A primeira pessoa que vou querer encontrar no céu, logo depois de rever meus pais, será Balbino. Se eu irei para o céu? Alguma dúvi...

Quando eu chegar no céu

cronica humor fofoca
A primeira pessoa que vou querer encontrar no céu, logo depois de rever meus pais, será Balbino. Se eu irei para o céu? Alguma dúvida? Oxente! Se Marcos Pires não merecer a morada divina, ninguém mais merece — e isso não tem nada a ver com religião ou comportamento neste vale de lágrimas. São sinais. Podem perguntar aos privilegiados que privam da minha amizade (kkkk).

Em qualquer lugar no qual estejam centenas de pessoas e chegue um bêbado ou um doidinho, adivinha em quem eles irão imediatamente encostar? Já me disseram que tenho um azougue para esses filhos privilegiados de Deus. E isso significa tudo, segundo meu colega contador de histórias Ariano Suassuna.

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Quanto à prioridade por encontrar Balbino no céu, dá-se por ele sempre ter sido o rei das fofocas. Era garçom do restaurante W e, mesmo com a excelente comida servida lá, a razão maior da minha frequência era ocupar uma mesa e aguardar sua saudação. Nada de bom-dia.

— O senhor já soube?

E então derramava as “novidades”. Mesmo que eu já soubesse do fato, ele contava com tal riqueza de detalhes que chegava a escarafunchar escândalos antigos dos personagens. Esclareço que não sou fofoqueiro, porque, segundo a Lies University, fofoqueiro é quem espalha uma notícia. Eu guardo as fofocas para mim; é rigorosamente o que fazem os maiores empresários do mundo: inside information.

Imagino a quantidade de fofocas que ele deve ter acumulado nestes anos de nosso afastamento. E nem precisa que sejam fofocas celestiais, porque na casa do Pai não existem comportamentos que gerem fofocas. Refiro-me à janela que ele deve ocupar em cima de uma nuvem, observando a vida aqui embaixo.

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Esse é um dos motivos que não me fazem temer a morte. Ter o privilégio de observar o comportamento dessa “racinha humana”, em seus conchavos, mentiras e traições, já é motivo suficiente para encarar a morte com tranquilidade. Outra razão entendi esta semana, quando um amigo que dorme muito filosofou em voz alta:

— Ô doutor, se dormir é tão bom, imagina morrer, né?

O que me preocupa é o vaticínio de uma zíngara que leu minha mão quando eu percorria o Caminho de Santiago de Compostela. No encanto de seus belos olhos mouros e voz aveludada, ela disse que eu morrerei assassinado aos 120 anos por um marido ciumento de 25 anos, com ciúmes da esposa, na flor dos 22 anos.

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