Conheço o psicoterapeuta, escritor e poeta Nelson Barros há décadas, mas somente há pouco mais de dez anos nos tornamos amigos próximos. E o seu companheiro Hirllen conheci nesse tempo último. Nos aproximamos. Referências de vida parecidas, gostos e o carinho espontâneo e autêntico que sentimos entre nós. Um casal que se sobressai pela beleza, elegância, delicadeza e generosidade. Me encanta!
Hirllen Mendonça e Nelson Barros ▪️ Facebook: Nelson Barros
Pois todas as vezes que me encontro com esses dois, é um encontro de experiência. Não falo de ostentação nem de noitadas, mas do verdadeiro encontro. Que não é na calçada de casa, mas na calçada do afeto. Nelson e Hirllen têm extremo bom gosto no vestir, no receber, no acarinhar, no conversar e no compartilhar. Na decoração das suas casas — em Manaíra e em Sagi, principalmente —, esse bom gosto salta aos olhos. Gostam de arte popular, de peças kitsch, de peças irônicas, arte contemporânea e, principalmente, da arte da papelaria. E os dois, cada um no seu quadrado, me emocionam. Hirllen, como costureiro — suas peças únicas e lindas. Extravagância discreta nos cortes, modelagens. E, na cozinha, com todo o savoir-faire de quem sabe receber, cozinhar, organizar pratinhos, degustação, arruma a mesa com flores, copos especiais, velas e aquele aroma de uma focaccia com alecrim feita em casa. Vai uma caipirinha de saquê e caju ou laranja, só brindando à vida!
Nelson Barros
Facebook: Nelson Barros /// Hirllen Mendonça
Já Nelson, com a sua poesia, a sua cantoria de voz grave e dos boleros da nossa trilha sonora de cada dia. E, no meio dos dois, ou com os dois, tem a dálmata Corona, isso mesmo, com a pura cevada dessa cadela elegante que, até eu, que tenho pavor de cachorro, me derreto com o carinho desse trio.
Quando vou ao apartamento desses dois ou à casa de Sagi, fico em estado de contemplação e admiração para cada objeto que vejo nos móveis e os móveis em si, a porta rosa-choque, Marylin e Audrey em tamanho graúdo; a parede dos corações, das mais diferentes formas, quem sabe nos indicando que o amor pode e deve, sim, vir à tona, de Faca Amolada. Artistas paraibanos, peças de louça, de pano, de ferro,
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de barro, de juta, de cabeças de papangus dos carnavais. A cada parede eu paro e olho e escuto. Ouço os sons dos mares, dos rios, dos ares e de todos os lugares longe, perto. Não me acostumo nem dou conta, pois adoro tudo isso que encontro na casa deles. A mulher com um farol na cabeça é a minha preferida, claro, por me remeter a Virginia Woolf e Rumo ao Farol. Mas tem a cozinha, e aí é outro caso à parte.
A cozinha dos meninos tem todos os utensílios, guloseimas, copos tantos, sereias, ímãs de geladeira, marinheiros do além-mar. Peças da artista plástica Rosilda de Sá pela parede todinha. E tudo azul. Azul-anil. Azul dos mares. E, como gostam muito de Madri e de Paris, vejo Almodóvar e Pigalle por onde demoro o olhar.
Um vinhozinho, um pãozinho, uma manteiguinha, uma gargalhada, uma fofoca, mais brindes e uma colherada no prato principal, na sobremesa. Tudo doce! Mas e as flores ao centro? Nem Mrs. Dalloway daria conta. Amo jarro de flores pelo meio da casa. E na casa dos meninos tem!
Nelson Barros
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Mas, para me abestalhar o olhar ainda mais longe, só mesmo os álbuns de viagem que Nelson cria. Um artista. Um artesão. Ele, quando viaja, é um garimpeiro de tudo. Tickets, papéis, fotos lindas do casal, de cada um, de uma porta, uma janela, o instante. Porta-copos, jornais, mapas e fotos do que encontra pela frente dos muros das cidades que visita. Quando volta, seleciona todo esse material e monta álbuns para lá de originais, onde faz intervenções artísticas com carimbos retrôs, selos, fotos de pessoas exóticas pelas boates undergrounds, flores, até mesmo perfumes para ilustrar as suas páginas poéticas recortadas. Fotos dele e de Hirllen, com roupas lindas e estampadas pelo verão de Bordeaux ou de Bilbao. As curvas e ângulos do Guggenheim na cidade basca, ou debaixo da Torre Eiffel, desembaralham todo e qualquer ângulo preconcebido que, por acaso, tenhamos de um álbum de retrato tradicional. Eu fico louca de ver tudo aqui junto. Tudo aquilo recortado em forma de colagem que me entrecorta. Bárbaro!
Hirllen Mendonça e Nelson Barros ▪️
E a música de Nat King Cole na vitrola faz o clima nostálgico em que quase me senti numa bodega em Paris. Mas acho que nem em Paris teremos isso. Esse encontro aconchegante, pecaminoso de bom gosto e carinho, de delícias nos pecados da boa mesa e, principalmente, das conversas. Coisa tão rara hoje em dia.
Obrigada, Nelson e Hirllen, dois homens artistas do amor.