A noite de terça-feira, dia 24 de fevereiro, quando aconteceu a sessão póstuma para lembrar Chico Pereira, ficará na lembrança da Academia Paraibana de Letras como um momento marcante.
Chico Pereira ▪️ Fonte: TV Cidade João Pessoa
Sua obra se perpetuará como uma sombra para quem procura abrigo nas Artes.
Edificada com obras densamente humanas, a sombra de Chico acolhia a todos carentes do alimento que a Arte oferece, porque tudo observava com sutileza.
Podemos dizer que seus gestos sintetizavam a harmonia entre a Academia e as manifestações da alma de quem produz e necessita da Arte como alimento.
O acadêmico Hildeberto Barbosa Filho falou em nome da Academia, ressaltou a caminhada de Chico Pereira
Hildeberto Barbosa Filho▪️ Fonte: APL
Outro destaque na sessão foi o pronunciamento de Rayssa, filha de Chico, que, pela sutileza das palavras e beleza dos gestos, emocionou os presentes.
O texto que muito comoveu:
A JORNADA DAS PALAVRAS DE CHICO PEREIRA
(Rayssa Soares Pereira)
(Rayssa Soares Pereira)
A humanidade sempre apresentou a necessidade de eternizar aquilo que o tempo poderia apagar; por isso, criou a letra. A palavra “texto” vem do latim *textus*, que significa tecido. Portanto, escrever é, literalmente, tecer fios. A letra que compõe a palavra, sozinha, é apenas um símbolo; juntas, produzem um significante.
Rayssa Soares Pereira ▪️ Fonte: APL
Passear pela história nos leva a questionar: onde habita o coração dos grandes mestres? Certamente, na simplicidade.
A palavra simplicidade é uma das mais profundas da nossa língua. Significa aquilo que só possui uma dobra ou que não as possui. Ele foi um Mestre sem dobras, desapegado, sem mistérios ou cerimônias. Sua palavra fazia morada na simplicidade.
Homenagem póstuma a Chico Pereira ▪️ Fonte: APL
Leonardo da Vinci nos conduz à reflexão de que a simplicidade é o último grau da sofisticação. Portanto, para um verdadeiro mestre, o triunfo é conseguir traduzi-la a todos.
Chico Pereira sentou-se na Cadeira 15 desta Grande Casa, a Academia Paraibana de Letras, manifestando o prazer e o compromisso de que a palavra não deveria ser intocável, mas, sim, um fio condutor de gerações, guardiã da história.
Assim o fez com maestria, honrando o legado daquele que a criou, Eugênio Toscano de Brito, que fez da palavra cura e do ensino, caminho, bem como ao lado de tantos outros condutores da palavra — Augusto dos Anjos, José Lins do Rego e Ariano Suassuna — que defenderam a cultura como instrumento de transformação, fazendo da palavra ponte.
Hoje, com generosidade, Chico Pereira cede seu lugar para que outro mestre possa assentar-se à mesa desta Casa.
Chico Pereira no dia da posse na Academia Paraiba de Letras ▪️ TV Cidade João Pessoa
A obra de Chico Pereira não repousa; ela espera. E cada visita é um reencontro com a nossa própria história.
Com a palavra, eternamente, Chico Pereira.










