Para expor realisticamente esse tema tão polêmico, que emerge do meu âmago, a realidade cruel, o misticismo, um pouco de folclore, se...
Poder médico: A queda do mito?
Amsterdã é um caos ordenado. Caminhões da limpeza urbana invadem as calçadas, mas não nos dei...
Notas de Amsterdã
Mantenho minhas armas em punho, durante o dia que corre mais que o vento, não desmanchei minhas trincheiras expostas na sala de estar ...
Pérolas Clássicas
Bem verdade, há muitos anos me preparo para atacar quando necessário, e me defender quando balas de mau-humor e desinformação cruzam meus ouvidos atentos.
Vez por outra meus olhos enxergam o mau se apoderando de um local público, ou testemunho um evento radical voltado ao populismo desmedido.
Ele é farmacêutico/bioquímico por formação acadêmica, graduado e pós-graduado. E foi durante muitos anos respeitado professor da...
Humberto Fonsêca de Lucena, historiador de Araruna
A julgar pelo título, poderia ser mais um filme sobre o animal mamífero. No entanto, trata da história de Charlie, um professor de lite...
A Baleia
Ou “Os grandes do nosso mundo”, que é o título de um livro de perfis biográficos. São perfis não mais que de duas ou três páginas...
Os grandes de Ipojuca
Cheguei por aqui pela primeira vez num ensolarado 31 de janeiro, no distante 1 987. Diriam os que me conhecem...
Vagas lembranças
Qual a relação entre as palavras quente, caldo e calor, que intitulam este artigo? À primeira vista, alguns dirão que entre quente e ...
Quente, caldo e calor
Nova Iorque tem 8 milhões de habitantes, o Rio de Janeiro tem pouco mais de 6 milhões. Até 1990 imperava o caos em Nova Iorque. Naquel...
Deu certo em Nova Iorque
Água pelo caminho, um caminho de águas, uma caminhada em busca das águas. Salgada, doce, fria, quente, para ser bebida, servida em of...
Caminhos das águas
Jornais eletrônicos e de papel e tinta anunciam o segundo eclipse antes que outubro se vá. O primeiro foi o do sol, dia 14 passado. ...
Quero a lua dos poetas
No Dia das Crianças, meu pensamento voltou-se ao tempo quando morava no sítio Taquio, santuário de minha infância,...
Cantigas para os netos
“As coisas que contribuem para a longevidade saudável são as mesmas que fazem a vida valer à pena.” Fala do filme ... E " Os Seg...
''Como viver até os 100''...
... E "Os Segredos das zonas azuis”. Esse é o título de um delicioso documentário, viajando pelo mundo com o escritor Dan Buettner e descobrindo cinco comunidades únicas, onde as pessoas têm vidas muito longas e felizes e tem saúde até o fim da vida. Nada de novo no front! Ou do que já sabemos. Mas, outra coisa é ver tudo registrado. Entrevistas; lugares lindos e as suas longevas pessoas.
Okinaya, no Japão; Sardenha, na Itália; Ikaria, na Grécia; Nicoya na Cosa Rica; e Loma Linda, na California-EUA, foram os lugares escolhidos, ou melhor observados que tinham algo em comum, para que se vivesse tanto e com tanta qualidade de vida. De quebra ainda teve matéria em Singapura e numa pesquisa aplicada especial na pequena comunidade de Albert Lea, nos EUA, e o resultado em um ano foi o aumento da expectativa de vida de seus habitantes, o que pode indicar que seus resultados puderam, de algum modo, ser comprovados.
Claro que a comida (vegetais, raízes, mel ao invés do açúcar), outros ingredientes são vitais. As pessoas trabalham muito e por menos tempo, para que sobre tempo para o lazer. Andam muito. Fazem coisas com as mãos, como jardinagem. Tem um plano de vida, um propósito que os alimentam ao acordar. Rituais sagrados diários para aliviar o stress, as inflamações, e evitar a diabetes e o câncer. Pensar em deixar algo para a posteridade, conversar com amigos, a religiosidade, a fé. Tudo no pacote. Bebem, mas fazem o seu próprio vinho. Em Costa Rica colhem o seu feijão, o milho e o jerimum. Em Loma Linda, tem muito voluntariado. Estar em paz, cochilar, preocupação de pertencimento à uma comunidade de fé; fazer happy hours. Tem até um vocabulário específico para denominar a razão que os fazem levantar pela manhã. Seus gostos não funcionam todos os dias. Alimentos integrais e naturais. E os carboidratos, contém substancias outras, e se juntam ao milho, batata doce, verdes, castanhas, chás. E comem pouco, até 80% da saciedade.
Atitude, outra coisa importante. Comer com a família, cuidar dos idosos, comem devagar, e comida plantada por eles; e com moderação, conversam. Como se conectar? Priorizam a família. Parceria, amor, cuidar e amar. Círculo de amigos – investem a vida toda. Ter os amigos certos! Para fazer as coisas certas!
Singapura é um país inteiro de longevidade saudável. Expectativa de vida mais alta do mundo. E até outro dia era uma Vila de pescadores. Trabalhar duro, ser honesto, ser humilde. Quem joga tênis, vive mais (viu Teca e Anthony?). Políticas públicas que melhora a vida das pessoas. Interações ocasionais com porteiros e pessoais em geral. Proporcionam pequenos povoados artificiais para idosos. Com centro médico, praça de alimentação, e promovem encontros. A solidão existe como função do nosso ambiente. Sair para interagir com pessoas , um remédio que se opõe ao sentar e assistir TV. Não se consegue viver sozinho. Criar moradias de proximidade, pais e filhos, o que se opõe veementemente às Casas de Repousos, impessoais e tristes. O investimento econômico de adesão gera mais saúde e se constitui num benefício humano.
Setembro foi o mês Amarelo/Saúde Mental, e vejo ao meu redor muita gente com depressão, ansiedade, e outras doenças da alma. Nesse filme, e a vida nesses lugares, todos os espaços do corpo e do espírito são preenchidos com sabedoria. Comida, descanso, pausa, tempo, diversão, comunhão, compartilhamento, olhar ao outro, sono, trabalho, propósito, destino, ritmo lento, e amor.
Eu que já estou quase dobrando outro cabo da esperança, vivo a pensar na vida. Nas realizações, nas faltas, nas conquistas, no tempo do dia, nos prazeres, nos amigos, no social que falta, no que sobra, nas recusas, nos filhos, e no bem estar deles, nas minhas responsabilidades, ou nas ausências, mas principalmente no amor, aquilo que nos define aqui e lá. Jovem ou velho. Nesta ou em qualquer outra vida.
O filme é fantástico. Conhecer esses mundos, esses povos e as suas vidas, nos mostra o que temos ou deixamos de ter. Sem reclamar, sem ser rabugento, sem amarguras, azedumes, mágoas ou recalques. Isso sim, nos faz adoecer e viver pouco e ruim. Viva as zonas azuis!
A mitologia da Grécia Antiga era transmitida oralmente e registrada pela escrita e manifestada por meio da arte para compreender o Univ...
Intolerância e autodestruição
Eusébio tinha obsessão pela língua portuguesa. Desde moço lia Eça, Rui, Camilo, que para ele eram os expoentes do idioma. A leitura dos...
Traição
Para Eusébio uma silabada, uma concordância malfeita, um pronome mal colocado eram crimes de lesa-pátria. Certa vez recusou-se a assinar um documento
Stefan Zweig tinha predileção por eles. Aos vitoriosos, preferia os perdedores, maiores e menores, não importava. Por isso, biografou...
Fascínio pelos perdedores
Na próxima quinta-feira (26), pela manhã, irei autografar meus dois livros: "Encontro com Consciências - Diálogo da unidade c...
Meus livros em exposição
Gosto, sempre gostei de anotar. Passando as folhas de um caderno de 2006 encontro essa fineza de recomendação num manual de jornalismo...
Negros, e daí?
Pergunto eu: a ofensa ao negro não será mais ostensiva? O afrodescendente esconde a cor ou o preconceito?
"Nasci Nasceu Cresceu Namorou Noivou Casou. Noite nupcial. As telhas viram tudo. Se as moças fossem telhas não se casariam."...
Anayde: o rosto feminino da Revolução de 30
Nunca executara aquela cantiga do bom ouvir em planícies nem desertos. Porque o cantar já não lhe apetecia ou o uivo imenso de um lobo ...
O velho lavrador
Quando o verde dos teus olhos Se espalhar na plantação Eu te asseguro, não chores não, viu Eu voltarei pro meu sertão. Luiz Gonzaga e H...
Quando o verde dos teus olhos...
Está aí uma metáfora vigorosa que retrata a mágica transformação que se processa nas paisagens do semiárido nordestino quando o verão inclemente vai dando lugar às primeiras chuvas na estação das águas.
O panorama pintado em cor de pátina ou de um marrom mortiço, vai tomando vida e nem vão lá muitos dias para que o cenário vá se esverdeando num testemunho inconteste do milagre da vida. É o verde “daqueles olhos” se espalhando na plantação.
Uma drosophila melanogaster , a popular mosca da fruta, apela para o álcool como uma maneira de compensação a sua carência de sexo. J...
De que importa saber o que é literatura?
O PRESENTE O pacote chegou de manhã. Nenhuma referência ao remetente. Abri-o, mecanicamente. Bem na frente, um bilhete: “Antes de...
Arco-íris
O PRESENTE
O pacote chegou de manhã. Nenhuma referência ao remetente. Abri-o, mecanicamente. Bem na frente, um bilhete: “Antes de morrer, ele me pediu para devolver as cartas que você lhe escreveu”. Nós nos conhecemos na quermesse. Era a primeira vez que aparecia na cidade. Vinha a trabalho, de passagem. Seus beijos, os únicos que experimentei na vida. Desse modo foi até a correspondência cessar, sem que ele voltasse uma vez sequer. Lembrei, com amargura, das últimas palavras que dissera a mim, num sussurro, por ocasião da despedida: “Talvez eu tenha encontrado quem procurava”. Toquei fogo no embrulho e fui tomar café.
Sempre que o STF decide qualquer questão com base no parágrafo 4º do artigo 60 da nossa Constituição é comum vermos os arreganhos de ...
São Thomas More em Brasília
Meu amigo pensou em matar de inveja o casal da Pensilvânia de quem a menina mais velha foi hóspede no transcurso de um desses programa...
Vai um araticum, aí?
Geralmente, quando se fala em invasão holandesa no Nordeste, nos remetemos sempre a Pernambuco. Porém, é inegável a participação de Pot...
Pedro Poty
Estou ainda para ler "História das Lutas com os Holandeses no Brasil" de Varhagen. Ficará como leitura para o recesso forense.
A luz brilhava no céu feito a ponta de um lápis marcando uma página de azul escuro. A luminosidade fazia uma longa curva. Os olhos mal ...
Várias luzes
A deusa de róseos dedos põe cores no céu da Califórnia enquanto leio “I am” (Eu sou), de John Clare. Tristeza, solidão e o desejo de...
Tristeza, solidão e o desejo de encontrar a paz
“Eu sou o autoconsumidor das minhas aflições” é um verso que gosto demasiado. Diz tanto sobre o hábito de cultivar e aprofundar as dores. Clare transita pelas flutuações da mente, expondo o tormento das sombras que surgem e desaparecem: agonias delirantes e sufocadas do que chamamos amor – esse tão ansiado sentimento que, mal se assenta à nossa mesa com seu cortejo de plumas e canções, não raro é convertido em chicote e espada. Prova máxima da nossa vocação para o paradoxo, o auto boicote ou a estupidez.
Ponho os versos mais sofridos de John Clare na conta da depressão do poeta. Assim como van Gogh e Virginia Woolf, Clare batalhava contra a própria mente. Transpôs tudo para versos impactantes (“no mar vivo dos sonhos despertos não há sentido da vida
Retiro da ordem e subverto o sentido de um verso para encerrar este texto: “E, ainda assim, eu sou e vivo”. Afasto as tristezas do poeta e celebro a minha própria vida, transbordando de gratidão por esse tempo curto em que experimento a alegria única de existir.
Eu sou. Eu vivo. Nas minhas veias ainda flui o sangue, meu rosto se ruboriza de prazer ou de vergonha, carrego experiências únicas. Eu sou um mundo semidesconhecido, um planeta inteiro de sonhos e tropeços, que gira como bailarino em uma galáxia imensa. Ao meu redor há tantos vizinhos. Neles percebo a vida pontuada por delícias, aflições e espantos. Não disfarço o encantamento. Nada pode ser mais fascinante que estar aqui, agora, testemunhando o teatro cósmico, pleno de som, fúria e flertes com a felicidade.
Propondo-se a uma arqueologia da noite, Helder nos conduz poeticamente a um mergulho no escuro de que nos constituímos e que é a próp...
Os Noturnos de Helder
OS INFLUXOS PERENES DA VOCAÇÃO MÉDICA Toda carreira exige, é evidente, seja ela qual for, uma série de predicados daquele que pretend...
Minha homenagem alusiva ao Dia do Médico
No livro O futuro do ódio (2008), o psiquiatra e psicanalista belga Jean-Pierre Lebrun (1945) analisa o embrutecimento humano e o dese...
Invisibilidade do ódio
Na redação de A União, onde repousei minhas esperanças de repórter, Carlos Aranha se revelou guru para jovens, dando-nos o prazer ...
A ideia é outra
Em meio à turbulência e caos de uma guerra, é necessário lembrar daquilo que muitas vezes passa despercebido: as famílias que estão p...
Em uma guerra todos perdem
Josué Montello dizia que escrever para jornal exig...
Dos humores da crônica
Com o passar do tempo construímos nossos lares e relações humanas, temperando com expressões populares baseadas em acontecimentos curio...
Nau dos Quintos
A filosofia de Leibniz é de discussão problemática, uma vez que grande parte de sua obra é fragmentária, faltando-lhe, muitas vezes,...
Leibniz e a Contemporaneidade (conclusão)
Neste 12 de outubro de 2023 o escritor Fernando Sabino, se vivo fosse, estaria completando cem anos de nascimento. Em condições norm...
O romance que destruiu o romancista
Coisa estranha é o amor Quando te falava que teu corpo não era o mais importante que nossos sentimentos eram mais valio...
Coisa estranha é o amor
A herança é a maneira mais pertinente de formar uma biblioteca (Walter Benjamin, Desempacotando minha biblioteca ) À pergunta ...
Para quem ama livros e quadros
de formar uma biblioteca
(Walter Benjamin, Desempacotando minha biblioteca)
No prédio do Tribunal de Justiça da Paraíba, até algumas décadas atrás — segundo me contou certa vez o historiador Humberto Mello —, ha...
100 anos do amor trágico de Ágaba e Sady
Em 22 de setembro de 2023, a tragédia de amor de Ágaba de Medeiros, normalista de 16 anos, e Sady Castor, estudante do Lyceu Parahybano, morto aos 23 anos, completou 100 anos. No dia 22 de setembro de 1923, Sady foi assassinado na atual Praça Joao Pessoa, onde estudantes do Lyceu Parahybano e da Escola Normal se encontravam. O Lyceu funcionava no prédio que posteriormente serviu à Faculdade de Direito da UFPB; a Escola Normal é o atual edifício do TJ da Paraíba, no centro histórico da capital do estado.
Rótulos são inevitavelmente limitantes. Qualquer um. Por vezes eivados de classificação preconceituosa, quando não equivocados, viraram...
Rótulos, estilos e conceitos
Vivemos tempos cascudos, no Brasil e no mundo. Lá fora, uma guerra sanguinária, desencadeada por quem só tem ódio no coração, e que vem...
Façam um desejo! A turma de medicina de 1978
Ela afeta principalmente quem não tem culpa de nada, e que não pode se defender. Muito cruel, mesmo.
Vim ver quem era Sivuca na casa de Nathanael Alves. Ele voltara dos Estados Unidos, onde havia experimentado a fama internacional, e...
O grande Sivuca
Os capítulos II e III de “A Terra” são curtos, em relação aos outros três que ajudam a compor a primeira parte de Os sertões . Este tra...
Os sertões, um livro didático (Parte III)
BACALHAU DA PAIXÃO Sexta-feira Santa. A família, em burburinho infernal, estava à mesa para comer peixe. Para o filho doente, a m...
Não sinto gosto de nada
BACALHAU DA PAIXÃO
Sexta-feira Santa. A família, em burburinho infernal, estava à mesa para comer peixe. Para o filho doente, a mãe fez bacalhau, mesmo com o preço do quilo a exorbitar. Cada um que dissesse do que mais gostava, dentre as comidas ali expostas. Menos ele. Engolia devagar, taciturno, talvez constrangido de ter iguaria diferenciada só para si. Até que, num átimo de silêncio, falou: “Deve estar uma delícia esse bacalhau”. Alguém inquiriu: “Deve estar?!”. Ao que redarguiu: “Desde que o câncer se instalou e precisei fazer o tratamento, não sinto gosto de nada”. Todos voltaram a seus pratos. E comeram calados.
DE AMORES PROVISÓRIOS
Jamais quis criar animal algum. Não cogitava se apegar a um ser que certamente iria viver menos do que ela. Preferia não se comprometer. A neta ganhou um cãozinho. Deixou-o com ela, sem pedir licença, alegando que a avó morava só, numa casa espaçosa, entre jardim e quintal. A rotina assim se estabeleceu: colocar comida, trocar a água da vasilha, retirar o cocô da caixa de areia e dar banho, uma vez por semana. Dele não gostava nem desgostava. Apenas o aturava, sem sentimentos nem aproximações. Juntos, no entanto, passavam horas a fio, estando ele na beira do fogão, ao pé da máquina de costura ou dormindo no tapete ao lado de sua cama. Isso até o cão adoecer e morrer. Para surpresa de si mesma, uma lágrima correu no canto de cada olho. Agora, sozinha de tudo, resmungava: “Bem que eu não queria bicho aqui”.
O ENCONTRO
Estava decidido a morrer naquela noite. A questão era como. Queria uma morte perfeita, sem dores, sangue jorrando, danos a outrem e vestígios. Cansara de ser um velho sozinho, doente e sem ânimo para lutar contra o que lhe oprimia o peito. Chovia fino e, enquanto caminhava a esmo, arquitetava. Foi quando a viu num cantinho escuro, por trás de uma lata de lixo, tremendo de frio e, agora, de medo também. Ela quis se esquivar, para se proteger de uma possível agressão, o que já lhe era natural. O homem se abaixou, pegou-a no colo e a protegeu, entre a camisa de algodão e o surrado casaco de lã. Naquela noite, ela não miou desesperadamente. Ele não mais pensou em se matar.













































































