A CAMINHADA Nasci na cidade de Patos. Meu pai era juiz daquela comarca. A minha caminhada na profissão iniciou-se ainda menino, com ...

Minha história de vida

A CAMINHADA
Nasci na cidade de Patos. Meu pai era juiz daquela comarca. A minha caminhada na profissão iniciou-se ainda menino, com a influência distante do meu tio José da Nóbrega Espínola, irmão do meu pai, médico radicado no Rio de Janeiro. Herdeiro de seu nome, achava que deveria herdar também a sua profissão.

Porém, a maior influência veio mais de perto: o médico Humberto Nóbrega, primo do meu pai. Tão forte era a amizade entre os dois, sendo um
Humberto Carneiro da Cunha Nóbrega, renomado médico e intelectual paraibano, com uma trajetória de destaque na medicina, na educação e na cultura do estado ▪️ Foto: ALCR
verdadeiro tio mais próximo de nós, tão grande a nossa convivência, que exerceu influência sobre a minha escolha.

Também muito forte foi a influência do meu avô materno, Josué Cavalcanti Pedrosa. Ele tinha o sonho de ter um neto médico, pois admirava muito a profissão. Como nós tínhamos muita afinidade um com o outro, isso passou a ser uma meta para mim: dar-lhe esse presente!

Assim, quando fiz o curso científico no Liceu Paraibano, optei pela área de Saúde.

O Liceu me preparou muito bem para o curso superior. E ganhei reforço frequentando o cursinho Paraibano, pré-vestibular, onde tive como mestres os professores Aléssio Toni, Jader Nunes, Valtercio Alencar e Honório.

O CURSO MÉDICO
O curso médico na Universidade Federal da Paraíba me deu a oportunidade de ser aluno de mestres como Dr. Haroldo Escorel, recém-falecido; Dr. Arnaldo Tavares; Dr. Jacinto Medeiros; Dr. Osório Abath; Dr. Samuel Norat; Dr. João Batista Mororó; Dr. Genival Veloso; Dr. Marcelo Dunda; Dr. Galvani Muribeca; Dr. Vanildo Brito; Dr. Celso Melo Franca; Dra. Maria de Lourdes Brito;
Genival Veloso de França, grande referência da medicina legal brasileira, internacionalmente reconhecido, na esfera acadêmica, ex-professor titular de Medicina Legal, nos cursos de Medicina e Direito da UFPB ▪️ Fonte: esp.ce.gov.br
Dr. José Alberto Gonçalves... E tantos outros mestres da mesma estirpe.

Eram verdadeiros guerreiros, lutando com dificuldades para formar os novos profissionais.

Para reforçar a minha formação, graças ao apoio do meu amigo Dr. Ricardo Maia, cumpri o internato (6º ano) no Hospital Português do Recife, no Instituto de Doenças do Tórax do Recife, já me iniciando na prática cardiológica.

Lá, tive a sorte de ser aluno de médicos de estirpe, como Dr. Edgar Vitor e Dr. Jorge Elísio Wanderley, e dos cirurgiões cardíacos Dr. Mauro Arruda e Dr. Carlos Morais.

Assim, formei-me em dezembro de 1977. Logo depois, partimos para nos aperfeiçoarmos em São Paulo: eu, na residência médica, e, já casados, Ilma foi cumprir o internato e, depois, a residência médica em Alergologia no Hospital das Clínicas.

INÍCIO DA CARREIRA: RESIDÊNCIA MÉDICA EM SÃO PAULO
Cumpri residência em Cardiologia no Instituto de Doenças do Tórax Prof. Euriclides de Jesus Zerbini, no Hospital São Joaquim, da Real Beneficência Portuguesa de São Paulo.

A residência era um trabalho árduo, exigente, porém proporcionou-me uma boa formação como cardiologista clínico.

Euryclides de Jesus Zerbini, médico cardiologista brasileiro, quinto cirurgião do mundo e o primeiro da América Latina e do Brasil a realizar um transplante de coração ▪️ Fonte: acamerj.org
O nível científico era muito elevado. Passamos por todas as áreas da formação: clínica, cirurgia, hemodinâmica, vetorcardiografia e fonocardiografia, ergometria, cardiologia pediátrica e terapia intensiva, como R1 e R2.

Na residência tive a honra de ser aluno de preceptores de renome internacional: Prof. Radi Macruz; Prof. Zerbini; Profa. Valéria Bezerra de Carvalho, paraibana de Campina Grande; Profa. Ângela Raineri; e Prof. Paulo Jorge Moffa.

São Paulo foi uma grande escola da vida profissional, que muito me influenciou no dia a dia de um médico.

Desde lá, a prática médica tornou-se, ao longo da minha vida profissional, um exercício de conquista de amizades entre os pacientes.

Algumas delas inesquecíveis. Um bom exemplo é o caso de Dona Carolina e Seu Manuel. Ganhei a confiança deles e de sua família. Ao retornarmos para João Pessoa, deixamos os queridos amigos Sérgio e Maria Helena Salmi, genro e filha de Manuel e Dona Carolina, como nossos grandes amigos até hoje.

No final do primeiro ano da residência, em dezembro de 1978, nasceu o nosso primeiro filho, Henrique. Em março de 1980 nasceu Ricardo, o segundo filho. Ana Laura viria a nascer em setembro de 1984, quando já estávamos estabelecidos em João Pessoa.

O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO
Hospital Universitário da Paraíba ▪️ Fonte: Jornal A União
Retornando a João Pessoa, no segundo semestre de 1981, instalei-me no consultório, que alternava com o ambulatório do HU e plantões na UTI dos hospitais Lauro Wanderley e São Vicente de Paula, além de plantões clínicos no Centrocor.

Fui também médico da ASPEP e, depois, do recém-criado Serviço Médico da OAB.

Em 1987, na eficiente gestão do secretário Gilvan Navarro na Secretaria de Estado da Saúde, fui designado inicialmente diretor médico do Hospital General Edson Ramalho. Posteriormente, chefiei o Núcleo de Doenças Crônico-Degenerativas, sob o comando do pneumologista Dr. Sebastião Costa, que chefiava a Coordenação de Vigilância Epidemiológica.

Durante sua gestão, participamos da vitoriosa Campanha de Combate ao Tabagismo, que resultou na redução de mais de 60% do número de fumantes no país.

Na Campanha contra a Doença de Chagas, junto com a SUCAM e a Fundação SESP, foram distribuídos eletrocardiógrafos pelas regiões de saúde do Estado. Também realizamos campanhas de alerta para a hipertensão arterial.

Sebastião Costa, médico pneumologista e alergologista paraibano ▪️ Fonte: Jornal A União
O CONSULTÓRIO
No consultório, passei a exercitar a minha profissão na iniciativa privada. O primeiro eletrocardiógrafo me foi presenteado por um paciente: o mui querido e saudoso Chrisóstomo Magalhães.

Assim, pude exercer a satisfação de clinicar, de atender pessoas que precisavam de ajuda, que me procuravam e às quais eu podia corresponder à confiança depositada em mim. Pois o paciente deve ser sempre o maior estímulo para o médico, a razão de existir como profissional de saúde.

José Mário Espínola ▪️ Acervo pessoal
A consulta tornou-se uma prática em que posso empregar tudo o que aprendi na faculdade, na residência, nas UTIs e na vida profissional.

Aprendi que a consulta deve começar com o “boa tarde” do paciente, na porta do consultório. Assim, começamos a avaliação clínica, observando como ele reage.

São cinco décadas de profissão, que procurei exercer com devotamento. Ao longo desse período, tive experiências que foram muito importantes para o meu desempenho profissional e para a vida pessoal.

A atividade médica me ensinou a importância do trabalho em equipe, no consultório e nos hospitais. Na assistência ao doente, sou apenas um dos profissionais. Comigo trabalham recepcionistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, técnicos de laboratório, técnicos de raio X, farmacêuticos, bioquímicos, fisioterapeutas, dentistas, assistentes sociais, maqueiros e funcionários da higiene.

São todos profissionais de valor. Sem eles, eu só consigo fazer uma parte da tarefa necessária para resgatar a saúde e o bem-estar do meu paciente.

ATIVIDADES DE CLASSE
João Modesto Filho, Professor, doutor em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP e pós-doutor pela na Universidade de Nancy (França), docente de endocrinologia da Universidade Federal da Paraíba ▪️@crmpb.org.br
Fui levado ao Conselho Regional de Medicina pelo Dr. João Modesto Filho. Além dele, tive a honra de conviver com pessoas memoráveis, como os conselheiros José Eymard Moraes, Genival Veloso de França, Hilário Lourenço de Freitas Júnior, Ilma Espínola, Wilberto Trigueiro, Lautonio Loureiro, Eurípedes Mendonça, João Alberto Morais Pessoa, Joaquim Martins, Maria do Socorro Adriano, Alberto Ramos, Humberto Gouveia, Maria do Carmo Gouveia, Remo de Castro, Pedro Félix, Maria do Rosário, Genário Barbosa, entre tantos outros.

No CRM exerci os cargos de presidente, vice-presidente, segundo-secretário, tesoureiro e corregedor. Em todos, procurei honrar a confiança que me foi depositada.

Em março de 1993, o recém-eleito presidente do CRM, Dr. José Eymard Medeiros, nomeou-me segundo-secretário, dando início à série de cargos na estrutura do CRM: tesoureiro, vice-presidente e presidente.

No ano de 2003, o presidente Dalvélio Soares Madruga nomeou-me corregedor do Conselho Regional de Medicina, cargo que exerci, com muita honra, até o ano de 2013. Para mim, foi o cargo que me deu mais satisfação dentro daquele órgão.

Dalvélio Madruga, professor, médico-cirugião, ex-presidente do Conselho Federal de Medicina, responsável pela implantação do Projeto de Educação Médico Continuada, em João Pessoa e no interior ▪️ @crmpb.org.br
Em 1993, o presidente da Sociedade Paraibana de Cardiologia, Dr. Fernando Lianza Dias, tornou-me seu secretário. Procurei exercer com denodo a minha tarefa, colaborando para o sucesso da sua administração.

Em 2000, na administração de Wilberto Trigueiro na presidência da Associação Médica da Paraíba, fui diretor de Defesa Profissional. Tivemos, então, memoráveis embates com os planos de saúde, na defesa do Ato Médico. Graças às políticas
Wilberto Trigueiro, professor, mestre em Terapia Intensiva, membro titular da Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica, atual presidente da Academia Paraibana de Medicina e conselheiro do CRM-PB ▪️ Fonte: apmed.org.br
praticadas pela AMPB, iniciadas pelo anterior presidente Dr. João Modesto Filho, angariamos o respeito da classe médica e do Ministério Público.

Na Unimed João Pessoa, participei do Conselho Fiscal, eleito em 2001, num movimento organizado pelo amigo Hércules Trindade, que causou sensação naquele ano.

Mais tarde, vim a ser auditor médico da cooperativa, no ano de 2009 e no período de 2012 a 2018. Em todas essas participações da vida médica de João Pessoa, procurei dar sempre o melhor de mim, de forma ética e isenta.

Durante certo tempo, tive uma discreta participação no Sindicato dos Médicos.

Ao longo da vida profissional, presenciei a tentativa de se politizar a Medicina, mais intensa recentemente. Nunca concordei: Medicina não tem ideologia! Isso é antiético e não é natural.

O MOMENTO ATUAL
Encaro o declínio profissional com tranquilidade. A história natural de todos os médicos compreende a ascensão, a estabilidade e o declínio. Surgem novas gerações, mais atualizadas e com vários atrativos para os pacientes. É inevitável.

José Mário Espínola ▪️ GD'Art
Aconteça como for, carregarei comigo a consciência tranquila, pois procurei sempre dar o melhor de mim aos meus pacientes, razão maior da minha vida profissional.

Assim, não me preocupo com o ocaso, pois tenho a certeza de que os meus filhos, Henrique, Ricardo e Ana Laura, darão continuidade ao pensamento ético que recebi do meu pai, o desembargador Chico Espínola, e que sempre procurei transmitir a eles. E que eles incutirão nos meus netos.

José Mário Espínola, sua esposa Ilma, filhos e netos ▪️ Acervo pessoal
Ricardo, que herdará a minha profissão, com certeza a exercerá com toda a ética e a competência aprendidas.

A GRATIDÃO
Quero agradecer publicamente às pessoas que tornaram possível o meu sucesso profissional.

Inicio com Ilma, minha querida esposa, que me deu uma identidade na vida, num momento em que eu não tinha muita importância. E que, desde o curso universitário, me estimulou (e ainda estimula!) a ser um profissional bem-sucedido.

Ilma e José Mário Espínola ▪️ Acervo Pessoal
Aos meus filhos Henrique, Ricardo e Ana Laura, e aos netos Arielle, José Ricardo, Eric, Amanda, José Rafael e Maria Ilma. Todos, sem exceção, são um forte motivo para a minha existência.

Aos meus pais, Francisco e Nair Espínola, já falecidos, pelo apoio incondicional que me deram ao longo da vida estudantil e acadêmica, proporcionando-me todas as condições para ser gente, um dia.

Minha homenagem póstuma ao meu tio José Espínola e ao nosso querido primo Humberto Carneiro da Cunha Nóbrega, pelo papel que exerceram em minha carreira.

Ao sempre amigo cardiologista Ricardo Antônio de Rosado Maia, que me introduziu na especialidade e fez tudo o que pôde para que eu tivesse sucesso.

Ao endocrinologista João Modesto Filho, que apostou em mim num momento em que eu ainda era um desconhecido. E ao cirurgião pediatra Wilberto Trigueiro, que me deu oportunidades na carreira. Ambos abriram uma nova dimensão para mim.

Solenidade de entrega da Medalha Napoleão Laureano ao cardiologista José Mário Espínola em reconhecimento aos relevantes serviços prestados ao Estado da Paraíba /// Deputado Estadual Luciano Cartaxo (acima) /// J, Mário Espínola (abaixo) ▪️ Acervo Pessoal
Ao Conselho Regional de Medicina, na pessoa do Dr. Walter Azevedo, aqui substituindo o presidente Dr. Bruno Leandro Souza, por sempre me distinguir e por ter cedido este auditório para um evento tão importante para mim.

Ao deputado Luciano Cartaxo, o meu sincero agradecimento por esta homenagem. Sinto-me muito honrado em recebê-la, já que ela representa um reconhecimento público.

A todos os presentes, agradeço por compartilharem comigo desta alegria.
  Texto pronunciado na solenidade de entrega da Medalha Napoleão Laureano ao cardiologista José Mário Espínola em reconhecimento aos relevantes serviços prestados ao Estado da Paraíba, em 21 de maio de 2026, na sede do
Conselho Regional de Medicina da Paraíba

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