A Prefeitura de João Pessoa concluiu com sucesso, na última quinta-feira, a reforma do Largo da Penha.

Um degrau para o Futuro

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A Prefeitura de João Pessoa concluiu com sucesso, na última quinta-feira, a reforma do Largo da Penha.

A Escadaria da Penha foi construída durante a administração de Oswaldo Pessoa como prefeito eleito da capital, entre 1948 e 1951, e constitui um importante testemunho de sua contribuição para a cidade. Por isso, depois de cuidar tão bem de todo aquele espaço, a Prefeitura precisa aproveitar a ocasião para substituir também a velha placa que identifica o local e homenageia seu primeiro construtor. Seria um gesto simples, mas significativo, de reconhecimento histórico e respeito à memória de quem ajudou a edificar aquele cenário tão emblemático de João Pessoa.

A toponímia — isto é, o conjunto dos nomes dos lugares — é parte essencial do patrimônio cultural imaterial de uma comunidade. Os nomes das ruas, praças, becos e avenidas não são meras indicações geográficas: são fragmentos da história inscritos na paisagem urbana. Por meio deles, uma cidade escolhe o que deseja recordar, quais personagens considera dignos de reconhecimento e que histórias pretende transmitir às gerações futuras. Preservar esses nomes, assim como cuidar das placas que os identificam, é também preservar a memória coletiva, fortalecer os vínculos de pertencimento e proteger uma dimensão, por vezes esquecida, da identidade cultural de um povo.

Quando uma placa se apaga, se deteriora ou deixa de receber a devida atenção, não é apenas um nome que perde visibilidade. Corre-se o risco de que a própria história que a justifica desapareça gradualmente da memória cotidiana da cidade. No caso do Prefeito Oswaldo Pessoa, seria lamentável que a renovação física de um espaço tão significativo para ele e para a cidade não fosse acompanhada pela renovação dos sinais que contam a própria história do local. A Escadaria da Penha continua ali, atravessando o tempo, mas é preciso que também permaneça viva a lembrança de quem tornou possível a sua construção. Como um degrau para o futuro.

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A fé que inspirou a obra e a memória de quem a realizou não se excluem; ao contrário, complementam-se e enriquecem a história daquele lugar. A devoção pertence à dimensão espiritual e religiosa do santuário; o reconhecimento ao Prefeito Oswaldo Pessoa pertence também à história urbana, à memória pública e ao patrimônio cultural e político da cidade de João Pessoa.

É preciso que a cidade preserve integralmente essa história: que continue honrando a Senhora da Penha, cuidando de seu santuário e acolhendo os romeiros, mas que também reconheça aqueles que, com seu trabalho e suas decisões, contribuíram para dar forma material a esse patrimônio de fé, cultura e paisagem. Uma devoção que o velho Oswaldo tão profundamente conhecia e cultivava.

Seria muito importante, portanto, que a reforma do Largo da Penha se completasse com esse pequeno gesto de justiça histórica, pela convicção de que uma cidade que cuida de seus espaços públicos também deve cuidar das histórias que eles guardam. Porque a memória de uma cidade não se constrói apenas com pedras, cimento e asfalto: constrói-se, também, com os nomes que escolhemos preservar e com as pessoas que nos recusamos a esquecer.

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