amante do dia:
diamante.
de luz feito
de amor talhado
manto de estrelas
que na terra desce para
celebrar a luz
diamante.
de luz feito
de amor talhado
manto de estrelas
que na terra desce para
celebrar a luz
Santino Gomes de Matos, poeta, jornalista, filólogo, professor, homem de cultura e letras, nasceu na cidade de Icó, no Estado do Ceará, em primeiro de março de 1908. Demonstrou desde cedo os lampejos de genialidade: aos 4 anos de idade lia perfeitamente; aos 6 anos, conversava fluentemente em francês. Aos 12 anos já colaborava com a imprensa local. Teve seu primeiro livro publicado aos 21 anos.
Santino Gomes de Matos, professor, filólogo, jornalista, escritor e político cearense, reconhecido como uma das principais referências intelectuais e culturais da cidade de Uberaba (MG) ▪️ Fonte: santinogomesdematos.com.br
Santino foi peça fundamental na fundação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino. Contribuiu não apenas a formação de professor, com sua experiência no ensino, mas também a sua famosa biblioteca particular, de mais de 10 mil volumes. Biblioteca com livros em várias línguas.
No que tange à literatura foi um dos primeiros convidados a participar da fundação da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, ocupando a cadeira nº 2. O conjunto de sua obra o levou também para a Academia Municipalista de Letras de Belo Horizonte.
Santino, como contista publicou o livro Flagrantes ao Sol do Norte, e teve vários contos premiados em concursos diversos pelo Brasil. No campo da poesia publicou três livros: Oração dos Humildes, Procissão de Encontros e Céu Deposto, deixando outros livros inéditos. Teve uma trajetória discreta e silenciosa, apesar de brilhante.
Carta de Pereira da Silva a Santino Gomes de Matos
Pereira da Silva, conhecido como o "Príncipe dos Poetas Paraibanos", foi um advogado, jornalista e poeta simbolista, primeiro paraibano a ocupar uma cadeira na ABL ▪️ Fonte: ABL
O poeta leu Oração dos Humildes e ficou encantado. Havia encontrado uma sensibilidade profunda. Um humanista preocupado com a dor humana. Um homem com pendor ao espiritual. Um verdadeiro poeta. Tomou da pena e em papel timbrado da ABL imortalizou a seguinte carta:
"Oração dos Humildes é um dos mais belos trabalhos que já tive a fortuna de ler ou melhor de ouvir; porque, na realidade, tudo é vida impressiva e expressiva, em cada estrofe de qualquer dos seus poemas. A fusão rítmica de sua alma com as outras é de tal intensidade que você se faz, de fato, intérprete dessa angústia de ser ou de não ser a que nenhum espírito, realmente humano, pode ser indiferente. Essa faculdade de subjetivação é tanta, na sua imaginação criadora, que as próprias cousas também 'vivem' nela, com as suas vicissitudes inevitáveis, que são as do mundo contingente. Só um verdadeiro poeta sente e realiza, com a espontaneidade e expressividade do seu livro, tanta cousa bela e irresistivelmente comunicativa. Receba, pois, o meu abraço comovido pela Oração dos Humildes: que Deus ouça!"
Yone Passaglia Gomes de Matos, professora da Escola Normal Oficial de Uberaba, filha de italianos, esposa de Santino Gomes de Matos ▪️ Fonte: santinogomesdematos.com.br
Oração dos Humildes
Venha a canção áspera e rouca que rebenta do peito tostado dos jangadeiros, toda vibrada em bordões. O mastro da jangada, enrolado no lençol branco da vela murcha, é como um círio apagado de um culto morto. Os pescadores cantam para as vagas, para as garças marinhas, para a noite, que vai vestir o seu vestido mais lindo, de gata borralheira. Venha a canção dos jangadeiros do mar. Venham cantigas da beira do rio, das lavadeiras que deixaram em casa os filhinhos e os ninam de longe, de peitos amojados, com uma voz intraduzível de mães ausentes. Venha a modinha da moça tísica da fábrica, que aproveita uns restos de pulmão cantando, cantando, cantando, para despedir-se da vida ainda com seu sonho. Venha, na noite quente, a amargura bandoleira dos boêmios, nas serenatas de violão, de cachaça e de cadeia. Venham os pregões automáticos dos vendedores ambulantes, a discurseira infame e ridícula dos camelôs e a cantilena monótona dos cegos, numa lamúria gasta, que passa um contrabando de dor à piedade alheia. Venham todas as vozes humanas, de sofrimento humano e real. Penetrem o meu coração e vibrem nos meus lábios, que eu quero rezar alto a oração dos humildes.
Venha a canção áspera e rouca que rebenta do peito tostado dos jangadeiros, toda vibrada em bordões. O mastro da jangada, enrolado no lençol branco da vela murcha, é como um círio apagado de um culto morto. Os pescadores cantam para as vagas, para as garças marinhas, para a noite, que vai vestir o seu vestido mais lindo, de gata borralheira. Venha a canção dos jangadeiros do mar. Venham cantigas da beira do rio, das lavadeiras que deixaram em casa os filhinhos e os ninam de longe, de peitos amojados, com uma voz intraduzível de mães ausentes. Venha a modinha da moça tísica da fábrica, que aproveita uns restos de pulmão cantando, cantando, cantando, para despedir-se da vida ainda com seu sonho. Venha, na noite quente, a amargura bandoleira dos boêmios, nas serenatas de violão, de cachaça e de cadeia. Venham os pregões automáticos dos vendedores ambulantes, a discurseira infame e ridícula dos camelôs e a cantilena monótona dos cegos, numa lamúria gasta, que passa um contrabando de dor à piedade alheia. Venham todas as vozes humanas, de sofrimento humano e real. Penetrem o meu coração e vibrem nos meus lábios, que eu quero rezar alto a oração dos humildes.
GD'Art
Hoje, a vida e obra do poeta, é chama viva graças ao trabalho incansável e amoroso de sua filha – Maria Isabel Gomes de Matos, a qual mantem um site onde podemos ter acesso ao diamante raro que foi a vida e obra do poeta. Diamante oculto que precisa ver a luz de novos caminhos.















