“...e nem se despediu de mim” Quando alguém faz aquela viagem que estava fora do combinado, sem volta, a jornada definitiva, e é ...

Enxuto

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“...e nem se despediu de mim”
Quando alguém faz aquela viagem que estava fora do combinado, sem volta, a jornada definitiva, e é chegada a hora da partida, não é incomum ouvirmos as mais diversas conjeturas de quem está tentando aliviar a dor dos que ficaram. Coisas assim: Foi para um bom lugar ou Está melhor do que nós. Tem ainda, se o viajante padecia de alguma enfermidade grave: O pobre descansou. Quando a compra do bilhete de partida se deu de forma inesperada, não falta o: Ontem mesmo conversou comigo e parecia estar vendendo saúde. É nesses momentos que também se fazem presentes os filósofos de plantão: Aí está o destino de todos nós. Precisava lembrar?

A história da filosofia não é apenas marcada por grandes ideias e teorias, mas também pelos desafios pessoais enfrentados por seus pen...

Os filósofos e o sofrimento: uma reflexão necessária

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A história da filosofia não é apenas marcada por grandes ideias e teorias, mas também pelos desafios pessoais enfrentados por seus pensadores. Desde os tempos antigos até os dias atuais, muitos filósofos experimentaram angústias, crises e dilemas que moldaram suas obras e pensamentos.

Um dos homens mais importantes da história paraibana e brasileira, com repercussão internacional, tem uma identificação forte: José...

Linha do tempo de José Américo e sua Fundação Cultural

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Um dos homens mais importantes da história paraibana e brasileira, com repercussão internacional, tem uma identificação forte: José Américo de Almeida, também conhecido como “O Homem de Areia”. Isso, em alusão ao lugar onde nasceu: Areia (PB), no dia 10 de janeiro de 1887. Precoce, sua “estrela” já começou a prenunciar uma polivalência de atributos que o tornaria um dos mais renomados literatos, políticos e humanistas do cenário nacional. Aos 19 anos começou a demonstrar vocação literária; aos 21 anos concluiu o curso de Direito; aos 24 anos foi nomeado procurador-geral do Estado da Paraíba; e, aos 36 anos, publicou o primeiro livro: A Paraíba e seus Problemas (1923).

O cônego Antonio Andrada iniciou o ritual de encerramento da cerimônia religiosa, os fiéis contritos faziam o sinal da cruz, e evacuav...

Praga de Padre

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O cônego Antonio Andrada iniciou o ritual de encerramento da cerimônia religiosa, os fiéis contritos faziam o sinal da cruz, e evacuavam a igreja em passos lentos, respeitosos. Nem um sussurro deixavam escapar, nem o mais tênue arrastar de pés era possível perceber. Caminhavam numa leveza, parecendo levitar. Comunicavam-se por gestos e sinais sutis quase imperceptíveis. Os idosos e alquebrados se deixavam conduzir pelas mãos firmes dos mais vigorosos, sem deixarem transparecer a menor queixa ou lamento de dor, imbuídos que estavam de fé e devoção.

Não sejamos ingênuos diante de tantos discursos e palavras amigáveis. Não é com qualquer um que devemos desabafar. A solidão, por vez...

Nossas reservas

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Não sejamos ingênuos diante de tantos discursos e palavras amigáveis. Não é com qualquer um que devemos desabafar. A solidão, por vezes, nos obriga a isso. Os mais vulneráveis a cair nas artimanhas do verbo são aqueles que não aprenderam a conviver com as perguntas. Estamos cada vez menos afeitos à reflexão.

“As Muriçocas nascem da obstinação alegre de um folião visionário, mas crescem como expressão coletiva, reunindo artistas, amigos, ...

Muriçocas do Miramar – 40 anos

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“As Muriçocas nascem da obstinação alegre de um folião visionário, mas crescem como expressão coletiva, reunindo artistas, amigos, comunidades e milhões de foliões e foliãs. Ao narrar essa trajetória, o autor revela um carnaval que tem tempo e lugar, que não se desloca do seu território simbólico nem da sua memória afetiva. Um carnaval enraizado nas pessoas, nas individualidades e nos coletivos, que fez das Muriçocas de Miramar não apenas um bloco, mas um marco do carnaval de João Pessoa, da Paraíba, do Nordeste e do Brasil.” Fred Maia
Domingo, dia 1 de fevereiro, o compositor e puxador do Bloco das Muriçocas do Miramar, Mestre Fuba, lançou o livro A Celebração da Alegria: 40 anos das Muriçocas do Miramar (Editora A União). O livro, diz o jornalista Fred Maia, na orelha, “é mais que o registro de um bloco carnavalesco: é a narrativa de uma cidade em festa e de uma geração que fez do carnaval um gesto contínuo de pertencimento... Ele se constrói no encontro, na amizade, na soma de paixões.”

O Ambiente de Leitura Carlos Romero passou a contar, há alguns dias, com um aplicativo para Android , disponível na Google Play Store....

O aplicativo Ambiente de Leitura

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O Ambiente de Leitura Carlos Romero passou a contar, há alguns dias, com um aplicativo para Android, disponível na Google Play Store. A novidade amplia o acesso aos textos publicados e marca uma etapa importante na trajetória do site, ao oferecer a experiência de uma leitura mais prática, direta e adequada aos dispositivos móveis.

Outro dia passei um longo período da tarde procurando uma caderneta antiga com anotações feitas não sei quando, mas que considerav...

As netas secretárias

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Outro dia passei um longo período da tarde procurando uma caderneta antiga com anotações feitas não sei quando, mas que considerava úteis para a composição de um texto que haviam me pedido. Não sei se era um texto publicitário ou uma nota de recordações literárias. Lembrava que a cadernetinha tinha a capa preta, plastificada; deveria estar bem surrada devido ao tanto tempo guardada. Nem com essa identificação conseguia avistá-la por entre as pilhas de papéis e livros desarrumados nas prateleiras da biblioteca.

Gosto da espontaneidade e da alegria dos blocos carnavalescos. Para sair neles, ninguém precisa usar fantasias caras nem obedecer a ...

Elogio dos blocos

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Gosto da espontaneidade e da alegria dos blocos carnavalescos. Para sair neles, ninguém precisa usar fantasias caras nem obedecer a rigorosos esquemas coreográficos. Blocos como o “Cordão da Bola Preta” ou o “Galo da Madrugada” (para citar dois dos mais famosos) mostram que a coreografia é um “empurra-empurra” balanceado ao qual se associa o coro de marchinhas que atravessam gerações.

Há um aquário dentro de meu peito. É uma caixa de vidro invisível onde as emoções nadam como peixes de cores e tamanhos diversos. Alg...

Regulação emocional

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Há um aquário dentro de meu peito. É uma caixa de vidro invisível onde as emoções nadam como peixes de cores e tamanhos diversos. Alguns pequenos e ágeis, prateados como a alegria de uma manhã de sol depois da chuva. Outros são lentos, escuros, quase como enguias que se escondem nas pedras, como a mágoa que insiste em não desgrudar do fundo.

Sou fascinado por cheiros; além de tudo, alucino-me por essências. “Árvores são fáceis de achar: ficam coladas no chão”, como bem diss...

Ervas para Marias e Joanas

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Sou fascinado por cheiros; além de tudo, alucino-me por essências. “Árvores são fáceis de achar: ficam coladas no chão”, como bem disse Arnaldo Antunes. Dias atrás tive uma felicidade rara: ver uma árvore abrindo, com solenidade discreta, o filme Hamnet e perceber que ela não entrava em cena sozinha. Entrava a natureza inteira, dançando sem coreógrafo, sorrindo com os lábios e, ainda assim, convincente.

Talento é hereditário? Nem sempre. Para falar a verdade, creio que só raramente. Temos visto muitos descendentes de gente ta...

De pai para filha: a literatura na família Lins do Rego

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Talento é hereditário? Nem sempre. Para falar a verdade, creio que só raramente. Temos visto muitos descendentes de gente talentosa que não dá para nada - ou quase isso. E talvez seja melhor assim, pois seria muito chato já saber de antemão que o filho de Einstein seria uma cópia do pai. Bom mesmo é a loteria do destino que torna tudo incerto e a todos nós mais ou menos humildes, diante das incertezas da vida. Pai ou mãe geniais, filhos nem tanto. Que os ventos do talento soprem em qualquer lugar, nos palácios e nas favelas, e que os dons não deixem nunca de florescer por falta de recursos e oportunidades.

É possível traçar um pequeno mapa universal dos amores inviáveis, atravessando culturas, épocas e religiões. Perto de onde morei, quand...

Há amores impossíveis?

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É possível traçar um pequeno mapa universal dos amores inviáveis, atravessando culturas, épocas e religiões. Perto de onde morei, quando vivia na Espanha, havia a lenda dos Amantes de Teruel.

Levaram a estátua, desta vez o busto de Antônio Pessoa . Vim notar neste fim de semana, ao sair da lotérica com o olhar na direção ...

A duração de nossas estátuas

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Levaram a estátua, desta vez o busto de Antônio Pessoa. Vim notar neste fim de semana, ao sair da lotérica com o olhar na direção de uma velha minha conhecida, a antiga casa de Wills Leal, quando jovem, morando com os pais.

Antônio Joaquim Pereira da Silva , ou simplesmente Pereira da Silva, foi um importante poeta, jornalista e intelectual paraibano, qu...

Pereira da Silva psicografado por Chico Xavier

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Antônio Joaquim Pereira da Silva, ou simplesmente Pereira da Silva, foi um importante poeta, jornalista e intelectual paraibano, que alcançou a glória da imortalidade na Academia Brasileira de Letras em 1933. Teve, ao correr da vida, sete publicações, a saber: Vae Soli (1903), Solitudes (1918), Beatitudes (1919), Holocausto (1921), O Pó das Sandálias (1923), Senhora da Melancolia (1928) e Alta Noite (1940), tendo deixado obras inéditas Intranquilidade; Meus Irmãos, os Poetas; Os Milagres de Cristo; e Os Homens de Deus.

Taitale pensava em realizar o maior feito que suas mãos haviam produzido, mas antes, precisaria de algum tempo para concluir seu proje...

Orací e o Boi de Cuité (capítulo 6)

romance sertao nordeste
Taitale pensava em realizar o maior feito que suas mãos haviam produzido, mas antes, precisaria de algum tempo para concluir seu projeto em Baía da Traição. Firmou um acordo com o Coronel: a edificação do Curral-Labirinto somente começaria quando Alceu retornasse em definitivo da Europa. Não seria obra a ser construída às pressas. Nem mesmo seria um trabalho para uma safra. Depois de traçado o “Mapa do Labirinto”, seria preciso o braço forte de cada vaqueiro disponível, além da presença do veterinário

A poesia de Augusto dos Anjos ocupa um lugar singular - e até hoje desconcertante - no panorama da literatura brasileira. Publicado em...

A Filosofia na poesia de Augusto dos Anjos

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A poesia de Augusto dos Anjos ocupa um lugar singular - e até hoje desconcertante - no panorama da literatura brasileira. Publicado em 1912, o Eu permanece como um corpo estranho no cânone: um livro que parece destoar de seu tempo, mas que, paradoxalmente, o atravessa com uma lucidez brutal. Nele, a poesia deixa de ser refúgio estético ou exaltação lírica para se tornar campo de investigação ontológica, laboratório verbal onde se examinam, sem anestesia, a matéria, a morte, a consciência e a falência do sentido. Ler Augusto dos Anjos é, antes de tudo, enfrentar uma filosofia em versos.

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Desde o primeiro contato, percebe-se que sua poesia não se limita a tematizar questões filosóficas; ela pensa poeticamente. O poeta não usa a filosofia como ornamento cultural, mas como nervo estrutural de sua linguagem. Seu verso é atravessado por um materialismo radical, de feição científica, que dialoga com o positivismo, o evolucionismo darwinista e o determinismo do final do século XIX. No entanto, essa matriz científica não se traduz em otimismo progressista. Ao contrário: em Augusto dos Anjos, a ciência não redime; ela aprofunda o abismo.

A matéria, em sua poesia, é o princípio e o fim de tudo. O homem não é alma em trânsito para o absoluto, mas carne degradável, soma de átomos, proteínas e vermes em potência. O famoso verso - “A mão que afaga é a mesma que apedreja” - sintetiza essa visão trágica da condição humana: não há elevação moral garantida, pois o sujeito está submetido às mesmas leis físico-químicas que regem a decomposição dos cadáveres. Aqui, a filosofia que se insinua é um materialismo pessimista, próximo, em espírito, ao de Schopenhauer, embora filtrado por uma linguagem científica e por uma sensibilidade profundamente nordestina.

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A morte, em Augusto dos Anjos, não é evento metafísico, mas processo biológico. Ela começa antes do último suspiro, infiltrando-se na vida como entropia, desgaste, corrosão. O poeta dissolve a fronteira entre o vivo e o morto: o homem é, desde sempre, um cadáver em preparação. Essa concepção rompe com a tradição romântica da morte sublime e também com o simbolismo espiritualizante de seus contemporâneos. O que resta é uma ontologia da ruína, na qual existir equivale a apodrecer lentamente.

No entanto - e aqui reside a complexidade filosófica de sua obra -, esse materialismo não elimina a angústia metafísica. Pelo contrário, ele a intensifica. Se tudo é matéria, por que a consciência sofre? Se o homem é apenas um arranjo provisório de moléculas, de onde nasce a dor moral, a culpa, o desespero? A poesia de Augusto dos Anjos é atravessada por essa contradição irresolúvel: um corpo que a ciência explica, mas uma consciência que ela não consola. Nesse ponto, sua poesia se aproxima do existencialismo avant la lettre, antecipando inquietações que só ganhariam nome décadas depois.

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A linguagem é outro eixo essencial dessa filosofia poética. O vocabulário técnico - termos médicos, químicos, anatômicos - não é gratuito nem exibicionista. Ele funciona como estratégia de desidealização do lirismo. Ao nomear o mundo com palavras duras, ásperas, anti-musicais, o poeta recusa a beleza fácil e impõe ao leitor uma ética do desconforto. O verso torna-se espaço de conflito entre forma clássica (sonetos rigorosos, métricas precisas) e conteúdo corrosivo. Essa tensão revela uma consciência estética aguda: Augusto dos Anjos não destrói a forma; ele a contamina.

Do ponto de vista filosófico, essa escolha formal sugere uma visão trágica da ordem. Há estrutura, há métrica, há disciplina - mas tudo isso serve para conter, provisoriamente, o caos da existência. A forma clássica funciona como jaula para o desespero. O poeta sabe que a linguagem não salva, mas ainda assim insiste nela, como último gesto de resistência contra o silêncio absoluto da matéria.

Também não se pode ignorar a dimensão ética dessa poesia. Embora profundamente pessimista, ela não é indiferente. Ao revelar a miséria ontológica do homem, Augusto dos Anjos
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desmonta as ilusões de grandeza, orgulho e transcendência fácil. Sua filosofia poética é, nesse sentido, uma pedagogia cruel: ensina-nos a olhar para o humano sem véus, sem consolos metafísicos, sem promessas de redenção. O choque que sua poesia provoca não é mero efeito estético, mas um convite - ainda que doloroso - à lucidez.

Assim, a filosofia na poesia de Augusto dos Anjos não se organiza como sistema, mas como experiência. Não há tese final, nem síntese conciliadora. O que existe é um pensamento em estado de combustão, um lirismo que se recusa a mentir. Sua obra permanece atual justamente porque expõe, com rigor implacável, a fratura entre o saber científico e a necessidade humana de sentido - fratura que continua a definir a condição moderna.

Augusto dos Anjos é, portanto, um poeta-filósofo da decomposição: da carne, das ilusões, das certezas. Mas é também, paradoxalmente, um dos mais honestos pensadores do humano em nossa literatura. Sua poesia não oferece respostas; ela nos obriga a sustentar a pergunta até o fim.

Versos íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de sua última quimera. Somente a Ingratidão – esta pantera – Foi tua companheira inseparável! Acostuma-te à lama que te espera! O homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera. Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja. Se alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija!

Durante nove noites , Zeus se uniu à deusa Mnemosyne e dessa união surgiram as nove Musas – Calíope, Polímnia, Érato, Thalia, Terpsícor...

Memória e reconhecimento

mitologia odisseia hesiodo homero
Durante nove noites, Zeus se uniu à deusa Mnemosyne e dessa união surgiram as nove Musas – Calíope, Polímnia, Érato, Thalia, Terpsícore, Melpômene, Euterpe, Urânia e Clio –, divindades que, a um só tempo, guardam a memória, as artes, as festas e o conhecimento. Encargos daquelas que são filhas da deusa da memória e do deus mais sábio (μnτίετα) e que tem a visão mais ampla (εὐρὐοπα).

Cruzeta. Aliás, cruzeta demais o tal do Bernardo Guimarães, que escreveu A Escrava Isaura . Foi nomeado Juiz de Órfãos em Catalão (GO...

O pai da escrava Isaura

bernardo guimaraes escrava isaura indio afonso
Cruzeta. Aliás, cruzeta demais o tal do Bernardo Guimarães, que escreveu A Escrava Isaura. Foi nomeado Juiz de Órfãos em Catalão (GO), onde chegou em 1852, porém pouco trabalhava. Levava a vida em pescarias, raparigas e cachaça. Após dois anos, foi embora, porém voltou em 1861, agora como juiz municipal. Aumentaram a autoridade e a irresponsabilidade.

Immanuel Kant (1724–1804) , em seu livro À Paz Perpétua (1795), propõe um projeto jurídico para a construção de uma paz duradoura ent...

Fundamentação da Paz Perpétua em Kant

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Immanuel Kant (1724–1804), em seu livro À Paz Perpétua (1795), propõe um projeto jurídico para a construção de uma paz duradoura entre as nações. Para o filósofo, a paz é um ideal racional que deve ser instituído por meio de normas e acordos entre os povos. A razão, segundo Kant, condena a guerra como meio legítimo de direito, transformando o estado de paz em um dever moral e político. Contudo, essa paz só pode ser assegurada por meio de um pacto entre os Estados, fundamentado em princípios jurídicos. A obra divide-se em duas partes: os artigos preliminares e os artigos definitivos, seguidos de dois suplementos. Nos seis artigos preliminares, Kant enumera condições que devem ser eliminadas para tornar possível a paz futura.

Eu tinha 12 anos , a idade atual do meu neto, quando atravessei a rua em busca da Biblioteca Pública de Pilar. Juracy, a atendente, afa...

O caçador de mosquitos

nostalgia literatura infanto juvenil
Eu tinha 12 anos, a idade atual do meu neto, quando atravessei a rua em busca da Biblioteca Pública de Pilar. Juracy, a atendente, afagou-me os cabelos antes de sugerir e me emprestar “O caçador de mosquitos”, do mineiro Clemente Luz. Esqueci por décadas o nome desse autor, mas nunca o que ele contou em 117 páginas.

Nem toda dor requer silêncio. Algumas passam, outras permanecem… outras nos transformam. A dor na poesia – sonetos nasce desse territó...

A dor na poesia

raniery abrantes poesia paraibana
Nem toda dor requer silêncio. Algumas passam, outras permanecem… outras nos transformam. A dor na poesia – sonetos nasce desse território onde a experiência deixa de ser apenas ferida e se converte em linguagem.

Dica de leitura Título: QUANDO EU ERA VELHA Autor Fernanda Pompeu Quando eu era velha , de F...

Quando eu era velha

fernanda pompeu livro quando era velha
Dica de leitura

Título: QUANDO EU ERA VELHA
Autor Fernanda Pompeu

Quando eu era velha, de Fernanda Pompeu, é um livro que começa pelo paradoxo para, a partir dele, desorganizar certezas. O título provocativo e delicadamente irônico, anuncia o gesto central da obra: tratar o envelhecimento não como linha de chegada, mas como território em permanente construção. Ao acompanhar Olívia, jornalista aposentada que recebe a proposta de escrever sobre a velhice, o romance se instala no espaço fértil entre memória, corpo e linguagem.

A busca por amizades verdadeiras é uma aspiração profunda e universal. Na vida, essas conexões trazem conforto, compreensão e um senso...

A autenticidade das relações humanas

amizade companheirismo
A busca por amizades verdadeiras é uma aspiração profunda e universal. Na vida, essas conexões trazem conforto, compreensão e um senso de pertencimento, elementos essenciais para a nossa saúde emocional e espiritual. No entanto, a realidade é que muitas vezes essas relações são marcadas por traições e desilusões. Essa complexidade nas interações humanas pode ser analisada tanto pela lente bíblica quanto pela filosófica.

Seu Tonico e Dona Mirtes formavam um casal que dava gosto de ver. Era voz corrente que ali estava um exemplo de como se deve construir...

Mensagem desastrosa

humor casamento
Seu Tonico e Dona Mirtes formavam um casal que dava gosto de ver. Era voz corrente que ali estava um exemplo de como se deve construir uma relação de benquerença. Isso mesmo, estamos nos referindo àquela relação que é o alicerce da mais sagrada das instituições, a família. Dava gosto de ver aqueles dois. Ainda trocavam mimos de namorados e nunca esqueceram o 12 de junho quando jantavam fora e depois... Bem “o depois”, já entenderam. Nunca falharam.

Há dores que não se explicam — reconhecem-se. A minha tem nome, Matheus, idade e uma ausência definitiva: um filho assassinado aos 16...

Meu enxergar sobre o filme ''Hamnet - a vida antes de Hamlet''

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Há dores que não se explicam — reconhecem-se. A minha tem nome, Matheus, idade e uma ausência definitiva: um filho assassinado aos 16 anos. Tem tempo suficiente para saber exatamente o que significa enterrar um filho e continuar respirando com o peito em ruínas, apesar de ter certeza que é preciso continuar dividida entre dois mundos.

A gastronomia é muito mais que alimentação. Ela é memória, identidade e diálogo — um espaço onde o passado conversa com o present...

Gastronomia: a ponte entre a tradição, as raízes e o desafio de criar um presente

gastronomia cozinha italiana joao pessoa cipriani nello cassese copacabana pallace
A gastronomia é muito mais que alimentação. Ela é memória, identidade e diálogo — um espaço onde o passado conversa com o presente sem precisar apagar um ou outro. Quando um chef coloca um prato na mesa, ele não está apenas servindo comida; está contando histórias de um povo, de um território, de técnicas aprendidas e reinventadas ao longo de gerações.

Ler é uma das maiores habilidades que o cérebro humano é capaz de desenvolver e nós desenvolvemos diversas competências através da lei...

Ler na Era Digital

leitura digital tablet kindle e-book
Ler é uma das maiores habilidades que o cérebro humano é capaz de desenvolver e nós desenvolvemos diversas competências através da leitura. Isso pode ser comprovado a partir da obra “O cérebro no mundo digital – os desafios da leitura na nossa era”, de Maryanne Wolf (Contexto, 2019, 256 p.). A autora, neurocientista e psicóloga

Esse é o nome de um quarteirão , ou alguns, em Tambaú, reduto que foi o lugar da juventude nos anos 80. Lugar de boemia, de encontro...

O Baixo Tambaú

nostagia baixo tambau boemia degradacao urbana
Esse é o nome de um quarteirão, ou alguns, em Tambaú, reduto que foi o lugar da juventude nos anos 80. Lugar de boemia, de encontros e transgressões. Lugar onde também pontos de cultura e comportamento se estabeleciam. O Bloco das Virgens, no Bar do Convívio, é um exemplo. Bares como o Boiadeiro, Travessia, O Quintal, o Peniqueiral, o Bar da Xoxota, o Do Meu Cacete, o Do Pau Mole (vale conferir os nomes!) e tantos outros. O Última Sessão, que depois virou O Apetitto (sede do Bloco As Piabas, posteriormente), com seus pratinhos nas paredes. As calçadas cheias de jovens.
nostagia baixo tambau boemia degradacao urbana
Praia de Tambaú, anos 70, em J.Pessoa-PB ▪️ Instagram: @joaopessoabrasil
A Peixada, o Chinês, a Lanchonete Natural, e a boemia correndo solta. O Empório Café fez e faz onda ainda. Ricky Mala, Suzy Lopes e seus Saraus Poéticos, e Toinho Matos, que também movimenta o Carnaval. Tudo junto mesmo.

Trago muitas lembranças do lugar onde nasci, algumas boas e outras nem tanto. Se a terra dava comida e agasalho, a cultura esbarrava n...

Os netos e os livros

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Trago muitas lembranças do lugar onde nasci, algumas boas e outras nem tanto. Se a terra dava comida e agasalho, a cultura esbarrava na dificuldade de acesso ao livro.

Fernando Pessoa definiu a quadra como “um vaso de flores que o Povo põe à janela da sua alma”. Com isso, destaca o caráter popular des...

Um homem e seus espaços

petronio souto ps em poucas palavras livro
Fernando Pessoa definiu a quadra como “um vaso de flores que o Povo põe à janela da sua alma”. Com isso, destaca o caráter popular dessa espécie poética surgida na Idade Média. Ao mesmo tempo, enfatiza-lhe o aspecto confessional. Expor a alma como flores numa janela é mostrá-la ao mundo, com a delicadeza de suas pétalas, e ao mesmo tempo aliviar o espírito graças ao arejamento que esse ato produz.

Dizem que Clara tinha um termômetro dentro do peito. Não daqueles de mercúrio, prateados e precisos, mas um daqueles antigos, de líqu...

No fim das contas

Dizem que Clara tinha um termômetro dentro do peito. Não daqueles de mercúrio, prateados e precisos, mas um daqueles antigos, de líquido azul, que oscila com lentidão, sensível até à sombra de uma nuvem. Enquanto a cidade fervia em seus extremos, nas correrias matinais, nas buzinas iradas, nas euforias das notícias bombásticas, ela se movia com uma cadência que parecia de outro século.

Continuando com nossas histórias reais, hoje trazemos a figura de Fellicia Tourinha, apontada como bruxa por Domingas Jorge, que h...

As bruxas pernambucanas na visitação do Santo Ofício de 1593 a 1595 (parte 2)

bruxas pernambucanas santo oficio crime bruxaria seculo xvi brasil colonial
Continuando com nossas histórias reais, hoje trazemos a figura de Fellicia Tourinha, apontada como bruxa por Domingas Jorge, que há exatamente 433 anos (28.11.1594) compareceu à mesa do Santo Ofício, mais especificamente da Primeira Visitação do Santo Ofício (1593–1595) às capitanias de Pernambuco, Itamaracá e Paraíba.

O Itamaraty sempre foi o maior celeiro de talentos intelectuais do Brasil ao longo da história. Também pudera. Seus quadros eram tra...

Marcos Azambuja: memórias de um embaixador

itamaraty diplomacia marcos azambuja
O Itamaraty sempre foi o maior celeiro de talentos intelectuais do Brasil ao longo da história. Também pudera. Seus quadros eram tradicionalmente recrutados dentre os membros da elite brasileira (não necessariamente elite econômica, mas elite), uma tribo que possuía a melhor formação cultural do país, geralmente filhos de diplomatas, alunos dos melhores colégios, viajantes contumazes e poliglotas, e, após a instituição de concurso público para a carreira, dentre a meritocracia nacional, dadas as naturais exigências do processo seletivo. Ou seja, de uma forma ou de outra, até os dias de hoje, o Itamaraty tem contado, em termos de recursos humanos, com o que temos

Um amigo cubano me contou a história do seu primeiro emprego. É uma daquelas experiências que não se explicam apenas pela lógica, ...

Acaso ou Providência?

providencia divina acaso surpresa
Um amigo cubano me contou a história do seu primeiro emprego. É uma daquelas experiências que não se explicam apenas pela lógica, mas que despertam esperança e confiança de que Deus age nos detalhes da vida.

Que danado anda fazendo Mário de Andrade em Guarabira?!

Quem sai bestinha da Paraíba

mario andrade paraiba visita nordeste igreja sao francisco
Que danado anda fazendo Mário de Andrade em Guarabira?!

No céu alvo das primeiras horas de Sol, o bom dia é para a Lua inteira no firmamento à oeste em fim de jornada, indo se deitar. O ho...

Bom dia, Lua!

cronica dia a dia cotidiano urbano rotina
No céu alvo das primeiras horas de Sol, o bom dia é para a Lua inteira no firmamento à oeste em fim de jornada, indo se deitar. O horizonte lembra outros que já encontrei, como o que me veio cumprimentar ao amanhecer de uma outra quarta-feira na mineira Tiradentes e seu calçamento de pedra sábado, suas montanhas e acolhimentos. É meio de semana e assim como os demais dias, incluindo os feriados, sábados e domingos, é útil.

No último dia dois de fevereiro, a Livraria A União - Poeta Juca Pontes, no Espaço Cultural, foi cenário da Celebração das Letras — e...

Tirando O Pó das Sandálias: mais de cem anos depois, um livro de Pereira da Silva volta às prateleiras

pereira silva sandalias araruna
No último dia dois de fevereiro, a Livraria A União - Poeta Juca Pontes, no Espaço Cultural, foi cenário da Celebração das Letras — evento organizado pela Empresa Paraibana de Comunicação (EPC), em homenagem aos 133 anos do jornal A União e aos três anos da Livraria A União.

De boca em boca , o ‘boi-da-cara-preta’ ganhava corpo e presença constante na memória sertaneja. Os que vinham de fora ouviam os adulto...

Orací e o Boi de Cuité (capítulo 5)

romance sertao paraiba
De boca em boca, o ‘boi-da-cara-preta’ ganhava corpo e presença constante na memória sertaneja. Os que vinham de fora ouviam os adultos murmurando sobre a sua sombra na escuridão. Nas rodas de cordel, falava-se em rimas, versos e estrofes de cantorias de seus maus feitos e encantamentos. Entre o povo, corria a história de um par de chifres curvados, cuja forma ninguém ousava decifrar. Murmurava-se que eram como punhais cravados numa testa amaldiçoada. Os ditados populares e a sabedoria transmitida de pai para filho instruíam acerca de perigos.

O Poema de Parmênides , também conhecido como Sobre a Natureza , constitui um dos marcos fundadores do pensamento filosófico ocidental...

O Poema de Parmênides

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O Poema de Parmênides, também conhecido como Sobre a Natureza, constitui um dos marcos fundadores do pensamento filosófico ocidental. Escrito em versos hexamétricos — forma tradicional da poesia épica grega —, o texto apresenta uma singular fusão entre linguagem poética, mito e especulação racional. Essa escolha formal não é acidental: Parmênides escreve no limiar entre dois mundos — o da tradição mítica arcaica e o da filosofia nascente —, fazendo de sua obra uma travessia simbólica entre o canto dos deuses e a razão do homem.

Passados quase quarenta anos , voltei a assistir ao filme Cinema Paradiso ( Nuovo Cinema Paradiso , Giuseppe Tornatore, 1988). Assum...

O fio da meada

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Passados quase quarenta anos, voltei a assistir ao filme Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso, Giuseppe Tornatore, 1988). Assumindo a minha total ignorância com relação às artes cinematográficas, esclareço que escrevo na qualidade de cinemaníaco, não de cinéfilo; como o espectador que se deixa levar pela beleza, que não precisa de efeitos mirabolantes para se expressar. Escrevo, enfim, motivado pelo impacto da redescoberta dessa bela película, que considero uma celebração ao cinema, à literatura, à poesia e, sobretudo, à sensibilidade.

DO CANTO Não me canso de ouvir o canto claro e harmônico do bem-te-vi. Bem-te-vi bem-te-vi, eu estou aqui!

Bem-te-vi, bem-te-vi, eu estou aqui!

marineuma oliveira poesia paraiba
DO CANTO
Não me canso de ouvir o canto claro e harmônico do bem-te-vi. Bem-te-vi bem-te-vi, eu estou aqui!

Eu estava preparando umas mal traçadas linhas sobre Bernardo Guimarães, autor do romance A Escrava Isaura . Iria contar a vida boê...

Escapamos fedendo

esperteza budapeste penetra escrava isaura hungria
Eu estava preparando umas mal traçadas linhas sobre Bernardo Guimarães, autor do romance A Escrava Isaura. Iria contar a vida boêmia (e bota boemia nisso) do escritor quando lembrei que, por causa da novela que a Globo produziu com base no livro, quase levávamos uma tremenda surra, com amplas possibilidades de irmos parar no xilindró.

Eles estavam perdidos há um ano e um dia, sem o que comer nem beber. A situação requeria o sacrifício humano, o abate de alguém para ...

Pelos mares e males do desdém

nau catarineta folclores cabedelo
Eles estavam perdidos há um ano e um dia, sem o que comer nem beber. A situação requeria o sacrifício humano, o abate de alguém para que de suas carnes se alimentasse a tripulação em busca da sobrevivência. Lançaram-se os dados e a má sorte caiu sobre o Capitão da velha nau. Em desespero, este pediu para o Gajeiro subir ao ponto mais alto do mastro à procura da Espanha, ou das areias de Portugal, o que foi feito sem sucesso.

As alterações fisiológicas, ao longo dos anos, são consideradas normais na frequência cardíaca, no consumo máximo de oxigênio, no mús...

O coração do idoso e suas peculiaridades

As alterações fisiológicas, ao longo dos anos, são consideradas normais na frequência cardíaca, no consumo máximo de oxigênio, no músculo esquelético, nos ossos, na flexibilidade e na composição corporal total. Com o passar do tempo, ocorre alguma perda de condicionamento físico com a idade, e a frequência cardíaca pode, assim, aumentar um pouco além da faixa do adulto. Em muitas pessoas mais velhas, essa tendência é exacerbada por um decréscimo no volume sistólico, o qual