Ou para que ninguém diga que não sou politicamente correto * Episódio a mim relatado por Sebastião, técnico em engenharia hidráuli...

Um episódio inusitado

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Ou para que ninguém diga que não sou politicamente correto
* Episódio a mim relatado por Sebastião, técnico em engenharia hidráulica doméstica, especializado na condução de fluidos, desobstrução de dutos e controle de vazamentos em sistemas prediais.


Marcolino era um profissional abnegado, especialista em fracionamento anatômico de proteínas de origem animal, com ênfase em cortes comerciais e distribuição de derivados cárneos. Era um homem de grande estatura, o que o diferenciava de seu irmão, Dagoberto.

Este outro, profissional especialista em revitalização cromática e acabamento de superfícies arquitetônicas, era uma criatura que, além de estatura verticalmente compactada, tinha uma distribuição corporal volumosa, com ocupação espacial acima do tolerável.

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Marcolino frequentava academias (não as de letras) e, por tais razões, era uma figura atlética, diríamos até bela, não fossem dois detalhes: uma reduzida cobertura capilar no território superior de sua caixa craniana e uma destacada projeção nasal. Contraíra núpcias com Nazaré, mulher de posses por direito de herança, mas, visualmente, possuía uma configuração estética que não alcançara consenso favorável nos padrões convencionais de beleza.

Já Dagoberto era casado com Nair, uma mulher, tal qual o marido, prejudicada verticalmente e, além disso, dona de estruturas auditivas externas de expressiva presença lateral.

A vida dos irmãos ia às mil maravilhas. Mas eis que surge Salomé, uma consultora independente de disseminação de informações interpessoais, especializada em inteligência informal, circulação de notícias e investigação da vida privada alheia, e essa vil criatura fez chegar aos ouvidos de Dagoberto que Nair e Marcolino estavam praticando relações extraconjugais, com atuação clandestina no segmento de parcerias afetivas não homologadas pelo cônjuge titular.

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Marcolino, ainda que tivesse compleição atlética, era dotado de elevada sensibilidade preventiva a situações potencialmente geradoras de desconforto físico, emocional ou existencial. Por isso, negou peremptoriamente a decantada traição. Dagoberto, muito bravo e apontando um revólver para o irmão, chamou-o de sujeito sem capacidade de se contrapor à realidade factual.

Nisso, chega Nazaré, cujo fluxo verbal estava sempre sujeito a interrupções rítmicas involuntárias, muito nervosa, e chama a concunhada de mulher que pratica serviços de interação íntima interpessoal, com ênfase na gestão comercial de experiências afetivo-corporais.

A troca de múltiplas acusações resultou em um processo de divergência, com expressiva utilização de recursos corporais de contato e constrangedora comunicação verbal.

A contenda foi presenciada por diversos indivíduos em estado recorrente de alteração psicomotora induzida por substâncias etílicas.

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Não fosse a chegada do sargento Getúlio, militar de permanente e reduzida tolerância, e de seu auxiliar imediato, o cabo Anselmo, criatura bajuladora com atuação preferencial junto a indivíduos hierarquicamente superiores, poderia ter ocorrido um fato de proporções impensáveis, com risco de vida para os contendores.
TRADUÇÃO DO POLITICAMENTE CORRETO
PARA A LINGUAGEM COLOQUIAL


UM ACONTECIMENTO ESTRANHO
Quem me contou foi Bastião Encanador.

Marcolino era açougueiro, careca e narigudo, mas um sujeito alto, ao contrário de seu irmão Dagoberto, pintor de paredes, que era baixinho e gordo.
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Marcolino era casado com uma mulher rica e feia, a Nazaré. Dagoberto, por sua vez, era casado com Nair, que era baixinha e orelhuda.

Os casais viviam às mil maravilhas até que surge Salomé, uma fofoqueira, e esta foi dizer a Dagoberto que a mulher dele o estava traindo com Marcolino.

Marcolino, que, apesar de grande, era medroso, negou tudo. Dagoberto apontou o revólver para o nariz do irmão e o chamou de mentiroso. Nisso, chega Nazaré, que era gaga, e chama a concunhada de prostituta.

Então, começa uma briga entre eles, com muitos bêbados assistindo e que, se não fosse a interferência do carrancudo sargento Getúlio e de seu puxa-saco, o cabo Anselmo, aquilo poderia ter resultado em uma tragédia.

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