Neste fim de semana, tive de trocar um livro com falhas de impressão (“Democracia e luta de classes”, de Lênin) e só não passei inteiramente incógnito e encandeado nas avenidas do shopping porque, já na saída, irrompeu duma loja o reparo de um amigo velho nestes exatos termos: “Oh, você está bem, ainda em cima dos pés. Mas só escrevendo sobre casa velha.”
Duvido, sem pabulagem, que até vinte anos atrás houvesse lugar desta cidade onde eu não encontrasse a quem cumprimentar pelo nome ou vi...
Cronista casa velha
Neste fim de semana, tive de trocar um livro com falhas de impressão (“Democracia e luta de classes”, de Lênin) e só não passei inteiramente incógnito e encandeado nas avenidas do shopping porque, já na saída, irrompeu duma loja o reparo de um amigo velho nestes exatos termos: “Oh, você está bem, ainda em cima dos pés. Mas só escrevendo sobre casa velha.”
Continuo fazendo a garimpagem na internet e descobrindo algumas pérolas. A mais recente é a seguinte: Três coisas salvariam o Brasil: ...
E a Educação, para onde vai?
O que, realmente, poderia salvar o Brasil? Direi, sucintamente, que a nossa salvação está na educação. A memória histórica é importante, mas depende diretamente da educação, a partir de que se pode entender o que significa cultuar uma memória, formadora de um conceito de nação.
PONTEIO O que faço com as vírgulas, que me sobram e emperram minha escrita? Por que insisto nas reticências, que dei...
Luz que irradia
O que faço com as vírgulas, que me sobram e emperram minha escrita? Por que insisto nas reticências, que deixam em aberto mesquinhas suposições? Onde coloco os dois pontos cruciais, que me obrigam a dar inúteis explicações?
Um grupo do agronegócio havia marcado reunião porque queriam assessoria jurídica para um empreendimento que iriam iniciar aqui na Paraí...
Agrodroga
A grade de programação do Canal Arts & Entertaimment, da NET, traz “O Grande Kilapy”, filme de Zezé Gamboa, homem que se tornou a m...
O Grande Kilapy
A ambientação surpreende o público paraibano em razão de passagens pela orla e prédios que assinalam a diversidade arquitetônica de João Pessoa. Chamam, particularmente, a atenção dos que moram, ou conhecem a cidade, as cenas tomadas diante da antiga sede dos Correios e Telégrafos e do Liceu Paraibano, prontamente reconhecidos.
Primavera Primavera traz movimento ao olhar balé de cílios Surpresa de cores São flores! Olhos são para as flores ...
Surpresa de cores
Primavera traz movimento ao olhar balé de cílios Surpresa de cores São flores!
Vejo um mundo cor de rosa No sentido flor da palavra Na janela Olhando a rua do mundo Um imenso coração Debruado em cor de rosa
Todo jornalista tem sua tragédia profissional. Também tive a minha. No segundo semestre de 1987, no auge da carreira e com elevados índ...
Tragédia profissional
Era uma noite de mistério e suspense. Algo soturno emanava da atmosfera da fria madrugada de início de ano. O gélido cenário enevoava a...
A bravura pacífica e a covardia do poder
A imensa edificação, com quase quinhentos aposentos, de tantas histórias abrigadas em ambiciosa e colossal arquitetura, acervo de bibliotecas e obras de arte da imperatriz Catarina II, sede oficial do império, residência de inverno dos czares, havia de ser o palco ideal escolhido para a justa manifestação que estava por vir.
As castanholas se vestem de um tom vermelho antes de se despirem ao sopro dos ventos de agosto. As folhas entapetam a terra como um abr...
Há gosto
Foi hoje, há 68 anos. Como bem melhor diz o povo e sem nenhum esforço para dizer: “Me lembro como se fosse hoje.” E como se fosse hoje ...
O 24 de agosto
“Encarregado da página do noticiário nacional, eu vinha acompanhando vivamente a corrente dos fatos e das falas que saíram compondo, desde a morte do repórter Nestor Moreira ao atentado a Lacerda com a morte do major Vaz, o cenário turbulento que a Tribuna da Imprensa e o coro dos demais jornais passaram a chamar de “mar de lama”.
Quando caminhava pelo sítio por entre carrapichos, no aceiro das conversas entre os mais velhos sempre estava a situação de penúri...
Fome na terra de Canaã
Há poucos dias, ao final de uma missa votiva pela mãe de um amigo fraterno, dirigi-me ao cantor que participara daquela celebração ...
Antes de ser saudade
Vez por outro me deparo com alguém surpreso por eu ter deixado o curso de Medicina no quarto ano. O fato oco...
Escolha de vida
Raiva? Explico. Poucos aceitam que alguém vá de encontro a metas socialmente impostas. Desrespeitar a convenção é pôr em xeque os referenciais que orientam o funcionamento da sociedade. O maior deles é ganhar dinheiro, e para isso necessita-se escolher cursos teoricamente rentáveis. Medicina, como se sabe, é um deles.
Você que olha suas rugas no espelho, caminha com sapatos ainda escolhidos pelo próprio gosto, respira esse ar — que por vezes está cont...
Epopeia de Gilgamesh!
Será possível tecnologicamente, já nos foi dito pelos expertos. Porém, creio que desses que respiram no planeta, até o momento, nenhum terá direito a essa pílula de cor
Uma das vantagens de se morar num lugar que tem as quatro estações bem marcadas é ter uma voz constante a advertir sobre a passagem do...
Texto de verão
Terminei de ler A casa das letras, de Abelardo Jurema Filho (Fecomércio PB e MVC/Forma, 2022), e fiquei pensando nos mistéri...
As casas de Abelardo
Abelardo nasceu no Rio de Janeiro em meados do século passado, onde viveu uma infância de classe média, mas de certa forma privilegiada, uma vez que seu pai, cujo nome carrega com muita honra, era na época político de reconhecido prestígio, tendo sido líder do governo Juscelino Kubitschek na Câmara dos Deputados e ministro da justiça no governo João Goulart. Suas perspectivas, portanto, eram alvissareiras, como se dizia antigamente. Não tivesse havido o golpe de abril de 1964, que derrubou o presidente Goulart, e a consequente cassação do mandato de seu pai, logo exilado no Peru, pode-se dizer que sua vida teria sido outra. Imaginemos.




















