Em levantamento estatístico realizado pelo respeitado Instituto de Pesquisa Suíço IMD (International Institute for Management Developme...

A intuição

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Em levantamento estatístico realizado pelo respeitado Instituto de Pesquisa Suíço IMD (International Institute for Management Development), em 1997 — portanto há mais de vinte anos —, constatou-se que 80% dos 1.312 executivos entrevistados, em nove países, admitiram que a intuição é importante ferramenta que deveria ser usualmente utilizada na formulação de estratégias e planejamentos empresariais. A maioria dos respondentes (53%) afirmou que recorria à intuição e ao raciocínio lógico em igual proporção, a fim de executar as suas atividades diárias. Em outras palavras, o “que eles estão dizendo é que administrar é mais do que contar, pesar e medir”.1

Independentemente dos diferentes conceitos emitidos pela Ciência que procura explicar como alguém pode conhecer algo sem utilizar a razão ou raciocínio, para o Espiritismo a palavra intuição pode refletir três tipos básicos de ocorrências: a) manifestação da faculdade anímica ou emancipação da alma b) expressão da faculdade mediúnica; c) lembrança de aprendizado adquirido em épocas passadas e/ou no plano espiritual.

Os fenômenos de emancipação da alma ou anímicos (de anima, alma) são produzidos pelo próprio Espírito encarnado sobretudo nos momentos de desprendimento (desdobramento) espiritual. Nessa situação, o Espírito tem consciência de ocorrências do plano físico como do espiritual, podendo participar ativamente de ambas.2 Retornando ao corpo físico, a pessoa recorda intuitivamente dos acontecimentos vividos, como ensinam os Espíritos orientadores:

“Em geral, guardais a intuição dessas visitas ao despertardes. Muitas vezes essa intuição é a fonte certas ideias que vos surgem espontaneamente, sem que possais explicá-las […].”3

Os fenômenos mediúnicos (de medium, meio) decorrem da ação dos Espíritos sobre um instrumento humano, o médium. A intuição manifestada pela via mediúnica é muito sutil: “Frequentemente se torna difícil distinguir o pensamento do médium daquele que lhe é sugerido, o que leva muitos médiuns deste gênero a duvidar da sua faculdade.[…].”4
Com o passar do tempo e com a prática mediúnica contínua, o médium aprende a fazer distinção entre as próprias ideias e as alheias. A intuição mediúnica está bem explicada por Allan Kardec quando ele analisa as diferentes formas da psicografia:

A transmissão do pensamento também se dá por meio do Espírito do médium, ou melhor, de sua alma, já que designamos por esse nome o Espírito encarnado. O Espírito comunicante não atua sobre a mão para fazê-la escrever; não a toma, nem a guia. Atua sobre a alma, com a qual se identifica. A alma do médium, sob esse impulso, dirige sua mão e a mão dirige o lápis. Notemos aqui uma coisa importante: o Espírito comunicante não substitui a alma do médium, visto que não poderia deslocá-la; domina-a, à revelia dela, e lhe imprime a sua vontade. Em tal circunstância, o papel da alma não é inteiramente passivo; é ela quem recebe o pensamento do Espírito comunicante e o transmite. Nessa situação, o médium tem consciência do que escreve, embora não exprima o seu próprio pensamento. É o que se chama médium intuitivo.5

A lembrança é outra forma da intuição acontecer. Pode estar vinculada a algum acontecimento que a pessoa presenciou nos momentos de desdobramento pelo sono e que surgem na mente, posteriormente, sob a forma de sonhos. Mas também pode ser uma lembrança que assomou ao consciente, vindo do subconsciente e que se manifesta no mundo íntimo do encarnado. Pode ser uma lembrança que reflete aprendizado adquirido pelo Espírito em vidas passadas e nos intervalos das reencarnações, quando ele se encontrava no plano espiritual, ou é um lembrete relacionado, em geral, a provações existenciais.
A primeira possibilidade caracteriza as lembranças denominadas como ideias inatas e tendências instintivas, boas ou ruins. O lembrete relacionado a provas e expiações é um mecanismo de apoio que pode fazer parte do planejamento reencarnatório.

As provações da vida são momentos decisivos para a nossa felicidade futura. A reparação de erros cometidos e aquisição de novos aprendizados exigem esforço permanente no Bem. Assim, usualmente, contamos com o auxílio de Espíritos benfeitores que nos fazem recordar os compromissos assumidos e que nos apoiam nesse processo de melhoria moral e intelectual. Assim, em razão da lei de causa e efeito, o Espírito escolhe, antes de renascer, “[…] provas semelhantes àquelas por que passou ou as lutas que considere apropriadas ao seu adiantamento e pede a Espíritos que lhe são superiores que o ajudem na nova tarefa que porá em execução. […].”6 Kardec acrescenta outras ponderações:

“Embora em nossa vida corpórea não nos lembremos com exatidão do que fomos e do que fizemos de bem ou de mal nas existências anteriores, temos a intuição de tudo isso, sendo as nossas tendências instintivas uma reminiscência do nosso passado, tendências contra as quais a nossa consciência, que é o desejo que sentimos de não mais cometer as mesmas faltas, nos adverte para resistir.”7

Nos dias atuais, as ideias intuitivas mantêm estreita relação com a criatividade. Para os estudiosos, a mente das pessoas intuitivas desenvolveu a capacidade de lidar com figuras ou configurações. Neste sentido, a intuição é uma forma peculiar do pensamento que emite imagens mentais denominadas não-lógicas.8 “[...] O valor da intuição estaria na habilidade da mente produzir e interpretar imagens não-lógicas e, ao mesmo tempo, coexistir harmonicamente com as emissões do pensamento racional-lógico.”9 Este é o ponto exato que reflete o atual interesse dos estudiosos pela intuição e pelos intuitivos. Empresários e tecnólogos, psicólogos e educadores da atualidade incentivam ou desenvolvem estudos, pesquisas e análises, confiantes de que os insights ou a súbita percepção, próprios dos intuitivos, representam um jeito novo de fazer algo, e pode ser a solução para problemas e desafios complexos, existentes na civilização hodierna.

Emmanuel esclarece: “A faculdade intuitiva é instituição universal. Através dos seus recursos, recebe o homem terrestre as vibrações da vida mais alta, em contribuições religiosas, filosóficas, artísticas e científicas, ampliando conquistas sentimentais e culturais, colaboração essa que se verifica sempre, não pela vontade da criatura, mas pela concessão de Deus.”10

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