Será que precisamos ter um fato absolutamente pessoal para poder colocar a nossa coragem em movimento? O que é indignação? Será que v...

O que é coragem?

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Será que precisamos ter um fato absolutamente pessoal para poder colocar a nossa coragem em movimento?

O que é indignação?

Será que vivemos tantos desafios e absurdos por tanto tempo que nos acostumamos e consideramos tudo normal?

Creio que algumas palavras de nosso vocabulário precisam entrar no debate a fim de que encontremos para elas um “novo” significado que seja capaz de evocar a sua essência e ao mesmo tempo invocar a coragem e a indignação própria dos atributos humanos que estão, sem dúvida alguma, entrando no que Roberto Crema chama de “normose” - uma espécie de fungo, musgo que paralisa e tira da visão esses atributos primários que antecedem a todos os outros atributos, inclusive o amor e a fé. Sem a coragem o amor vira algo distante de seu significado original, vira um conjunto de regras e padrões sociais, que aos poucos vão o empalidecendo e retirando a sua força transformadora. Sem a coragem a fé vira um instrumento de controle com base em inverdades opressoras que dão asas aos preconceitos de todas as formas…

Nas mídias sociais, por exemplo, colocamos as nossas máscaras, com muita frequência, em movimento: xingamos, brigamos, amamos, declaramos, criamos “mitos”, abraçamos “messias” e nos deparamos o tempo todo com a perfeição e a felicidade do outro, em forma de belas fotos e frases feitas... é um caminho rápido para estarmos em grupo, rodeados de “amigos” ou “seguidores”. Um caminho que não exige compromissos, elaborações complexas e nem mesmo a nossa verdadeira identidade.

Podemos ser quem quisermos! Podemos falar o que quisermos! Pois muito pouco do que produzimos ali, se transformará em contato e o contato não tem relação com a bravata nem com a normose, o contato tem relação com o amor e a coragem! O contato gera compromisso, estabelece relações que nos levam a elaborar ideias, conceitos, planejar atitudes e participação na vida coletiva.

Estamos vivendo um limbo, um território desconhecido repleto de algo que ainda não acabou enquanto ficamos à espera de um novo momento, de uma nova era que ainda não apareceu e que temos a crença de que surgirá sozinha, sem que precisemos empregar a nossa força, a nossa energia!

Só pode ser esse o motivo de assistirmos a mais de meio milhão de mortes. Sabemos que essas mortes não são apenas reflexo de uma pandemia, mas dos maus tratos provocados por pessoas, grupos e instituições que receberam de nós a tarefa de cuidar, de proteger e de garantir direitos básicos para a sobrevivência minimamente digna da população existente em todo território nacional e não o fazem!

Muitas pessoas com voz, com poder, com espaço, com seguidores e muitos likes, desprezam a urgente necessidade de agir, aqui e agora!

Usar sua voz para esclarecer, conscientizar, ajudar, com a mesma energia e persistência que usa para vender produtos e espalhar ideias que não acrescentam nada para o bem comum.

Precisamos agir movidos pela dor, ao ver tanta gente morrer, tanta gente sofrer, tanta gente sem ar, tanta gente sem morar, tanta gente sem comer, tanta gente sem poder ser o que é! Precisamos agir movidos pelo amor e aprender a doar o que temos e o que somos sem rodeios para melhorarmos juntos, crescermos juntos!

Precisamos agir movidos pela indignação para termos a força de enfrentar aqueles opressores frios, egoístas que fazem pouco do sofrimento de tantos semelhantes e que precisam ser fortemente e definitivamente banidos com sua crueldade para um campo onde não possam fazer tanto mal coletivo!

A desculpa para assistirmos a toda essa catástrofe que vivemos sem nos colocarmos de forma ampla e clara, permanecendo no conforto da dúvida, em cima do muro (que nos afasta desse tipo de compromisso, mas nos mantém nos shoppings, praias, restaurantes e festas), ou por chamarmos isso de política, é, às vezes, a própria pandemia. Chamamos de política, pronto! Isso justifica o nosso não envolvimento, a nossa apatia, o nosso egoísmo e nossa falta de humanidade diante da dor coletiva.

Importante entendermos (ou deixarmos explícito) que essa atitude também é uma atitude política!

O não posicionamento, seja por não querermos misturar nosso nome, nossa história, nosso negócio a algo associado com a política, ou mesmo por negação ou covardia, sempre será um ato político!

Reconheço o grave problema que é agir sem consciência ou por engano, mas a vida cobra de nós um certo nível de coerência.

Vivo, sigo, crio, mas dedico toda minha fé, minha subjetividade a nossa capacidade de definir o lado da luta.

Em situação “normal''. devemos lutar para termos unidade, tolerância, resiliência, mas nem sempre conseguimos… No entanto, diante de mais de meio milhão de mortos por falta de amor, quero estar atenta e estender esse convite, para que todos nós, possamos lutar para nos mantermos vivos, para nos indignarmos com a crueldade da realidade imediata que estamos assistindo e para que possamos agir com a força do amor. Entendendo que amor tem uma força fabulosa e que não existe na máscara, na acomodação, no silêncio confortável e covarde, pois onde existe a coragem, está o amor; onde existe a participação está a indignação.

Entendemos que:

Coragem+indignação = amor
Negação+apatia = desamor
Para onde queremos ir? O que queremos ser?
Precisamos descobrir e construir juntos!
Precisamos estar juntos e lutar, abertamente, sem medo ou covardia, sem preconceitos.
Precisamos lutar por respeito, por direitos.
Precisamos lutar pela vida!

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