A parte metade A parte metade, de todo inteira, (esse canto chão de meu ócio) é a música que visto, meu quarto ...

Noturno

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A parte metade
A parte metade, de todo inteira, (esse canto chão de meu ócio) é a música que visto, meu quarto de despir mentiras. Parte partida, fosca pela sujeira do repisar o pó; fosso cavado para assentar a paz. (metade é medida sem desespero, recanto de passagem, cobertor dos atropelos.) A força entre os dedos estreitados se desfaz em metades asas que seguem o acaso dos rumos de esquecer do tempo. (Metade não enrosca, desata, não recorta, se dissolve na leveza incerta.) A parte metade é derradeira dúvida e certeza primeira do redemoinho. É o nome sem a máscara — este invólucro de estar — que aflora consumindo as manhãs.
Os raios oblíquos da manhã
Poesia não é encosto, não é escora Na primeira manhã foi um entregar-se à dádiva da escolha. Passam os dias, e as encostas escorrem sob o peso do que se repete.
Clandestino
A verdadeira clandestinidade se pratica simplesmente mantendo-se vivo Acorda-se do último sonho em uma esquina vazia, e o que se acreditava se dispersa além dos olhos. O contorno das montanhas desfez o sentido das encruzilhadas (desvios só interessam aos apressados; ………….. e já não se tem mais pressa).
Noturno
O impulso carrega uma promessa dos pés Andava — confortavelmente — no escuro (sentia o calor das coisas mortas) (Quem o pariu foi o vento nordeste assustado com o apito do navio) Nas mãos a lista dos homens tristes e linhas tortas ─ desencontradas A seu lado uma inútil sombra — essa mundaneidade Tinha a noite e a paz das sarjetas abandonadas O Mundo acontecia dentro dos olhos Deus era imagem ausente à margem da fábula O corpo ─ acaso assombroso ─ rompeu a escuridão da Ilha morta.


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