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O filósofo prussiano Immanuel Kant (1724-1804) curiosamente se parece um pouco com uma boa parcela dos políticos e juristas: quase sempre ...

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O filósofo prussiano Immanuel Kant (1724-1804) curiosamente se parece um pouco com uma boa parcela dos políticos e juristas: quase sempre está em cima do muro. Apesar disso, é por muitos considerado o principal pensador da era moderna. Nascido em Königsberg, passou toda a sua vida nesta cidade, em cuja universidade estudou e da qual se tornou professor.

Muitos estudiosos da literatura brasileira – do quilate de Otto Maria Carpeaux, José Guilherme Merquior, Luís Augusto Fischer e José Cas...

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Muitos estudiosos da literatura brasileira – do quilate de Otto Maria Carpeaux, José Guilherme Merquior, Luís Augusto Fischer e José Castello – dão a entender, curiosamente, em algumas de suas análises, que o nosso país parece ter grande afinidade com gêneros artísticos menores ou, pelo menos, considerados pela crítica como menores, tais como a crônica e a canção popular, em detrimento de outros tidos como maiores, como o romance e a sinfonia. Isso ficou mais evidente após a explosão da cultura de massa em nosso mercado moderno do século XX: corria

Flagrei-me ao lado do escritor, artista, crítico, intelectual e pensador Waldemar José Solha , e de sua adorável esposa Ione, quando os do...

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Flagrei-me ao lado do escritor, artista, crítico, intelectual e pensador Waldemar José Solha, e de sua adorável esposa Ione, quando os dois comemoravam, em Paris, suas bodas de ouro, em 2015.

Poder ter participado de uma tarde dentre os dias dessa festa é algo que guardarei comigo para sempre. Nos dias de hoje, invadido por redes sociais, em que vemos tantos casamentos de fachada, não é para qualquer um passar cinquenta anos de sua vida ao lado de outra pessoa.

Martinho Lutero foi, sem dúvida, um revolucionário. Foi ele que disse: “Confiem em Deus, não nos ‘autonomeados’ intérpretes de Deus.” Tal ...

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Martinho Lutero foi, sem dúvida, um revolucionário. Foi ele que disse: “Confiem em Deus, não nos ‘autonomeados’ intérpretes de Deus.” Tal afirmação desafiadora à poderosíssima Igreja Católica Romana, com seu séquito interminável de exegetas da lei divina, hierarquicamente distribuídos em diversas funções eclesiásticas, muito tinha a ver com um tremendo feito do monge agostiniano: ele, em 1522, publicara a primeira versão vernácula,

Imagine um homem que acredita estar sendo traído pela mulher. Imagine que, quando ela aparece morta, ele é preso e se metamorfoseia. Imagi...

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Imagine um homem que acredita estar sendo traído pela mulher. Imagine que, quando ela aparece morta, ele é preso e se metamorfoseia. Imagine que, ao sair da prisão, logo em seguida, ele se depara com uma versão loira da falecida mulher morena. É possível conceber tudo isso? Sim. Tratando-se de David Lynch, tudo é perfeitamente possível e, porque não dizer, plausível. Esqueça, porém, uma narrativa convencional e lógica. O surreal aqui fala mais alto. Bem mais alto.

É difícil um instrumentista se destacar na música popular: a concorrência desleal com centenas de ótimos e excelentes cantores e cantoras ...

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É difícil um instrumentista se destacar na música popular: a concorrência desleal com centenas de ótimos e excelentes cantores e cantoras é algo que beira o absurdo. O instrumentista, miseravelmente, não canta, ou não sabe cantar. Mas, é preciso vender todo tipo de música – inclusive a instrumental, que a massa ignara detesta, ou nem sabe que existe, ou, pior, nem sabe que é música. Criam-se, então, categorias à parte para instrumentistas. Não para Miles Davis.

Radicalizando e depurando a proposta sonora do Movimento Armorial, tema abordado em nosso artigo anterior, Ariano Suassuna então abraça o ...

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Radicalizando e depurando a proposta sonora do Movimento Armorial, tema abordado em nosso artigo anterior, Ariano Suassuna então abraça o Quinteto Armorial, que viria a se tornar um dos mais substanciais grupos musicais brasileiros, na verdade o mais importante a criar, até hoje, uma música de câmara erudita brasileira de raízes populares. Formado em Recife, em 1970, e liderado por Antônio José Madureira, gravou quatro discos até o seu encerramento, em 1980. Sua proposta era criar um diálogo entre o cancioneiro folclórico medieval galaico-português e as práticas criativas e interpretativas nordestinas, ligadas à tradição oral e musical da região, buscando uma síntese entre a música erudita e as tradições populares.

Até hoje, muito já se especulou sobre o grande pai da literatura ocidental. Era cego? Foi uma mulher? Era uma única pessoa ou várias? Pouc...

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Até hoje, muito já se especulou sobre o grande pai da literatura ocidental. Era cego? Foi uma mulher? Era uma única pessoa ou várias? Pouca coisa se sabe a respeito do grego Homero, produto de uma longa tradição de poesia oral, fundador da poesia épica e, para muitos, da própria literatura ocidental, que nos deixou duas obras imortais: A Ilíada e A Odisseia. Esta última é um soberbo poema épico que se passa depois da queda de Troia (Ílion)

Nutro enorme admiração pelo pernambucano Alceu Valença . Para mim, ele é um gênio de nossa música popular. Vem de longa data minha reverên...

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Nutro enorme admiração pelo pernambucano Alceu Valença. Para mim, ele é um gênio de nossa música popular. Vem de longa data minha reverência a ele e a uma boa parte de sua obra, calcada na mistura de ritmos nordestinos, na inteligente simplicidade e beleza de suas fórmulas e no bom uso da poesia musicada.

No começo, tudo era superstição, lendas e religião. Assim era o mundo antes dos gregos do século VI a.C. Como o milagre se deu permanece a...

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No começo, tudo era superstição, lendas e religião. Assim era o mundo antes dos gregos do século VI a.C. Como o milagre se deu permanece até hoje um grande mistério. Chineses e babilônios, além dos antigos egípcios, eram mais evoluídos naquela época. Suas civilizações eram mais vastas e pujantes do que a sociedade grega.

Sua tecnologia era superior. Seu conhecimento de matemática era mais profundo e abrangente. Os gregos estavam muito aquém dessas civilizações: não sabiam prever eclipses, não tinham a incrível engenhosidade para construir pirâmides, esses colossais monumentos que até hoje intrigam boa parte dos historiadores e arqueólogos.

Muita gente não presta atenção ao inglês William de Ockham – Guilherme para nós —, esse frade franciscano que viveu na Idade Média, entre ...

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Muita gente não presta atenção ao inglês William de Ockham – Guilherme para nós —, esse frade franciscano que viveu na Idade Média, entre os séculos XIII e XIV. Sendo considerado por muitos um “pensador menor”, o estudioso e teólogo escolástico foi o mais proeminente representante da escola nominalista, para a qual a questão dos “universais”, um dos maiores problemas da filosofia, era apenas pura retórica, tola invencionice, isto é, falácia.

Seu pensamento empirista e paroxisticamente moderno para a sua época assume a defesa sem concessões do livre arbítrio, condenando a interferência do Estado ou da Igreja nas ações humanas. Discípulo de Duns Scott

A era moderna da filosofia começou com Descartes, o homem que duvidou de tudo e reduziu nosso conhecimento a uma certeza principal: Cogito...

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A era moderna da filosofia começou com Descartes, o homem que duvidou de tudo e reduziu nosso conhecimento a uma certeza principal: Cogito ergo sum (Penso, logo existo). Lamentavelmente, seu racionalismo partiu em seguida para a reconstrução do nosso conhecimento, como se nada tivesse acontecido.

Depois disso, os empiristas ingleses (Locke, Berkeley e Hume) envolveram-se em processo um tanto destrutivo e arriscado, afirmando que o conhecimento humano

No romance policial, psicológico e filosófico de minha autoria, O Silêncio das Sombras , Petrus Hammer é um investigador que busca soluc...

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No romance policial, psicológico e filosófico de minha autoria, O Silêncio das Sombras, Petrus Hammer é um investigador que busca solucionar o desaparecimento ou morte de uma garota – Milena. Ele não larga a foto da moça, que carrega dentro do bolso interno do blazer. Aos poucos, a investigação o toma por completo, e ele faz da foto que carrega consigo uma obsessão: ele procura a Milena real ou a que se insinua, em um olhar onírico, na fotografia?

O grande trunfo do mais famoso cineasta sueco de todos os tempos – Ingmar Bergman (1918-2007) – sempre foi o rosto humano. Seus close ups...

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O grande trunfo do mais famoso cineasta sueco de todos os tempos – Ingmar Bergman (1918-2007) – sempre foi o rosto humano. Seus close ups dos mais variados atores e atrizes, que com ele trabalharam em sua longa e prolífica carreira, equivaliam a dizer, vulgarmente, que as faces eram os espelhos da alma. Nunca as expressões faciais dos atores (demonstrando medo, angústia, hesitação, dúvida) tinham sido mostradas com tantos detalhes no cinema. Em entrevista ao renomado

Interessante é que Ridley Scott sempre foi um diretor do tipo “ame ou deixe-o”. É possível gostar, de um modo avassalador, de alguns de se...

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Interessante é que Ridley Scott sempre foi um diretor do tipo “ame ou deixe-o”. É possível gostar, de um modo avassalador, de alguns de seus filmes. De outros, no entanto, detesta-se de uma maneira quase doentia. Por sorte, um dos maiores filmes da história do cinema (ouso dizer), Blade Runner, o caçador de androides, entra para a lista dos filmes geniais do diretor inglês.

Ele definitivamente não está no panteão dos dez ou quinze maiores filósofos da humanidade, mas seu pensamento de inegáveis matizes morais...

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Ele definitivamente não está no panteão dos dez ou quinze maiores filósofos da humanidade, mas seu pensamento de inegáveis matizes morais persiste até nossos dias. Foi ele que nos ensinou que o homem se perde em tempos que não são seus (o homem só pensa em ver os dias passar, ou gastar seu próprio tempo, perdendo-se em atividades como dançar, beber, jogar etc), deixando o tempo presente escapar-lhe como areia de suas mãos – um pensamento poderoso e moderno sobre a fugacidade da vida que influenciou sobremaneira os filósofos de índole existencialista.

Quando penso no matemático, teórico político e filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679 — viveu 91 anos!), sempre me ponho a imaginá-lo co...

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Quando penso no matemático, teórico político e filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679 — viveu 91 anos!), sempre me ponho a imaginá-lo como um personagem de algum filme policial “noir”, um assassino frio e calculista. Seu pensamento mecanicista ao extremo me assombra até hoje, pela sua forma natural e, porque não dizer, cruel de enxergar a alma humana.

Há muitos epítetos que rondaram a carreira do insigne cineasta francês François Truffaut, morto prematuramente aos 52 anos, em 1984, devid...

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Há muitos epítetos que rondaram a carreira do insigne cineasta francês François Truffaut, morto prematuramente aos 52 anos, em 1984, devido a um câncer no cérebro. Um deles é o de que era o “cineasta da ternura”. Outro, “o cineasta da infância”. São rótulos que a imprensa e os produtores criam para vender filmes. Com efeito, Truffaut era um homem de extrema elegância — e não só cinematográfica —, espiritual inclusive. No caso de seu valiosíssimo clássico “Os incompreendidos” (“Les 400 coups”), a infância nunca fora retratada de forma tão poética, tocante e melancólica. Portanto, no que tange a essa película, vale o chavão que marcou o diretor francês.

pilot_micha Grande compositor popular brasileiro, Chico Buarque se insere em um grupo seleto de nossa música, um panteão onde fi...

Grande compositor popular brasileiro, Chico Buarque se insere em um grupo seleto de nossa música, um panteão onde figuram Tom Jobim, Cartola, Pixinguinha, Nelson Cavaquinho, Dorival Caymmi, entre outros. Apedrejado em redes sociais nos últimos tempos devido a posições políticas, o compositor e letrista Chico é maior que tudo isso, inclusive superior, bem superior à sua obra em prosa, que ele insiste em dar continuidade: o Chico artista de música popular é infinitamente mais pujante que o Chico escritor, em que pesem os vários prêmios que já recebeu na área da literatura. Uma pena ele ainda não ter se dado conta disso. Desconfio que os fãs do artista Chico pululam nas bancas julgadoras de concursos literários...

Mas vamos ao que interessa. Clássico irretocável do nosso cancioneiro popular, o disco “Construção”, que neste ano de 2021 completa cinquenta anos de seu lançamento, é o quinto álbum de Chico para a gravadora Philips e traz músicas até hoje cantadas e executas em todos os recantos de nosso país. Feito impressionante é que quase todas as suas faixas foram sucessos, na época de seu lançamento. Mas não foram meros “hits” da ocasião. Devido a sua indefectível qualidade musical e assombrosa lírica, Chico elevou várias músicas deste LP originalíssimo ao patamar de clássicos da música popular brasileira.

Com produção do grande Roberto Menescal, do não menos importante Mazola e de Toninho, “Construção”, com seus pouco mais de trinta minutos de duração, é, inegavelmente, um dos mais importantes discos da história de nossa música.
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O contexto político do ano do lançamento do álbum (1971) todos já conhecem: o Brasil vivia sob a égide de um regime militar, em que generais se revezavam no poder em Brasília. Marcadamente influenciado em suas orquestrações por Rogério Duprat, o álbum é um petardo que une os ritmos tradicionais de nosso cancioneiro à crítica social e política, com a notória desenvoltura poética de Chico para burlar a censura da época.

Deus lhe pague e a música-título do álbum — que pode ser ouvida ao lado, com seus famigerados versos alexandrinos com rimas esdrúxulas, ou seja, aquelas rimas que ocorrem entre palavras proparoxítonas -, dão o tom da denúncia dos desmandos do contexto político em que vivíamos. Além delas, há a bela melodia de Valsinha , parceria com o poetinha Vinícius de Moraes, o Samba de Orly , verdadeiro hino de vários brasileiros exilados na época, outra colaboração com Vinícius, com a participação do ás do violão Toquinho.

Filho do historiador e grande intérprete de nossa realidade política, econômica e social Sérgio Buarque de Holanda, Chico confirma neste fabuloso disco que é um grande contador de estórias, um artista que consegue transportar para o terreno da música popular crônicas urbanas, detalhes de nosso dia-a-dia, lamentos amorosos, profundas observações sobre as relações entre homem e mulher, lançando um olhar perscrutador sobre a própria condição humana, com um fino lirismo característico de sua obra: é o que ouvimos e sentimos em clássicos como Olha Maria (este com a participação de Vinícius e o gênio Tom Jobim) e Cotidiano.


Marco de uma época que hoje é motivo de chacota e piadas em redes sociais por gente que nunca estudou História do Brasil, “Construção” é um disco único, obrigatório. Os fabulosos sambas e outros ritmos de seu repertório, eivados de ricas harmonias e melodias, mostram que a nossa música perdeu muito em criatividade e inspiração lírica nas décadas seguintes. Será que a democracia não fez bem a nossos artistas?

Hoje, 19 de junho de 2021, Chico completa 77 anos de idade

Se analisarmos a história da humanidade, descontados todo o otimismo gratuito e a perplexidade diante dos avanços da tecnologia nos último...

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Se analisarmos a história da humanidade, descontados todo o otimismo gratuito e a perplexidade diante dos avanços da tecnologia nos últimos sessenta, setenta anos, chagaremos à conclusão de que somos umas bestas. Que loucura começar um texto assim, não é? Por que tanta agressividade? Não seria melhor suavizar um pouco mais o discurso?