Tinha acabado de usar o toalete e, ao sair, percebi um rabo fino debruçado por trás da tampa da bacia sanitária. Aproximei-me e constatei, assustado: era o rabo de uma cobra! Ufa! Por pouco não fui picado, pensei, e em que lugar!...
E agora? Que fazer? Confiando na habilidade e sensatez de meu companheiro Davi, expus-lhe o ocorrido, chamando-o para ver o “ex-perigo”, com a ponta ainda visível. A operação era delicada, considerando que, além de um ente vivo, que merece respeito e proteção, a cobra poderia ser perigosa, embora de tamanho médio.
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Não me saía da cabeça a ideia de poder ter sido mordido bem na hora em que estava relaxadamente sentado na louça, em geral aproveitando para ler algo. Que susto! E que perigo! Imagine se a arma de defesa da “petit serpent” fosse tóxica, venenosa, nunca se sabe...
Mas, agora, o problema era o que fazer com ela. Não poderíamos, de forma alguma, dar-lhe um destino imerecido e cruel. Afinal de contas, muito antes de construirmos aquela casa, havia ali um habitat natural, com vegetação nativa, onde ela e, possivelmente, seus familiares residiam legítima e genuinamente, com todos os direitos dados por Deus. Além de sermos muito cientes e conscientes de que, na grande maioria das vezes, vemos a expansão urbana progredir por cima da Natureza sem deixar reservas aos outros seres, dantes habitantes das matas e relvas. E o pior: julgamo-nos com esse direito, eivados de uma suposta superioridade dos humanos muito acima dos que chamamos pejorativamente de “bichos”.
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Então veio a luminosa ideia, talvez intuída por São Francisco de Assis, icônico protetor dos animais. Agarramos o cesto, tampando-o com firmeza, e o levamos à praia. Abrimos o portão que dá acesso ao verde prado em frente à nossa casa, antes do mar, e o jogamos de forma que a tampa se abriu no meio da vegetação, e ela correu serelepe e feliz, embora decerto assustada.
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