Jorjão foi só Jorjinho, das fraldas aos primeiros fios de barba. Aí virou Jorjão porque passou de um e noventa e ficou parrudo como um búfalo. Já o “Capivara” ganhou desde o curso primário, pois os incisivos centrais, aqueles do maxilar superior, na dentição permanente, deram-lhe ares do bicho em questão. Nunca se incomodou com o apodo.
Há 40 anos, em 1985, Biu Ramos (1938-2018) estreou na seara literária com o livro Arca de Sonhos ou Mocidade e outros Heróis. O autor, que já contava mais de 30 anos de “batente” no jornalismo, notabilizando-se pelas reportagens, colunas políticas e pelas fragorosas polêmicas, revelou ao público uma nova faceta: o Biu Ramos cronista.
No dia dois deste ano, uma mulher simples dirigiu-se, com alguns alimentos, a um mendigo que, fugindo do calor, estava sentado sob uma árvore. Era, de fato, um pedinte. Não um infeliz viciado em tantas drogas que estão esmagando seres humanos com os tentáculos da pior das destruições: a do ser.
Por que, mesmo quando temos todos os motivos para estarmos alegres, ainda assim nos alimentamos de uma tristeza aparentemente inexplicável? Que melancolia é essa que insiste em se instaurar em nosso ser? Estaremos retraindo a felicidade por medo de perdê-la ou dando vazão à angústia por desejar que esta desapareça? Que vocação irresistível é esta para a dramatização,
M. Obstoj
de chorar no travesseiro, de ouvir aquela música na madrugada, que incorpora a melodia dos nossos desencantos... ou de ler aquela poesia que nos enche de lágrimas?
Que pesadelos são esses que nos imergem na sensação de abandono? Que medo de perder se nos sentimos tão amados? Acionamos o alarme do afeto, porque os laços estão frágeis. Os “amores líquidos”, como diria Bauman, estão sempre escorrendo pelo ralo. É um sinal que soa para nos recordar de que todo sentimento é efêmero, mutável e frágil. Se tudo é tão frágil, então cuidemo-nos mais.
A data de 8 de setembro ficará na memória da Academia Paraibana de Letras como o marco dos avanços para perpetuar a obra do poeta Augusto dos Anjos. Essa foi a noite em que a Paraíba reverenciou Augusto dos Anjos; a Lua, que tantas vezes acompanhou o poeta em suas divagações, testemunhou João Azevedo, governador do Estado da Paraíba, postar no papel as linhas de um memorial para a imortalidade da poesia.
Matilde ficou surpresa quando soube que Eulália, uma velha amiga, tinha se separado de Rodolfo. Chegara a sair com os dois e, apesar de uma pequena cena de ciúme de Eulália (o marido era vistoso e simpático), teve a impressão de que eles se entendiam muito bem. Resolveu ligar para a amiga, que talvez precisasse de consolo nesse momento difícil.
Imagine que você tem a oportunidade única de entrar em um elevador mágico, cujos botões não são números, mas sim épocas e sentimentos. Cada parada é uma viagem no tempo, um portal para um momento de pura felicidade. Para onde você gostaria de ir?
Atualmente, existe uma proposital inversão na definição dos conceitos de “progressista” e “conservador”, que vêm sendo erroneamente utilizados para classificar as pessoas de acordo com seus ideais e posições políticas.
O Brasil, que, desde a República, tanto se esforça em imitar os Estados Unidos, mais no mal do que no bem, diga-se de passagem, nunca deu bolas para o mecenato, uma saudável prática dos milionários americanos. Aqui, o rico se preocupa em acumular para a descendência, e a sociedade, que o enriqueceu, que se lixe. Tudo para a família, nada para a cidade ou o país. E assim, vai-se perpetuando a cultura do patrimonialismo, do egoísmo e da prevalência do privado sobre o público. Tristes trópicos tupiniquins.
João Cabral de Melo Neto, em Morte e Vida Severina, escreve, através do personagem Severino Retirante, um dos trechos mais dramáticos da literatura de língua portuguesa:
Em 2010, no Centro Cultural Joacil de Brito Pereira, fizemos uma exposição de 20 mini telas de pintura em tinta acrílica, representando janelas de vários locais, daí o título – Janelas do Mundo. Elas vieram acompanhadas de cartões postais com pequenos poemas no verso dos cartões, foi um trabalho bonito do fotógrafo Adriano Franco. O artista plástico Miguel Bertollo participou deste trabalho pintando 10 janelinhas e organizando a exposição. Pintei 10. Vendemos alguns conjuntos e presenteamos pessoas amigas com esse mimo.
Adriano Franco
A professora Vitória Lima nos convidou para fazer uma exposição na UEPB, na Semana de Letras, viajamos com esses cartões para Campina Grande, não levamos as mini telas, só os cartões, e houve boa receptividade por parte dos alunos e dos professores durante a exposição.
Sem sair daqui, volto novamente à casa de D. Nininha, em minha Alagoa Nova. Há mais de setenta anos, ela me viu passar, adolescente, com o Eu de Augusto debaixo do braço, receosa em fazer-me seu reparo do alto de sua janela:
— Você é muito novo ainda para ler essa poesia.
“Ó, hieróglifos egípcios, adubas as Duas Terras, regas as margens do Nilo... criamos a escrita ao mundo!"Ode poética ao Antigo Egito
No período pré-dinástico do Antigo Egito (cerca de 4000–3100 a.C.), já existiam formas de representação pictográfica e simbólica utilizadas para marcar propriedades, identificar chefes tribais e registar aspectos religiosos. Esses sinais, inicialmente gravados em peças de cerâmica e em artefatos,
Desde a candidatura, ele se impôs como alguém que trazia consigo todos os requisitos para pleitear um lugar de sócio efetivo na Casa das Letras. Uma vez inscrito, não teve concorrente, como se estivesse fixada uma compreensão geral de que seu mérito já o consagrara. A eleição, rito necessário, trouxe o referendo da unanimidade.
Na minha “garimpagem” para descobrir pessoas, que tiveram a feliz oportunidade de conhecer, ao vivo, nosso ilustre escritor e político paraibano, José Américo de Almeida” me deparo com um texto do jornalista, escritor e colunista social Abelardo Jurema Filho. Está publicado em sua coluna semanal “Opinião”, numa das terças-feiras, no jornal A União. Seria redundante entrevistá-lo. Com uma narração cronológica e em tempo real, ele traça a trajetória de conhecê-lo, aos 16 anos, nos bancos escolares, até o momento culminante, ocasião em que se deparou com o habitante “solitário de Tambaú”, conforme era chamado na época, hoje Cabo Branco. Detalhe: a visita repetiu-se por diversas vezes.