Seu Tatá, o alfaiate, homem de alma boa, gargalhava a não mais poder com a anedota da qual era personagem. Contava-se que a empregada da casa assim recebia quem por ele procurasse: “Seu Tatá tá?”. E ela: “Seu Tatá não tá, mas a mulher do Seu Tatá tá. É mesmo que Seu Tatá tá”.
O traçado das ruas precisava ser reencontrado após décadas de pseudodesenvolvimento construtivo. Era necessário desbravar, por entre as esquinas da memória, as antigas passagens, os velhos moradores, remontar cenários e cenas. A amizade, lado a lado, ajudava na reconstrução de tudo. Uma lembrança, um olhar, um acontecimento, uma figura, uma remontagem.
A filosofia moral de David Hume (1711–1776), filósofo e historiador britânico nascido na Escócia, representa uma ruptura com as tradições racionalistas que buscavam fundamentar a moral em princípios objetivos da razão. Ele defendia o conhecimento que advém da prática, dos sentimentos e percepções, e o ceticismo filosófico que trata da impossibilidade de se alcançar a verdade, propondo a suspensão da faculdade de pensar sobre as afirmações para atingir a tranquilidade.
A rivalidade é frequentemente celebrada como um motor de progresso, um impulso que leva indivíduos e grupos a alcançarem novas conquistas. No entanto, essa busca incessante por superação pode esconder uma realidade mais complexa: o medo. Esse sentimento, que brota da insegurança e da constante comparação, transforma o que poderia ser uma relação
Ao que me consta, há alguns critérios para que uma elevação seja classificada como uma montanha. Desconheço-os, se é que existam realmente. Deixo esse pormenor com os geógrafos, geólogos e outras criaturas que passam a vida estudando nosso planeta e dando nomes muito peculiares a tudo que existe por aqui. E vamos aprendendo com eles a diferenciar mar de oceano, lago de lagoa, cachoeira de catarata, estreito de canal, serra de cordilheira, cabo de promontório, riacho de córrego e aí vem o que mais me interessa: montanha de morro e de colina. Afinal, qual a diferença?
No dia 24 de janeiro é celebrada a memória litúrgica de São Francisco de Sales (1562-1622), bispo e doutor da Igreja. Francês de nascimento e advogado de profissão, é autor de dois grandes clássicos da espiritualidade católica: Filotéia: Introdução
Cada vez que olho para uma distância não inaugurada, vejo o quanto de mim ainda precisa chegar. Tenho sede de fazer passado. Mas, não me esqueço do presente. É só existindo no que acredito que me componho. Não sei quanta pulsão há em mim, porém disponho meu sangue. Jamais poderia dizer as palavras que digo se um dia elas não tivessem me faltado...
Desde que as ditas “férias” começaram, o tráfego nas mornas águas da Praia de Camboinha tem sido intenso. A maior atração é sua linda Ilha de Areia Vermelha que, diariamente, se esconde e se apresenta para deleite dos visitantes.
Em nosso país, poucos escritores sobrevivem dos rendimentos de seus livros. Somente jornalistas se mantêm com o salário proveniente do que escrevem. O leitor é o maior ganho do escritor. Mesmo que seja um único leitor que se tenha do livro publicado, no dizer do paraibano Ariano Suassuna, bastaria para justificar o ato de escrever.
A menina chora. Chora e não quer acordo, hostil ao que represente aceno, apelo, intercurso harmônico da linguagem. E chora com uma particular noção de ritmo, alternando ganidos com soluços e gemidos. Tudo isso compõe uma música cruel, disfonia enervante que estoura os ouvidos. É noite, e a menina trucida o silêncio a cutiladas roucas.
O dia começa comum. Café passado, o jornal aberto na mesa da cozinha, o sol insistente atrás da cortina. É num intervalo banal, entre um gole e a leitura de uma manchete qualquer, que ela chega. Não é dor. É um silêncio que se instala no peito, um espaço quente e vazio que, paradoxalmente, se enche de uma presença.
Toda grande imagem simples revela um estado de alma. A casa, mais ainda que a paisagem, é "um estado de alma".
"Quando a casa é feliz, a fumaça brinca delicadamente acima do telhado".
A Poética do Espaço – Gaston Bachelard
Meu filho caçula, Daniel, saiu de casa em janeiro de 2020. Foi para São Paulo batalhar a vida. Fiquei de cama, literalmente. E logo eu que dizia que não me importava se meus filhos ganhassem os mundos. Uma coisa é o que idealizamos ser, outra, o que somos. E eu dizia isso quando era mais jovem, todos em casa, família reunida. Lucas, o filho mais velho, já havia saído de casa há tempos. Mas mora perto, e a casa de mãe é logo ali... tem outros significados. Mas, mesmo assim, e com outro temperamento, tenho certeza do lugar que essa casa simbólica ocupa no seu coração.
O leitor lembra? Não faltava na mesa de ninguém, nem do rico nem do pobre. Eram universais e democráticas, como as bananas e o feijão. Redondinhas, estavam presentes no café da manhã, na lancheira das crianças que iam à escola, no café da tarde e até no jantar. Só perdiam, talvez, nessa onipresença gastronômica, para o pão francês, este senhor absoluto das mesas nordestinas (e brasileiras) até hoje. Não sei a razão, veio-me à mente há poucos dias essa iguaria de minha infância e aí eu pensei: dará uma crônica?
Fonte: iguaria.com
Não sei. À primeira vista, parece que serão necessárias muitas bolachas para preencher lauda e meia de palavras que façam o mínimo de sentido para quem lê. Mas vamos lá.
Uma lenda conta que, em meados do século XIX, um camponês se dirigia com sua carroça rumo a Constantinopla. Quando o sol estava alto, já quase chegando à cidade, ele avistou uma senhora idosa na beira da estrada pedindo carona.
“Descobrir que povos de caçadores, pescadores e apanhadores de frutos foram capazes de construir Göbekli Tepe é como descobrir que alguém havia construído um avião 747 com um estilete.”
Klaus Schmidt, arqueólogo e professor em arqueologia pré-histórica
Göbekli Tepe (em turco: “colina da barriga”), é um sítio arqueológico localizado numa montanha de aspecto bizarro, a 15 km de Şanlıurfa, no sudeste da Turquia (distante 60 km da fronteira com a Síria) que remonta ao período Neolítico, cerca de 9600 a.C. Declarado Património Mundial da UNESCO em 2018, é imensa a sua importância para a história da Humanidade. É considerado o templo