Rematando o café, abro o jornal, o mesmo jornal que chegava pelos Correios (3 exemplares diários) para a Biblioteca Dr. Zamenhof, de Alagoa Nova, em 1948, ano em que, com a morte de meu pai, deixei o Pio XI de Campina Grande sem deixar o hábito solitário da leitura. O atraso dos Correios não chegava a mais de três dias, o que não impedia de se aguardar com interesse a sua chegada, mesmo que o rádio antecipasse o noticiário, além da vantagem das transmissões esportivas ao vivo. O papel principal do jornal impresso, como continua sendo hoje, era confirmar ou corrigir o que informava a instantaneidade do rádio. O rádio ouvíamos no picolé anexo à padaria do grande e gordo José Floro, até hoje um modelo de homem bom dos que não perderam seu lugar no grato recesso de minha memória.
Colégio Pio XI (Campina Grande-PB, anos 30) ▪️ Acervo Mario Vinicius Carneiro Medeiros
Padre Odilon Alves Pedrosa ▪️ Acervo Retalhos Históricos de Campina Grande
(Já na condição de amigo, bons anos depois, estando a sós com o autor de A Bagaceira, arrisquei ferir o assunto: “Pode ter vindo de agrado, mas eu não pedi” — replicou rápido, a tolerância esboçada num discreto sorriso).
Padre Odilon Pedrosa, quem, dos seus pupilos, conseguiu desvencilhar-se de sua vigilância de educador a cobrar mais e mais dos nossos pendores!
Adivinhando meus sonhos de rueiro, encarrega-me, rezada a missa, de apanhar a assinatura dos seus jornais na Rui Barbosa, a três quarteirões do colégio. Folga para as minhas pernas. O que eu poderia fazer em 10 minutos, gastava o suficiente para uma esticadinha até a
Padre Odilon Alves Pedrosa ▪️ TV Confiança
Vejo, hoje, oitenta anos depois, que, se a vida me faltou com o racionalismo indispensável à mais simples equação, não me negou esse jeito de viver que não tem melhor nome do que simpatia ou mesmo empatia. Que dotes poderia ter um caboclo de 12 anos, mal saído das grotas brejeiras, para ganhar a simpatia daquele padre-mestre? Desde minha primeira ocupação, recenseador do Censo de 1950, até os dias de hoje, foi rara a oportunidade ou a confiança que me tenha sido dada através do concurso. O único que fiz e logrei aprovação não valeu para o regime militar instalado anos depois. No entanto, pessoas que eu nunca tinha visto deram-me a mão de boa vontade. E para todo o sempre.
Publicado hoje, 30/08/26, no jornal A União









