Por razões de força maior, não pude comparecer ao relançamento do livro A intertextualidade das formas simples , da professora Elizabe...

Elizabeth Marinheiro, rainha da Borborema e de outros reinos mais

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Por razões de força maior, não pude comparecer ao relançamento do livro A intertextualidade das formas simples, da professora Elizabeth Marinheiro, ocorrido há poucos dias em Campina Grande, para onde seguiu uma caravana de seus confrades e confreiras da Academia Paraibana de Letras, todos conscientes da relevância cultural do evento. Pois, de fato, não se tratava apenas de mais um lançamento de livro, mas de um momento muito especial em que, além de se trazer a público, mais uma vez, uma obra literária importante, comemorava-se o aniversário natalício da autora, figura
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respeitadíssima não só da cultura paraibana, mas também da brasileira como um todo. Na verdade, era uma verdadeira e justa celebração da escritora e professora que tantos serviços prestou – e continua prestando – aos paraibanos e aos brasileiros, em sua área de atuação.

Esclareço que não tenho proximidade com a professora Elizabeth, salvo pelo fato, muito honroso para mim, de sermos confrades na APL. De formação jurídica e residindo sempre na aldeia de Nossa Senhora das Neves, não tive oportunidade de estreitar laços amicais com aquela que foi – e continua sendo –, em alguma medida, mestra de vários colegas acadêmicos, a exemplo de Neide Medeiros, Hildeberto Barbosa Filho, Milton Marques Júnior e José Mário da Silva Branco, entre outros, todos com direito a chamá-la afetuosamente de Betinha. Mas isso não me impediu de acompanhar, de longe e sempre com admiração, a vitoriosa trajetória intelectual daquela que se tornou, por méritos próprios e à custa de muito labor, sinônimo da inteligência e do empreendedorismo campinenses.

Seu prestígio acadêmico sempre extrapolou as fronteiras estaduais. E certamente foi isso que a qualificou para organizar, com êxito total, alguns congressos literários de caráter nacional em Campina Grande, os quais tiveram, merecidamente, repercussão em todo o Brasil. Só mesmo a força de seu nome para trazer às nossas plagas alguns dos mais respeitados
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Elizabeth Marinheiro ▪️ Instagram: @revistacontinente
escritores, professores e críticos de literatura do país, para aqui, em plena Serra da Borborema, debater, por alguns dias, temas importantes para as nossas letras. Um feito e tanto, que não se repetiu com igual dimensão, de lá para cá, registre-se.

Pertencente a dois ilustres troncos familiares campinenses, os Agra e os Figueiredo, adotou o honrado sobrenome do marido, ao qual emprestou o brilho que era – e é – seu. E Marinheiro continua sendo até hoje, com muita honra, certamente, pois não quis fazer como a escritora Heloísa Buarque de Holanda, que, já no entardecer da vida, virou Heloísa Teixeira, trocando o sobrenome que herdara do então marido pelo de sua tribo. Essa fidelidade comprova sua autoconfiança em seu valor; é como se proclamasse, alto e bom som, que, com um sobrenome ou com outro, seria sempre a mesma Elizabeth guerreira, a navegar altiva por quaisquer mares.

Tem sido, ao longo dos anos, um ícone para as feministas paraibanas, acostumadas a ver nela não propriamente uma líder militante, papel que talvez recuse, mas um imenso exemplo de autonomia
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Elizabeth Marinheiro em encontros com Érico Veríssimo, Jorge Amado e Clarice Lispector▪️ Instagram: @revistacontinente
profissional e intelectual. Com um importante detalhe: tudo isso sem perder a feminilidade e a capacidade de conviver cordial e civilizadamente com os homens.

Sua bibliografia é vasta e vasta é sua experiência docente em universidades brasileiras e estrangeiras. Poderia ter estabelecido residência e atividades profissionais como professora e intelectual em qualquer cidade brasileira e em várias cidades importantes da Europa, como Porto, Londres e Madrid, por exemplo, mas, tal como Gilberto Freyre, optou teluricamente por ficar no chão natal, escolha que diz muito sobre si mesma. Campina Grande e ela tornaram-se então faces de uma mesma medalha, inseparáveis por definição. Seu voluntário recolhimento na serra paraibana lembra-nos o de José Américo no Cabo Branco: ambos são grandezas que dispensam palcos iluminados, pois a luz própria lhes basta. E a nenhum deles, a rigor, seria justo chamar de solitário, pois ele foi até o fim, e ela continua sendo permanentemente lembrada – e requisitada – por admiradores inumeráveis.

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Elizabeth Marinheiro ▪️ Instagram: @revistacontinente
Mais que um nome, Elizabeth Marinheiro é uma referência literária que a Paraíba tem orgulho em apresentar ao Brasil como prata da casa, assim como fez outrora com Virgínius da Gama e Melo (seu primo), Juarez da Gama Batista e Luiz Augusto Crispim, e atualmente faz, por exemplo, com Ângela Bezerra de Castro, Hildeberto Barbosa Filho, Sérgio de Castro Pinto, José Mário da Silva Branco, Mário Hélio Gomes de Lima, Milton Marques Júnior e Gonzaga Rodrigues, cujas obras têm extrapolado os limites da aldeia.

Dará por concluída a fecunda obra? Talvez. Provavelmente. O que explica a republicação do livro inaugural. Encerrar voltando às origens, como quem fecha o círculo perfeito. Faz sentido. Mas, admitamos, é sempre possível, de repente, uma nova criação, inesperada que seja, posto que a chama ainda arde – e aquece –, podendo até causar incêndios. Tudo é mistério, escreveu Alceu Amoroso Lima.

O recente evento na Serra da Borborema serviu para reafirmar uma consagração que não é de agora e também para reavivar a autoestima dos paraibanos em geral, todos orgulhosos dessa coestaduana notável.

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