Q ueiram ou não queiram, há qualquer coisa de místico nessa saída e entrada do ano. Talvez, pura sugestão, pois, o tempo é uno, não adianta ...

A vida é feita de esperança

Queiram ou não queiram, há qualquer coisa de místico nessa saída e entrada do ano. Talvez, pura sugestão, pois, o tempo é uno, não adianta fragmentá-lo. Para o poeta Drummond, novos anos virão.

Nada tenho a dizer contra o ano que está se despregando do calendário. Lembremos de que quem faz a vida somos nós, com os nossos atos, nossos sentimentos, nossos pensamentos.

Mas, que, na passagem do ano, a gente deve fazer um balanço de nossas vidas, devemos. Vejamos e reflitamos sobre os nossos acertos e desacertos. Dizem que Santo Agostinho, antes de fechar os olhos para o sono, todas as noites, fazia uma reflexão. Afinal, como foi o meu dia? – pensava ele.

O danado é que a gente esquece que devemos ser juízes de nós mesmos.

O ano passou e o que realizamos de positivo e de negativo? Quantos amigos fizemos? Que atos de bondade praticamos? Quantos sorrisos distribuímos? Quantos “bons-dias” demos? Estejamos sempre nos interrogando. Eis uma maneira de melhorarmos.

Jesus nos deu uma fórmula excelente para o nosso melhoramento. Está na prece do Pai Nosso: “Não nos deixeis cair em tentação”. Daí a necessidade de orar e vigiar, sempre.

Novo ano, novos 365 dias! Mais uma oportunidade surge para o nosso melhoramento moral. Aproveitemos a sugestão da chegada de um novo ano e procuremos melhorar nossas existências. Começando por procurar conhecer a nós mesmos. Só assim, cresceremos.

Para mim o melhor propósito para um ano novo é fazer novos amigos. Pois a vida não é apenas um viver, mas um conviver. O infeliz Sartre dizia que “os outros são o inferno”. Daí sua triste solidão, sua angústia existencialista.

Novo ano. Novos propósitos, lembremos disso! Dizia Drummond: “O último dia do ano não é o último dia do tempo. Outros dias virão. O último dia do tempo não é o último dia de tudo. Fica sempre uma franja de vida”...

Lembremos sempre de que a vida é feita de esperança.

Q ual deve ser nossa atitude diante de um novo ano, que surge aos nossos olhos como uma extensa página em branco? Na sua momentânea e ruidos...

Diante do Ano Novo

Qual deve ser nossa atitude diante de um novo ano, que surge aos nossos olhos como uma extensa página em branco?

Na sua momentânea e ruidosa chegada, o que dizer sobre ele? Qual a atitude a tomar diante desse fato? De indiferença, de medo, de confiança, de ceticismo, de fé, de… Ah, foram tantos os comportamentos, cada um expressando sua personalidade, sua maneira de ser.

Para muitos o Novo Ano é um salto no escuro, um enigma, um mistério. Aí nascem o medo, a angústia, a inquietação, o desassossego. Afinal o que é que esses 365 dias vão nos trazer?

Nada inquieta mais do que o desconhecido. Há, porém, aqueles que vêem o Ano Novo como uma estrada bem pavimentada, ornamentada de canteiros, iluminada de sol. São os otimistas, os que só vêem beleza em seu caminho.

Outros são saudosistas. Pelo seu gosto o tempo parava, não haveria mudança em suas vidas. Tudo continuaria sendo a mesma coisa. Olham o novo ano com uma certa desconfiança. Fazem-lhe mal a algazarra, o barulho, a alegria, os desabafos comemorativos da significativa passagem.

Não esquecer os supersticiosos, que acendem velas e incensos, que colocam plantas de “comigo ninguém pode” na entrada da casa, que rezam o tempo todo.

E que dizer dos céticos, dos incapazes de se comoverem com a passagem de mais um ano em suas vidas? Dos frios, prosaicamente frios. Que na passagem do ano são capazes de tratar de negócios, de coisas antipoéticas. Esses para mim sãos os piores, dignos de piedade, pois são morféticos e não sabem. São cegos de indiferença. Só se preocupam com as coisas materiais. Não vêem mais os encantos da vida. Olham o mar e lamentam que ali não se possa construir edifícios. Passam por um jardim completamente alienados. Já não se surpreendem a uma lua boiando sobre as nuvens. Não têm ouvidos para o canto dos pássaros e o murmúrio do mar. Nos seus ouvidos o que se vê, a todo instante; é um celular…

Seguem-se aqueles que diante de um Ano Novo enchem-se de reflexões. Reflexões sobre o sentido da vida, o valor do tempo e a nossa responsabilidade no mundo, já que temos de responder pelos nossos atos, pelo nosso comportamento tanto individual como social.

Afinal, o que foi que plantamos no ano que se foi? O que temos de louvar, aplaudir ou censurar em nossos atos? Enxugamos lágrimas, esquecemos ódios, demos alegria a alguém ou vivemos apenas para os nossos interesses egoísticos? Que diz a nossa consciência? Qual foi o seu comportamento?

Perdoe a bisbilhotice deste cronista, que sentiu muitas saudades do ano que se findou e está cheio de esperanças no ano que está chegando.

F altou tudo, menos luz, no dia em que Ele nasceu. E a luz foi a de uma estrela iluminando a manjedoura humilde. Nasceu entre animais. Anima...

Natal de papel

Faltou tudo, menos luz, no dia em que Ele nasceu. E a luz foi a de uma estrela iluminando a manjedoura humilde. Nasceu entre animais. Animais domésticos. Nada de luxo, nem de lixo. Tudo muito simples e rústico. Mas, como já disse, uma estrela desceu à Terra para iluminar aquela tosca manjedoura. Nenhum palácio, por mais luxuoso, foi iluminado daquela maneira.

Agora é o Natal de Jesus, que morreu numa cruz. As mãos delicadas sangrando. Mãos que mostraram o caminho da salvação, que curaram cegos e paralíticos.

Morreu sem um gemido. Apenas, na dolorosa via crucis, carregando, já cansado, a pesada na cruz, pediu água e lhe deram vinagre. E pelo crime de pregar o amor, do “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, foi acusado, condenado, insultado, humilhado e, por fim, pregado numa cruz de braços abertos e tendo como companheiros dois malfeitores.

E, lá no alto, crucificado, ainda rogou a Deus que perdoassem seus algozes porque eles não sabiam o que faziam. Será que não sabiam?...

Jesus na cruz, a luz na cruz. Jesus nascendo entre animais domésticos. Quem teria fabricado aquela cruz? Teria sido o marceneiro José, seu pai terreno? Não sabemos.

Sangrando por toda a parte, é bom que se repita, ele ainda teve ânimo de perdoar seus algozes. “Pai, perdoa-lhes por que eles não sabem o que fazem”. Em tempo algum, ninguém ouviu tanta bondade.

Humildade, perdão, tolerância, quantas lições, ele nos deu! … Nunca se queixou de nada. A não ser uma vez, quando fez uma observação, que não chegou a ser uma queixa, mas uma advertência, dizendo: “Os pássaros têm seus ninhos, as raposas seus covis, mas, o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”.

Jesus luz, Jesus cruz. É impossível crucificar a luz...

Os homens estão comemorando o Natal. Mas não é um Natal de Jesus. É um Natal do consumismo, um Natal de Papai Noel, um Natal de papel.

E é disto que José Raimundo de Lima está tratando no seu recente livro “Federação Espírita Paraibana - Doutrina, História e Divulgação”, la...

Uma instituição modelar

E é disto que José Raimundo de Lima está tratando no seu recente livro “Federação Espírita Paraibana - Doutrina, História e Divulgação”, lançamento que faz parte das comemorações dos 100 anos desta instituição modelar, da qual ele foi presidente por várias vezes.

O livro é uma beleza de arte gráfica. E de excelente conteúdo. Tudo muito bem ilustrado, documentado e de uma preciosidade histórica admirável.

Quem quiser ficar por dentro da história do Espiritismo na Paraíba, esta aí o livro do procurador José Raimundo de Lima.

Presente melhor ele não poderia dar à Paraíba Espírita, justamente nesta época natalina.

Meu pai, José Augusto Romero, soube conduzir muito bem o Espiritismo no nosso estado. E olhe que havia muito preconceito. Em Alagoa Nova, ele fundou um centro espírita que chegou a receber pedradas na janela na hora das sessões mediúnicas. Homem sério, de pouco humor, mas de uma bondade sem limites. Ele esteve na presidência da Federação Espírita durante mais de quarenta e quatro anos consecutivos. Lembro de que ele mantinha um programa de rádio chamado “Neblina Espiritual”, muito bem ouvido. Mas, como era um homem destituído de humor, não gostou, quando, estando gripado, aconselhei-o, ironicamente a não sair de casa devido à neblina.

Mas voltando a José Raimundo, o seu livro, lançado neste domingo, num encontro muito prestigiado, é uma verdadeira preciosidade histórica. Um livro que conta toda a história da Doutrina Espirita em nosso Estado.

Raimundo é um homem que não sabe o que é comodismo. A Federação Espirita, em suas mãos, progrediu bastante.

Todos nós espíritas não podemos deixar de aplaudir o que Raimundo fez e está fazendo pela Doutrina.

Foi ele quem tirou a Federação Espírita do Parque Sólon de Lucena (Lagoa) para um local mais silencioso, amplo e confortável.

Existe a boa inveja e a má inveja. É com a boa inveja com que saúdo este livro, repito, de uma preciosidade histórica admirável.

S im, o meu livro, recém publicado, “O Evangelho Nosso de Cada Dia”, não é mais meu, ganhou o mundo. Agora é dos leitores. Teve o patrocínio...

O meu livro não é mais meu

Sim, o meu livro, recém publicado, “O Evangelho Nosso de Cada Dia”, não é mais meu, ganhou o mundo. Agora é dos leitores. Teve o patrocínio e apresentação do meu filho Germano e foi lançado na Fundação Casa de José Américo, com muita gente à cata de autógrafos. Solenidade presidida pelo amigo Damião e um público de outro tanto de amigos. Se meu coração não parou de emoção, não pára mais.

Houve discursos, houve exposição dos belos quadros de Célio Furtado, houve muitos abraços, o que deixou o cronista feliz da vida. Nada como uma festa de amigos, de sorrisos amigos, de abraços amigos.

Vi muitos sorrisos dirigidos a mim. E Wills Leal, meu primo e conterrâneo de Alagoa Nova, parecia mais entusiasmado do que eu.

Por fim, O Evangelho Nosso de Cada Dia está aí como um roteiro de um bom viver. Carlos Augusto e Germano, meu filhos, Alaurinda, minha amada esposa não cabiam em si de contentes, pois o livro também é deles, minhas eternas fontes de inspiração.

A Casa de José Américo foi pequena para caber tanta gente. Tive belas surpresas. Amigos, que nunca mais tinha visto, estavam lá com os seus sorrisos, com seus abraços, o que muito me comoveu.

Enfim, o livro foi lançado. E espero que o leitor esqueça o autor e se lembre de Jesus, o grande inspirador desta obra.

Evangelho Nosso de Cada Dia... Não há melhor companhia. E você, sabe o que vem a ser Evangelho? Significa “Boa Nova”. Dizia um grande psicoterapeuta que o homem precisa de três coisas para ser feliz: um bom sono, uma religião saudável e uma boa notícia.

Que meu livro contribua para a sua paz interior, são os votos do cronista.

Sou grato, profundamente grato a todos que compareceram, a todos que adquiriram o livro, por ocasião de seu lançamento, lá na Casa de José Américo.

E concluo repetindo o que disse no início. O livro não é mais meu. É de todos os que vão ler.

E le sempre foi assim, autêntico. E viva a autenticidade! Refiro-me ao meu caçula Germano, que sempre foi o que é, um menino de ouro. Desde ...

Autenticidades

Ele sempre foi assim, autêntico. E viva a autenticidade! Refiro-me ao meu caçula Germano, que sempre foi o que é, um menino de ouro.

Desde pequeno que adorava ter amigos. De que a nossa casa era cheia. E de coragem, nunca vi igual. Uma vez, pequeno ainda, com apenas quatro anos, pediu para ir sozinho na roda gigante. E atendemos ao seu pedido. E lá se foi o menino, um tiquinho de gente, ganhar as alturas, e de lá ainda dar um adeus.

Levou a primeira e única palmada, também aos quatro anos. Motivo: não queria ir à escola.

De uma franqueza de doer. Certa vez, no dia de seu aniversário, ganhou muitos presentes de que não gostou. Shampoos, meias, talco, e ele só queria brinquedo.

Foi franco. Chegou na nossa sala, com todos os presentes, devolvendo e pedindo aos visitantes que os substituíssem por brinquedo, que é o que menino gosta.

Sempre desejou sair do lugar onde nasceu. Conhecer o mundo, eis o que sempre planejou.. Cresceu, tornou-se homem, e virou um autêntico globe-trotter. E ainda mostra o que vê no programa Parada Obrigatória da RCTV, na rede Record.

Mas uma virtude, que lhe é muito autêntica é o senso de justiça. Um verdadeiro Dom Quixote.

Viajar com ele é a coisa melhor do mundo. Assim pensamos eu e Alaurinda.

O que ele precisa com urgência é escrever outro livro. O menino tem muito o que dizer. Com o seu admirável seu senso de Justiça, é capaz de ainda lamentar as injustiças que fizeram com os índios. Seus pés trazem poeira de quase todo o mundo.

Aliás, a televisão já mostrou quem ele é. Arquiteto, eis uma profissão que o atraiu, desde jovem.

Meus filhos, Germano e Carlos Augusto, o físico cosmólogo, são duas jóias, cada um com as suas autenticidades. E eu os admiro, de fazer o coração bater.

O arquiteto, se você visse ele trabalhando, nos mil afazeres e tarefas que abraça... Um gigante em meio a mil problemas. Só em olhá-lo trabalhando, a gente termina suando.

Q uando chegava um circo na minha cidade, o local escolhido era no Parque Sólon de Lucena, a velha Lagoa, perto de onde passei grande parte ...

O circo, que saudade...

Quando chegava um circo na minha cidade, o local escolhido era no Parque Sólon de Lucena, a velha Lagoa, perto de onde passei grande parte de minha infância. E os meninos ficavam alegres de morrer.

O que mais atraia o público eram os animais, a começar pelo leão. E o domador entrava na jaula do leão, de chicote na mão. Cena que hoje não atrai mais, porque veio a consciência ecológica a nos dizer que não devemos tirar os bichos de seu habitat.

Deixemos, então, o leão e vejamos as lindas trapezistas, que passeavam sobre um fio, com muita elegância.

Havia Rosinha, uma linda garota, que me chamava muita atenção. Eu morava num sítio, ali na Lagoa. E Rosinha apareceu lá para o meu contentamento. Dei-lhe mangas e notei que Rosinha tinha sardas.

Mas, o que mais atraía a atenção no circo eram os animais. Não havia a tal da consciência ecológica, e o circo chegava a anunciar uma promoção para alimentar o seu leão. Quem trouxesse um gato para o leão comer, poderia ingressar gratuitamente naquele mundo Cada gato valia por um ingresso.

O Palhaço era de fazer até um defunto sorrir. E eis que chegava o momento dramático. O domador do circo ia entrar na jaula do leão, de chicote na mão. O chamado “rei dos animais” sofria com as chicotadas. Ainda bem que hoje os animais hoje não estão mais nos circos.

Vi, recentemente, um circo se armando, aqui na nossa cidade e não tive nenhum desejo de assistir aos seus espetáculos. Se fosse para ver as trapezistas... Mas os ecologistas não querem mais animais nos circos. Imaginem se permitiriam que os garotos levassem gatos, como ingressos, para o leão devorar...

Voltemos a Rosinha. Ela era linda, bem feitinha de corpo e uma grande trapezista. Mas, de perto, tinha sardas...

Ah, os circos de outrora, lá na Lagoa! Gostaria de revê-los, mas sem maus tratos aos animais. Sem chicotadas no Rei da Floresta.

G ermano, meu filho, escreveu, recentemente, algumas considerações sobre o seu avô materno, arquiteto Clodoaldo Gouveia, na Revista Edificar...

Clodoaldo Gouveia na Edificar

Germano, meu filho, escreveu, recentemente, algumas considerações sobre o seu avô materno, arquiteto Clodoaldo Gouveia, na Revista Edificar, muito bem editada por Naná Garcez. Uma revista que, como eu já disse a Naná, “é de ficar lendo”...

A matéria homenageou o meu sogro, que não cheguei a conhecer, pessoalmente. Homem muito culto, diziam que ele botou o nome de sua filha Carmen, minha primeira esposa, justamente após chegar de uma viagem que empreendia na velha Espanha, onde assistiu à “Carmen”, de Bizet.

Era um homem simples. Casou-se com Isaura, minha primeira sogra. Namoro que começou num bonde e que terminou num sólido casamento, do qual nasceram 4 filhos. Três mulheres e um homem.

Meu conhecimento com o grande arquiteto não passou do retrato. Um homem, por sinal, muito elegante, que adorava a filha, Carmen. Tenho o seu retrato, aqui na sala. Bonitão. Carmen tinha a quem puxar...

Clodoaldo Gouveia, que meu filho Germano, não só admira, mas idolatra, transformou a arquitetura da Capital das Acácias com seus belos projetos.

Dizia minha sogra, Isaura, que o grande arquiteto era muito irônico. E bonito, nem se discute.

Germano andou arrolando, no texto da Edificar, as obras que Clodoaldo construiu, aqui. Muita coisa bonita, a começar pelo edifício do Lyceu Paraibano.

Inteligente, sensível, bonito, irônico, Clodoaldo é merecedor de constante homenagem. Minha Alaurinda sugeriu que fosse erigido um busto em sua homenagem. Que poderia ficar ali no mesmo canteiro da Duarte da Silveira, onde já existe um de João da Mata, viu, meu amigo governador Ricardo Coutinho?

Além de um gênio da Arquitetura, que marcou época, nesta cidade, Clodoaldo Gouveia foi um exemplo de bom carácter.

E finalizo dizendo que o que está mesmo me deixando de boca aberta é esta revista Edificar. Um primor de publicação. De cunho técnico, mas, ao mesmo tempo, bastante acessível e bem ilustrada.

N ão gosto muito de domingo. Principalmente, quando estamos viajando. Domingo é triste, com tudo que é de loja, inclusive livraria, fechado....

Gostar de domingos

Não gosto muito de domingo. Principalmente, quando estamos viajando. Domingo é triste, com tudo que é de loja, inclusive livraria, fechado.

E um dos domingos mais tristes e entediados que eu vi na minha vida, foi, certa vez, na cidade de Mainz, pertinho de Frankfurt, na Alemanha, onde mora o nosso amigo Wolfgang Heuser.

Cidade bonita, civilizada, mas triste. Foi lá que vi, acariciei e comi bonitas maçãs. Enquanto preparavam o café da manhã, eu costumava ir com nosso amigo colher maçãs no pomar de seu ajardinado condomínio. Fruta tirada do pé tem outro sabor.

Mainz, aos domingos, vira um cemitério. As portas e janelas fechadas e ninguém na rua. Lembro que, nesta tarde, vi umas mulheres, por sinal bem gordas, conversando em suas cadeiras de balanço. Eu daria a vida para saber o que elas conversavam...

Diante de tanto silêncio, tive vontade de gritar bem alto: “viva a vida”! As mulheres conversavam, era domingo e eu estava com saudade do Brasil, onde ainda não vi mulheres conversando na praça. As alemãs mais velhas são sempre gordas.

Mas, justiça seja feita, Mainz é uma cidade bonita e simpática. Foi lá que nasceu o inventor da imprensa, Gutemberg, cuja casa, que virou museu, eu fiz questão de visitar.

Voltando aos domingos, voltando às mulheres gordas, só sei que diante daquele silêncio, tive vontade de dar um grito brasileiro.

Entretanto, não devemos esquecer de que a vida pede silêncio. Nosso corpo é um exemplo de silêncio. O sangue, na sua corrida permenante, a faz sem barulho.

Domingo à tarde, em Mainz, nunca mais... Mesmo com as maçãs.

Domingo, gosto dele não. O de que gosto mesmo é de uma segunda-feira em Paris com suas livrarias todas abertas e a cultura se espalhando pelas calçadas. A Paris, que meu filho Germano percorreu de bicicleta, desmoralizando a cidade-luz, e ainda mostrou no programa Parada Obrigatória, da RCTV.

G osto de avistar este avião, nesta tarde de sol, deslizando entre as nuvens e me dando muitas saudades daquelas alturas. Observador invet...

Avião na tarde de sol...

Gosto de avistar este avião, nesta tarde de sol, deslizando entre as nuvens e me dando muitas saudades daquelas alturas. Observador inveterado, muitas coisas me chamam a atenção num avião, seja fora, ou dentro dele.

Chama-me a atenção, por exemplo, o admirável trabalho do pessoal de bordo, sempre gentil, servindo às pessoas. Um tratamento de primeira. Não lhe faltam um bonito sorriso e as boas maneiras.

Vez por outra costumo ficar na janelinha, apreciando o avião atropelar as nuvens. Quando não, avistar uma cidadezinha lá embaixo.

Na viagem de avião, também costumo, às vezes, pensar no homem que nos dirige, com sua elegante farda. Comandante, piloto de avião... eis uma profissão que invejo e admiro. A visão do comandante nos dá coragem. Olho-o com respeito. Também gosto de observar as pessoas cochilando.

E a chegada da refeição é um reboliço. Tudo muito estreito, muito apertado, e as aeromoças fazendo de tudo para poder bem servir. Todavia, o negócio é se adaptar às circunstâncias.

E agora, o que é está acontecendo com o avião? Informam que já estamos descendo. Que bom! Por fim, uma descida muito bem executada pelo Comandante, que deve soltar um suspiro quando tudo corre bem.

Dizem que os momentos mais perigosos de uma viagem de avião são a decolagem e a aterrissagem. Pois é na decolagem que os motores do avião usam toda a sua força. E a aterrissagem exige muita habilidade do piloto. Tanto é assim, que, muitas vezes, vemos os passageiros aplaudirem os pousos bem feitos. E a gente fica sem saber se foi de entusiasmo, pela habilidade do comandante, ou de alívio porque chegaram ao solo.

Lembrar que tem gente que morre de medo de viajar de avião. O arquiteto Niemeyer era um. Eu adoro viajar de avião. Ler, descansar, observar, refletir, tudo é bom dentro de um avião, menos os toaletes e a comida.

E is que encontro com alguém que me sugere: “Carlos, escreva sobre as vaquejadas, aquilo é um absurdo!”. E eu digo para mim mesmo, quem sou ...

Vaquejada

Eis que encontro com alguém que me sugere: “Carlos, escreva sobre as vaquejadas, aquilo é um absurdo!”. E eu digo para mim mesmo, quem sou para acabar com uma tradição que nem a ONU acaba? Mas, pensando bem, a estúpida vaquejada está exigindo extinção. E agora, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal, que reiterou a prática como crime de maus tratos, conforme está na Constituição, essa lamentável prática está com os dias contados. E lembrar que até as crianças as assistem...

Um planeta, que já mandou um homem à lua, ainda admitir a malvadeza púbica com animais, por pura diversão, é uma estupidez. É uma barbaridade.

E agora me vem uma interrogação: será que as crianças assistem mesmo às vaquejadas? Será que não é proibido para menores?

Só vi uma vaquejada uma vez na vida, e foi um espetáculo que muito me constrangeu.

Mas, mesmo com a decisão do Supremo, ainda querem continuar com a barbaridade, e o silêncio continua. A ganância perdura. A ONU tem outros assuntos mais importantes para resolver.

Vaquejada, crueldade absurda com animais tão pacatos, puxados com toda violência, pela cauda, para o chão, provocando-lhes quedas violentas, sujeitando-os a fraturas e muito sofrimento. E o diabo é que há quem goste de assistir a tais espetáculos, e que fazem até apostas. Gente que ganha dinheiro, que dá gargalhadas com a queda do animal.

Vaquejada! Acabemos com isso, de uma vez por todas. Com esse barbarismo. A vida merece respeito. Que venha a ONU, que venha o Papa. Acho que vou mandar esta crônica para o Papa.

Abaixo a vaquejada! Os tempos são outros. E não venham justificar dizendo que é uma tradição. Escravizar negros também já foi uma tradição. Canibalismo também já foi um costume, uma tradição.

Respeito, minha gente. Respeito para tudo que tem vida. Respeito para com as árvores, respeito para com os animais.

O Evangelho nosso de cada dia Entrevista sobre o livro Como veio a ideia de lançar o livro com essa seleção de crônicas? Estas crônicas vier...

LANÇAMENTO DO NOVO LIVRO


O Evangelho nosso de cada dia

Entrevista sobre o livro

Como veio a ideia de lançar o livro com essa seleção de crônicas?
Estas crônicas vieram de forma completamente espontânea, quase mecanicamente. Eu não esperava, nem planejei. Fui escrevendo, escrevendo... e depois percebi que eram todas sobre temas do Evangelho. Não foi nada premeditado.

Qual a intenção de dar um sentido prático ao Evangelho?
O Evangelho tem que ser praticado, não pode ficar na teoria. O próprio Evangelho tem um sentido prático. Era no dia-a-dia que Jesus aproveitava para exemplificar, seja com fatos que presenciava, seja com parábolas. E foi dentro desse princípio prático que essas crônicas aparecerem. Das minhas reflexões e observações cotidianas.

Por que a afinidade com a pregação doutrinária?
Desde pequeno que eu admirava o Evangelho. Que na minha vida começou com as preleções de papai, que foi quem mais me incentivou. O Evangelho pra mim foi tudo. Tudo na minha vida. Até hoje.

Qual a relação da obra com o Espiritismo?
Uma relação completa. O livro é todo baseado na Doutrina Espírita, pois só prega a caridade. O Evangelho significa Boa Nova. O Espiritismo é a revelação consoladora, e toda pautada nos ensinamentos de Jesus.

Existem ligações entre a Doutrina Espírita e o Evangelho? O que têm em comum?
Elas têm muito em comum. A Doutrina Espírita tem muito a ver com o Evangelho. Porque é uma doutrina consoladora, que prega a Caridade, tanto que tem como principal slogan: “Fora da Caridade não há Salvação”. E a caridade é o que mais existe no Evangelho.

E sobre a ideia de convidar o Pastor Estevam e Dom Aldo, para o prefácio e a orelha, respectivamente?
Eu diria que foi quase mediúnica. Veio a ideia de convidá-los assim, de repente, intuitivamente, E só sei que me senti muito bem com a participação deles e por eles terem aceitado, porque são homens que eu sempre admirei. Foi uma grande satisfação e que valorizou muito o meu livro. Embora possamos ter maneiras diferentes de pensar ou de interpretar, nós comungamos da mesma doutrina que é a doutrina de Jesus.

Por que a exposição de pintura?
Foi uma ideia de meu filho, Germano, que é admirador do trabalho de Célio Furtado. Aliás, quem primeiro me falou de Célio foi a minha esposa Alaurinda, no tempo em que ele tinha uma coluna n'A União, com crônicas também muito bonitas, na mesma linha de auto-ajuda e reflexões sobre a vida. Então, Germano convidou-o para ser o autor da capa e ele fez um belo trabalho, que retrata a cena de Jesus no chafariz, com a Samaritana. Em uma das crônicas, eu falo sobre esse encontro do Mestre com a mulher Samaritana. A mulher está muito presente na vida de Jesus. Ele valorizou muito a mulher. Só sei que quando o quadro chegou eu telefonei para Célio e lhe disse que estava tão bonito que dava vontade de entrar nele, quando a gente olhava. Foi quando ele disse que a intenção era essa. “Uma capa que convidasse o leitor a entrar logo no livro.”

Na sua opinião, Como Jesus seria recebido no mundo de hoje? O que ele mais reprovaria?
Acho que ele daria meia volta e ia-se embora (risos). O mundo hoje é completamente diferente do que ele pregou. Ele só poderia reprovar. Como reprovou muita coisa do mundo e da época em que passou pela Terra. Hoje se vive num mundo completamente distorcido dos valores cristãos. Esse mundo não é o Evangelho nem a Boa Nova de Jesus. Não prega o amor, a caridade, a responsabilidade pelos atos praticados. Sobretudo a caridade e o amor que é onde estão a compreensão, a tolerância.

Como vê a crescente participação de religiosos na política?
Não vejo nada de mais. Se eles entram na política com boas intenções, desejando contribuir para ajudar ao próximo, se for para uma participação valiosa, uma atuação em benefício da coletividade, não há nada contra. Agora, se forem para a política com outros interesses, é reprovável.

Por que o Cristianismo se dividiu tanto e perdeu a essência ecumênica que caracteriza a mensagem de Jesus?
É natural que isso aconteça, pela própria natureza humana, ainda cheia de distorções, a má compreensão da mensagem de Jesus. Na verdade o grande defeito é do homem, que não sabe se entender.

Considera o seu livro de Autoajuda?
Mais do que de autoajuda. Ele é de alta ajuda. Ou seja, de ajuda coletiva.

S im, desta vez não é Alice, a do Pais das Maravilhas, criada há quase 200 anos pelo escritor Charles Dodgson, mas Raissa, minha neta, minha...

Raissa no país das maravilhas

Sim, desta vez não é Alice, a do Pais das Maravilhas, criada há quase 200 anos pelo escritor Charles Dodgson, mas Raissa, minha neta, minha única neta. O pai, meu filho Carlos, achou de lhe dar esse maravilhoso presente. Um presente de fazer a pessoa cair pra trás, como diria Alaurinda, que adora a neta. Uma viagem a Londres, onde Carlos, o pai, residiu por 2 anos enquanto fazia o pós-doutorado em Cosmologia e Gravitação.

E, aqui prá nós, a menina é inteligentíssima, igual ao irmão Carlos Romero Neto, o “Tuquinha”. Tenho certeza que ela vai adorar Londres, que não é a minha cidade predileta, mas que muito me ensinou, e onde já estive várias vezes.

Não há nada para agradar e ensinar mais uma pessoa do que uma viagem. O pai de Raissa, PHD em Física, que conhece o mundo na ponta dos pés, não pensou duas vezes. Deu essa excelente viagem como presente aos dois filhos. E eles merecem.
E eu já estou vendo Raissa, que é mais curiosa, com aqueles olhinhos inteligentes, fascinada com o que vai ver.

Esse pai é um paizão, que não é de dar presentes de aniversário costumeiro, com aquela modinha do “parabéns para você”. Mas soube escolher o melhor: Proporcionou-lhe um passeio a Londres.

E estou já ansioso para entrevistá-la. Raissa não é uma menina falante. É meio calada, o que caracteriza as pessoas que pensam. E é dada à poesia. De vez em quando, chega-nos por email um de seus poemas. Ela, desde criancinha, que mostra um criatividade incrível.

Viajar, repito, é uma das melhores maneiras de fazer cultura. Perdoe-me o óbvio. Viajar e depois se isolar para pensar, para degustar o que viu, aprender com o que viu, como fazia o meu filósofo de estimação, Montaigne, trancando-se numa torre.

De que foi que a menina gostou? O avô está ansioso, não vê a hora de encontrá-la. O avô cujos pés já estão desejando pisar novos chãos.

S im, ele era um príncipe. Tinha tudo de príncipe: o charme, a conversa, as atitudes, a maneira de sorrir no seu rosto fidalgo. O sorriso es...

O príncipe Virginius

Sim, ele era um príncipe. Tinha tudo de príncipe: o charme, a conversa, as atitudes, a maneira de sorrir no seu rosto fidalgo.

O sorriso estava sempre nele. Dizem que quando a gente está pensando muito numa pessoa que já desencarnou, é o espírito dela que deseja se comunicar. Se assim é, lembremo-nos do espírito de Virginius da Gama e Melo, que já se foi daqui, há muito tempo.

Ele foi um mestre e uma das minhas melhores amizades. Foi mais professor que amigo. Eis um homem de muito charme, de muita elegância. Apenas a sua conversa já era uma aula.

Vivia com um meio sorriso nos lábios. Com a fala mansa, educada, possuidor de alto espírito crítico, o nosso amigo era um mestre por excelência. A voz suave, mas, vez por outra, desabando num gostoso sorriso.

Nunca o vi mal humorado. Bom humor era o que o caracterizava. Falar mal de alguém, jamais. Eu tinha o privilegio de morar perto dele. Éramos quase vizinhos na Rua Batista Leite.

Não me esqueço de uma visita que lhe fiz e que terminou na oferta de umas bonitas mangas-rosas tiradas de seu pomar. Conversar com o Mestre era um privilégio. E eu gozei por muito tempo desse privilegio. Ele escreveu artigos, crônicas, ensaios, e tem um suculento estudo sobre a Revolução de Trinta. Eu o admirava como pessoa humana e como culto pensador.

Certa vez, foi fazer uma conferência, que ocupava muitas laudas de papel, e terminou largando os papéis ao lado, encurtando o discurso por achá-lo longo.

Deixou a vida sem pleitear uma vaga na Academia de Letras. Não tinha jeito para pedir votos.

Virginius foi um admirável príncipe das nossas letras. O gosto das bonitas mangas-rosas passou, mas minha admiração por ele jamais passará.

S im, bem que poderíamos incluir na oração do Pai Nosso esta rogativa: o silêncio nosso de cada dia nos dai hoje. E se você me perguntar de ...

Silêncio nosso...

Sim, bem que poderíamos incluir na oração do Pai Nosso esta rogativa: o silêncio nosso de cada dia nos dai hoje.
E se você me perguntar de todas as grandes cidades que visitei em viagens internacionais, até hoje, qual a mais silenciosa? Diria Viena. A Viena de seus belos bosques, a Viena das valsas, a Viena de Freud.

E que dizer de suas lindas garotas vendendo bilhetes para os concertos e recitais?

Viena é silenciosa. Paris não chega perto. Mas o que mais me impressionou na bela e culta metrópole foi que, em época de campanha eleitoral, o silêncio permanece. A propaganda dos candidatos é apenas visual, em discretos cartazes à margem das vias públicas.

E por que estou me lembrando de Viena em campanhas políticas? É que, segundo me lembram os jornais, vem por aí a eleição para prefeitos e vereadores, que, costuma infernizar o meio ambiente com seus carros de som naquelas alturas. Uma estupidez.

E penso que não é apenas Viena que é silenciosa nas eleições. Duvido que numa Berlim, numa Londres ou em Estocolmo haja propaganda eleitoral sonora. Uma prática de um primitivismo inadmissível para os dias de hoje.

E viva o culto ao silêncio. Imitemos Viena, a Viena de Freud, a Viena das valsas, dos bosques silenciosos. Viena que não sabe gritar, mas cantar...

Estou agora mesmo estou me lembrando da elegante capital austríaca, de suas lindas valsas, dos seus parques e canteiros floridos, de seus monumentais teatros de música. Estou me lembrando da casa de Freud, da paz que ali reina. E que da primeira vez que visitei esta linda cidade, o que logo me surpreendeu foram as belas garotas, com os seus sorrisos, vendendo bilhetes para os concertos. Ah, o silêncio nosso de cada dia...

Q uando Jesus nasceu, uma luz brilhou na manjedoura humilde, anunciando a sua vinda ao mundo. Uma luz que veio de uma estrela cadente, ilumi...

A luz e a cruz

Quando Jesus nasceu, uma luz brilhou na manjedoura humilde, anunciando a sua vinda ao mundo. Uma luz que veio de uma estrela cadente, iluminando todo o céu de Belém.

Mas, depois, a luz foi levada à cruz, instrumento de tortura. Eu não sei se Jesus olhou a cruz, antes de ser pregado nela. Claro que sim, pois Ele carregou a cruz, até chegar o monte onde foi crucificado. E sua caminhada não foi tranquila, pois lhe deram muitas chicotadas no caminho...

E, segundo narram, Simão, um cirineu, a pedido da multidão, ajudou-o a carregar a pesada cruz.

A caminhada foi muito longa. O rosto de Jesus estava molhado de suor misturado com sangue que lhe escorria pelo rosto da coroa de espinhos. Decerto, ao chegar perto do monte, ele olhou para a cruz, ao largá-la no chão. Um olhar triste. E teve pena daquela gente. E disse consigo mesmo: qual foi o meu crime?

A cruz é formada de duas tábuas. Uma horizontal, outra vertical. A vertical aponta para cima, dir-se-ia, para Deus, a outra, horizontal, aponta para o próximo... Um homem em pé, de braços abertos, forma uma cruz. Um avião voando também lembra uma cruz.

E o que mais impressionou à multidão foi o seu silêncio, durante a via crucis. Silêncio que ele quebrou quando pediu água para beber e deram-lhe vinagre. E quando rogou ao Pai que perdoasse a multidão desvairada, porque ela não sabia o que fazia.
Decerto, Jesus interrogava-se a si mesmo. Que mal eu fiz? Será um mal limpar leprosos, curar obsidiados, pregar o amor e levantar paralíticos? Será um mal dar luz aos cegos?

Jesus na cruz. Dir-se-ia a luz na cruz. A luz que começara a brilhar desde a manjedoura.

Mas, o que mais impressiona em todo o Evangelho é o dramático perdão de Jesus, quando disse: “Pai, perdoa-lhes por que eles não sabem o que fazem”...

E chegaram a dizer que Ele não sorria... Como não sorrir, quando olhou os lírios do campo e nos recomendou que os olhássemos como exemplo d...

A cruz da indiferença

E chegaram a dizer que Ele não sorria... Como não sorrir, quando olhou os lírios do campo e nos recomendou que os olhássemos como exemplo de vida. Ele olhou e, decerto sorriu. E deveria ser lindo o sorriso de Jesus.

Sorriu quando as crianças correram para ele, num alvoroço encantador. E sorrindo, disse: “Vinde a mim as criançinhas por que delas é o Reino dos Céus”.

O olhar de Jesus... Era o que eu gostaria de ter visto. E, aqui para nós, não há nada mais belo, mais humano do que o sorriso. Uma árvore florindo é uma árvore sorrindo. E estou vendo, agora, através da imaginação, um pé de acácias. E vi tantas belas árvores na recente viagem que fiz, pelas estradas da Escandinávia...

Meu pai, José Augusto Romero, era um apaixonado pela Natureza. No seu sítio, que ficava às margens da Lagoa, hoje o renovado Parque Solon de Lucena, dava de tudo que era planta. Um dia, me ensinou a aguar uma porção de crótons que enfeitavam a entrada da casa. E, à medida que eu ia jogando água nas plantas, estas iam se agitando com a brisa, e ele me dizia: “As plantas estão acenando e agradecendo a água que você lhes está dando”. E eu acreditava.

Tenho pena das pessoas mudas, cegas, que não olham para as plantas. Tenho pena também das pessoas que não sorriem.

Jesus sorriu. Ele só não sorriu quando se viu pregado numa cruz. Crucificado pelo crime de ser bom.

Acho que na manjedoura, ele, récem nascido, viu aquela estrela riscando o céu. Que lindo!

Gritava o educador francês Rabelais: “Sorria, sorria, o sorriso é próprio do homem!” Sim, só os bichos não sorriem. Mas, dizem, como exceção, que a hiena, no instante da morte sorri. Não recomendo tal hábito.

Voltemos a Jesus, ao seu sorriso de luz, que deveria ser belo. Bem aventurados os que sorriem. Sorriso de Jesus. Ele só não sorriu quando se viu pregado numa cruz, o sangue escorrendo pelo corpo... Mesmo assim, não chorou Jesus! E continua crucificado pela cruz de nossa indiferença.

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Goonies


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S e você está duvidando do que estou dizendo, é só ler no Evangelho, o episódio que conta a história do homem rico e Lázaro. O rico vivia se...

Não é vantagem ser um mau rico

Se você está duvidando do que estou dizendo, é só ler no Evangelho, o episódio que conta a história do homem rico e Lázaro. O rico vivia se banqueteando, rodeado de conforto, vestido de púrpura enquanto o mendigo Lázaro, diante de seu portão, onde fora deixado vivia coberto de chagas e ansiava comer o que caía da mesa do rico. Até os cães vinham lamber suas feridas.

Surdo aos apelos do mendigo, o rico só pensava nele. Era materialista, só acreditava numa existência e que não precisava dar conta de sua vida a ninguém.

Pensando bem, se nós temos apenas uma existência aqui na Terra para que se inquietar com o futuro? Morreu, acabou-se e pronto. Que goze o rico, que sofra o pobre. Não temos responsabilidade nenhuma com os nossos atos. Será?...

Acontece que o rico e o pobre morrem. As situações mudam. O pobre agora está numa boa situação, enquanto o rico arde no inferno. E vendo Lázaro na boa, pede a Deus que o tire daquela dolorosa situação. Aí vem a resposta divina. Tenha paciência o rico. Chega a pedir que molhe a ponta de seu dedo, porquanto o calor é grande. A resposta divina não demora:

“Meu filho, tiveste tudo no mundo e nada fizeste pela pobreza. Lembre-se de que durante a sua vida você recebeu coisas boas, enquanto que Lázaro recebeu coisas más. Agora, porém, ele está sendo consolado aqui e você está em sofrimento. E além disso, entre vocês e nós há um grande abismo, de forma que os que desejam passar do nosso lado para o seu, ou do seu lado para o nosso, não conseguem. Não fizeste a caridade. Não amaste o pobre como a si mesmo.

O rico, com o rosto molhado de lágrimas, refletiu um pouco e pensou nos seus familiares, que ignoravam os rigores da lei, então suplicou ao Pai: Manda Lázaro ir à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos. Deixa que ele os avise, a fim de que eles não venham também para este lugar de tormento. Ao que Deus respondeu: “Eles têm os Evangelhos. É só lê-los e praticá-los”.

Nós temos a Doutrina Espírita, cujo lema é: “Fora da caridade não há salvação”. Que os ricos estejam atentos!...

Finalizemos, abrindo “O Livro dos Espíritos”, e leiamos: Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar de seu coração todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade”.

Ser caridoso é sentir o problema do outro. Sentir e agir em seu favor. Ontem, eu vi em pleno trânsito, um homem muito moço, bonito, estendendo o olhar pedinte aos que estavam em seus carros. Mas, o que tem isso demais? O homem não tinha mãos. Assim mesmo, este homem sorria...

C omo disse o cientista e filósofo Blaise Pascal, “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. E por falar em coração, não me esqu...

O coração tem razões...

Como disse o cientista e filósofo Blaise Pascal, “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. E por falar em coração, não me esqueço da bela festa promovida pela Câmara Municipal de João Pessa em homenagem ao cardiologista e clínico geral, Marco Aurélio Barros, que acaba de receber o honroso título de Cidadão da Cidade de João Pessoa, comenda que também recebi, graças à bondade do amigo e vereador, Fernando Milanez, um verdadeiro varão de Plutarco. Um homem de bem, a toda prosa. Que, aliás, fez um belo discurso na ocasião.

Mas, vamos à festa do nosso cardiologista, que, enquanto estiver vivo, vai deixar meu coração funcionando em paz. Aliás, vai, aqui, uma confissão de seu cliente, amigo e paciente: o meu coração, vez por outra, coça. Espero que não seja nada.

Foi muito prestigiada, bonita e agradável a festa do nosso cardiologista. Confesso que nunca vi uma pessoa ser tão querida, tão respeitada, tão amada. Pela família, pelos colegas, pelos clientes e pelos muitos amigos. E o que mais me encanta é a sua modéstia. Foi dito que o nosso cardiologista vai muito cedo para o trabalho, lá no Hospital Samaritano. Ainda não são seis horas e sua voz começa a ser ouvida pelas enfermeiras, nos corredores.

E quer ver meu coração pular de contente? Diga-lhe que vou fazer uma consulta ao meu cardiologista.

O nosso legislativo municipal está de parabéns. Foi mais do que justa a comenda que lhe deram, de Cidadão de João Pessoa. Parabenizo, desde já, os parlamentares que promoveram a iniciativa desta justa homenagem prestada ao nosso dedicado e abnegado médico paraibano.

E quanto à coceira, vez por outra, em meu coração, não seja ela pretexto para uma consulta ao nosso Marco Aurélio.

E stá aí uma das mais belas parábolas narradas por Jesus. A parábola do Bom Samaritano. E, aqui para nós, não há instrumento didático mais a...

A parábola do Samaritano

Está aí uma das mais belas parábolas narradas por Jesus. A parábola do Bom Samaritano. E, aqui para nós, não há instrumento didático mais atraente do que a parábola.

Jesus foi um grande contador de parábolas. Duas delas são famosas: a do bom Samaritano e a do filho pródigo, que abandonou o lar paterno para voltar arrependido. Esta última está narrada num quadro de Rembrandt, que vimos lá no museu Hermitage, em São Petersburgo.

Mas, vamos à do Bom Samaritano. Parábola que nasceu da pergunta que os discípulos fizeram a Jesus - “Mestre, quem é o meu próximo?” - pois, Jesus falava muito do amor ao próximo, e seus seguidores não entendiam bem. E a parábola foi a resposta:
Um homem descia de Jerusalém para Jericó, cidade comercial e de grande movimento. Aconteceu que esse homem foi assaltado pelos bandidos, deixando-o abandonado e ferido à margem da estrada.

Primeiro, passou um sacerdote e se afastou do homem ferido, decerto com medo, e continuou a sua caminhada. O que não é de se estranhar, porquanto, não se sabia se havia outros bandidos por perto. Não nos cabe julgar o procedimento desses religiosos. Cada qual se ponha no lugar deles.

Depois passou um levita, homem também religioso, ligado aos seguidores de Levi, que, segundo está no Evangelho, “passou ao largo”, ou seja, de longe.

Aconteceu que um samaritano, que era um tipo mal visto pelos judeus, não pensou duas vezes. Sentiu a dor do outro. Compartilhou com ele. Tratou de suas feridas, lavando-as com vinho e azeite.

Mas não ficou nisso só não. O samaritano terminou levando o ferido para uma hospedaria, se responsabilizando por todas as despesas. Ele fez a caridade completa: sentiu a dor do outro e agiu em seu favor. A parábola, que começa com uma pergunta, termina com uma resposta.

“Quem é meu próximo?” Aquele que está no seu caminho, que você, na sua pressa de viver, não o vê... E Jesus foi taxativo: “ama ao teu próximo como a ti mesmo”. Que lição difícil...

Muita gente não sabe ainda o que vem a ser caridade. Andou bem o Espiritismo, erigindo como seu lema maior: “Fora da Caridade não há salvação”.

E o que é caridade? Quer ver uma definição muito bacana, para mim, completa?: “Benevolência para com todos, indulgência com as faltas alheias e perdão pelas ofensas”.

O Loyal Books conta com mais de 7000 audiolivros, ditados em inglês, que podem ser ouvidos no próprio computador ou baixados e transferid...

Mais de 7000 Audiobooks Gratuitos, em Inglês

audiobook em inglês

O Loyal Books conta com mais de 7000 audiolivros, ditados em inglês, que podem ser ouvidos no próprio computador ou baixados e transferidos para equipamentos de mp3, smartphones e tablets. Os títulos são diversificados e sua gratuidade se deve ao fato de já estarem em domínio público.

S im, o nosso genial Pelé, considerado rei do futebol, faz tempo que não dá as caras. Não aparece nem no jornal, nem do rádio, nem na TV. To...

O extraordinário Pelé

Sim, o nosso genial Pelé, considerado rei do futebol, faz tempo que não dá as caras. Não aparece nem no jornal, nem do rádio, nem na TV. Tomou chá de sumiço, como se diz. E quanta alegria ele proporcionou ao povo brasileiro! Ao brasileiro só, não. Deixou todo o mundo de boca aberta com os seus pés e também com a cabeça.

E Pelé não foi genial apenas com os pés, mas sobretudo com a cabeça. Inteligência não lhe faltou. Outra coisa: o caráter.

Sim, Pelé é antes de tudo um homem de caráter. E o que mais me surpreendeu, é que o Rei da Pelota – e nisso ele foi muito bom - não se meteu em política, nem em politicagem. Se não me engano, tratou de beneficiar instituições de caridade.

Sua aparição na TV agradava. Ou melhor: impunha respeito. Daí eu estar estranhando o seu silêncio. Não quis nada com a política. Nem mesmo com o futebol. Nada de ser técnico, o que daria certo. Pelé voltou-se aos negócios particulares.

Pelé vereador, deputado, senador. Nada disso Pelé quis ser. Nem entrar para o PT. Não se contaminou com o vírus da política.

Seus pés fizeram milagres. Suas cabeçadas também. E o que eu mais admiro nele, repito, é o caráter, o bom senso. E se quisesse, teria sido, com a maior facilidade, senador, pois é homem de bem a toda prova, que sempre inspirou respeito.

Pelé! Onde anda ele? Não o jogador, mundialmente admirado, mas o homem de bom senso, respeitado por todos.

Seria ele um dos Varões de Plutarco? Evidente que sim. O filósofo Diógenes, que vivia com sua lanterna à procura de um homem honesto, não demoraria muito a achar Pelé.

Pelé! Mas está na hora de tomar o meu café, que o dia está uma beleza com o sol brilhando lá fora.

S im, foi a do Pai Nosso, ensinada por Jesus, a pedido dos apóstolos. Uma oração curta, mas de excelente conteúdo. Nada de pronunciá-la auto...

A oração mais bonita

Sim, foi a do Pai Nosso, ensinada por Jesus, a pedido dos apóstolos. Uma oração curta, mas de excelente conteúdo. Nada de pronunciá-la automaticamente. Orar é o ato mais importante de nossa vida. Orar com muita atenção, e nada de fazer como os fariseus, que oravam para todo mundo ver. Oravam, mecanicamente, em voz alta. E nada de orar em trio elétrico. Jesus nos ensinou a procurar o silêncio.

A oração ensinada por Jesus começa se dirigindo a Deus, o nosso Pai, e rogando que seu reino venha até nós. Mais ainda, que o pão nosso de cada dia nos seja dado.

Agora estou me lembrando de minha irmã Ivone, que, ao ouvir falar em pão, durante o Pai Nosso, dizia para nossa mãe que estava com fome, que queria pão. Resultado, minha mãe passou a omitir a palavra pão da oração.

A oração chama Deus de pai e nada de estar usando a palavra Deus em vão, assim: “Segura na mão de Deus”, “Vá com Deus”, a todo instante, como se Deus fosse um táxi...

Pede, ainda, a oração que estejamos livres da tentação. E as tentações são muitas, senão vejamos: tentação do dinheiro, do poder, do sexo, da vaidade, lembrando que toda tentação é um teste.

Pede a oração do Pai Nosso que estejamos vigilantes quanto aos nossos atos, aos nossos pensamentos. A vigilância, portanto, é o grande remédio para a tentação. Vigilância e oração. Eis a fórmula.

Lembrar que quem ora o Pai Nosso, a certa altura, pede para ser perdoado pelas ofensas ao próximo, mas, na mesma medida em que perdoar os outros. Será que estamos perdoando aos que nos ofendem? É a vez de lembrar da recomendação: “Faça aos outros o que deseja que os outros lhe façam”.

Perdoar uma ofensa... Eis uma das coisas mais difíceis do mundo. O perdão é divino. A vingança é diabólica. Perdoar e esquecer. Errado quem diz: perdôo mas não esqueço. Mas, só perdoando é que encontraremos paz e amor. Haverá coisa melhor na vida?

Perguntaram a Gandhi, se ele perdoava e a resposta veio rápida: “Não perdoo, por que nunca me sinto ofendido”.

Lembremos que Jesus, um ser tão puro, nunca deixou de erguer o seu bonito olhar para cima e conversar com o Pai. E sua maior lição foi o grande perdão, diante da multidão que o crucificou: “Pai, perdoa-os por que eles não sabem o que fazem”...

D os personagens do Evangelho, José, pai de Jesus, eu muito admiro. Homem simples, humilde, carpinteiro – aqui para nós, quase não se fala n...

A humildade de José

Dos personagens do Evangelho, José, pai de Jesus, eu muito admiro. Homem simples, humilde, carpinteiro – aqui para nós, quase não se fala nele. É o contrário de Maria, que esteve presente em muitos episódios do Evangelho, a começar pelo primeiro milagre de Jesus que foi a transformação da água em vinho.

José não teve tempo para nada. Vivia o tempo todo na carpintaria. Fabricou, decerto, muitos móveis: mesa, cadeira. Espero que não tenha fabricado nenhuma cruz. Muito menos a que crucificaram Jesus. Até rimou.

É verdade que o Mestre se referia, muitas vezes, ao Pai que está no Céu, com quem sempre dialogava. Chegou a dizer, certa vez, “eu e o Pai somos um”.

Mas, enquanto Jesus saía pelo mundo, semeando a Boa Nova, em companhia dos apóstolos, José suava no trabalho da carpintaria. Não dispôs de tempo nem de ouvir parte do Sermão da Montanha, de ver os chamados milagres do Mestre, de comer o pão e o peixe que ele multiplicou.

José... Quanta humildade, quanto silêncio sobre sua vida! O dia todo trabalhando. Ele não teve tempo nem de ir com Maria e Jesus à Festa de Jerusalém, quando Jesus desapareceu das vistas da mãe e foi conversar com os doutores. E a mãe não compreendeu essa momentânea ausência do filho, reprendendo-o. Não compreendia, ainda, a sua missão.

José fabricou móveis, e, decerto, muitas cruzes. Mas, repetimos, tomara que não tenha sido a de Jesus. E, pensando bem, será que Jesus chegou a ajudá-lo na carpintaria?

José, pai de Jesus, é pouco lembrado pelos evangelistas. Ao contrário da mãe, que é citada em vários momentos do Evangelho.

Mas, está me dizendo a consciência que o povo soube homenagear o pai de Jesus, pois grande é número de pessoas chamadas José. Há até um poema de Carlos Drummond de Andrade intitulado “E agora, José?

Apesar de José, o pai de Jesus, ser pouco citado no Evangelho, não acontece o mesmo com o Pai do Céu. Na prece que usou paa ensinar a como devemos orar, Ele inicia dizendo: “Pai Nosso que estás no céu”.

Todavia, não esqueçamos o carpinteiro, que trabalhava tanto que não tinha tempo para ouvir o filho. Certamente, chegavam-lhe notícias assim: “Jesus passeou sobre o mar”; “Jesus ressuscitou paralíticos, cegos e leprosos”; “Jesus multiplicou pães e peixes; “Jesus teve os pés banhados pelas lágrimas de uma mulher chamada pecadora”; “Jesus conversou com uma samaritana, a quem ele fez referência à água vive e à água morta”.

A verdade é que José, o pai de Jesus, deu uma grande lição: A lição da humildade.

T em a música. A música é um milagre. Tem aquele sorriso da criança, ainda no berço. Tem aquela borboleta saltitando sobre as flores de um j...

Água e pedra

Tem a música. A música é um milagre. Tem aquele sorriso da criança, ainda no berço. Tem aquela borboleta saltitando sobre as flores de um jardim. Tem o vento, seja em forma de brisa, seja na violência de um vendaval, dando vida a tudo. O vento é que dá alegria à paisagem, faz a Natureza dançar.

Tem aquela lágrima escorrendo pelo rosto sofrido. A lágrima é a água da dor, da saudade, do sofrimento. Tem a água do suor, a água do trabalho. Preguiçoso não sua. E o que dizer da água chamada sangue, que é vermelha para chamar a atenção da gente. E da água que está presente em 70% de nosso corpo?

Tem a água do mar, que é salgada. Se fosse doce, no instante apodreceria. Deus sabe o que faz. Mesmo assim, ainda tentam poluir o mar.

A água está em tudo. Na cachoeira, como que brincando de se escorregar. E que paz ela nos dá…. Vi muitas na Nova Zelândia. E vi uma lá na Islândia, muito pequena, que dava para ficar embaixo dela.

Não há maior sofrimento do que uma longa sede. E Jesus pediu água aos seus acusadores e eles lhe deram vinagre.

Escute o óbvio: a água é tudo, nesta vida. O danado é que chegam a embebedar a bichinha, misturando-a com álcool.

Existe a pedra. A pedra é forte. Jesus chamou Pedro de pedra e o poeta Drumond disse que “havia uma pedra no caminho”...

E para terminar, reflitamos: Quem é mais forte, a água ou a pedra? Depende. A resposta talvez esteja no ditado: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. E fura mesmo.

E Jesus queixou-se, um dia, dizendo que os pássaros têm seus ninhos, as raposas seus covis, mas ele não tinha uma pedra para repousar a cabeça...

S im, que festa foi essa? Foi na tradicional Festa da Páscoa, em Jerusalém. Muita gente na rua, muita gente de fora. Não se pensava noutra c...

Jesus se perdeu na festa

Sim, que festa foi essa? Foi na tradicional Festa da Páscoa, em Jerusalém. Muita gente na rua, muita gente de fora. Não se pensava noutra coisa.

E não é que Maria, a mãe de Jesus, foi com os amigos participar da tradicional festa? Mais ainda: não é que Jesus estava em companhia da mãe e amigos a caminho de Jerusalém? Só Jesus permanecia calado, como se fosse um adulto, como se estivesse refletindo sobre um compromisso que tinha, como se não fosse para uma festa. ...

Jesus numa festa se divertindo, esquecido de sua missão… Seria possível isto? Ele que veio ao mundo para curar, ensinar o Evangelho, a chamada Boa Nova?

Pois bem, houve a festa, todos curtiram, e agora se reuniram para a longa jornada de volta. Maria não cabia em si de contente. Todos iam caminhando a pé. Caminhando e conversando. Conversando e sorrindo, comentando sobre a Páscoa.

Muita gente subindo até chegar a Jerusalém. Aí veio um medo em Maria, pois não avistava o filho, Jesua. Mas, com tanta gente, não daria para ele se perder. Afinal, Maria era a responsável pela turma. Daí não perder de vista os que iam com ela.

Mas – espere aí – cadê Jesus? Não, não é possível. Quis chorar. Jesus não acompanhava o grupo chefiado por ela. Menino de doze anos, perdido na multidão. Ela alertou a todos pelo que estava acontecendo. Maria chorava, chorava muito. Cadê Jesus, meu querido filho…. Ai – pensou - teve uma intuição, será que ele ficou em Jerusalém, e está no templo? Afinal o seu filho não é de festa. Sim, será que Jesus foi ao templo orar ou meditar?

E Maria voltou e foi ao templo. Dito e feito, o menino estava lá. Mas não estava rezando, nem pensando, como era de seu costume. Ele estava, ora vejam só, discutindo com os doutores. Um garoto de 12 anos debatendo com velhos e eruditos senhores. E Maria chegou a repreendê-lo, ao que Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devo estar naquilo que é de meu pai?”

E Maria o convenceu a voltar com ela. E todos voltavam para casa, cansados e pensando na festa. Mas, Jesus não cabia em si de contente. Aprendeu muito com os doutores, e estes, por sua vez, ouviram coisas da boca do menino que os encantaram. Era o começo da Boa Nova.

D as cidades estrangeiras que visitei, não me esqueço da aristocrática Viena. Cidade de um silêncio encantador. Quando lá cheguei, pela prim...

Viena, Freud e o gato

Das cidades estrangeiras que visitei, não me esqueço da aristocrática Viena. Cidade de um silêncio encantador. Quando lá cheguei, pela primeira vez, vi logo mocinhas lindas, risonhas, vendendo bilhetes para festivais de música. A estátua de Mozart me chamou a atenção. A de Beethoven também. Viena é silenciosa que faz gosto.

Mas, ir à Viena e não visitar a casa de Freud comete-se um pecado turístico ou cultural, como queiram.

Subi a escadaria do prédio que dá para o seu apartamento, hoje museu, com o coração na mão, ouvindo o ranger de seus degraus. Passei, ali, bons momentos. Deixei lá um dos meus livros e pronto. Ao meu lado, Alaurinda, Germano e Davi dividiam comigo as fortes emoções.

Freud fazia cooper à noite, de paletó e gravata. Cuidava, assim, da sua saúde. Mas o grande psicanalista fumava. Fumava muito e adquiriu um câncer na boca. Ah, quanto sofrimento, já no fim da vida. E o câncer da boca exalava tanto mau cheiro que o gato do psicanalista não suportava. Corria de sua presença.

Pobre Freud. Tão inteligente, tão culto e se deixar morrer pelo fumo.

Freud nasceu em Viena, mas, se não estou enganado, terminou seus dias em Londres. E eu cheguei a visitar a sua casa na capital inglesa, num local privilegiado, cheio de silêncio, jardins e paz, onde o canto dos pássaros nas árvores da bucólica rua me chamou a atenção.

E Freud, tão inteligente, tão culto, tão estudioso, que chegava a caminhar à noite, pelas ruas de Viena, foi dominado pelo charuto, pelo terrível vício do fumo…

Ao ponto de seu estimado gato, como já disse, sair de perto dele devido ao fedor que exalava de sua boca cancerosa.

N ão é possível que você não saiba que Jesus, dentre os numerosos chamados milagres, transformou água em vinho. E fez isto numa festa de cas...

Jesus transforma água em vinho

Não é possível que você não saiba que Jesus, dentre os numerosos chamados milagres, transformou água em vinho. E fez isto numa festa de casamento. Mas, o fez, atendendo a um pedido da mãe. Mulher, já sabem, não quer ver ninguém constrangido.

Tenho certeza que o Mestre foi a essa festa sem muito entusiasmo. Ele veio ao mundo para ensinar, para curar. Não tinha tempo a perder.

E aconteceu o que ninguém esperava: Faltou vinho no meio da festa. E Maria não pensou duas vezes, correu até o filho e informou: Acabou-se o vinho e os convidados estão sem ter o que beber. A resposta do meigo nazareno veio logo, Uma resposta um pouco seca. Sim, não havia chegado, ainda, a vez de ele praticar os seus milagres. No entanto, terminou transformando água em vinho.

Eis aí dois símbolos: o da água e o do álcool. Dir-se-ia que o vinho é o entusiasmo. Esta a verdadeira simbologia. O resultado é que todos ficaram eufóricos e Maria feliz da vida.

Mas Jesus não veio para festas. Sua missão foi outra: ensinar, curar, orar, pregar, divinizar o homem.

A verdade é que a transformação da água em vinho foi o seu primeiro chamado milagre. E ele ainda relutou em fazer aquela transmutação. Daí ter dito à sua mãe: Ainda não chegou a minha hora.

Sim, a hora de transformar consciências, e não água em vinho. A hora de transformar o ódio em amor, a vingança no perdão, a ignorância na sabedoria, o efêmero no eterno.

A festa foi uma distração. E qual é a festa que não é distração? Na festa, o homem esquece a si mesmo. A distração é o avesso da conscientização. Todo mundo saiu daquela festa de casamento, chamada Bodas de Caná, esquecido de si mesmo, graças ao vinho.

Mas, Jesus, o que desejava mesmo fazer era dar o vinho da verdade. Aquela verdade que liberta, aquela verdade que Pilatos procurou e não achou. E lembrar que o nosso Machado de Assis comparou o vinho à verdade, quando disse, em Quincas Borba: “Não há vinho que embriague mais que a verdade”. Mas, Jesus, costumava dizer: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

Foi um momento emocionante aquele. Não estaria sonhando?... Eu, lá em cima, no monumental teatro - a Philarmonie de Paris - e ele, lá embaix...

As mãos divinas

Foi um momento emocionante aquele. Não estaria sonhando?... Eu, lá em cima, no monumental teatro - a Philarmonie de Paris - e ele, lá embaixo. Ia executar o Concerto nº 5, de Beethoven, para piano e orquestra. Concerto conhecido como “O Imperador”, de minha predileção.

Olhei para baixo. Gente como diabo. Gente, por sinal, muito chique. A Paris culta, decerto, estava, ali. E o pianista, baixinho, simpático, quem seria?...

Depois de um dia estressante de trabalho ou de estudo, nada melhor do que se jogar no sofá e se desligar do mundo, não é mesmo?

Pratique inglês relaxando e meditando



Depois de um dia estressante de trabalho ou de estudo, nada melhor do que se jogar no sofá e se desligar do mundo, não é mesmo?

A bramos a crônica relembrando as curas de Jesus, que foram muitas. Curou cegos, paralíticos, leprosos, obsidiados, usando como remédio a fé...

Jesus e o cuspo

Abramos a crônica relembrando as curas de Jesus, que foram muitas. Curou cegos, paralíticos, leprosos, obsidiados, usando como remédio a fé. Tanto é assim que dizia ao curado: a tua fé te curou. E grande foi a sua decepção quando não conseguiu operar as suas curas em Nazaré, pois entre seu povo não havia fé. Daí o Mestre ter saído de lá dizendo “Nunca vi tanta incredulidade”...

E por incrível que pareça, Jesus curou cegos, limpando-lhes os olhos com cuspo. Aliás, faz muito tempo, ouvi dizer que um farmacêutico, lá de Bananeiras, restabeleceu a vista de muita gente, com cuspo.

Mas houve cego chamado Bartimeu que, mal sentiu Jesus se aproximar, e foi logo gritando. Muita gente procurou calá-lo, mas aí era que ele gritava. E Jesus para ter a certeza de sua fé, perguntou-lhe: “O que é que queres que te faça.? Bartimeu só fez gritar: “Que eu veja”.

Compadecido, disse Jesus: “Vai, a tua fé te salvou”. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.
Mas devemos lembrar que a nossa vida é um ato de fé. Estamos sempre contando com o amanhã. Estamos sempre dizendo: Até logo, até amanhã...

Dizem que o futuro a Deus pertence, sim, pois é esse futuro que está sempre presente na nossa existência.

O cego Bartimeu deu uma grande prova de sua fé. Mal sentiu a presença luminosa de Jesus, entusiasmou-se e correu para ele, certo de que seria curado.

Jesus produziu fenômenos admiráveis. Mesmo assim não acreditaram na sua missão divina. E a cruz foi o que souberam lhe dar.

Quantas curas, quanta desobsessão, quantos fenômenos, comunicação mediúnica: Passear sobre as ondas, multiplicar pães e peixes, transformar água em vinho, transfigurar-se e conversar com os ditos mortos.

Só um milagre ele não fez. E não fez porque não quis: sair daquela cruz. Sua missão teria de ser cumprida. Sua lição teria de ser dada,

Foi crucificado entre dois ladrões. O mau e o bom. Só o bom estaria no paraíso, o paraíso da consciência tranquila.

D esculpe-me o truísmo, mas deixe-me metaforizar as curas de Jesus, cujo Natal o mundo que o crucificou está comemorando, com muita festa, m...

Metaforizando as curas de Jesus

Desculpe-me o truísmo, mas deixe-me metaforizar as curas de Jesus, cujo Natal o mundo que o crucificou está comemorando, com muita festa, muita comida, muito barulho. E a gente fica sem saber se o Natal é de Jesus ou de Papai Noel... É só indagar a uma criança: “Você deseja receber a visita de Papai Noel ou de Jesus?”

Continuemos. Eis um novo truísmo: Jesus foi, antes de tudo, um grande médico e dizia para todo mundo ouvir: “Os sãos não precisam de médicos”.

A verdade é que suas mãos curaram muita gente. Limparam leprosos, deram vista aos cegos, movimentaram paralíticos, e fizeram façanhas admiráveis: aplacaram tempestades, emudeceram trovões. As mãos que os homens pregaram numa cruz! Só aí é que suas mãos não puderam curar.

E que dizer das curas de Jesus? Sim, ele limpou leprosos, mas, muita gente, ainda hoje, está suja da lepra do egoísmo, do ódio, do orgulho. Ele também movimentou paralíticos, mas não falta quem esteja paralisado pela ociosidade, pela indolência, pela preguiça. Ele devolveu a visão aos cegos, todavia, outra maneira de cegueira continuou, pois, como diz o ditado, “o pior cego é aquele que não quer ver”. Que nega a verdade. Quer ver um exemplo? O médium Chico Xavier, de cultura primária, quase cego e ainda mais tapando os olhos com a mão, psicografou numerosas obras. Obras de caráter religioso, filosófico e cientifico. Sem computador, apenas com um lápis. Como é possível isto? E a cegueira de muitos continua negando a mediunidade...

Um fato curioso, é que, quase sempre, quando Jesus curava, dizia ao curado: “Tua fé te curou”. Viva o remédio da fé. E ele dizia mais. Dizia que bastava uma fé do tamanho de um grão de mostarda para mover uma montanha. Conclusão: Jesus precisava da fé do curado para curar. E há tanta gente sem fé por aí, cuja fé está apenas na boca, e não no coração.

Lembremos que Jesus não veio apenas curar, mas ensinar o caminho da verdade que liberta. E deu-nos uma receita maravilhosa: “Orai e vigiai para não entrardes em tentação”.

E viva a vigilância de nossos atos, dos nossos pensamentos, pois as tentações são muitas. Tentação do sexo, do dinheiro, do poder.

Mas além de médico, Jesus foi um extraordinário professor. E ensinando, contava histórias lindas chamadas parábolas. Vez por outra, estava testando os seus alunos, os apóstolos.

Certa manhã, entendeu de dar um passeio sobre o mar. Pedro, quando o viu, não quis acreditar. E Jesus, certamente, sorrindo, convidou: “Vem Pedro”. E o apóstolo chegou a pisar na água. Mas, bastou dar alguns passos, quando veio o medo de afundar. Aí Jesus o amparou, exclamando: “Ah, homem de pouca fé!...

Fé, eis o grande remédio contra a doença do medo. Quem tem fé, persevera, quem tem fé não desiste. E o mestre dos mestres ainda ensinou: “pedi e obtereis, buscai e achareis, batei e se abrir-vos-á”.

Amanhã, estaremos comemorando o seu nascimento. Nascimento não num palácio, mas numa humilde manjedoura, ao lado de animais domésticos. E pensar que as mãos daquele menino haveriam, mais adiante, de realizar grandes curas. As mesmas mãos que os homens pregariam, depois, impiedosamente, numa cruz.

C omo já disse em crônicas anteriores, sou um homem do calor e corro do frio como o diabo da cruz. Dizem que o inferno é quente. Nada de sor...

O gelo, o fogo e Luxemburgo

Como já disse em crônicas anteriores, sou um homem do calor e corro do frio como o diabo da cruz. Dizem que o inferno é quente. Nada de sorvete, como aquele que eu, há dias, saboreei no aeroporto de Lisboa.

Para você aquilatar como eu gosto do calor, basta lhe confessar que tomo banho com água quase fervendo.

Pelo meu gosto, nas minhas viagens internacionais, só visitaria as cidades no verão. Sou um nordestino autêntico. Mil vezes Patos, do nosso Nordeste, a Londres. Mas por isso não vamos deixar de visitar as cidades geladas, como esta Luxemburgo que Germano, capitão da nossa equipe, colocou em nosso itinerário. Confesso que bati os lábios de frio. Tive vontade de sair correndo do gelo á procura da brasa. O diabo é que nem acreditei quando o motorista de táxi informou que no verão faz mais calor do que aqui, na nossa capital. Confesso que não acreditei...

Aqui para nós, eu nunca vi cidade tão bela, de gente tão educada, tão limpa, cheia de silêncio. Sim, nada de buzinada de automóveis, muito menos, carro de som.

Luxemburgo é um luxo de cidade. Pena que eu seja um friorento e estávamos em pleno inverno. Cidade de gente elegante, fina, e bonita. Mas, quanto a isso, minha João Pessoa, a turística Jampa, com suas praias, sua bela vegetação, seu mar, não deve nada às cidades da Europa. Se não fosse a poluição sonora...

Deixo Luxemburgo, apesar de bela, sem desejo de voltar. Pelo menos no inverno. Mas o nosso grupo turístico já está inventando um novo passeio à Nova Zelândia, que espero não seja numa estação fria. O cronista que se cuide.

E termino com uma confissão: sou um homem friorento, nascido em Alagoa Nova, que para aliviar o frio, recorre à cachaça, não é, meu amigo confrade e conterrâneo, Wills Leal?

Ele é conhecido, em inglês, como binder clip , e, no Brasil, recebe o estranho nome de grampo mol . É usado, em geral, para prender papéis...

O pequeno objeto de 1001 utilidades



Ele é conhecido, em inglês, como binder clip, e, no Brasil, recebe o estranho nome de grampo mol. É usado, em geral, para prender papéis, mas sua versatilidade é admirável.

B onita a festa de posse de Abelardinho na Academia Paraibana de Letras, onde foi receber a imortalidade, que é o que todo mundo deseja. Afi...

A imortalidade de Abelardinho

Bonita a festa de posse de Abelardinho na Academia Paraibana de Letras, onde foi receber a imortalidade, que é o que todo mundo deseja. Afinal, ser imortal é não ser esquecido, e a gente deseja sempre ser lembrado.

Mas, vamos à festa da posse. O menino não precisa cantar como Roberto Carlos para dizer que deseja ter um milhão de amigos. Pois a Academia foi pequena para caber tanta gente, tantos amigos. E o presidente Damião Cavalcanti ainda achou de criar mais espaços para a casa da imortalidade. E aqui vai um destaque para o atual presidente. Ele está fazendo uma bela administração, o que nunca deixou de acontecer na Casa de Coriolano.

A verdade é que a nossa Academia estimula cada vez mais a pesquisa. Esta é a sua grande finalidade. Como grande também é a finalidade do congraçamento, a união cada vez mais firme de seus componentes. O acadêmico deve estar cada vez mais consciente do espírito de família que deve haver na entidade.

Voltando a Abelardo, ou Abelardinho, como é, carinhosamente, chamado, ele não cabia em si de contente. Fez o discurso de praxe, homenageou seu pai, o fidalgo Abelardo Jurema, e depois foi saudado pelo erudito e respeitável crítico e homem de letras, José Mário da Silva Branco.

E Abelardinho, num recanto da sala, morrendo de emoção. Imaginem o espírito de seu pai, o grande Abelardo, como estava feliz!

Esta posse do nosso Abelardo atraiu uma multidão, que, decerto, ficou maravilhada com o que viu. E Damião sorrindo de morrer.

Agora é a vez de dizer: Como é bom compartilhar. Como é bom sair de si para abraçar o outro. Como é bom ser humano. Só não gostei de saber que o meu amigo imortal, Wills Leal, não vai bem de saúde. Um espírito muito solidário, a quem desejamos plena recuperação.

É um dos momentos mais belos do Evangelho. Um momento para muita reflexão. Referimo-nos àquele encontro da samaritana com Jesus, em torno d...

Água viva e água morta

É um dos momentos mais belos do Evangelho. Um momento para muita reflexão. Referimo-nos àquele encontro da samaritana com Jesus, em torno de um poço.

Jesus ia caminhando, acompanhado de seus discípulos, quando resolveu parar um instante. Muito sol, muito suor, muita sede. Jesus parou para descansar, que ninguém é de ferro, mesmo sendo Jesus. Os discípulos resolveram ir comprar alimentos na cidade. O Mestre ficou só, até que chegou uma mulher linda, de corpo e de feição. Vinha buscar água no poço. O vestido comprido, o jarro na cabeça. Vinha atrás da água que mata a sede. A nossa sede nunca pára. Estamos sempre sedentos.

Foi aí que Jesus pediu água à mulher, que teve um susto, pois ela era samaritana, Jesus judeu, povos que não se davam muito bem. Daí a surpresa da samaritana, que lhe peguntou: “Como sendo judeu, estás a falar com uma samaritana?” Jesus respondeu-lhe: “Se tu conheceras o dom de Deus, e quem te pede água, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva, pois qualquer que beber da água deste poço tornará a ter sede. Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede”.

Depois, o Mestre fez revelações da vida da samaritana e ela ficou acreditando que Ele era o Messias que havia de vir.
Portanto, segundo a lição do Mestre e metaforizando a coisa, só a verdade evangélica liberta. Aquela verdade que Pilatos indagou e que Jesus deu o silêncio como resposta.

A samaritana, na sua ignorância, não compreendeu a lição de Jesus. “Dá-me de beber dessa água.” pediu ela. Sim, não deixa de ser desagradável, todo o dia, ir ao poço para tirar água. Não só isso. O pior é que água do Poço não matava a sede para sempre.

Nós temos muitas sedes. Sede de dinheiro, de gozos materiais, sede que não pára. Jesus veio ao mundo matar a nossa sede com a água-viva da verdade que liberta.

Bela, a lição do Mestre, que não perdia tempo em ensinar o seu Evangelho, a chamada Boa Nova.

Água viva, água morta. Água que mata a sede por algumas horas, água que a mata a sede para sempre. O Evangelho é a grande fonte de conhecimentos. Conhecimentos que libertam. É a água-viva.

Pensando bem, se Jesus fosse outro, não teria dado aquela transcendente lição. Teria achado a mulher samaritana bonita, conversado com ela um pouco e jamais daria aquela bela lição. Mas o Mestre só teve dois objetivos, aqui no mundo: ensinar e curar. Mais ainda: deu o exemplo. Veio trazer a luz e os homens lhe deram a cruz. Morrendo de sede, pediu água e lhe deram vinagre. E na cruz, todo ensangüentado, ainda teve ânimo de pedir ao Pai que perdoasse os seus algozes por que eles não sabiam o que faziam.

E aqui para nós, Jesus continua crucificado pela nossa ignorância, com a nossa sede de água morta, com os nossos apegos. Jesus continua esquecido e ignorado. Muitos o crucificam com a ignorância e a indiferença.

S im, o que faria você se Jesus lhe fizesse uma visita? Jesus, que levou todo o tempo pregando a Boa Nova, que é o Evangelho? Pregando e cur...

Jesus dentro de sua casa

Sim, o que faria você se Jesus lhe fizesse uma visita? Jesus, que levou todo o tempo pregando a Boa Nova, que é o Evangelho? Pregando e curando.

Acontece que ele suspenderia, por uns momentos, a sua caminhada com os Apóstolos, para ir à sua casa para uma honrosa visita. Será que você o deixaria sozinho, na sala? Ou será que você trataria de outras coisas?

Que visita honrosa! Jesus dentro de sua casa, não seria uma maravilha? Pertinho de você. E lembrar que para vê-lo, em meio à multidão, só à distância. Mas, Jesus estaria dentro de sua casa! Só vendo para acreditar.

Pois bem, isto aconteceu! E é, justamente, o que vamos relembrar. O Mestre suspendeu a sua caminhada evangélica, em companhia de seus apóstolos, ensinando e curando, e foi até a casa de Lázaro, que morava com duas irmãs: Maria e Marta.

E eis Jesus dentro de casa (muita gente precisa ter Jesus no coração). O coração é uma casa. Quando ele começou a falar, Maria correu para o seu lado a fim de ouvir a sua preleção. Que coisa maravilhosa! Maria não estava acreditando no que via e no que ouvia. Estaria sonhando? Olhava para Jesus com muito embevecimento, encantada. Que maravilha aquele rosto, aqueles olhos, aquela boca. Jesus conversando. Maria beliscou duas vezes o braço para conferir se não estava sonhando.

Jesus falava da vida eterna, do amor, da caridade, dos lírios do campo. De repente, Maria lembrou-se da irmã. Onde estaria ela? Marta estava às voltas com as caçarolas, cozinhando, arrumando a mesa, esquecida, completamente, do grande visitante. Nem sequer prestou a atenção, mesmo de longe, à conversa. Jesus conversando, Maria absorta, ouvindo-o, e Marta na cozinha, perdendo a oportunidade de ouvir uma bela lição.

Acontece que Jesus teve pena de Marta. Interrompeu a sublime conversa e exclamou, naquela voz suave: “Maria escolheu a boa parte”.

Maria transcendeu, verticalizou-se, aprendeu a verdade que liberta.

Jesus continua no mundo com o seu Evangelho. E muita gente ocupada e preocupada com as coisas materiais, sem tempo para nada.

Jesus continua nos visitando. E você, na cozinha, limpando caçarolas, varrendo o chão, indiferente à sua mensagem consoladora...

T enho pena das pessoas apegadas demais às coisas deste mundo. Apego ao dinheiro, apego ao poder, apego ao sexo, apego aos bens, apego a tud...

Apego

Tenho pena das pessoas apegadas demais às coisas deste mundo. Apego ao dinheiro, apego ao poder, apego ao sexo, apego aos bens, apego a tudo. É preciso lembrar que chegamos a este mundo nus e chorando. Mais ainda: famintos. E quando encontramos o seio materno, é com uma gulodice fora de série. Nunca vi uma criança mamando e chorando ao mesmo.

Disse: apego ao dinheiro, ao poder, ao sexo, aos bens materiais e me esqueci das pessoas. Lembrar que ninguém é de ninguém. Portanto, nada de apego. Apego cheira a egoísmo.

Agora me lembrei de uma senhora, no cemitério, chorando de se acabar pela morte do marido, na hora do sepultamento. Ela gritava: “eu quero ir com ele, eu quero ir com ele. Mas, bastou um tropeço em direção ao túmulo, e ela foi logo gritando: “Me segurem, me segurem, se não eu caio!”. Já não desejava mais ir para a cova com o marido.

Repitamos: chegamos a este mundo, sem nada, e sairemos dele, também, com as mãos abanando. E a nossa vida deve ser um dar, sem nada exigir. Há muita gente precisando da gente. Socorrêmo-la, cumprindo a lição do Mestre: “Amai ao próximo como a si mesmo”. Eis a lição mais difícil de todos os tempos.

Quando meu pai morreu, eu falei diante de seu túmulo, invadido de muita paz interior, e disse: “Até logo, papai!” O governador Pedro Gondim, que estava presente, não quis acreditar: “Na saída do cemitério, aproximou-se eme cochichou: “Rapaz, que religião é esta que lhe dá tanta paz?”. Ora, uma religião que ensina que a vida não termina no túmulo. E atentemos à inscrição do mausoléu de Allan Kardec, lá no Père Lachaise, em Paris: “Nascer, viver, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei”. Não esquecendo a sentença de Paulo: “Nada trouxemos para este mundo e é evidente que nada podemos levar dele”...

A vida é uma corrida e as tentações são verdadeiros testes. Sem a tentação, como avaliar uma virtude? Disse Thiago que só há tentação devid...

As tentações são testes

A vida é uma corrida e as tentações são verdadeiros testes. Sem a tentação, como avaliar uma virtude? Disse Thiago que só há tentação devido à concupiscência que há em nós.

O mundo está cheio de provas e tentações: tentação do sexo, do dinheiro, do poder, dos vícios, da ambição. O homem forte é aquele que vence as tentações.

Mas, como se livrar das tentações? Qual o remédio, qual a atitude a adotar? Que disse Jesus sobre as tentações? Ora, ora, é só atentar para a oração do Pai Nosso, onde se pede a Deus para nos livrar das tentações e que estejamos sempre vigilantes.

Cuidado com a tentação da inveja, da raiva, da vaidade, do orgulho. Repitamos a fórmula: “orai e vigiai para não entrardes em tentação”.

Quem está sempre em estado de oração está vacinado contra a tentação.

Disse Emmanuel, o iluminado guia de Chico Xavier, que, sem a tentação, como provar a nossa virtude?

E não esquecer as tentações dos vícios. As tentações do álcool, das drogas, do fumo, da preguiça, da maledicência, da fofoca. E o que é maledicência? É viver falando mal dos outros, seja no cochicho ou não.

Uma senhora disse, certa vez, que se não falarmos mal dos outros, que graça tem uma conversa? Eis aí um grave e lamentável vício.

Repitamos o Pai Nosso: “Livrai-nos, Senhor, do mal”. Oração e Vigilância, eis a fórmula, eis a receita.

Quando formos dormir, não há melhor momento para uma reflexão, uma reflexão sobre o que fizemos durante o dia. Mas, há quem, mal deita na cama, vai logo roncando. Não faz uma reflexão. Age como o gato, o cachorro. E reflexão é coisa muito importante. A reflexão é o contrário da distração.

Jesus nunca falou mal de ninguém. Quando os discípulos foram lhe avisar que João Batista havia sido brutalmente degolado, ele calou-se e se afastou, em total silêncio.

E não esqueçamos dos vícios: a inveja, o orgulho, a ociosidade, a ambição, o egoísmo, o pessimismo. Lembremos, mais uma vez, de Emmanuel, o iluminado guia espiritual de Chico Xavier: “Tentação é teste”.

J esus escolheu uma montanha para pronunciar seu sermão inaugural. E a sua voz desceu como uma cachoeira de luz. É preciso subir para ensina...

A pregação no alto

Jesus escolheu uma montanha para pronunciar seu sermão inaugural. E a sua voz desceu como uma cachoeira de luz. É preciso subir para ensinar os que estão embaixo a subirem. Valeu a metáfora.

E já que falei em planalto, os espíritas acabam de promover o seu recente congresso, no Planalto do Cabo Branco, justamente no Centro de Convenções.

E, aqui para nós, deu muita gente para ouvir famosos oradores, a começar pelo nosso Divaldo Franco, coincidindo com o aniversário de 100 anos da casa máter do Espiritismo na Paraíba, a Federação Espírita Paraibana.

Quem exerceu a presidência daquela casa, durante quarenta e quatro anos, quase metade de seu centenário, foi José Augusto Romero, meu pai. Nascido nos Cariris Velhos, foi seminarista e terminou espírita. Para isso, bastou assistir a uma sessão espírita em Alagoa Nova, quando se manifestou o espírito de uma prima desencarnada, que lhe trouxe impressionante e irrefutável mensagem. Outro fato que o levou ao Espiritismo foi a leitura do livro “O problema do ser, do destino e da dor”, do médium e filósofo francês, Léon Denis.

O congresso espírita no Planalto Branco foi, sem dúvida, um magno acontecimento. Tenho certeza que o convencionais saíram de lá ainda mais espíritas.

O Teatro do Centro de Convenções foi pequeno para caber tanta gente, neste memorável congresso, de espíritas e não espíritas, pois havia líderes e representantes de outras religiões, num encontro que culminou no “Momento pela Paz”, na tarde de ontem, com palestra do médium e orador Divaldo Pereira Franco, autor de cerca de 200 livros psicografados.

A verdade é que o Espiritismo, codificado por Allan Kardec, cada vez mais atrai simpatizantes. E eu encerro a crônica lembrando que a Doutrina Espírita tem como lema principal: “Fora da Caridade não há salvação”. Para bom um entendedor, só isto basta.