“(...) Quem fez de Kairouan o céu do meio dia? E contudo terra onde um alfaiate cose a noite junto à porta. E cada dia o céu se faz ...

Kairouan: fortaleza de pedra no Magrebe

kairouan tunisia
“(...) Quem fez de Kairouan o céu do meio dia? E contudo terra onde um alfaiate cose a noite junto à porta. E cada dia o céu se faz madeira de porta, cimento de molduras e as sete curvas da ruela (…) Marabout, deixa-me soletrar o nome do teu santo. Mesquita, deixa-me ficar nos arredores do nada e diz-me quanta poeira terei de comer, quanto azul verter (…) Diz que me vês atravessar o Souk, bater à minha porta na Medina (…) Diz que sou o teu azul na terra quando adormecemos no poço mais fundo de Kairouan onde se espelha o céu nas nossas asas (...) Kairouan une os dois lados do meu coração como uma palmeira hermafrodita.” Rosa Alice Branco, A Palmeira de Kairouan (2003)
Conta a lenda que o amir* ‘Uqbah ibn Nafi’, proeminente general árabe representante dos califas omíadas de Damasco, escolheu o lugar para fundar a fortaleza de Al-Qayrawan, em 670,
amir ▪ título de origem árabe que significa “comandante”, “príncipe” ou “chefe”.
kairouan tunisia
graças à descoberta de uma fonte — localizada a 150 quilómetros a sul de Tunis e a 60 quilómetros a oeste de Susa (a antiga cidade de Hadrumetum, a Sousse moderna) —, cuja água cristalina que brotava no meio da meseta meio deserta que se estende das montanhas da dorsal tunisina até se fundir com as planícies salgadas da sebja (também grafada como sebkha), era tida como um milagre. Era-o, de qualquer modo, por permitir a ‘Uqbah uma estância estratégica para vigiar as tribos berberes e preparar as incursões pelo norte de África sem que os Bizantinos, estabelecidos no litoral, os pudessem causticar.

Assim nasceu a cidade que, com o tempo, chegaria a ser uma das grandes capitais da Ifriqiyya (área geográfica outrora formada pela matriz argelina, tunisina e região tripolitânica) e o primeiro dos quatro mais importantes bastiões da fé islâmica no Magrebe. A primitiva Kairouan (literalmente “acampamento” ou “cidade-fortaleza”) consistia num recinto murado, com uma fortaleza e uma grande mesquita no seu interior, que alcançou o seu maior esplendor cultural e económico no tempo dos emires aglábidas. A dinastia Aglábida (ou Banu al-Aghlab), cujo nome advém
kairouan tunisia
Caravana Chegando a Kairouan ▪ Arte: Graham Petrie, S.XX ▪ Col. particular
de Al-Aghlab Ibn Salim, governador do norte de África, foi fundada por Ibrahim Ibn Al-Aghlab e reinou na Ifriqiyya durante todo o século IX. Sob a soberania nominal dos Abássidas de Baghdad, conquistaram a Sicília – onde terão introduzido o papiro e o bicho-da-seda – e Malta, tendo levado a cabo em Kairouan importantes obras públicas, militares e religiosas.

No castelo magno, nos arredores de Kairouan, o chamado Qasr Al-Khadim (ou Ksar el-Khadem), Al-Aghlab estava protegido por uma fidelíssima guarda pretoriana constituída por escravos, que utilizava tanto para estatuir a fé muçulmana no território, como para assegurar o seu poder no reino, permitindo-lhe desviar a atenção dos díscolos berberes e de outros elementos de conflito. Na capital do seu reino reforçou as magníficas muralhas defensivas, que se podiam transpor pelas suas cinco portas históricas, nomeadamente a Bab el-Tunis (ou Bab Tounès; Porta de Tunis), a Bab El-Koukha (Porta do Pessegueiro), a Bab El-Chouhada (Porta dos Mártires), a Bab el-Kasbah (Porta da Fortaleza) e a Bab el-Jidid (Porta Nova).

Kairouan: cartões postais do século XIX. ▪ Fonte: Wikimedia
Al-Aghlab terá também mandado construir um aqueduto que, ao longo de quase 40 km, conduzia a água do rio Cherichera (ou Cherichira) até à cidade, onde era depositada nos magnificentes tanques, um complexo de cisternas de 17 lados, hoje chamadas “dos Aglábidas” (Fassqiyat al-Aghaliba). Esta soberba obra de engenharia hidráulica (das mais importantes do mundo islâmico medieval) permitiu transformar Kairouan num magnífico jardim no meio das planícies de estepes que caracterizam a aridez do deserto. Poços e fontes assinalam a paisagem da medina de casas heterogéneas, com as suas pequenas janelas e portas, ruas labirínticas e mais de uma centena de mesquitas.

Paisagens de Kairouan ▪ YT Option Voyages
O aqueduto de Kairouan (Qanat al-Miyah al-Jariya) constitui um dos maiores testemunhos da política aglábida, centrada tanto na expansão islâmica como na organização do Estado. Este projecto é o ponto de partida para um período de prosperidade inusitado no Norte de África desde os tempos do domínio romano. As obras hidráulicas empreendidas pelos aglábidas permitiram, ao mesmo tempo que proviam as cidades de água, o regadio de grandes extensões de terra onde se exploravam oliveiras e árvores e fruto, se
kairouan tunisia
kairouan tunisia
As ruínas do aqueduto de Kairouan lembram a sofisticada engenharia hidráulica que abasteceu a cidade durante séculos. Construído na época aglábida, o monumento testemunha a importância da água para um dos grandes centros do mundo islâmico medieval. ▪ Fotos: I. Barhoumi / Wikimedia
cultivavam cereais e legumes e se criava gado.

À exploração agropecuária juntou-se a exploração de minas de ferro, chumbo, antimónio e cobre e as pesquisas de coral, fundamentais para o funcionamento de diversas indústrias cujos produtos eram exportados para numerosos países do Mediterrâneo. Simultaneamente, o ouro que chegava a Kaioruan, procedente da Nigéria, permitia a consolidação da moeda aglábida.

A reconstrução, no ano 836, da Grande Mesquita de Kairouan, edificada por ‘Uqba, foi talvez uma das mais importantes realizações aglábidas, já que simbolizava a missão santa a que a dinastia estava consagrada. De igual modo, impôs-se um estilo arquitectónico determinado pela estrita sobriedade e pela sólida convicção de uma família dedicada, com paixão, à conflagração religiosa. O resultado foi um sólido e atilado edifício de planta rectangular, com um espaçoso pátio rodeado por uma galeria dupla, ligeiramente declivoso para recolher as águas das chuvas para uma cisterna subterrânea. Esta água era utilizada para as abluções rituais, assim como para ser bebida em caso de cerco.

kairouan tunisia
O amplo pátio da Grande Mesquita de Kairouan, revestido por pedras claras e cercado por elegantes arcadas, conduz o olhar até a sala de oração coroada por sua característica cúpula. Este é um dos mais antigos e importantes templos do Islã, referência da arquitetura islâmica no Magrebe e Património Mundial da UNESCO. ▪ Foto: A. Moreau
No lado norte deste grande adro ladrilhado, que ocupa dois terços do edifício, encontra-se o minarete quadrangular de três corpos, com 35 metros de altura. Na ala sul encontra-se o haram, espaço hipostilo da oração, constituído por 17 naves perpendiculares ao muro de fecho. Este, por sua vez, limita uma nave transversal com a mesma envergadura da central, maior e mais alta que as suas paralelas
kairouan tunisia
O maciço minarete da Grande Mesquita de Kairouan, erguido no século IX, é considerado um dos mais antigos e influentes do mundo islâmico. Com suas linhas sóbrias inspiradas na arquitetura romana, tornou-se modelo para inúmeras mesquitas do Magrebe. ▪ Foto: Noomen9 / Wikimedia
e que está coberta por duas cúpulas nos seus extremos e por uma cúpula que cobre a sua intercepção com a ave transversal. As trompas sobre as quais se elevam as cúpulas e o sistema de nervuras, bem como os arcos de ferradura, as colunas de mármore e pórfiro de origem romana e os pilares dispostos junto destas, parecem dever-se a técnicas abássidas e principalmente às empregues na mesquita egípcia de ‘Amr.

Depois de se passar a belíssima “Porta dos Príncipes” (Bab al-Umara), talhada em madeira de cedro, e atravessar-se o bosque de colunas, os fiéis alcançavam o mihrab (nicho ou reentrância semicircular na parede de uma mesquita que indica a qibla, a direção de Meca, para onde os muçulmanos dirigem as orações) e o púlpito (o mais antigo do mundo). Em ambos se pode apreciar a magnífica decoração de origem abássida e tradição helenística, com azulejos de reflexos metálicos e motivos vegetais.

kairouan tunisia
kairouan tunisia
kairouan tunisia
O portal monumental da Grande Mesquita de Kairouan impressiona pela harmonia entre colunas de mármore reaproveitadas de edifícios romanos e bizantinos, capitéis finamente esculpidos e portas de madeira trabalhada. ▪ Fonte: Wikimedia
De resto, estes mesmos motivos surgem na soberba fachada esculpida da “Mesquita das Três Portas”, também chamada Mosquée des Trois Portes ou Mesquita de Ibn Khayrun (de Muhammad ibn Khayrun ibn Muhammad al-Maʿaafiri al-Andalusi, um comerciante andaluz da tribo Maʿafir do Sul da Arábia), construída cerca do ano de 886, e que hoje se ergue entre numerosas oficinas de marcenaria, ourivesaria e de tecelagem.

kairouan tunisia
A Mesquita das Três Portas destaca-se por sua fachada ricamente esculpida. Construída em 866, preserva inscrições em caligrafia cúfica e delicados motivos ornamentais, testemunhando o florescimento artístico e cultural da cidade, um dos principais centros do Islã no norte da África.
Kairouan cresceu à volta da Grande Mesquita e foi, no tempo dos Aglábidas, juntamente com a Córdoba hispânica, um dos poucos grandes centros da cultura muçulmana no Ocidente dessa época. Um dos seus mais consideráveis intelectuais foi Sahnun ibn Said ibn Habib al-Tanukhi, jurista que difundiu a doutrina de Maliki (uma das quatro principais escolas de jurisprudência islâmica dentro do Islão sunita), de quem fora discípulo, sobre a qual assentou o corpo jurídico de todos os estados islâmicos do Norte de África e da Península Ibérica.

kairouan tunisia
kairouan tunisia
As ruas de Kairouan preservam um ritmo tranquilo, entre fachadas caiadas de branco, portas azuis e muralhas centenárias. ▪ Foto:Citizen59 / Wikimedia
O décimo primeiro e último dos soberanos aglábidas foi Abu Mudhar Ziyadat Allah III, que teve de ceder o poder aos Fatimidas e fugir para o Egipto. Porém, em 947, a nova família reinante abandonou Kairouan, mudando-se para Al-Mahdiyya, e a antiga capital aglábida foi perdendo protagonismo. No século XIV, depois da invasão dos Banu Hilal, ficou reduzida a um aglomerado de casas abandonadas e a cidade viria a tornar-se demasiado grande para tão poucos residentes.

O renascimento de Kairouan deveu-se à acção de Husayn Ibn Ali, que restaurou os principais edifícios religiosos e a fortaleza, na 1ª metade do século XVIII. Em 1740, depois da morte do fundador da dinastia Hussainita (ou Hussaini), Kairouan foi novamente destruída e imediatamente reconstruída por Mohamed Bey.

A Kairouan moderna comercializa grãos e gado criados na região circundante e é um importante centro de tapetes e artesanato. A cidade expandiu-se rapidamente com a criação de uma universidade e algumas indústrias leves. O turismo também começou a ter impacto, impulsionando principalmente a conservação da cidade antiga e o desenvolvimento do Museu de Arte Islâmica da cidade. Uma estrada liga-a a Sousse (Susah), a 61 km a leste.

kairouan tunisia
kairouan tunisia
kairouan tunisia
O Museu de Arte Islâmica Raqqada, nos arredores de Kairouan, reúne manuscritos em caligrafia cúfica, estelas funerárias, cerâmicas e objetos do cotidiano que revelam o florescimento intelectual e artístico da região entre os séculos IX e XII.
Nos arredores da cidade, encontra-se um reservatório aglábida, uma piscina circular aberta com 128 metros de diâmetro, datada do século IX.

kairouan tunisia
O grande reservatório circular de Kairouan faz parte de um extraordinário sistema hidráulico construído no século IX pelos aglábidas para garantir o abastecimento de água da cidade. Alimentado por aquedutos e cisternas, o engenhoso conjunto transformou uma região de clima semiárido em um importante centro urbano e cultural do mundo islâmico medieval. ▪ Foto: Mietek Ł / Wikimedia
Há, também, a zawiyah (oratório e sede de uma confraria religiosa) e o túmulo de Sidi Sahab ou Abu Zam’ah al-Balawi (barbeiro e companheiro do profeta Maomé, que terá morrido durante uma expedição militar em Ifriqiya sob o comando de Mu’awiyah ibn Hudayj, após uma batalha travada pelas tropas muçulmanas contra o exército bizantino perto de ‘Ain Jalula (ou ‘Ain Djeloula), a 30 km a oeste de Kairouan de quem, diz-se, terá sido sepultado com três cabelos do profeta do Islão).

kairouan tunisia
kairouan tunisia
kairouan tunisia
O túmulo de Sidi Sahab, também conhecido como Mesquita do Barbeiro, é um dos santuários mais venerados de Kairouan. Segundo a tradição, ali repousa Abu Zama al-Balawi, companheiro do profeta Maomé, que teria conservado alguns fios de sua barba. O complexo combina pátios, salas de oração e delicados revestimentos de azulejos, refletindo a riqueza da arquitetura religiosa tunisiana.
A cidade antiga de Kairouan foi designada Património Mundial da United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) / Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, no ano de 1988. Kairouan, uma das cidades santas do Islamismo, que, em resultado das incursões beduínas no século XI, do declínio do cultivo nas estepes em favor da vida nómada e da ascensão de Tunis (Tunus) como capital, decaiu em termos de importância política, tornando-se mais numa cidade mercantil isolada, conta ainda com mais de uma centena de mesquitas, cujas cúpulas e minaretes se alinham magnificentes e moldam no céu as suas formas de talhe característico.
um certo oriente
Acompanhe o programa semanal Um Certo Oriente, apresentado pelo autor, com duração de uma hora, transmitido nas seguintes emissoras e horários (de Portugal), via internet: Segunda-feira 00h00 Rádio Antena Livre 96.7 FM | Abrantes 01h00 Rádio Salesiana | Alijó, Sabrosa, Entroncamento 10h00 Rádio EuroPub | Terrugem 15h00 Rádio Portimão 106.5 FM | Portimão 16h00 Rádio Vila Nova RVN | Cucujães 19h00 Rádio Alta Tensão | Alenquer 20h00 Rádio Azores High | Faial, Açores (horário dos Açores) 21h00 JB Nostalgia ON | Paredes 21h00 Rádio Torre de Moncorvo 95.9 FM | Torre de Moncorvo 21h00 Rádio VFM | Vouzela 22h00 RLX Rádio Lisboa | Odivelas Terça-feira 22h00 Rádio Metropolitana Porto | Porto 22h00 Rádio EuroPub | Terrugem 23h00 Rádio Clube Penafiel 91.8 FM | Penafiel 23h00 Rádio Música da Nossa Terra Quarta-feira 03h00 Rádio Castrense 93.0 FM | Castro Verde 20h00 Rádio Vila Nova RVN | Cucujães 21h00 Rádio Via Aberta | Lisboa 22h00 Rádio Marmeleira | Rio Maior / Ribatejo Quinta-feira 02h00 Rádio Tejo 102.9 FM 11h00 Rádio Alcobaça | Alcobaça 20h00 Rádio Gilão | Tavira 20h00 Rádio MexFM.com | S. Paulo, Brasil (horário de Brasília) 23h00 Rádio Cantinho da Madeira | Madeira Sexta-feira 01h00 Rádio Tejo 102.9 FM | Cartaxo 04h00 Rádio Vila Nova RVN | Cucujães 18h00 Rádio Voz dos Açores | Angra do Heroísmo / Ponta Delgada 19h00 Rádio Nova Paixão FM | Albergaria-a-Velha / Aveiro 20h00 Rádio Voz Online na Cossoul | Lisboa 20h00 Rádio Tejo 102.9 FM | Cartaxo 20h00 Rádio Gilão FM | Tavira | 23h00 Rádio Torre de Moncorvo 95.9 FM | Torre de Moncorvo Sábado 03h00 Rádio Castrense 93.0 FM | Castro Verde 08h00 Rádio Surpresa 14h00 WebRádio 58 | Londrino, Suíça 14h00 Rádio Alpes Suíços | Fully, Suíça 14h00 Rádio Ourique 94.2 FM | Ourique 15h00 Rádio Salesiana | Alijó, Sabrosa, Entroncamento 16h00 Rádio Antena Mais | Esch-sur-Alzette, Luxemburgo (horário de Luxemburgo) 18h00 Antena Web (Canal 1) | Vila Nova de Gaia 18h00 Rádio JM | Maia 20h00 Rádio Portimão 106.5 FM | Portimão 20h00 Rádio MexFM.com | S. Paulo, Brasil (horário de Brasília) 21h00 Rádio Horizonte Atlântico | Santarém / Horta / Açores (horário dos Açores) 21h00 Rádio Clube Penafiel 91.8 FM | Penafiel 21h00 Rádio Bobadela 2020 | Bobadela Domingo 03h00 Rádio Via Aberta | Lisboa 05h00 Rádio Marmeleira | Marmeleira / Ribatejo 06h00 Rádio Tejo 102.9 FM | Cartaxo 10h00 Rádio Coração do Alentejo | Abrantes 13h00 Rádio 100Margens | Amarante 14h00 Rádio Mértola | Mértola 17h00 Rádio Portugal Star | Lisboa 18h00 Rádio Onda Nacional | Barcelos 19h00 Rádio Dueça 94.5 FM | Miranda do Corvo 20h00 Rádio Voz Online na Cossoul | Lisboa 20h00 Rádio Tágide | Abrantes 21h00 Canal Viana | Viana do Castelo 21h00 Rádio Marmeleira | Marmeleira / Ribatejo 21h00 Rádio Torre de Moncorvo 95.9 FM | Torre de Moncorvo 22h00 Rádio Cultural da Filarmónica Pampilhosense | Pampilhosa
▪ No Brasil, a emissão ocorre três horas a menos em relação ao horário de Portugal (ou quatro horas, durante o verão do Hemisfério Norte).

COMENTÁRIOS

leia também

Postagens mais visitadas