Uma reflexão filosófica e histórica sobre a espiritualidade, a memória e a permanência do homem
Há encontros que não acontecem necessariamente diante de uma mesa, numa sala, numa praça ou numa conversa entre duas pessoas. Há encontros que se realizam no território mais silencioso da existência: o encontro de uma consciência com outra através da palavra, do livro, da memória e das ideias. É nesse sentido que compreendo minha relação com o Dr. Carlos Romero e com o Espiritismo.
Carlos Romero não foi apenas um escritor, jornalista, professor, magistrado e cronista paraibano. Foi, sobretudo, um homem interessado no enigma da existência. Sua trajetória intelectual revela
Casa onde nasceu Carlos Romero (Alagoa Nova-PB) ▪️ Acervo ALCR
Nascido em Alagoa Nova, em 1923, e falecido em 2019, Carlos Romero construiu uma trajetória multifacetada na cultura paraibana. Foi membro da Academia Paraibana de Letras, jornalista, professor e escritor, além de ter exercido importantes funções públicas. Sua bibliografia inclui obras como A Dança do Tempo, Lições de Viver, Viajar é sonhar acordado e Meu Encontro com Kardec. Mas existe uma dimensão de Carlos Romero que, a meu ver, ilumina todas as outras: a espiritual.
O homem diante do mistério
A filosofia começa quando o homem deixa de aceitar o mundo apenas como evidência e passa a interrogá-lo.
Quem somos?
De onde viemos?
Para onde vamos?
Existe alguma coisa depois da morte?
A consciência termina com o cérebro ou possui uma dimensão que ultrapassa a matéria?
Deus é uma realidade metafísica, uma necessidade da razão, uma experiência interior ou o nome que damos ao mistério absoluto?
Essas perguntas acompanham a humanidade desde as primeiras especulações filosóficas.
A filosofia começa quando o homem deixa de aceitar o mundo apenas como evidência e passa a interrogá-lo.
Quem somos?
De onde viemos?
Para onde vamos?
Existe alguma coisa depois da morte?
A consciência termina com o cérebro ou possui uma dimensão que ultrapassa a matéria?
Deus é uma realidade metafísica, uma necessidade da razão, uma experiência interior ou o nome que damos ao mistério absoluto?
Essas perguntas acompanham a humanidade desde as primeiras especulações filosóficas.
GD'Art
Allan Kardec ▪️ Acervo FEB
É justamente nesse ponto que Carlos Romero se torna particularmente interessante.
Ele não parece ter vivido sua crença como uma fuga da razão. Ao contrário, sua experiência intelectual estava profundamente ligada à pergunta, à dúvida e ao estudo.
Um relato de convivência com ele registra uma ideia especialmente significativa: a dúvida seria uma espécie de dor filosófica, mas uma dor fecunda, porque obriga a inteligência a procurar.
Essa concepção me parece fundamental.
A dúvida não é necessariamente inimiga da fé.
Às vezes, é sua origem.
O Espiritismo como problema filosófico
É preciso distinguir o Espiritismo enquanto doutrina religiosa e espiritualista de sua importância como objeto filosófico.
Historicamente, o movimento espírita moderno está ligado à publicação de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, em Paris, em 1857. A doutrina passou a articular conceitos como existência de Deus, imortalidade da alma, reencarnação, comunicação entre espíritos e responsabilidade moral.
GD'Art
Essa pergunta é extraordinariamente antiga.
O Espiritismo oferece uma resposta própria: o homem seria essencialmente um espírito em processo de desenvolvimento, temporariamente ligado à experiência corporal.
A filosofia, entretanto, deve conservar sua liberdade crítica.
Não cabe ao pensamento filosófico simplesmente transformar crença em demonstração.
Tampouco cabe ao filósofo desprezar uma crença apenas porque ela não se enquadra nos critérios das ciências empíricas.
O caminho mais fecundo é perguntar.
Perguntar o que significa alma.
Perguntar o que significa consciência.
Perguntar se existe continuidade da identidade pessoal depois da morte.
Perguntar se a experiência moral pode ser explicada somente pela biologia.
Perguntar se a esperança de transcendência constitui uma ilusão ou uma possibilidade metafísica.
Carlos Romero ▪️ GD'Art
E é precisamente aí que sua figura se torna intelectualmente significativa.
José Augusto Romero: a origem de uma herança espiritual
Não se pode compreender inteiramente a relação de Carlos Romero com o Espiritismo sem compreender a influência de seu pai, José Augusto Romero.
A história familiar é, nesse aspecto, reveladora.
José Augusto havia iniciado sua formação religiosa como seminarista. Posteriormente, aproximou-se do Espiritismo depois de uma experiência que marcou profundamente sua trajetória: uma sessão mediúnica e, sobretudo, a leitura de O Problema do Ser, do Destino e da Dor, de Léon Denis.
O impacto foi tão forte que ele passou a dedicar grande parte de sua vida à divulgação da doutrina, chegando a presidir a Federação Espírita Paraibana por 44 anos.
A influência paterna sobre Carlos Romero foi, portanto, muito mais profunda que uma simples transmissão religiosa.
Era uma transmissão de perguntas.
José Augusto Romero, pai de Carlos Romero, presidiu a Federação Espírita Paraibana durante 44 anos consecutivos ▪️ Acervo ALCR
Tudo parecia conter uma pergunta.
E talvez seja essa a verdadeira herança de um pai para um filho: não necessariamente entregar respostas, mas ensinar a fazer perguntas.
Meu encontro com Carlos Romero
É nesse ponto que entra o "eu" deste ensaio.
Quando me aproximo de Carlos Romero, não o vejo apenas como uma personalidade histórica da Paraíba. Vejo-o como alguém que atravessou uma questão que também me atravessa: o problema do destino humano.
Meu encontro com ele é, portanto, também um encontro comigo mesmo.
Porque ler, estudar ou contemplar a trajetória de um homem é, de certa maneira, confrontar nossa própria existência.
Carlos Romero perguntava pela continuidade da vida.
Eu também me vejo diante dessa pergunta.
Ele refletia sobre o envelhecimento.
Eu também observo o tempo.
Ele enfrentava intelectualmente a morte.
GD'Art
Ele procurava compreender o invisível.
Eu também me interrogo sobre aquilo que não conseguimos tocar, pesar ou medir, mas que continua a ocupar um espaço imenso dentro da consciência.
É por isso que Carlos Romero não me interessa apenas como espírita.
Interessa-me como homem.
A morte como problema central
Talvez nenhum tema aproxime tanto Carlos Romero da filosofia quanto a morte.
A morte é o grande acontecimento que transforma a existência em problema.
Se fôssemos eternos corporalmente, talvez muitas das grandes perguntas humanas perdessem sua urgência.
É porque morremos que perguntamos pelo sentido.
É porque perdemos pessoas amadas que perguntamos se o amor pode sobreviver à ausência.
É porque o tempo nos escapa que tentamos construir obras, livros, poemas, instituições, memórias.
A morte está por trás da literatura, da religião, da filosofia e, em certo sentido, de toda cultura.
O homem sabe que morrerá e, justamente por saber, cria.
Carlos Romero encontrou no Espiritismo uma resposta para a angústia da finitude: a morte não seria o desaparecimento
Germano e Carlos Romero ▪️ Acervo ALCR
Essa convicção aparece associada à maneira serena com que enfrentava a própria existência. Segundo seu filho Germano Romero, Carlos encarava a morte como um processo natural e cultivava a ideia da continuidade da vida do espírito.
Aqui encontramos uma das grandes diferenças entre o pensamento espírita e uma visão estritamente materialista da existência.
Para o materialismo, a consciência depende fundamentalmente do organismo e desaparece com a morte cerebral.
Para o Espiritismo, o corpo é instrumento temporário e a consciência espiritual sobrevive.
A ciência contemporânea pode investigar o cérebro, a memória, a consciência e os processos neurológicos, mas não transformou em fato científico consensual a hipótese espírita da sobrevivência da consciência.
Essa distinção precisa ser respeitada.
Crer não é provar.
Mas também é preciso reconhecer que a questão permanece filosoficamente legítima.
Carlos Romero e a ética
Carlos Romero ▪️ GD'Art
Uma religião que promete a eternidade, mas não transforma o comportamento, permanece incompleta.
Carlos Romero parece ter compreendido isso.
As testemunhas de sua vida destacam qualidades como discrição, educação, caridade, simplicidade, fraternidade, dignidade e respeito à natureza.
Isso é fundamental.
A grande prova de uma filosofia não está apenas na capacidade de explicar o universo.
Está na capacidade de melhorar o homem.
Se acredito na imortalidade, devo ser mais responsável pelo que faço.
Se acredito na reencarnação, devo compreender que minhas ações têm consequências.
Se acredito na fraternidade, não posso transformar o outro em inimigo.
Se acredito em Deus, minha crença precisa produzir alguma forma de responsabilidade diante da vida.
Nesse sentido, o Espiritismo de Carlos Romero aparece menos como uma coleção de fenômenos extraordinários e mais como uma disciplina moral da existência.
A tolerância como grandeza espiritual
Outro aspecto que merece destaque é a tolerância.
Carlos Romero ▪️ GD'Art
Pelo contrário, testemunhos sobre sua personalidade destacam sua capacidade de conviver respeitosamente com pessoas de diferentes religiões. O jornal A União registrou essa característica, observando que, embora convicto de suas crenças espíritas, ele mantinha uma postura de diálogo diante de outras tradições religiosas.
Isso possui enorme importância filosófica.
Uma fé madura não precisa destruir a fé alheia para afirmar a própria.
GD'Art
Toda religião é uma tentativa humana de aproximar-se do absoluto.
E o absoluto, por definição, jamais cabe inteiramente numa fórmula.
A intolerância religiosa nasce frequentemente da ilusão de que possuímos Deus como propriedade.
Carlos Romero parece ter compreendido o contrário: podemos possuir convicções sem transformar convicção em violência.
Natureza, Deus e transcendência
Há ainda outra dimensão especialmente bonita em sua obra: a relação entre espiritualidade e natureza.A experiência religiosa de Carlos Romero não estava separada da contemplação do mundo.
GD'Art
Isso nos aproxima de uma antiga tradição filosófica.
Os estoicos encontravam a razão universal na ordem do cosmos.
Spinoza identificava Deus e Natureza.
Francisco de Assis via a criação como fraternidade.
Românticos encontravam no mundo natural uma dimensão espiritual.
Carlos Romero parece ter cultivado algo semelhante: uma percepção de que a natureza não é simplesmente cenário, mas linguagem.
Uma árvore pode ser biologicamente uma árvore.
Mas, para o poeta, pode ser também memória.
Para o filósofo, pode ser pergunta.
Para o espiritualista, pode ser manifestação.
Para o homem velho, pode ser testemunha do tempo.
E talvez seja justamente essa multiplicidade de significados que torna a natureza tão poderosa.
Ciência, filosofia e religião
O Espiritismo costuma apresentar-se a partir de uma tríplice dimensão: ciência, filosofia e religião.
Carlos Romero ▪️ GD'Art
A ciência moderna trabalha com métodos de observação, experimentação, teste e possibilidade de refutação. A filosofia trabalha fundamentalmente com conceitos, argumentos, análise crítica e investigação racional. A religião envolve fé, experiência espiritual, símbolos, valores e práticas comunitárias.
São campos diferentes.
Mas podem dialogar.
O próprio Carlos Romero participou de um ambiente em que esse diálogo era valorizado.
Há registros de seminários espíritas nos quais ele discutia temas filosóficos, inclusive a existência de Deus, buscando apresentar questões complexas de maneira acessível.
E esse talvez seja um de seus maiores méritos: transformar uma questão profunda em conversa humana.
A filosofia não precisa ser obscura para ser profunda.
A espiritualidade não precisa ser intolerante para ser firme.
E a cultura não precisa abandonar a razão para acolher o mistério.
Carlos Romero e Allan Kardec
Em Meu Encontro com Kardec, Carlos Romero transforma sua aproximação com Allan Kardec em experiência de memória, reflexão e espiritualidade.
A obra pode ser compreendida não simplesmente como relato de adesão religiosa, mas como testemunho de uma transformação interior.
Não é apenas Kardec quem aparece.
Aparecem o tempo, a morte, a infância, o pai, a memória, a velhice, a dúvida, a esperança e a necessidade humana de compreender.
É justamente por isso que o livro ultrapassa o interesse exclusivamente doutrinário.
Quando um homem escreve sobre aquilo em que acredita, está também escrevendo sobre aquilo que teme.
Quando escreve sobre a imortalidade, está escrevendo sobre a morte.
Quando escreve sobre Deus, está escrevendo sobre sua própria insuficiência.
Quando escreve sobre o espírito, está tentando compreender quem é.
O tempo como personagem
Carlos Romero também foi profundamente sensível ao tempo.
E isso é coerente com sua visão espiritual.
O tempo é a grande metáfora da condição humana.
Nascemos.
Crescemos.
Amamos.
Perdemos.
Envelhecemos.
Morremos.
Crescemos.
Amamos.
Perdemos.
Envelhecemos.
Morremos.
GD'Art
A infância continua dentro do adulto.
Os mortos continuam dentro dos vivos.
Os livros continuam falando depois que seus autores desaparecem.
Uma fotografia conserva um rosto.
Uma crônica conserva uma voz.
Um pensamento conserva uma presença.
É nesse sentido que a cultura desafia a morte.
O corpo passa.
A palavra permanece.
GD'Art
O verdadeiro sentido da imortalidade
Talvez a imortalidade não precise ser compreendida apenas metafisicamente.
Mesmo para quem não aceita a doutrina espírita, existe uma forma humana de sobrevivência.
Sobrevivemos nas lembranças.
Nos filhos.
Nos livros.
Nos gestos.
Nas instituições.
Nas ideias.
Nas transformações que provocamos nos outros.
GD'Art
Sobrevive porque ainda é discutido.
Sobrevive porque sua obra continua provocando perguntas.
Sobrevive porque existe uma memória cultural paraibana que não o esqueceu.
Mas, para o espírita, existe uma dimensão ainda mais profunda: a consciência não termina com o corpo.
Essa é a grande aposta metafísica do Espiritismo.
E é também seu maior desafio filosófico.
Porque, no fundo, toda doutrina da imortalidade enfrenta a mesma pergunta:
O que exatamente sobrevive?
A memória?
A personalidade?
A consciência?
A individualidade?
O espírito?
A pergunta permanece aberta para a filosofia.
O legado para a Paraíba
Carlos Romero pertence à história cultural da Paraíba.
Carlos Romero (Rua General Osório, João Pessoa-PB) ▪️ Acervo ALCR
Sua trajetória mostra como um homem pode transitar entre literatura, jornalismo, direito, educação, música, cultura e espiritualidade sem reduzir-se a uma única identidade.
Ele foi um homem múltiplo.
E talvez essa multiplicidade seja sua melhor definição.
O magistrado não anulou o escritor.
O escritor não anulou o jornalista.
O jornalista não anulou o professor.
O professor não anulou o espiritualista.
E o espiritualista não anulou o cidadão.
Ao contrário: todas essas dimensões parecem ter se alimentado reciprocamente.
Eu e Carlos Romero: uma conversa através do tempo
É aqui que meu encontro com Carlos Romero alcança seu sentido mais íntimo.
Não se trata apenas de admirar um homem.
Trata-se de conversar com ele através daquilo que deixou escrito.
Eu lhe faço perguntas silenciosas.
Ele me responde através das páginas.
Pergunto sobre a morte.
Ele fala de continuidade.
Pergunto sobre o tempo.
Ele fala de experiência.
Irani Medeiros ▪️ GD'Art
Ele fala de transcendência.
Pergunto sobre o homem.
Ele fala de responsabilidade.
Pergunto sobre a velhice.
Ele fala de sabedoria.
Pergunto sobre a vida.
Ele me lembra que viver não é simplesmente permanecer biologicamente vivo.
É transformar a existência em consciência.
Talvez esse seja o ponto em que nossas trajetórias intelectuais se encontram: na convicção de que viver é interpretar.
Interpretamos o mundo.
Interpretamos os acontecimentos.
Interpretamos a morte.
Interpretamos o amor.
Interpretamos nossas perdas.
Interpretamos Deus.
E, no fim, interpretamos a nós mesmos.
Uma espiritualidade sem medo
A grandeza de Carlos Romero, a meu ver, está também na serenidade.
Ele não parece ter precisado esconder-se atrás da religião.
Germano e Carlos Romero ▪️ Acervo ALCR
Há algo profundamente humano nisso.
A espiritualidade verdadeira não deveria tornar o homem menos humano.
Deveria torná-lo mais humano.
Mais tolerante.
Mais justo.
Mais atento.
Mais humilde.
Mais consciente de que sua passagem pelo mundo é breve.
A convicção da eternidade, paradoxalmente, pode ensinar-nos a respeitar o instante.
Se a vida é eterna, cada existência é preciosa.
Se o tempo é limitado, cada gesto importa.
Se existe continuidade espiritual, cada ação possui consequência.
Se não existe, ainda assim cada gesto importa, porque somos responsáveis pelos efeitos que deixamos nos outros.
Por caminhos diferentes, a filosofia pode chegar à mesma exigência ética:
Viver bem.
Entre a dúvida e a esperança
Eu, Dr. Carlos Romero e o Espiritismo estamos unidos, neste ensaio, por uma questão que ultrapassa qualquer religião particular: o desejo humano de compreender a própria existência.
Carlos Romero encontrou no Espiritismo uma linguagem para pensar a vida, a morte, Deus, a consciência e a moral.
Eu encontro em sua trajetória um convite à reflexão.
Irani Medeiros ▪️ GD'Art
Não preciso aceitar todas as respostas para respeitar a profundidade das perguntas.
A grande filosofia começa justamente aí: quando abandonamos a arrogância das certezas absolutas e aceitamos caminhar entre a dúvida e a esperança.
Carlos Romero fez dessa caminhada uma forma de vida.
Sua história demonstra que a espiritualidade pode dialogar com a literatura, que a fé pode conviver com a inteligência e que a convicção pode coexistir com a tolerância.
Seu legado talvez esteja menos nas respostas que ofereceu do que nas perguntas que continua provocando.
Carlos Romero ▪️ GD'Art
Ele continua acontecendo.
Acontece cada vez que abro um de seus livros.
Cada vez que releio uma de suas crônicas.
Cada vez que penso no destino do homem.
Cada vez que contemplo o silêncio de uma noite estrelada e me pergunto se o universo é apenas matéria ou se existe, por trás de sua imensidão, uma dimensão que nossa inteligência ainda não alcançou.
Nesse instante, Carlos Romero volta.
Não como fantasma.
Não como lembrança imóvel.
Mas como pensamento.
E talvez seja essa a verdadeira forma de imortalidade do escritor: continuar vivendo na consciência de quem o lê.
O homem desaparece.
A palavra permanece.
O corpo silencia.
A ideia continua falando.
GD'Art
E, entre a morte que nos assusta e a eternidade que imaginamos, permanece o grande mistério de existir.
Foi diante desse mistério que Carlos Romero colocou sua inteligência.
É diante dele que eu também coloco a minha.
E talvez seja justamente nesse território — entre razão e fé, memória e transcendência, dúvida e esperança — que acontece o verdadeiro encontro entre eu, Carlos Romero e o Espiritismo.






























