Não é, mas digamos que seja Pedro o nome no registro do rapaz. Sua mãe, minha amiga de longa data, me fez o pedido: “Pedrinho é a encarnação da tristeza. Conversa com ele porque o pai não serve para isso”. Combinamos um almoço e, na data marcada, ela me veio, também, com o marido. Passados uns 40 minutos, sugeri que descêssemos à área de lazer do prédio para o bate-papo regado a vinho, ou cerveja, ao ar livre. Mas apenas eu e o moço triste entramos no elevador em busca da churrasqueira sem uma viva alma, até então. Havíamos combinado eu e ela, reservadamente, que assim seria.
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Suponho, agora, que preciso explicar o termo, pois falo de uma ocorrência de quase 30 anos. Tenha-se como mijo a bebida oferecida a parentes e aderentes por um pai orgulhoso do nascimento da cria. É coisa da alma e da hospitalidade nordestinas, sobretudo destas, num mundo que tem perdido seus hábitos e tradições a passos largos. É o mesmo que cachimbo, a garrafada feita com açúcar, canela, ou casca de laranja, ervas e cachaça. Será que ainda fazem isso?
Vamos, porém, ao que mais interessa. A conversa que ambos iniciamos com assuntos do futebol tomou o rumo do padecimento do meu jovem interlocutor lá para a quarta cerveja. Do alto da maioridade, ele ainda via em mim o tio postiço de quem recebia conselhos, sempre que solicitados. Voltei, portanto, a ser aquele para quem desde muito novo ele abria o coração.
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Tivemos, depois disso, um minuto de meditação, algo assemelhado às homenagens póstumas antes das partidas de futebol. Acho que um Pedrinho de bom coração esteve a sepultar seu amor bandido em silêncio, naquele breve instante, com o meu testemunho.
Mas ainda não sabia como se despedir daquela moça e da família à cuja mesa sentou-se durante nove meses, o tempo de uma gestação. Foi quando o diabinho que mora no tio falou por si: “Você foi desrespeitado. Pule fora, sem satisfação, sem uma palavra. Simplesmente, desapareça”.
Falei de como procedeu um dos meus amigos mais caros quando esquecido no quintal e à sombra do cajueiro onde a conversa transcorria com peixe grelhado e cerveja bem fria. A moça, de quem já vinha percebendo a desatenção crescente, saiu ao portão para atender alguém, lá ficando por uma eternidade. O acesso à vizinha, uma garota que lhe fez companhia durante a ausência da namorada, permitiu-lhe a escapada pelos fundos e a condução até o endereço desejado. À noite, o baile de carnaval
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Fui procurado por ele uns três meses depois da nossa conversa. Uma menina bonita, de olhos bem vivos, então o acompanhava. “Tem gelo em casa?”, perguntou. Eu não tinha e, assim, descemos à lojinha de conveniência existente no prédio para essa e outras compras solicitadas pela tia tão postiça quanto eu.
Contou-me ele, já no Mezanino, que não atendeu, dias depois de sua fuga, à infinidade de mensagens e chamadas recebidas de números sabidos e não sabidos e que somente abriu uma delas ao perceber que não mais importariam, fossem quais fossem.
A que viu era daquele projeto de sogra desejosa de explicações para seu desaparecimento. O reclamo, com bom tempo de atraso, continha indagações e sopapos. Por que abandonou a filha,
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Disse-me que desistiu da resposta a que ficou muito tentado, em razão do encontro ocasional (e providencial, digo eu) com a única amiga por ele feita no lugar onde dificilmente voltaria a pôr os pés. Soube, desse modo, que o futuro engenheiro, ao término das férias, havia deixado bem claro o interesse maior pela mecânica dos solos e fluidos e pelas propriedades do concreto e do aço do que por relacionamentos amorosos mais sérios.
Pedrinho riu muito quando eu lhe perguntei se essa amiga tinha asas. Que bom foi ver a cara feliz do rebento que não pari. Essas coisas, de fato, se ajeitam. E essa expressão, tanto quanto um brado de fé, é um sopro de alento, um sussurro de esperança a corações despedaçados aos quais, agora, também ouso falar. Que bom.













