Sentado um instante, corpo inerte enquanto a mente acelerada pensava mil e uma coisas, nem todas com a utilidade de um Bombril, várias in...

Em impulsos pensamentos

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Sentado um instante, corpo inerte enquanto a mente acelerada pensava mil e uma coisas, nem todas com a utilidade de um Bombril, várias inservíveis, distrações cerebrais. E nem percebia que o mundo ao redor observava o distraído corpo que sustentava a cabeça feita uma metralhadora giratória.

Ali, era analisado pelas plantas que estavam à lateral do banco, pelos dinossáuricas lagartixas no muro caspento de cimento salpicado como lençóis a cobrir tijolos, camuflagem perfeita, e pelo bem-te-vi que pousou com seu canto
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característico na fiação da rua... e logo voou para recolher-se.

Dentro da caixinha mente os temas circulavam, lembrava um liquidificador ou um globo da morte, talvez a mistura das comparações resultasse no melhor dos conceitos. Das batidas do múltiplo pensar saíam grandes ideias, até irrealizáveis, mas geniais; ou da colisão de tantos temas como motos velozes em rodopios fulminantes explodiam sonoros nadas... Não era perda de tempo, porém chuvarada no inverno, quando raios e trovões são espetáculo, o aguaceiro fértil rega, é realização.

O corpo estava alheio aos comandos cerebrais. Aproveitava a folga sentado tranquilamente no banco de cimento artístico, a mais bela obra de um autor desconhecido, sem assinatura. Acomodado seria uma boa expressão para descrevê-lo ali, enquanto um vento agradável aliviava o formato de sauna que o verão muitas vezes se faz presente. No fim de tarde era bálsamo. Melhor aproveitar a trégua. Nem se incomodava com a subida de curiosas formigas céleres pelos pés. Torcia apenas para que estas não o picassem disparando no sistema nervoso alertas doloridos da invasão dos pequenos seres multipatas.

Enquanto isso, a cabeça pensava, pulsava... Ora trazia boletos que se abriam com seus valores e datas mentais feito estacas batidas, ora pingavam roteiros de viagens futuras ainda a serem planejadas, ou ainda receitava tarefas burocráticas exigidas pela rotina profissional, intercaladas com nomes de músicas, filmes e livros que pipocavam, até mesmo temas para reportagens.
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Fotografias iam e vinham em flashes intercalados com sorrisos, poses, senhas e cálculos... de números e de vidas. E logo passavam...

Os olhos exploravam a intervalos regulares a mente maquinal eletrônica do celular que dialogava constantemente com outras plataformas mentais, por detrás de nomes e números de identidades e CPFs de conhecimentos pessoais ou apenas virtuais, rostos e sombras se apresentavam. Na tela, carnes e ossos de tantas datas, tantos tempos. Mar de informação catapultado pelos teclados, botões, sensações, conexões.... Impulsos em pulsos com ou sem pulsação humana aparente ou já findas. Eram ideias ou idealizações e desejos.

O relógio, objeto que tentou capturar inutilmente o tempo, esse ser indomável, e acabou por engaiolar tantos homens pelo braço ou paredes, avançava. Fora da caixa de metal que o tempo era mais fascinante e imperativo. Caía a luz que anunciava mudança na andança dos segundos, nos minutos seguintes... Era mudança.

E em um instante mente, olhos e corpos se tocavam que já era hora de parar tudo aquilo. Num pulo despertava o corpo para caminhar num sentido a observar, pois o Sol já punha-se por fronteiras tardias ao oeste, para depois virar ao inverso, pois a Lua alargava-se nos limítrofes do leste. A chuva havia passado, a noite seria clara, mente! Uma nova real idade, transformação.

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  1. Parabéns👊👊👊👊👊👊👊👊
    Clóvis Roberto👊👊👊👊👊
    Adorei sua excelente crônica👊👊👊
    Paulo Roberto Rocha

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