As mulheres têm que estar nuas para poderem estar num museu? Menos de 5% dos artistas na seção de arte moderna são mulheres; no entanto, 85% dos nus são de mulheres.
Guerrilla Girls
Foi lançado, no último sábado, o livro Mulheres que resistem nas margens: Arte e gênero na Paraíba (Arribaçã Editora, 2025), pesquisa da Profª. Doutora Madalena Zaccara (professora da UFPE, com currículo vasto e potente) e da Doutora Sabrina Melo (historiadora, museóloga e professora da UFPB). “94 perfis, recuperando histórias, obras e trajetórias que muitas vezes permanecem dispersas ou pouco registradas na historiografia artística. A obra se dedica a investigar, documentar e valorizar parte da trajetória das mulheres artistas visuais que atuaram na Paraíba, com recorte temporal que se inicia na década de 1920 e se estende aos dias atuais”.
Madalaena Zaccara e Sabrina Fernandes Mello, autoras do livro Mulheres que resistem nas margens: Arte e gênero na Paraíba, lançado no último dia 14 de março, no SESC-PB ▪️ Facebook
Madalena Zaccara foi um nome importante na minha adolescência. Mulher moderna, inquieta, que quebrava os costumes ditos para as meninas e voava pela João Pessoa provinciana e pelo mundo. Até hoje arrebenta: trabalha, transita, cria, pesquisa e vai, por aqui e pelo mundo.
Virginia Wolff (Cambridge, 1928) ▪️ Fonte: @literaturecambridge.co.uk
A artista plástica Marlene Almeida falou de como a política está entranhada em sua vida desde sempre; falou de Cézanne, das Irmãs do Colégio das Neves (também silenciadas pela invisibilidade de uma mulher freira), Irmã Marta! Fiz uma digressão até minha tia Margarida, que estudou
Célia Gondim, artista naif, falou dos coletivos, da sororidade entre as mulheres artistas e seus percalços, enquanto Cristina Strapação, vinda de Curitiba, mas já aqui há 20 anos, nos relatou que as dificuldades de as mulheres furarem a bolha masculina da expressão são grandes e, o mais intrigante, que só depois da maternidade seu ser artista explodiu. Parindo os filhos, Cristina também pariu sua arte dos mares, das águas e das ondas mar adentro. Ressaltou também como a expressão artística das mulheres, prioritariamente, sempre ocupou um lugar de hobby ou passatempo — uma arte menor — e se perguntou: “Cadê o tempo para pintar?” A cronista gaúcha Martha Medeiros, em sua coluna de hoje no *Globo*, menciona o tema e afirma que as mulheres jamais poderiam largar marido e família para ir buscar sua arte no Taiti, como o fez Paul Gauguin.
Ana Adelaide Peixoto com Virgínia Leal e Virgínia Dantas no lançamento de Mulheres que resistem nas margens: Arte e gênero na Paraíba ▪️ Facebook: @anaadelaide.peixototavares
Enquanto eu saboreava as delícias do brunch, conheci uma artista ceramista de Ingá, a falar dos seus hieróglifos e das suas várias faces em seu trabalho, e concluí: “Da máquina de lavar à Pedra do Ingá!”, passeando pelas partes de mim do poema de Ferreira Gullar.
Parabéns a Gina Dantas, Analice Uchoa, Alice Vinagre, Ana Lima, Ana Lúcia Pinto, Celene Sitônio, Célia Gondim, Cris Peres, Cristina Strapação, Heloísa Maia, Ivanusa Pontes, Lu Maia, Maria dos Mares, Marlene Almeida, Marta Penner, Raquel Moura e Rosilda Sá. Em nome delas, saúdo todas as outras perfiladas e aquelas que ainda estão no esquecimento.
O livro Mulheres que resistem nas margens: Arte e gênero na Paraíba está disponível no site da Editora Arribaçã















