Eu tinha um primo em Campina Grande chamado João Ferreira Viana. Chegara aos meus 14 anos e me entendi livre para pular o muro do internato, correr seis léguas a pé até Alagoa Nova e iludir a boa-fé de meus pais com a alegação de mal passadio no internato.
Ora, eu nunca antes me achara mais livre nem mais bem servido. Queria mesmo era debandar, livrar-me do rigor do salão de estudos, no aprendizado, tal como fugi por toda a vida da obrigação curricular dos liceus da vida e de tudo o mais que viesse exigir esforço de vontade e de aprendizado.
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Escravo do trabalho, ele levantava com o sol, apressava o café e as grandes pernadas para o seu negócio. E ofereci-me para segui-lo na marcha batida, todo dia, desde o Quartel do 40 BC, no Alto do Seixo, até chegar à Floriano, dobrar à direita e nos enfiarmos balcão adentro na mercearia de Sizino Uchoa, atrás do Grande Hotel.
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E, à luz dessa memória romantizada por Proust, o foco remoto daquele telhado vem me situar agora, oitenta anos depois, de carrocinha à mão, a concorrer com o Café São Braz do velho José Carlos da Silva, o pioneiro da Simeão Leal, na entrega das nossas mercancias.
Advirta-se que, naquele tempo, 80% ou mais do café consumido na região eram torrados e pilados em casa, vindo a demanda total do café processado e de embalagem rotulada a ser atingida a partir da geração de executivos de José Carlos da Silva Júnior, herdeiro do nome, da fibra e das bases sólidas de uma indústria de aspirações à frente do seu tempo.
José Carlos da Silva Júnior ▪️ Instagram: @tvparaiba
Jovens, ele uns seis anos mais velho, eu o conhecia de longe; ele já rapaz de buço, bem vestido, filho de um industrial de liderança que, vezes sem conta, era visto a conversar de mangas de camisa à porta da fábrica, conversa em que entravam os seus iguais e também os comuns.
Relacionava-me mais de perto com outros filhos de ricos, colegas de ginásio, como Luiz Mota, Aragão, Vilarim e até árabes e libaneses que o comércio da cidade atraíra em sua pujança algodoeira.
Quando vim me relacionar de fato com José Carlos Júnior, ele já formava entre as novas lideranças unidas contra o conservadorismo da Federação das Indústrias. E, pela primeira vez, nos sentamos à mesma mesa com Humberto Almeida para os primeiros passos do Jornal da Paraíba, ganho que não pude conciliar na assessoria da Cinep e da editora A União.
Com ele vim levar a melhor aqui, prestigiando-me em meus lançamentos, recebendo-me só ou ao lado de José Neiva Freire, seu amigo, sendo sempre ele quem mais conversava ou nos informava.
Recordar, não há dúvida, é melhor que viver.









