O “tarifaço” e as relações internacionais sob a ótica espírita
Por um Olhar Reflexivo
Nas últimas semanas, o noticiário nacional foi dominado por gráficos, cotações do dólar e projeções de inflação. O motivo? A imposição de sanções e tarifas econômicas por parte das grandes potências — o chamado “tarifaço” — sobre a economia brasileira. Para analistas do mercado, trata-se de um jogo de xadrez político e financeiro. Mas, se afastarmos por um momento a lupa da macroeconomia e olharmos para esse cenário através da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, que diagnóstico encontramos sobre o estado moral da Humanidade?
GD'Art
O Moralismo Cosmopolita e a Falta de Maturidade Moral
Muitos analistas e cidadãos de boa vontade lamentam a falta de solidariedade internacional, esperando que nações desenvolvidas atuem com benevolência em relação aos países em desenvolvimento. Na filosofia política, essa expectativa idealizada de uma fraternidade universal imposta apenas por acordos ou diplomacia é frequentemente chamada de moralismo cosmopolita. Sob a luz do Espiritismo, no entanto, exigir que governos e corporações ajam hoje com puro altruísmo revela uma certa ingenuidade em relação ao atual estágio de evolução do planeta. Segundo a Lei de Progresso (tratada na Terceira Parte de O Livro dos Espíritos), a Terra ainda se encontra na fase de transição de um “mundo de provas e expiações” para um “mundo de regeneração”.
GD'Art
GD'Art
Orgulho e Egoísmo em Escala das Nações
Em O Livro dos Espíritos (questão 913), Kardec nos lembra que o egoísmo é a chaga da sociedade, a nascente de todos os males. Quando transposto do indivíduo para a coletividade, o egoísmo ganha o nome de nacionalismo tacanho ou protecionismo predatório. Quando uma potência utiliza seu poder de compra ou sua hegemonia financeira para constranger a economia de outro país, gerando desemprego e dificuldades sociais para milhões de famílias, presenciamos o orgulho e o egoísmo operando em escala global. As barreiras alfandegárias arbitrárias nada mais são do que a transposição das cercas morais que o ser humano ainda constrói ao redor de si para proteger seus privilégios às custas do bem-estar alheio.
GD'Art
Por um Olhar Reflexivo
As Novas Faces da Guerra e da Violência Para compreender a profundidade desse fenômeno, é preciso expandir os conceitos que costumamos limitar ao campo físico.
Em O Livro dos Espíritos (questões 742 a 745), ao tratar da Lei de Destruição e do flagelo da guerra, a Espiritualidade esclarece que a raiz dos conflitos reside na predominância da natureza material sobre a espiritual, no predomínio das paixões e da cobiça. Embora a palavra “guerra” nos remeta imediatamente a tanques, mísseis e campos de batalha ensanguentados, a essência da guerra é o desejo de dominar e subjugar o outro pela força.
GD'Art
Assim, podemos estender os conceitos e compreender que fenômenos como o “tarifaço” e o estrangulamento econômico unilateral são formas modernas de guerra e de violência. Não se usam bombas, mas utilizam-se canetadas institucionais; não se destroem edifícios, mas destroem-se postos de trabalho, a estabilidade de famílias e a autonomia de povos inteiros. São agressões higienizadas pela burocracia, mas carregadas do mesmo gérmen da violência que a moral cristã e a filosofia espírita nos convidam a superar.
GD'Art
Para refletir
A verdadeira integração entre as nações não nascerá de decretos econômicos, mas do despertar da consciência de que somos todos membros da mesma família espiritual. Até que esse dia chegue, cabe-nos trabalhar pelo progresso ético, fortalecer nossa autonomia e reconhecer que as maiores batalhas do nosso tempo ainda acontecem no território do coração humano. Ainda precisamos refletir sobre a proposição de Kardec, em A Gênese, Cap. XVIII, item 25:
“O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da Humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abrange, o Espiritismo é mais apto, do que qualquer outra doutrina, a secundar o movimento de regeneração; por isso, é ele contemporâneo desse movimento. Surgiu na hora em que podia ser de utilidade, visto que também para ele os tempos são chegados. Se viesse mais cedo, teria esbarrado em obstáculos insuperáveis; houvera inevitavelmente sucumbido, porque, satisfeitos com o que tinham, os homens ainda não sentiriam falta do que ele lhes traz.”
GD'Art













