Antoine-de-Saint-Exupéry (1900-1944) Um livro repleto de simbolismos, que, através dos diversos personagens surreais e permeado de ensinamentos, nos proporciona muita leveza e sabedoria durante a leitura. Fazer a releitura do Pequeno Príncipe foi uma grande satisfação além do que me deu a oportunidade de rever as lições filosóficas nele contidas, bem como viajar por entre o imaginário infantil em suas mensagens acerca do comportamento humano.

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana veronica farias pequeno principe antoine saint exupery
Em um dado momento da conversa ele pede ao piloto que desenhe para ele um carneiro. Depois de várias tentativas insatisfatórias, o piloto desenha uma caixa e justifica ao seu recente amigo: “Pronto, o teu carneiro está aí dentro“. Diria que muitas vezes é necessário usarmos nossa imaginação em determinadas situações, para nos satisfazermos. Em conversa com o piloto ele descreve o seu planeta, que é muito pequeno e evidencia a presença de uma única rosa, de que é possuidor. Afirma ser ela muito vaidosa, convencida e que sempre lhe exige muita atenção e cuidados; fato que o decepciona. Por esta razão, já cansado dos caprichos da rosa, ele decide sair em viagem e deixar o planeta por uns tempos. Conhecer outros mundos, o faria bem. Percebeu que no momento da partida, a rosa demonstrou tristeza e até escondeu uma lágrima. Pelo fato de ser orgulhosa, não quis dizer o real motivo de sua emoção. Ele contando ao piloto as suas aventuras descreve os momentos e as pessoas que encontra ao longo de sua peregrinação pelos diferentes planetas.

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana veronica farias pequeno principe antoine saint exupery

À medida que ele vai conhecendo as diferentes pessoas ele percebe cada vez mais o valor da sua própria essência interior e percebe sua maneira de ser, como também o valor que o seu pequenino planeta tem, como a rosa que lhe é tão trabalhosa e ao mesmo tempo tão querida. O príncipe encontra um geógrafo, um rei, um guardador de chaves da estação de trem, uma serpente, uma raposa dentre outros e cada um deles lhe apresentando motivos para que ele vá interiormente tirando suas próprias conclusões. O livro através dos capítulos, por vezes, me emocionou, mas as palavras da raposa são as de minha preferência. De maneira simples e objetiva a raposa desperta no Príncipe a vontade de retornar ao seu lar e de cuidar da rosa e dos 3 vulcões que ele havia deixado lá. A rosa representa o amor que deve ser cuidado e cultivado por todos nós durante a vida. O encontro com a raposa é uma ode à amizade:

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana veronica farias pequeno principe antoine saint exupery
“Cativar é criar laços, se me cativas, serás para mim único no mundo. E eu serei único para ti. Só de ouvir os teus passos, me alegrarei. Se me cativas, minha vida será cheia de sol. Só conhecemos bem, as coisas que cativamos e para se cativar alguém, é necessário ser paciente. Te olharei com o canto do olho e nada dirás, porque, às vezes a linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Se vens às quatro horas, às três, já serei feliz, porque descobri o preço da felicidade. Foi o tempo que desperdiçastes com tua rosa, que a fez especial. Só se vê bem com o coração, porque o essencial é invisível aos olhos.”

É penosa a parte em que o principezinho descobre um jardim repleto de rosas iguais as que ele tinha lá no planeta dele. Ele teve uma grande decepção e lembrou-se de toda jactância da rosa em afirmar ser a única no mundo. Foi necessário que ele viajasse para outros lugares para descobrir a mentira, e que sua rosa era tão comum.

A relação entre o adulto (o piloto ) e a criança (o príncipe ), vale a nossa observação. Em meio à preocupação entre consertar o avião quebrado e dividir sua atenção com uma criança, conversando o tempo inteiro e por vezes o impacientando, nos revela que às vezes não nos damos conta do nosso egoísmo, preocupados com as tarefas cotidianas e que todas as pessoas merecem a nossa atenção.

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana veronica farias pequeno principe antoine saint exupery

Escolhi três máximas que estão inclusas no livro: A primeira se insere no encontro com o rei: “É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar. A autoridade repousa sobre a razão. Julgarás a ti mesmo. É o mais difícil.” A segunda está no encontro com o geógrafo: “ Mentimos quando queremos fazer graça“. A terceira, no encontro com o guarda-chaves da estação de trem: “Não se vai muito longe quando só se olha para frente.”

O Pequeno Príncipe foi publicado em 1943 e sua popularidade lhe confere a posição de terceiro livro mais vendido no mundo e ser traduzido em mais de 200 idiomas. É um livro muito comovente, original e que vale muito a pena a leitura.

comente
  1. Parabéns. Fiquei curioso para ler o livro.

    ResponderExcluir
  2. Maravilhoso texto...verônica Farias!!
    Este livro devia ser nossa cabeceira!!!
    Reler e reler sempre!!!
    Paulo Roberto Rocha

    ResponderExcluir
  3. Parabéns pela bela e inspiradora interpretação dos símbolos desse clássico Veronica!! 😘

    ResponderExcluir

leia também