Hoje escutei de um amigo uma crítica que fizeram sobre mim. Alguém que acredita me conhecer fez um comentário nada agradável. Já out...

Quem sou?

pintura reflexao reforma intima eu interior
Hoje escutei de um amigo uma crítica que fizeram sobre mim. Alguém que acredita me conhecer fez um comentário nada agradável. Já outra me enviou uma mensagem agradecendo meu existir. Bem, ninguém conhece ninguém. Eu faço ideia de como as pessoas são a partir do que me é permitido saber. Vivo diuturnamente no processo de conhecimento sobre mim mesma. Sou, para diferentes pessoas, diferentes fragmentos. Tudo vai depender da perspectiva da qual me enxergam.
pintura reflexao reforma intima eu interior
Arte: Eva Gonzalès, S.XIX ▪ Belvedere, Viena
Como bem ilustra o conceito de Galileu Galilei e Albert Einstein: “Tudo depende do referencial” daqueles que dizem saber quem sou.

Por exemplo, Painho acredita que ainda sou a filha que precisa de proteção. Outro dia, fui caminhar sozinha do município de Serraria para Borborema (uns 12 quilômetros ida e volta), sem celular, incomunicável. Parei numa fonte para tomar água e me refrescar. Ao chegar na casa dele, fui logo interpelada:

⏤ Estava onde? Fui até Borborema lhe procurar e não achei.

Respondi que estava sentada para descansar e não vi o carro dele passar. Perguntei o motivo da busca.

⏤ Você demorou, podia estar sendo raptada ⏤ respondeu preocupado.

Mesmo com meus 65 anos, me emocionei pelo sentimento de proteção. Fiquei imaginando ele, com seus 90 anos, brigando com sequestradores. Lembrei que com meus filhos sou também assim. Eles já são homens feitos, adultos, casados, com filhos pequenos que precisam de ensinamentos, controle e da efetiva proteção; ainda me sinto no dever de protegê-los, mimá-los, repreendê-los. Me refiro aos dois como “minhas crianças”.
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Arte: Eva Gonzalès, S.XIX ▪ Col. particular
Conheço a índole deles, a essência que os torna tão especiais, porém ainda não sei o todo. As qualidades estão sendo agregadas a partir do amadurecimento que lhes chega. Cada pessoa me vê segundo a bagagem que carrega.

Como vejo os que estão no trem da minha vida e os que já estiveram? Sei como vejo aqueles que convidei para descerem antes da minha derradeira estação; mesmo que nem sejam para outras pessoas como são para mim. Daqueles que pararam na estação da eternidade, não saberei. Dos que desceram por vontade própria, não quero saber.

Pode ser que, antes de escreverem por mim na página do meu livro da vida 'AQUI JAZ', eu consiga me compreender.

Por enquanto, vou me amando e sendo quem sou depois de tantas voltas ao redor do sol. Aproveito cada amanhecer para me dar a chance de melhorar, me achar e me integrar, seguindo na garimpagem para descobrir quem sou.

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