Sean Connery, o primeiro e o mais cativante espião da franquia 007, foi, de fato, um ponto fora da curva. Quem mais conseguiria fugir do e...

literatura paraibana sean connery ursula andrews james bond cinema
Sean Connery, o primeiro e o mais cativante espião da franquia 007, foi, de fato, um ponto fora da curva. Quem mais conseguiria fugir do estereótipo? Quantos seriam capazes de sobrepujar o carisma de James Bond, a saborosa criação de Ian Fleming levada às telas de todo o mundo com recordes de público?

Início da década de 1880. O tráfico de escravos da África para o Brasil já havia acabado. Nas Américas, apenas o Brasil e Cuba mantin...

literatura paraibana ensaio escravidao abolicao ceara dragao mar almirante negro aldir blanc

literatura paraibana ensaio escravidao abolicao ceara dragao mar almirante negro aldir blanc
Início da década de 1880. O tráfico de escravos da África para o Brasil já havia acabado. Nas Américas, apenas o Brasil e Cuba mantinham ainda o regime escravista. O declínio da atividade açucareira no Nordeste e a expansão das lavouras cafeeiras em São Paulo fizeram surgir, no país, um tráfico interno de escravos, que era feito entre as províncias do Nordeste para o Sudeste.

No gigantesco poema que é A Catedral de Colônia, o imenso poeta que é o Affonso Romano de Sant´Anna - com todos os seus efes e enes - diz ...

literatura paraibana paulo americo maia jose albero kaplan musica classica
No gigantesco poema que é A Catedral de Colônia, o imenso poeta que é o Affonso Romano de Sant´Anna - com todos os seus efes e enes - diz ser natural que no país de catedral tão magnífica, florescessem pensadores como Nietzsche, Kant, Heidegger, Schopenhauer. "Mas eu queria/ era ver/ o nada / nascer /do nada". "Queria ver/ era ali/ no Catolé do Rocha e Nanuque".

Era um gosto diferente, a sensação do experimentar, a descoberta traduzida em paladar... em sabor de fruta. O olhar admirado da aprovação ...

literatura paraibana frutas liberdade infancia
Era um gosto diferente, a sensação do experimentar, a descoberta traduzida em paladar... em sabor de fruta. O olhar admirado da aprovação diante daquele novo, o cheiro conquistador dos galhos, do chão de tapete de fruto caído e montado naturalmente. E o menino, como num ritual, descobria que fruta madura retirada da árvore brotada no meio do mato tem mais encanto, é mais saborosa. Cajus, mangas, oliveiras, siriguelas, goiabas, jambos, etc.

Os Espíritos orientadores da Codificação Espírita informam que a vida em sociedade é lei da Natureza, pois “Deus fez o homem para viver em...

literatura paraibana espiritismo auto ajuda isolamento social
Os Espíritos orientadores da Codificação Espírita informam que a vida em sociedade é lei da Natureza, pois “Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.”1

São muitos os que resgataram o Titanic do fundo para a superfície do mar e tornaram a devolvê-lo às funduras abissais do oceano. São rotei...

literatura paraibana sergio faraco titanic crepusculo arrogancia
São muitos os que resgataram o Titanic do fundo para a superfície do mar e tornaram a devolvê-lo às funduras abissais do oceano. São roteiristas de cinema, cineastas, poetas, ficcionistas, historiadores, jornalistas, cada qual querendo reconstituir os momentos de grandeza e de vilania dos passageiros e da tripulação.

Ao pregar por meio de parábolas, Jesus possivelmente consolidava como gênero literário esta forma tão didática de ensinar. Utilizada por p...

literatura paraibana prefacio livro pandemia classicos cotidiano mitologia
Ao pregar por meio de parábolas, Jesus possivelmente consolidava como gênero literário esta forma tão didática de ensinar. Utilizada por povos antigos, como os helênicos, e na literatura rabínica, conhecida como “mashal”, a parábola pode ser considerada prima do tradicional apólogo, da fábula clássica, linguagens que se revestem de alegorias, metáforas, maneiras proverbiais com intenção de erudir algo não tão acessível ao entendimento comum.

Surpreenderia a você se te dissesse que lá, há 45 anos, estivesse conversando com você e te falado que escreveria uma carta endereçada ...

literatura paraibana Jane Graham Candice Soldatelli veronica farias carta para meu jovem eu
Surpreenderia a você se te dissesse que lá, há 45 anos, estivesse conversando com você e te falado que escreveria uma carta endereçada à ti, quando já me encontrasse nos meus 60 anos de idade. É isso o que agora ocorre. Te escrevo agora, já passados todos estes anos.

Primeiramente te agradeceria pela coragem de ter enfrentado os teus medos, todos vencidos com muita teimosia e que tanto te ajudariam a entender que o preço de uma “desistência” não te levariam a nenhum lugar. Cada pessoa vê as coisas com os olhos do próprio amadurecimento. Hoje descobri que não há limites para nenhuma pessoa; que a vontade de “realizar” é uma energia muito forte e positiva.

Sonhos, reminiscências e muita satisfação me fazem te escrever. Sonhos sim, mas decepções e dificuldades também fazem parte da vida. Porém não é ao que se destina esta mensagem. O meu interesse é pelo que foi agradável e feliz. Te confesso que aprendi que existe uma grande diferença entre o que sonhamos e os projetos de Deus para conosco. Conquistamos o que está no nosso merecimento.

Deverias ter sido menos assustada, menos preocupada do que fostes; de natureza fraterna e ao mesmo tempo muito competitiva. Em minha memória revejo os desafios, as provas importantes como o dia da prova prática de direção, ou mesmo o primeiro dia de trabalho no banco. Mas a melhor de todas as lembranças foi certamente o primeiro dia de aula no Grupo Escolar Isabel Maria das Neves, com apenas 6 aninhos de idade.. .mamãe já havia se adiantado e te ensinado as primeiras letras, a emoção diante do novo; aquela linda sala repleta de mesinhas pequenas com 4 cadeiras em cada uma; novos amiguinhos, a professora Dona Flúvia, tão delicada e meiga. Lembra-te do dia em que Eliane do Egito te ensinou a gravar qualquer música que desejásseis? Tuas músicas prediletas!!! O gosto pela música e pela dança que até hoje perduram e me trazem tanta tranquilidade em horas de lazer.

Não ouvias conselhos e sempre teimosa e reticente em tuas convicções; Te diria que a idade me trouxe ponderação, apesar de ainda hoje continuar teimosa... talvez ainda mais do que antes. Os inesquecíveis dias de ir à praia com a família...de adormecer ao calor do sol dormente nas costas, o mergulho no frescor das águas do mar no rosto, no corpo...Ah!!! dias inesquecíveis.

Para a minha felicidade a maioria dos amigos da adolescência ainda permanecem, e qual não é a minha satisfação em vê-los; Amigos a quem sou grata por terem contribuído para o meu crescimento pessoal. Um sentimento de gratidão também permeia o meu coração ao me recordar das boas vizinhas que usavam de tanto amor e de delicadeza, fossem em forma de conselhos ou me ensinando a bordar uma almofada.

Aí, onde permaneces, nos teus verdes anos, é importante dizer que tudo valeu a pena; a natural curiosidade em aprender bem como os sonhos sonhados, realizados ou não, permanecerão em mim, para sempre.

O livro “Carta para meu jovem EU” foi comprado por mim com muita curiosidade. As autoras Candice Soldatelli e Jane Graham realmente me surpreenderam quando tiveram a ideia de unir várias cartas de pessoas famosas de forma desafiadora e comovente em um só livro. Foram também convidados brasileiros como Marcelo Gleiser e a Filósofa Maria Helena Galvão. Convidaria à todos para esta viagem interior de catarse e emoção. Uma verdadeira viagem no tempo.

Foi em fevereiro de 1991 que comecei como jornalista de fato, em 1991. Naquela época, o menino tímido bateu às portas do extinto jornal...

literatura paraibana jornalismo profissao reporter paixao
Foi em fevereiro de 1991 que comecei como jornalista de fato, em 1991.

Naquela época, o menino tímido bateu às portas do extinto jornal O Momento, com a hoje jornalista e amiga Michelle Sousa, para pedir emprego ao então editor Walter Santos.

Completei, portanto, trinta anos de jornalismo.

Confesso sem remorso ter abandonado a leitura das “Confissões” de Santo Agostinho em diversas oportunidades e continuo arrependido pelas l...

literatura paraibana santo agostinho confissoes jose nunes
Confesso sem remorso ter abandonado a leitura das “Confissões” de Santo Agostinho em diversas oportunidades e continuo arrependido pelas leituras descuidadas da autobiografia do bispo de Hipona, porque seus ensinamentos são alimento à alma, e nos municiam para os passos da nossa caminhada.

O presidente Jair Bolsonaro deveria seguir a maioria que já passou pela sua cadeira: pensar e cuidar do geral, cuidar de todos, e deixar ...

literatura paraibana cronica combate pandemia oswaldo cruz bolsonaro politica
O presidente Jair Bolsonaro deveria seguir a maioria que já passou pela sua cadeira: pensar e cuidar do geral, cuidar de todos, e deixar a gestão dos ministérios com os seus ministros. O que os ministros devem saber em particular resulta no saber do presidente. É lição da República de 1903, com Rodrigues Alves deixando a varíola, a bubônica, o cólera, a febre amarela com quem entendia disso. Fosse ele interferir no que não lhe competia não teria realizado um dos mais lembrados governos da República, vitorioso na campanha sanitária que impôs ao Rio, na urbanização da cidade de cortiços

Volta do outono Um enlutado dia cai dos sinos como teia tremente de uma vaga viúva, é uma cor, um sonho de cerejas afundadas na terra, é u...

literatura paraibana cronica chuva inverno equinocio outono sertao paraiba
Volta do outono Um enlutado dia cai dos sinos como teia tremente de uma vaga viúva, é uma cor, um sonho de cerejas afundadas na terra, é uma cauda de fumo que chega sem descanso para mudar a cor da água e dos beijos.
Pablo Neruda

As chuvas, que ainda deveriam ser raras nesta época do ano, andaram chegando desobedientes e pareceram estar antecipando a estação das águas. Será o tempo de cobrir o sertão de verde, esperar colheita generosa e mesa farta. São José haverá de ser dadivoso e permitirá que o aguaceiro surja abundante autorizando o plantio e permitindo à enxada que trabalhe nos roçados. Haverá sim, o santo-carpinteiro, de derramar em forma de chuva, esperança nos corações sertanejos.

O equinócio de outono se deu no último dia vinte e um. Dia em que a luz solar incidiu com mesma intensidade sobre os dois hemisférios do planeta. A Terra e o Sol, por uns meses, irão se afastar um do outro como dois parentes intrigados. Para nós, os dias serão mais curtos do que as noites. Nessas latitudes, só um pouquinho.

Consta-me, salvo engano, que a palavra outono tenha origem latina: “autumnus”, que significa “mudança”. Lá em terras europeias de onde surgiu, o termo justificava o fim do colorido da primavera e do verão para se esperar os tempos cinzentos do inverno. Mal sabiam eles, os europeus, que para o nosso matuto também caberia a força do vocábulo. Pois aqui começa o tempo das grandes metamorfoses. A caatinga vai ganhar vida, os açudes haverão de sangrar. O passaredo, até então, tímido, escondido irá reaparecer numa louca e desorganizada sinfonia. Voltarão, o azulão, o coleirinho, o sabiá, o bigodinho, o pintassilgo, o galo-de-campina, o assum preto, o currupião, o sanhaçu, e até o desajeitado nambu aparecerá para ciscar à sombra dos pés de jurema. E que tenham muito cuidado com o acauã, com o carcará, com o gavião carijó, com a coruja rasga-mortalha, todos famélicos e exímios caçadores estarão rondando os céus e podem interromper a cantoria dos nossos seresteiros empenados.

A caatinga ganha cores com as inflorescências do sete cascas, do quipá, da jurema, da baraúna, da coroa de frade, da favela e até a atrevida arapuá irá se deliciar com o néctar do mulungu. É como que se o arco-íris fosse capaz de se esparramar em milhões de pedaços pelo sertão. Oh amigos que deixei lá pelas bandas do sul, vocês nem são capazes de imaginar como é bonito o inverno sertanejo.

No litoral não é bem assim, com as chuvas o mar que passara meses pintado em cores de turmalina; vai, como dizem os pescadores, ficando mexido, perde sua coloração esverdeada, fica bege e sem encantos. As calçadinhas da orla se farão pobres de gente, sem o alvoroço de meninos, sem nossos “apolos” e “afrodites” de peles douradas e silhuetas de escultura que passam apressados exibindo sorrisos e saúde. Os namorados não passearão de mãos dadas trocando beijos e promessas. Os velhinhos não aparecerão para repousar seus cansaços sentados na muretinha das calçadas. Nem lançarão olhares atrevidos às saias morenas que as brisas costumam levantar. Até as folhas dos coqueirais se agredirão instigadas pela aragem, numa desavença que parece interminável. Serão por aqui tempos de espera e recolhimento. Esperemos; pois, por uns meses a nossa vez, agora é a do sertanejo. É justo, mais que justo.

Eu, se pudesse, hoje te daria um beijo. Estalado, roubado, risonho, vermelho. E te abraçaria com força, te espremendo as costelas, até...

literatura conto otimismo auto ajuda semente alegria
Eu, se pudesse, hoje te daria um beijo. Estalado, roubado, risonho, vermelho.

E te abraçaria com força, te espremendo as costelas, até te ouvir dizer: “Para! Tá todo mundo olhando!”.

OUSADIA Disse-me o velho marinheiro: Felicidade, para mim, é navegar, É seguir para o fim do horizonte, Na ousadia de enc...

literatura paraibana poesia sonho felicidade navegar estrelas volia loureiro
OUSADIA
Disse-me o velho marinheiro: Felicidade, para mim, é navegar, É seguir para o fim do horizonte, Na ousadia de encontrar Onde se encontram céu e mar! Disse-me o sonhador: Felicidade, para mim, É o eterno sonhar, Na ousadia de ir Aonde nascem os arco-íris E o seu tesouro encontrar! Disse o apaixonado: Felicidade, para mim, É ao meu amor me entregar, Na ousadia de tê-la em meus braços, E o seu amor conquistar. E eu, poeta, Ousei navegar do horizonte os confins, Na linha do arco-íris fui até o fim, Dei todo amor que havia em mim, Na ousadia de encontrar a mais bela poesia, E viver a felicidade, Mesmo que por um dia... ESPERANÇA
Quem és tu, anjo divino, Que, no anoitecer da vida, Trazes contigo um lume A clarear a nossa estrada? Quem és tu, delicada fada, Que, nas horas amargas, Sopras um beijo terno em nossa fronte, Fazendo-nos perceber novo horizonte? Quem és tu, ó doce ninfa, Que sobrevoas ao meu lado, Quando trilho com enfado, Colorindo essa árida estrada? Ah! Se soubesses! Como é bela a tua luz, Como é doce o teu beijo, Como é singela a tua cor! Ah! Se soubesses! Que por ti o meu verso é estuante, Que é sempre tua a minha mais doce lembrança, És apenas um sonho, uma fada, Que em meu imaginário tem o nome de Esperança! PORQUE AS ESTRELAS
Por que busco as estrelas? Nas noites de solidão as busco E esquadrinho o pálio infinito Buscando reconhecê-las todas Quais fossem velhas amigas. Conheci alguém que as contava Pensando assim possuí-las. Eu, porém, não as conto; As contemplo, com olhos de viajante. São tantas, infinitas, incontáveis, Multicores, tão distantes E ao mesmo tempo presentes, Brilhando como minúsculos faróis A iluminar a nossa jornada. São milenares,quais deuses, Quais numes no espaço distante, Observam-nos e testemunham Os dramas e conquistas da história Da Humanidade. Quando as contemplo imagino, Quantos mundos tão distantes E diferentes, temos ainda a conhecer... Que cores terão seus céus? Como serão os seus mares? Serão suas montanhas azuis? Quando as observo me perco Em longas elucubrações: Como serão suas flores? Que cores e odores terão? E a sua fauna, será também Bela e diversificada? Imagino-lhes cavalos alados, Animais que conosco falam, Pequenos companheiros a dividir Conosco as nossas dores e sonhos. Quando as miro meu pensamento viaja, Percorrendo as suas intermináveis distâncias, E imagino os habitantes desses distantes lugares. Sua aparência, seus modos,o que fazem , o que pensam? Certeza , porém eu tenho de um detalhe comum: Comum a mim, a você, ao irmão extraterreno, Morador dos mundos diversos e distantes, Por certo tão diferentes do nosso mundo Pequeno, chamado Terra, perdido também, Em uma galáxia distante. A certeza que me vem, é que em todos existem Corações que batem, corações que amam. Existem mentes que sonham. E toda vez que paro, para contemplar as estrelas, Nas noites solitárias. E levanto meus olhos ao infinito pálio azul, Pintalgado de luzes piscantes, todas de mim Tão distantes. Sinto o pulsar dos corações, Que pulsam nos outros mundos infinitos, Sinto que sonho o mesmo sonho, Dos meus irmãos estelares e também, Daqueles que comigo viajam nessa Nave mãe. E que erguem os olhos aos céus, Em busca de comunhão, de amor, De paz. Em busca de Deus. MULHERES DE MARÇO
Mulheres de março, Marcianas todas são, Seriam de outro planeta? Diferentes, especiais, Sei que todas são guerreiras, De Marte são, pois, as tais? O que têm de especial, As mulheres marcianas? Da vida são exigentes, No olhar, um brilho diferente, No peito, um coração apaixonado, Que pulsa, descompassado, No ritmo de suas batalhas. Trazem em seu Espírito, As armas da guerreira, São fortes, bravas, altaneiras. Tudo fazem de forma plena, Amam, trabalham, vivem, Em tudo se jogam de forma inteira. As marcianas são de peixes, Acho que todas são sereias, Mágicas, belas, inteligentes, Encantam a todos com seu Canto. Na verdade, o seu encanto, Está em serem verdadeiras. OUTRA VEZ
O Sol traz a manhã desejada, A chuva refloresce o campo, O ninho repleto de novos rebentos. O mar que vai e vem Ao sabor das marés, Sopra o vento, sopra... Traz de volta o barco ao cais. O tempo passa, O céu sobre nossa cabeça é um só, Vemos as mesmas estrelas, Distância é questão de perspectiva. Lá vem o tempo a passar, Lá vem o vento que soprou Lá vem de volta o amor. PARA SER AMOR
Para ser amor, Há que ter grandeza, Mas sem que perca a simplicidade. Há que haver imaginação, Sem que se esqueça da realidade. Para ser amor, Há que se ter ternura, Há que se ter o olho no olho, Há que se ter a mão na mão, Há que se deixar ouvir A música do coração. Para ser amor, Há que se haver o encontro, Há que se haver a presença, Mas, vez em quando, a partida, Porque é bom um pouco de saudade. Para ser amor, Há que haver o riso fácil, Mas, também um pouco de tristeza, Há que haver um quê de dramaticidade, Mas sem esquecer-se da leveza. Para ser amor, Há que se deixar cativar, E ao outro libertar, Há que ter histórias a contar, E ser ouvido paciente, Para ao outro escutar. Para ser amor, É preciso que haja sonho, É preciso haver poesia, É preciso que se acredite no eterno, Mesmo que esse dure apenas um dia. Para ser amor, Há que haver a intensidade E a loucura dos sedentos; Porém, que se tenha a delicadeza da flor, E que não se perca a ternura jamais. POEMA RÁPIDO
Por um pequeno instante, Entre um bater e outro Da asa da libélula, Entre o piscar de teus olhos, Eu sonhei que me amavas. Mas, passou a longa eternidade Dos segundos, E um raio de Sol incidiu sobre A realidade, E a libélula voou, Levando com ela o sonho, E, com ele, o amor.

Otacílio era o ferreiro. A oficina ficava entre uma marcenaria e o armazém do meu pai. Era um tipo simples, calmo, religioso, de poucas pa...

literatura paraibana conto adoção maternidade conflito familiar
Otacílio era o ferreiro. A oficina ficava entre uma marcenaria e o armazém do meu pai. Era um tipo simples, calmo, religioso, de poucas palavras.

Clarice Lispector escreveu que “Deus é de quem conseguir pegá-Lo”. Já o diabo, acrescento, é de quem ele pegar. Daí que nesta vida seja ma...

literatura paraibana filosofia jean jacques rousseau confissoes auto ajuda
Clarice Lispector escreveu que “Deus é de quem conseguir pegá-Lo”. Já o diabo, acrescento, é de quem ele pegar. Daí que nesta vida seja mais importante fugir do diabo, que conhece a presa e tem o propósito deliberado de fisgá-la. O mal não faz questão de que nos arrependamos, desde que em algum momento tenhamos sucumbido aos seus ardis. Rousseau sabia disso quando escreveu, nas “Confissões”, que devíamos “evitar a primeira vez”.

Mas como aceitar esse conselho numa época que vê na experiência o único critério para o aprendizado e o melhor guia para as ações? Um dos bordões mais entoados hoje é o de que “caminhando se faz o caminho”. Só se deveria então escolher alguma coisa depois de experimentá-la.

Ao propor que evitemos a primeira vez Rousseu não estaria postulando uma moralidade apriorística e abstrata, que nos privaria de um juízo fundamentado e preciso porque seria alheia ao nosso eu? Se evito a primeira vez, o faço com base na experiência dos outros... Seria irônico isso num autor que incutiu no ser humano a noção de subjetividade.

Uma das passagens marcantes das “Confissões” é aquela em que Rousseau recebe um castigo ao descumprir determinada regra e se sente injustiçado por “ser outro”, ou seja, ter uma individualidade. “Se não sou melhor, sou outro” – é mais ou menos isso que ele escreve. Assim, não poderia agir como todo o mundo. Isso que hoje está banalizado em comerciais e certos livros de autoajuda – o encorajamento a que cada um “seja o que é” e faça a diferença – começou com o iluminista suíço.

Rousseau me serviu há anos de inspiração numa conversa que tive com a minha filha mais velha. Falávamos de drogas; se bem confiasse nela, eu queria mais argumentos para convencê-la de que, particularmente nesse domínio, era preciso evitar a primeira vez.

Ponderei-lhe, didático: “Imagine que você queira experimentar drogas por curiosidade. Duas coisas podem acontecer: ou você gosta, acha que vale a pena; ou não gosta e se dispõe a jamais fazer de novo. Comecemos pelo segundo caso: como você não gostou, perdeu tempo experimentando. O melhor mesmo era ter evitado. Vejamos agora o primeiro, ou seja, o caso em que você ache a droga um barato. Isso seria terrível, pois você ia querer repetir a dose.” Fiz uma pausa e resumi: “Esse é o tipo de experiência que não vale a pena tentar”.

É falsa a ideia de que devemos “experimentar tudo”; a algumas coisas devemos renunciar até por instinto de conservação. Um dos segredos de bem viver é discernir entre o que vale a pena ser experimentado e o que deve, de antemão, ser objeto de renúncia. Para isso não existe fórmula, a não ser a do bom-senso.