Oxente, caba, como vou explicar que ser nordestino não é só gostar de rubacão, buchada e comida pesada?

Dia do Nordestino é todo dia

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Oxente, caba, como vou explicar que ser nordestino não é só gostar de rubacão, buchada e comida pesada?

Que não é só viver eternamente dividido entre a tapioca de coco e a de manteiga ou o cuscuz quentinho feito na hora?

Que é tão agoniado do juízo quanto comer angu de tarde?

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Que sabe que a vida é dura, mas pode ser doce como um pedaço da melhor rapadura de engenho?

Que já acorda com um sol de oitocentos graus debaixo do lençol?

Que, quando está no sertão, gosta de uma caninha com traíra e, no litoral, prefere cerveja com caranguejo?

Que forró é nossa música clássica, nosso minueto sagrado?

Que somos todos Seu Lunga, mas também somos engraçados e rimos de nós mesmos?

Que nosso sotaque é sem igual e, com ele, engolimos letras e colocamos outras, né mermo?

Que só nós temos uma literatura toda nossa, a literatura de cordel?

Que aqui os poetas vão para as feiras e mercados, viola embaixo do braço e o repente na ponta da língua, deixar os matutos abestalhados de felizes em ouvir a glosa?

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Que, na boquinha da noite, a gente já olha pra rede e busca se deitar pra matutar o dia seguinte?

Oxente, caba, hoje é Dia do Nordestino! Mas quem disse que não é todo dia?

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