DOMINGO DE PÁSCOA esperei a mansidão da manhã e os primeiros acervos coloridos do sol esperei ouvir a ladainha dos pardais e ...

Domingo de Páscoa

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DOMINGO DE PÁSCOA
esperei a mansidão da manhã e os primeiros acervos coloridos do sol esperei ouvir a ladainha dos pardais e o alerta indiscreto dos bem-te-vis uma noite inteira sumido na mansidão da espera recolhi os mantos invisíveis da ausência e as resinas decompostas do sereno ouvi em silêncio o ruído sobre a morte das estrelas porque em toda morte há uma verdade que nasce
FIGOS MADUROS
ai de mim com essa figueira crescendo dentro sem saber direito o momento da poda ou da colheita ai de mim que não entendo de árvores que não compreendo direito o que elas dizem o que fazem como agem na hora do corte e depois na transcendência das figueiras nem sei se a casca grossa no caule leitoso com o tempo terá uma fibra impermeável ai de mim que percorro a mansidão invisível como um galo cumprindo o ofício das manhãs
SÓLIDO
tinha um estranho apego ao vento abria os braços no topo da montanha colecionava imagens de folhas arrastadas pela leveza e a imobilidade das turmalinas até se transformar em nuvem movimento e mistério de uma eterna canção do silêncio
EXERCÍCIO
o amor é uma verdade singular amar é o voo e não o pássaro a beleza libertária sumindo e talvez retornando ou não quem sabe nunca mais não importa posto que jamais cairemos no abandono por ter sido tamanha a beleza do voo a liberdade do pássaro
O GALO
o silêncio com suas equações de estrelas abre os portais da madrugada sob os olhos atentos do infinito um quarto de lua empresta a partitura ao galo
CANDURA
preciso morrer de morte natural pra que ninguém possa supor de que bem é feito meu mal
RAZÃO NENHUMA
o que escrevo é apenas parte do que sinto a outra parte finjo que minto e acredito

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  1. Lau Siqueira28/4/22 16:13

    O amigo Germano Romero encontrou alguns poemas inéditos e perdidos que eu jamais saberia como encontrá-los.
    Domingo de Páscoa, por exemplo. Mas veja bem: nem todos aqui são inéditos.
    Lembrei de uma aula do amigo Amador Ribeiro Neto, na UFPB, com meus poemas.
    Fui convidado e tive um choque. Os poemas eram inéditos e eu não lembrava de nenhum deles.
    Havia excluído todos por entender que eram muito insignificantes.
    Fiquei calado e envergonhado. Não comentei nada com os alunos e com o professor.
    Fiz cara de paisagem e ouvi atentamente o resultado dos estudos realizados.
    Enfim, que bom que existem pessoas como Germano e Amador, pesquisadores atentos e sensíveis.
    Bom dia com a alegria de ser publicado no ALCR.

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