Aprendi a não deixar brotar em minha mente e coração expectativas em ser e em ter.
A maturidade, ou a consciência de que não há mais tempo a ser perdido, me ensinou que só devo criar uma expectativa quando ela for minimamente possível de se tornar realidade.
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Tenho tido sucesso nas batalhas travadas no meu dia a dia, seja no relacionamento com as outras pessoas, seja na minha convivência comigo mesma. Os limites impostos são encarados de forma tranquila, sem a sofreguidão da ilusão de inexistência da possível ultrapassagem.
Os “tempos” que os outros me pedem, os que eu preciso, passaram a ser defrontados com naturalidade, sem a necessidade de quebra nem de aceleração.
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Não posso criar expectativa de ter uma pessoa dividindo as últimas 35 voltas ao redor do sol que pretendo completar (o otimismo chegou aqui e não arredou o pé), que desconheça o peso da bagagem que a vida impõe. Para isso, já tenho filhos, netos e, futuramente, bisnetos… assim espero.
Escuto diversas vezes do meu filho: “Mãe, se cuide e tenha cuidado, pois ‘velho’ morre de coração e de queda”.
Já a sabedoria popular nordestina diz: “O que mata véio é tombo, caganeira e resfriado”.
Fato!
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Quanto à saúde, com histórico de doenças cardiovasculares de Mainha e irmãos, com resultados alarmantes das minhas taxas, com uma hipertensão arterial instalada nas minhas correntes sanguíneas, tomei consciência da necessidade urgente de mudar toda a alimentação que estava acostumada a ingerir e da importância de inserir atividade física no meu cardápio. Hoje, já consigo sentar no chão, correr, subir e descer escadas com os filhos dos meus filhos, com os filhos daqueles sobrinhos de fato e os de coração. Já consigo fazer o percurso de ida e volta Serraria - Borborema, municípios paraibanos. Hoje, já posso ter a expectativa de conseguir caminhar 12 km sem colocar os bofes para fora.
Minha expectativa para com os amigos, algumas ainda alimento, outras não. Com aqueles em que creio existir a verdadeira amizade, ainda espero consideração, atenção, respeito e confiabilidade. Deixo viva a expectativa.
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Quando temos consciência de que a vida não muda da noite para o dia, mas que, com foco, fé na própria capacidade e força para escolher e aceitar a necessidade de ir na direção correta — escolhida a cada amanhecer, mesmo não sendo a desejada —, somos capazes de mudar tudo. Abrimos espaço para que as pessoas certas consigam se achegar e que as erradas sigam por outro caminho.
Com isso, as peças do quebra-cabeça do viver irão se encaixar.
Ao nos empenharmos nas coisas que possuem propósito, seja no trabalho, seja na vida pessoal, é possível sentir o florescer, no jardim interior, da serenidade, da sabedoria e, principalmente, da saúde mental e física.
Com tudo isso, deixei de criar antigas expectativas, que me proporcionaram os inúmeros “des”.











