Algumas vezes a revisão do jornal se arrastava até a madrugada. Fosse por algum ato de última hora ou pela onda de oposição que começava a ...

gonzaga rodrigues cronica uniao ambiente de leitura carlos romero

Algumas vezes a revisão do jornal se arrastava até a madrugada. Fosse por algum ato de última hora ou pela onda de oposição que começava a abalar a cabeça e os porões do Catete. “Mar de lama”, no discurso de Afonso Arinos, com maremoto no atentado a Lacerda. Na Paraíba mesmo ecoou forte o anátema saído do discurso de um dos nossos senadores, Argemiro de Figueiredo: “É preciso matar este governo para que sobreviva a nação”. O imã dos acontecimentos neutralizava a cantilena dos revisores em cima da prova tipográfica. Dois revisores para cada texto, um escandindo a leitura e o outro correndo os olhos no texto.

Na proximidade do crepúsculo é normal o trabalhador retornar a casa, esperançoso ou ansioso, aguardando o descanso noturno, seja ele reside...

aconchego de casa cronica jose nunes ambiente de leitura carlos romero

Na proximidade do crepúsculo é normal o trabalhador retornar a casa, esperançoso ou ansioso, aguardando o descanso noturno, seja ele residente na cidade ou na roça.

Voltar para casa é o desejo de todos, mesmo que a sua residência seja uma choupana de taipa ou papelão, mas é um cantinho ao qual chamamos de “minha casa”.

Os sebos e suas revelações. Não apenas as raridades bibliográficas que às vezes encontramos surpresos e recompensados. Também certos achado...

francisco gil messias sebos joao pessoa ambiente de leitura carlos romero

Os sebos e suas revelações. Não apenas as raridades bibliográficas que às vezes encontramos surpresos e recompensados. Também certos achados menos nobres mas não menos pitorescos, com dedicatórias ou autógrafos revelando histórias nem sempre edificantes, histórias de descaso, de desconsideração ou simplesmente de avara ignorância. São muitas as histórias dos sebos.

Os que acreditam na influência dos astros em suas vidas devem ter ficado chateados com Parke Kunkle, professor de uma instituição americana...

horoscopo chico viana ambiente de leitura carlos romero

Os que acreditam na influência dos astros em suas vidas devem ter ficado chateados com Parke Kunkle, professor de uma instituição americana. Segundo ele, “está errada a interpretação dos movimentos celestes usada pela astrologia para determinar os signos de acordo com a data do nascimento das pessoas”. Isso porque os mapas astrológicos, produzidos 3.000 anos atrás, estariam há muito defasados. Com a mudança no posicionamento do eixo da Terra, uma pessoa que se imaginava capricorniana, por exemplo, é na verdade de Sagitário. Um suposto taurino, como eu, pertence ao signo de Áries.

Uma das angústias da mente curiosa adolescente é saber se um quilo de pedra pesa mais do que um de pena. Tal dúvida angustiante é esclareci...

cronica josinaldo malaquias ambiente de leitura carlos romero

Uma das angústias da mente curiosa adolescente é saber se um quilo de pedra pesa mais do que um de pena. Tal dúvida angustiante é esclarecida a partir do estudo dos rudimentos da Cinemática, parte da Física que estuda o movimento dos corpos.

Todo preconceituoso é falso moralista e tem uma mentalidade promíscua. O pior é que muita gente exerce o preconceito com certo orgulho. Mas...

pessoas preconceituosas ambiente de leitura carlos romero

Todo preconceituoso é falso moralista e tem uma mentalidade promíscua. O pior é que muita gente exerce o preconceito com certo orgulho. Mas não deixa de ser uma manifestação de ignorância. Racismo, sexismo, discriminação étnica ou religiosa, são as formas mais conhecidas de preconceito nocivo. E assistimos essa prática encarada com naturalidade por muitos, mas que merece forte reação de quem não compactua com esse tipo de comportamento. Ainda mais quando se observa que o preconceituoso é alguém que deveria dar o exemplo de civilidade e de respeito às diferenças.

Anicius Manlius Torquatus Severinus Boethius – os registros históricos são imprecisos sobre seu nascimento; provavelmente entre 470 e 480,...

boecio musica medieval ambiente de leitura carlos romero

Anicius Manlius Torquatus Severinus Boethius – os registros históricos são imprecisos sobre seu nascimento; provavelmente entre 470 e 480, possivelmente em Roma, como a maioria defende. Morreu em 524, ao que se acredita, em Pavia, lugar onde repousa seus restos mortais, na basílica de San Pietro in Ciel d'Oro – em seu tratado De Institutione Musica, escrito entre os anos 515 e 520, obra, portanto, de sua maturidade, relaciona a música à conduta ética assim como ao raciocínio puro.

Dizem que na prisão vê-se o Sol nascer quadrado… Decerto porque nas atuais cadeias as janelas têm tal forma. Nas de antigamente, talvez hou...

Germano Romero Ambiente de Leitura Carlos Romero

Dizem que na prisão vê-se o Sol nascer quadrado… Decerto porque nas atuais cadeias as janelas têm tal forma. Nas de antigamente, talvez houvesse algumas redondas, como as náuticas, amoldadas ao Sol, ou sequer existissem. Mas a uma janela não importa geometria de contornos. Elas bastam por si só.

Dos grãos da Rua da Areia , solidificada na Praça da Pedra , a cidade repousa suas histórias. De onde já existiu a Rua Direita , segue suas...

clovis roberto ruas joao pessoa ambiente de leitura carlos romero

Dos grãos da Rua da Areia, solidificada na Praça da Pedra, a cidade repousa suas histórias. De onde já existiu a Rua Direita, segue suas lutas para a Trincheiras, é também nação Tabajara. Em João Pessoa, a velha Parahyba, temos sim história, natureza e cultura marcadas em seus logradouros.

É bonito encontrar ruas que se chamam Adriático, Bering, Mar Vermelho e Oceano Pacífico
E não é só do núcleo histórico central que as ruas seguem trajetos com nomes sem nomes e homenageiam cores, formas, conceitos e flores, viajam por cidades, estados e países. Assim surge um bairro inteiro, com Maranhão, Acre, Rio de Janeiro, Bahia, Amazonas e demais unidades da federação. E tem Avenida Guarabira, que também não é no Brejo.

A Capital tem ainda uma reserva florestal batizando avenidas e ruas. De onde primeiro desapareceram as árvores, o tempo vai destruindo as casas e erguendo prédios. O Anatólia, não da Ásia Menor, da República da Turquia, mas o encravado nos Bancários, tem Baraúnas, Imburanas, Eucaliptos, Ipês, Flamboyants, Castanholas e até Pinheiros. No caso, foram-se as árvores, ficaram os nomes. Melhor que de homens, restou a poesia a batizar o concreto.

clovis roberto ruas joao pessoa ambiente de leitura carlos romero
Na zona Oeste da cidade também brotam ruas de flores e frutos. Lírios, Pau D´Arco, Jambeiros, Buritis e Algarobas ajudam a transformar a cidade num jardim. Na mesma região do Bairro das Indústrias, o Distrito Industrial, nada mais coerente que a busca pelo desenvolvimento fizesse surgir ruas ligadas ao local. Sim, mesmo com a economia sofrida é possível percorrer Progresso, Importação, Exportação e Criatividade. E encontrar Trabalho. Eu vivi por muitos anos na Prosperidade. Sou testemunha que elas existem já há bastante tempo.

E que tal mergulhar em diversos mares? Ok, é Cabedelo, Intermares, mas vale a referência. É bonito encontrar ruas que se chamam Adriático, Bering, Mar Vermelho e Oceano Pacífico. Em tempos próximos, no inverno, ali as chuvas e a falta de infraestrutura faziam com que os nomes ficassem bem próximos da realidade. Quanta ironia dos gestores cabedelenses.

Bonito mesmo é encontrar em Gramame convivendo próximas as ruas do Coração, História de Amor e Lei. Que, então, de fato, reine a paz.

E dou o devido crédito. O texto surgiu ao ouvir o genial percurso musical de Alceu Valença. Eis que a fonte de inspiração/transpiração/respiração sobre os nomes de ruas. Em "Pelas ruas que andei" o cantor e compositor pernambucano percorre logradouros históricos e de nomes poéticos existentes na velha Recife. E lá vai Alceu cantando: "Na Madalena revi teu nome/ Na Boa Vista quis te encontrar/ Rua do Sol, da Boa Hora/ Rua da Aurora, vou caminhar/ Rua das Ninfas, Matriz, Saudade/ Da Soledade de quem passou/Rua Benfica, Boa Viagem/ Na Piedade tanta dor/ Pelas ruas que andei, procurei/ Procurei, procurei te encontrar..."

As avenidas, ruas e praças precisam ter alma, poética de preferência. Pena não achar no mapa de João Pessoa uma rua dos Sonhos ou da Poesia. Quem sabe um dia...

P.S. Se pensarem em colocar um dia meu nome numa rua, por favor, repensem e a batizem de algo mais natural, que soe melhor, tipo uma árvore, uma flor ou um amor.


Clóvis Roberto é jornalista e cronista

A cadeira de balanço roça a roda macia sobre o piso avarandado O mar, a brisa, os coqueiros zunem vindo a noite com maresias e murm...

Ana Elvira Steinbach Ambiente de Leitura Carlos Romero

A cadeira de balanço
roça a roda macia
sobre o piso avarandado

...
O mar, a brisa, os coqueiros
zunem vindo a noite
com maresias e murmúrios

Mal chegamos a Londres, saímos à rua. Devidamente encasacados, cruzamos uma praça – a Russell Square - e entramos numa rua estreita, a Mont...

waldemar solha ambiente de leitura carlos romero

Mal chegamos a Londres, saímos à rua. Devidamente encasacados, cruzamos uma praça – a Russell Square - e entramos numa rua estreita, a Montague Street, onde nos iluminamos com o que vimos: todos os postes – de ferro – ostentavam, cada um, dois cestões suspensos, cheios de flores miúdas e de um colorido muito vivo, as mesmas que enchiam todas as jardineiras e grades dos hotéis e bistrôs de terracinhos georgeanos (do século XIX), como num cenário de conto de fadas. Londres é quase toda um jardim. A guia do City Tour, no dia seguinte, disse-nos: - "A Prefeitura cuida de florir os lamp-posts da cidade".

...
E há uma infinidade de empresas que mantêm as fachadas de casas, lojas, bancos e bares floridas o ano todo, inclusive no inverno, quando as espécies são substituídas por outras, resistentes ao frio.

Em outro deslumbramento, um professor universitário voltou todo um quarteirão para mostrar-nos como cortar caminho para o endereço que procurávamos. Uma jovem – típica inglesa pele de porcelana, olhos intensamente azuis – aproximou-se quando viu que um senhor não sabia dizer-nos onde ficava a catedral de São Paulo.

...
Globe Theatre
E uma senhora e sua filha ofereceram-se, sorridentes, para fotografar-me com Ione diante do teatro Globe, onde Shakespeare apresentava suas obras-primas no século XVII. Doutra feita, perdendo-nos apesar do mapa, eu - desculpando-me pelo péssimo inglês - perguntei a um gentleman - que estava para cruzar a rua com duas crianças, onde ficava o British Museum. Ele não me entendeu e caprichei:

- De Brítiche Miuseum. Não me compreendeu. Mostrei-lhe o nome impresso.

- Ôh – ele disse – The British Museum! – mas isso numa pronúncia tão arrevesada e incompreensível que eu disse “Uau” e pedi que me repetisse a dose. Ele fez isso, sentiu a própria extravagância e deu uma grande gargalhada. Do mesmo modo, aquecidos por tantas caminhadas, vimos, nos maravilhosos jardins posteriores do palácio de Buckingham, a vendedora de sorvetes mostrar-nos várias opções do produto que vendia, culminando por ler uma versão tão irreconhecível, para mim, de strawberry, morango, que a imitei, sorrindo. Poucas vezes fiz alguém rir tanto...


W. J. Solha é dramaturgo, artista plástico e poeta

Descartado pelo serviço público e dado como sucata, o vasto maquinário se desviaria a tempo dos encômios da ferrugem, e alcançaria sobrevid...

Alberto Lacet

Descartado pelo serviço público e dado como sucata, o vasto maquinário se desviaria a tempo dos encômios da ferrugem, e alcançaria sobrevida num último surto de catalepsia tecnológica, embora a qualidade da iluminação que o imenso e problemático gerador a diesel conseguia ainda produzir, fosse vagamente perdurar na memória dos viventes como uma estranhamente singular e, ao mesmo tempo, dispendiosa fantasmagoria do passado.

Nem poderia ser de outra forma: a luz emanante da esquálida rede de postes era de alcance muito curto, e, a rigor, não se podia dizer que iluminasse caminho de notívago, apenas o indicasse, com jeitão de farol marítimo, que, no máximo fornece ideia de distância da costa, e, com sorte, avisa de possíveis arrecifes. Sem falar no próprio, no velho gerador em si, jurássica e gigantesca fonte de assombros: uma pechincha arrebatada da justa aposentadoria pelo prefeito da pequena cidade paraibana, quando já então aquela peça rumava para descanso eterno num ferro-velho do Recife.

A monumental carcaça carregava em si, já bem falido pelo desgaste, o glorioso princípio da indução eletromagnética, obra de Faraday
Montaram-no sobre uns trilhos de sucupira lavrados à enxó, e o passar do tempo, mais a trepidação de toneladas de ferro, aos poucos o fora enterrando no solo. As duas grandes polias de borracha chegaram já com remendos, e, todo santo dia, duas fileiras de homens agarravam-se a elas e às respectivas rodas, suando na tentativa de fazer virar a máquina, e tanto esforço resultando depois naquela luz pífia, cor de abóbora, apesar de tudo recebida com gritos de júbilo, enquanto as explosões do motor seguiam baixando o estrépito inicial, reduzindo seus estampidos a pequenos espirros, com a enorme esteira começando a entrar em velocidade constante, e toda a casa de força com o chão enegrecido pelo óleo e tremendo naquela batedeira.

Ficava impossível entabular alguma conversa dentro da casa-de-força. Um comentário qualquer saía sempre numa ofegante gritaria com tsunamis verticais a percorrer bochechas. Era preciso ouvir o barulho infernal, ver aquele óleo espirrando sobre os homens que lutavam com a monstruosidade, enquanto a enorme geringonça, com um sistema próprio de ar comprimido, impelia a água de tonéis para o próprio resfriamento, e isso numa época em que a meninada inventara uma maneira de competir com o monstrengo, e também entre si, numa disputa que consistia em apostar carreira até ao primeiro poste do sistema, já fora da casa de força, e isso, antes que a própria centelha do gerador acendesse, lá, sua primeira lâmpada.

O tal poste distava uns 30 metros da usina, e os meninos, com o pé numa linha riscada no chão, tremiam de hesitação entre a precipitação e o controle, esperando o sinal de partida, pois não podiam arrancar numa correria ao soar dos primeiros estampidos da máquina pegando partida, mas, só quando, na sequência, uma luz acendesse no interior da casa de força, e esse sim, seria o sinal válido para o arranque, quando, não raro - e por incrível que pareça --, aconteceria mesmo de algum menino conseguir tocar naquele poste antes que sua lâmpada acendesse, ganhar a disputa e ter assim seu minuto de glória inesquecível.

...
Nicola Tesla
Qualquer daqueles garotos, porém, não teria jamais como suspeitar que seu prodigioso feito devera-se unicamente à dilatada distância que o gigante de ferro se encontrava das modernas conquistas da engenharia elétrica, do quanto a sombra de Nicola Tesla, “o homem que ajudou a espalhar a luz pelo mundo”, estava longe de recair efetivamente sobre a pobre malha que, apesar de tudo, representava para os habitantes do lugar uma indiscutível zona de conforto para locomoções noturnas, muito embora rarefeita e nem sequer por ruas inteiras.

A meninada, em compensação, aparentava possuir perfeita intuição sobre as deficiências do sistema ali instalado, com seu incrível mastodonte de ferro fundido, extremamente defasado, exemplar cenozoico que ali já chegara como reaproveitamento da mais primeva tecnologia, há muito suplantada, e que remontasse a Thomas Edison antes que a George Westinghouse, ex-empregado do primeiro, e por ele demitido, e por tabela, antes que a Tesla, ex-empregado dos dois outros, e por eles demitido.

Os meninos criaram aquela brincadeira em perfeita sintonia com um sistema que não possuía nenhum equipamento capaz de interferir no percurso da corrente elétrica, exceto talvez algum solitário fusível no sentido de evitar incêndios, embora contasse, no entanto, com o recurso da própria defasagem, da própria e invencível entropia no sentido oposto de paralisá-la. Programada para as duas primeiras horas da noite, a corrente elétrica caia com frequência.

...
Serra de Teixeira
Não havia nenhum alternador, transformador, nem mesmo uma única chave comutadora ao longo da fiação, de modo que a energia era simplesmente posta a flutuar pelos compartimentos da rede, fisicamente presa e compartimentada. Faria uso, no entanto, de algum emoliente poder de escolha, iria até onde desse, e se nem mesmo entrava nas casas, é o tempo de se perguntar de quem era a culpa pela inexistência da outra, se da eletricidade ou das máquinas elétricas dentro delas: por aquele tempo não havia nas casas uma só máquina movida à energia elétrica. A minha aldeia era ainda bastante neolítica, como a maioria das pequenas cidades da Paraíba. Era o final dos anos 50, na então muito fria cidade serrana de Teixeira.

À beira da obsolescência, o sistema só podia contar mesmo com a feroz dedicação do encarregado geral, ‘Seu Tota‘, empenhado sempre em reduzir a enorme entropia do sistema, num eterno desespero para manter o sistema de refrigeração a contento, já que parte do óleo consumido se perdia em calor. Com o rosto quase sempre sujo de suor misturado com fumaça preta e tóxica, o motorneiro era sempre visto a corrigir desníveis do solo, alimentar a máquina, fazer o possível e o impossível para manter aquela energia circulando na rede, na hora prevista.

...
Faraday
A monumental carcaça carregava em si, já bem falido pelo desgaste, o glorioso princípio da indução eletromagnética, obra de Faraday. Fazia isso, porém, numa fase terminal de vida útil, mostrando a muito custo seus últimos lampejos, e sempre a exigir cuidados análogos aos de um paciente cuja vida se esvai entre crises de humor, depressão, etc.

Uma vez, porém, estabilizada a corrente, era possível ao observador mergulhado na penumbra, contemplar a curiosa imagem de um daqueles postes, visto isoladamente como árvore solitária numa paisagem absolutamente sem vida, a lembrar uma entristecida Sarsa Ardente, com suas uivantes lições embutidas nas cordas vocais do vento, esquecida por seu Moisés e algo acabrunhada com aquela barriga de luz voejante e amarelada em torno de si, hospedando em seu bojo uma multidão de besouros - como que presa ali - girando em órbitas sobrepostas e interpondo aos olhos do observador, centenas, milhares de solenóides, de alto a baixo, como elétrons num campo gravitacional, e alguns, inesperadamente encurtando a espiral, concentrando-se num determinado ponto e ampliando a frequência, entrando numa vertigem de velocidade cujo ápice será, ou uma colisão e a consequente baixa acumulada ao pé do poste, ou uma inacreditável saída tangencial às velocidades e movimentos anteriores, a lembrar um violino numa orquestra sinfônica, ao recuar da estridência de um solo, e após rápido flanar, voltando aos andamentos de fundo


Alberto Lacet é artista plástico e escritor

A máquina de costura nova, em que as tias cosiam e emendavam suas peças... Conversavam com a vida mansa, traziam o tempo do sítio, as praia...

jose leite guerra ambiente de leitura carlos romero

A máquina de costura nova, em que as tias cosiam e emendavam suas peças... Conversavam com a vida mansa, traziam o tempo do sítio, as praias frequentadas por crianças nuas, sacudindo entre as espumas que se derramavam sobre a areia branca.

...
Era animada palestra sem remendos, cerzidos de uma época em que se poderia crer no retorno do passado. A máquina de costura comprada pelo irmão mais velho, Singer, fabricada nos Estados Unidos, o orgulho das tardes mornas do final da casa e que sopravam para dentro da sala um sossego de sono vesperal.

Pierre Bezúkhov é o conde; Andrei Bolkónski é o príncipe. Oriundos de duas famílias ricas, importantes e respeitáveis, são dois amigos com ...

milton marques júnior ambiente de leitura carlos romero

Pierre Bezúkhov é o conde; Andrei Bolkónski é o príncipe. Oriundos de duas famílias ricas, importantes e respeitáveis, são dois amigos com trajetórias de vida diferentes, mas que, em um determinado momento, se encontram e se afinam de maneira admirável.

Em um indefinido ano do século XX, ele ganhou uma caneca personalizada. Branca, com desenho de uma folha de plátano. Era simples. Chegou nu...

conto adriano de leon ambiente de leitura carlos romero

Em um indefinido ano do século XX, ele ganhou uma caneca personalizada. Branca, com desenho de uma folha de plátano. Era simples. Chegou numa data qualquer, nada de aniversário, Natal, bodas. Ela simplesmente chegou.

Jantei, senti um friozinho, e, bebido o último gole de café, passei a ir e vir entre a sala e o pequeno corredor, de mãos para trás. Nada a...

gonzaga rodrigues ambiente de leitura carlos romero

Jantei, senti um friozinho, e, bebido o último gole de café, passei a ir e vir entre a sala e o pequeno corredor, de mãos para trás. Nada além de 12 ou 13 metros nesse trajeto pendular, indo e vindo, contando os quadrinhos da cerâmica, tentando fugir do noticiário, do aceleiro da peste, dos efeitos produzidos, na morrinha da tarde, com o rogo do médico Ítalo Kumamoto, de rosto transtornado, a reiterar o confinamento: “Pelo amor de Deus, não saiam!”