Elas são muitas , são incontáveis. Pode-se dizer que Ariano Suassuna, um dos mais importantes arquitetos da nossa identidade, habita c...

A segunda casa de Ariano

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Elas são muitas, são incontáveis. Pode-se dizer que Ariano Suassuna, um dos mais importantes arquitetos da nossa identidade, habita cada coração brasileiro. Refiro-me, porém, a uma casa específica, aquela inaugurada no dezembro de 2014, em João Pessoa, como polo de difusão cultural e artística. Também, é claro, como ambiente para a capacitação de governantes e quadros técnicos em benefício da lisura e
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O Centro Cultural Ariano Suassuna, inaugurado em 2014 como anexo do TCE/PB, abriga o Auditório Celso Furtado e espaços destinados a exposições, música, teatro, literatura e outros eventos culturais. ▪ IG @centroculturalariano
da eficácia dos atos e gastos públicos.

Digo, portanto, do belo complexo arquitetônico que desde o nascedouro abriga um teatro (pois um auditório com palco, cortina e camarim), um enorme salão de exposições, uma escola de contas e, ainda, um espaço de afirmação da cidadania, assim entendido o laboratório para o desenvolvimento de programas e aplicativos de computador indutores dos controles fiscal e social.

Falo, então, do Centro Cultural Ariano Suassuna, edificação com o mesmo teto para o Auditório Celso Furtado, a Sala de Exposições Lynaldo Cavalcanti, o Espaço Cidadania Digital e a Escola de Contas Conselheiro Otacílio Silveira, a Ecosil, organismo útil, ainda, à especialização técnica e acadêmica de quadros funcionais internos e externos. Ali, irmanam-se as manifestações da cultura e os atos de proteção dos cofres públicos, cada setor com sua direção.

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Palestra realizada no Espaço Cidadania Digital, instalado no edifício que também abriga o Centro Cultural Ariano Suassuna. ▪ IG @centroculturalariano
O Salão Lynaldo Cavalcanti, que guarda a exposição temática e permanente do fotógrafo Gustavo Moura (Ariano é o inevitável, justo e necessário tema) tem sido o mais democrático dos espaços regionais para mostras itinerantes de artistas já consagrados e, igualmente, daqueles com o talento em brotação: escultores, pintores e artistas populares em busca da visibilidade. Ali, também ocorrem lançamentos literários cada vez mais frequentes. E o que então se tem, com grande proveito social, é a possibilidade da retirada das artes de circuitos restritos. É o direito à cultura exercido por todas as classes sociais.

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Salão Lynaldo Cavalcanti, espaço dedicado à realização de exposições de artes visuais. ▪ IG @tcepb
O Auditório Celso Furtado é um capítulo primoroso dessa história. Com sua acústica e porte, atrai encontros e simpósios de entes governamentais e privados, não raramente, de amplitude nacional, mediante pagamento, após acerto submetido à ordem dos agendamentos. O mais dignificante, porém, foi ter-se tornado um espaço gratuito para manifestações culturais e artísticas. Fez-se, por exemplo, parada obrigatória para concertos sucessivos. Perguntemos isso à Orquestra Sinfônica de João Pessoa, ali acostumada a abrir suas temporadas, como nos demais casos, sem cobrança de ingressos.

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O Auditório Celso Furtado é um dos principais espaços públicos para eventos culturais, acadêmicos e institucionais da Paraíba. Com capacidade para mais de 400 pessoas, o local recebe concertos das orquestras sinfônicas, espetáculos gratuitos, palestras, seminários, congressos, solenidades e encontros voltados ao debate de temas de interesse público. ▪ IG @centroculturalariano
E o que dizer de projetos de integração cultural já realizados, a exemplo do “Poema e Canto das Cidades” (encontros de poetas, declamadores, compositores e intérpretes de todos os recantos da Paraíba), do “Letras Vivas” (em apoio aos autores e à produção literária), do “Raízes Nordestinas” (com os frutos de saberes ancestrais: artes cênicas e folguedos populares, danças e expressões corporais, mostras de xilogravura e artesanato)?

O que falar do projeto “TCE - Escola e Cidadania”, iniciativa socioeducativa em benefício dos alunos de escolas públicas e privadas com visitas guiadas ao Tribunal para o conhecimento da função fiscalizatória dos recursos públicos e palestras sobre ética, comportamento social, educação, ou prevenção de acidentes, neste caso, com o concurso do Departamento de Trânsito, ou do Corpo de Bombeiros?

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O projeto TCE – Escola e Cidadania aproxima o Tribunal de Contas de estudantes de escolas públicas e privadas por meio de visitas guiadas e atividades educativas. Além de apresentar aos alunos a função do Tribunal na fiscalização dos recursos públicos, a iniciativa promove palestras sobre ética, cidadania, educação e comportamento social. ▪ IG @centroculturalariano
“Temos cem eventos por ano”, contou-me, há dois dias, Flávio Sátiro Filho, dirigente do Centro Cultural Ariano Suassuna desde a criação desse organismo. Nossa conversa deu-se pouco tempo depois da visita ao TCE feita por João Suassuna, neto de Ariano, interessado em espaço para apresentação de “Na trilha do Mestre”, uma “aula-espetáculo” sem custo para o público que, assim, ali terá entrada gratuita por ordem de chegada e disponibilidade nos 418 assentos. Atente-se, portanto, para essa data: 27 deste agosto (uma quinta-feira), às 18h30.
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João Suassuna, neto mais velho de Ariano Suassuna, é curador cultural e um dos principais responsáveis pela preservação e difusão do legado do avô. ▪ IG @joao.suassuna
É o momento que inicia a contagem regressiva para o centenário de Ariano Suassuna, na Paraíba.

Acompanhei o encontro de João com seus amigos Fábio Nogueira (presidente da Corte de Contas e criador do Centro Cultural) e André Carlo Torres Pontes (atual vice-presidente, também entusiasta das artes e executor de avanços tecnológicos que ajudaram a inscrever o TCE no ranking do controle externo brasileiro). Diga-se que o conselheiro André Carlo ocupava a presidência do seu Tribunal, nos idos de junho de 2017, quando a passagem dos 90 anos do nascimento de Ariano Suassuna era ali celebrada. O evento contou com a presença da viúva Zélia Suassuna (Ariano faleceu em julho de 2014) e de seus filhos.

O encontro de João com os dois conselheiros teve o clima e o tom de uma boa conversa entre amigos. A ambos ele explicou que “Na trilha do Mestre” reforça, de modo incisivo, a conexão do avô – e de sua família – com a alma paraibana. O espetáculo envolverá música, dança armorial, literatura, imagens, relatos e vídeos. Desconhecidos do público, alguns destes hão de revelar passagens e bastidores inéditos da vida de Ariano.

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João Suassuna apresenta “Na Trilha do Mestre”, aula-espetáculo dedicada à vida, ao pensamento e à obra de seu avô, Ariano Suassuna. Inspirado nas apresentações que marcaram a trajetória do escritor, o espetáculo combina memória, literatura, música e cultura popular para manter vivo o universo artístico criado pelo autor de O Auto da Compadecida.
Ao que está prometido, serão instantes de emoção, humor e reflexões sobre o País, sua identidade e suas raízes. Os recifenses isso já viram. Com patrocínios, naturalmente. No caso, o do Colégio GGE e o da Transpetro, a subsidiária da Petrobras.

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Ariano Suassuna com o neto, João, em imagem nostálgica da década de 1990. ▪ IG @joao.suassuna
De todo modo, a “aula-espetáculo” do neto João ocorrerá num ambiente erguido sob a batuta de Fábio Nogueira com o propósito, entre muitos outros, de honrar a memória de Ariano, de aclamar seu valor imenso e sua obra formidável. Acontecerá nas dependências de um Tribunal que se fez a segunda casa paraibana de um Ariano nascido no Palácio da Redenção (a primeira) para tornar-se uma das mais cultuadas expressões da arte e da cultura brasileiras.

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