Poetas quase sempre exaltam as árvores, porque estas carregam energia e beleza que inspiram a poesia e as artes.
Um exemplo é o poeta Augusto dos Anjos (1884-1914), que cantou as dores do tamarineiro existente no Engenho Pau-d’Arco, no município de Sapé (PB), onde nasceu, que resiste às intempéries e à sanha do homem.
Um exemplo é o poeta Augusto dos Anjos (1884-1914), que cantou as dores do tamarineiro existente no Engenho Pau-d’Arco, no município de Sapé (PB), onde nasceu, que resiste às intempéries e à sanha do homem.
Odilon Ribeiro Coutino e Thiago de Mello ▪️ Acervo Jornal A União
No mês de agosto de 1956, o poeta Thiago de Mello e o industrial Odilon Ribeiro Coutinho estiveram nas terras do antigo engenho com a missão de salvar a árvore que inspirou Augusto dos Anjos a escrever antológicos poemas.
Quando Odilon, um homem de negócios amoroso da poesia e das artes, patrocinou remendos para salvar o símbolo da poesia de Augusto, a árvore dava pena de olhar, porque estava abandonada, quase moribunda. O jovem professor de Agronomia E. Strauss, convocado, curou as feridas da árvore, “porque era preciso salvar a fonte de inspiração de Augusto”.
“O que sucedeu foi simplesmente o seguinte: o milagre do amor. Do amor, que se quer geral e grande. Amor ao humano, no caso, não somente à árvore. Também à própria Poesia”, atestou o poeta amazonense, conforme a revista O Cruzeiro, de 18 de agosto de 1956.
Thiago de Mello ▪️ Acervo Jornal A União
Soube-se que o antigo dono, pensando fazer o bem, para matar os insetos, acendeu fogo no tronco da árvore.
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As vozes agourentas apontavam o fim da árvore, dizendo que não tinha mais recuperação. Mas deu-se o contrário. Uma manhã, dessas manhãs iluminadas do outono, arregaçada pelo sol depois da aragem da madrugada, o Tamarindo apareceu com flores, rejuvenescido e sorrindo. Brotos novos surgiam a cada dia, sempre mais verdes, cada vez mais lindos, foi o que testemunharam seus cuidadores. Os incrédulos que vaticinavam seu fim ficaram pasmados.
A árvore voltou a ser imponente e altaneira, vistosa, sendo observada à distância. Quase cinco décadas depois da intervenção de 1956, foram necessárias nova poda e pequenas intervenções que agrônomos do governo da Paraíba realizaram. A ação, naquele momento, foi aparar os galhos necessitados de cirurgia.
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Assim como muitos estudiosos cuidaram de destacar o nível da poesia do paraibano, a exemplo do crítico literário Otto Maria Carpeaux, que considerou Augusto dos Anjos como sendo “o mais original, o mais independente de todos os poetas mortos do Brasil”.
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A árvore, símbolo da poesia de Augusto dos Anjos, é imortalizada nos versos que escreveu, mas também na muda plantada em Leopoldina (MG), onde está sepultado seu corpo. Também no filho da semente recolhida pelo professor Milton Marques Júnior, que cresce exuberante no Jardim da Academia Paraibana de Letras, para que o poeta e o Tamarindo sejam eternamente lembrados.
No território da sombra do tamarineiro que abarca o Engenho Pau-d’Arco, somos transportados para a hospitalidade da poesia de Augusto. O lugar é mítico e facilmente se percebem as razões de o poeta fazer a experiência absoluta da vida expressa na forma de versos. Chegando ao lugar, Augusto nos leva à terra invisível da imaginação, ressuscitando sonhos que a alma esconde.
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De todas as árvores do Engenho Pau-d’Arco, o Tamarindo era o mais triste. Mas, à sua sombra e inspirado nessa árvore, o poeta produziu augustos poemas. Nesse recanto úmido do engenho, com o cheiro da terra e pontuação de relâmpagos, ele recebeu imensos eflúvios poéticos. A região e, ainda mais, o Tamarindo hipnotizaram o jovem poeta e, ainda hoje, isso acontece com todos quantos ali se aproximam.
Augusto dos Anjos tem muitos poemas que falam da natureza, exaltando as belezas naturais, e o mais conhecido é, sem dúvida, “Debaixo do Tamarindo”, onde canta que a sua sombra ali permanecerá. Igualmente objeto de louvação por parte de seus admiradores é “A Árvore da Serra”, no qual descreve diálogo com seu pai.
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No poema “Tristeza de um quarto minguante”, o poeta canta a natureza triste do Engenho Pau-d’Arco, o ambiente mítico de sua infância.
Três poemas que podem ser incluídos nessa paisagem rural que cantou são “A Floresta”, “Minha Árvore” e “Natureza Íntima”. Além destes, a contemplação e o diálogo com a natureza são íntimos no poema “As Montanhas”.
A poesia de Augusto foi aureolada pelo Tamarindo, por isso nos impele a ficar à sombra fresca, como ficaram Odilon Ribeiro Coutinho e Thiago de Mello, extasiados pelo odor da terra e da poesia que o vento espalha.
Tendo nascido e vivido os primeiros anos de sua vida no engenho, um lugar que José Américo de Almeida reconheceu como sendo triste, era natural que Augusto dos Anjos tenha sido alimentado pelas paisagens silenciosas do mundo rural.












