Entre as metas para os primeiros meses de 2026, estabeleci arrumar uma gaveta por dia. Essa é uma atitude simbólica para me encorajar a...

O peso do que guardamos

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Entre as metas para os primeiros meses de 2026, estabeleci arrumar uma gaveta por dia. Essa é uma atitude simbólica para me encorajar a mudar o rumo das coisas que não quero mais para minha vida. Preciso de leveza. Estou exausta de carregar tantas tralhas, físicas e emocionais. E isso não é fácil.

Papéis, tecidos, contas já pagas, cartas antigas, cordas emaranhadas, tomadas quebradas, CDs, pen drives, fotos amareladas, laços de fita, embalagens de presente, sacos de
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todos os tamanhos e cores, restos de medicamentos, resultados de exames que nem dizem mais de mim hoje, cadernos rabiscados, potinhos sem tampas, bolsinhas fora de moda, alfinetes, broches, botões, sobras de cerâmica, tijolos, telhas, brita, areia! Meu Deus!

Para cada objeto, uma história que já passou e que, talvez, nem mereça mais ser lembrada. No meu celular, há 78 mil fotos! São rostos, rastros, fragmentos de instantes vividos, alguns dos quais eu até gostaria de esquecer. Por que guardo tanto vídeo inútil de cenas que deixei de ver para filmar? Por que me abarroto de roupas que não me cabem mais?

Jogar fora o que não presta nem me serve tem sido um mantra repetido a toda hora, para me convencer de que isso é o melhor a fazer. No entanto, incomoda-me tal reação, tão pouco econômica. Não somos sustentáveis. Somos, sim, acumuladores. Nós sujamos o mundo com a cultura da avidez por objetos. O quarto, a sala, a varanda, o jardim e todos os lugares no nosso entorno vão se enchendo do que não precisamos nem queremos mais. Minha estante transborda de livros que sei que não conseguirei ler, quanto mais reler! Não disponho mais do tempo de uma vida inteira, como quando eu era jovem e me considerava ilesa à idade e às suas consequências.

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Depois virá o mais difícil: desvincular-me de pessoas que não se identificam comigo, não se importam com o que sinto, não escutam efetivamente o que eu tenho a dizer; de quem pouco ensinei e muito menos com quem aprendi; afastar-me de energias negativas, carregadas de má vontade, de inveja e de suas indelicadezas. Chega!

Acumulamos também sentimentos de raiva, de angústia, de dúvida, de desprezo, de descaso e de indiferença, os quais enchem nossos dias e minam nossa saúde mental. Reconheço que não sou uma pessoa fácil. Virginiana, trago da influência do zodíaco a impaciência, a criticidade, a acidez do meu olhar para o que não gosto, a exigência, o controle das situações. Nada simples, vale ressaltar.

Está na hora de repensar escolhas, perdas e contradições; de reavaliar concepções, medos e pretensões. Quero a alma livre e o corpo solto, a fim de que eu possa fluir em minha essência.
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