Na apresentação do livro de Francisco Gil Messias, na Academia Paraibana de Letras, o professor Milton Marques chamou a atenção do leitor para o personagem Paulo Honório, personagem-narrador do romance S. Bernardo. O escritor estreante queria escrever um livro contando a sua vida, convocou alguns amigos “sabidos” para auxiliá-lo na missão de escrever um romance. Irritou-se com João Nogueira, um dos parceiros, que teria a missão de organizar a ortografia, a pontuação e a sintaxe do livro. O fato da irritação com o amigo era porque queria escrever um livro “em língua de Camões, com períodos formados de trás para diante.”
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Não adiantaram as justificativas do redator e diretor de O Cruzeiro, que se justificou com este argumento: “Arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia”. Paulo
Considero que os textos de Gil Messias se aproximam de Graciliano Ramos pelo modo sucinto de escrever, pela clareza de linguagem, pelo estilo sem rebuscamentos, como pude observar no seu último livro A mosca na parede e outros textos – de crônicas a ensaiados ensaios (Ed. Ideia, 2026). O arguto Milton Marques Júnior certamente também sentiu afinidades entre a escrita de Gil Messias e a de Graciliano.
O ensaísta/cronista esclarece, na abertura do livro, que os seus textos foram escritos no período de 2021 a 2025 e que foram praticamente todos publicados no blog Ambiente de Leitura Carlos Romero, somente alguns no suplemento literário Correio das Artes. Não estão datados, mas o leitor irá perceber que há uns mais “datados”, outros indefinidos, o que não diminui o valor dos textos selecionados.
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Quando surgiu esse complexo de inferioridade? Certamente na infância, na convivência diária na casa senhorial da patroa de sua mãe; ali ele via dois mundos bem distintos – o seu, que era o mesmo da sua mãe, e o da patroa. Sentir-se inferior na infância, como bem diz Gil Messias, é algo que marca a alma infantil, como se fosse uma tatuagem ou um fundo corte feito a faca.
Há outros textos neste livro sobre Machado de Assis, mas foi este o que mais me chamou a atenção. Tentar desvendar os mistérios da alma humana é tarefa difícil para as pessoas comuns e para os escritores.
Em homenagem ao título do livro, transcrevo quatro estrofes do poema “A mosca azul”, de Machado de Assis:
Era uma mosca azul, asas de ouro e granada,
Filha da China ou do Industão,


Que entre as folhas brotou de uma rosa encarnada
Em certa noite de verão.
E zumbia, e voava, e voava, e zumbia,
Refulgindo ao clarão do sol
E da lua, – melhor do que refulgiria
Um brilhante do Grão-Mogol.
Um poleá que a viu, espantado e tristonho,
Um poleá lhe perguntou:
“Mosca, esse refulgir, que mais parece um sonho,
Dize, quem foi que to ensinou?”
Então ela, voando, e revoando, disse:
– “Eu sou a vida, eu sou a flor
Das graças, o padrão da eterna meninice,
E mais a glória, e mais o amor”
Do livro de Poesia – Ocidentais










