Tem muita gente que não está preparada para ser vidraça, porque se acostumou a ser estilingue. Críticos ferrenhos de outrora, ficam incomo...

De estilingues e vidraças

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Tem muita gente que não está preparada para ser vidraça, porque se acostumou a ser estilingue. Críticos ferrenhos de outrora, ficam incomodados quando são apontados os erros e equívocos que antes eram motivos de suas desaprovações. Se a vidraça não está preparada para receber as pedradas que lhe são lançadas, corre o risco de se despedaçar com rapidez.

A vida é uma gangorra. Num tempo você pode ser estilingue, em outro virar vidraça. Então é necessário que esteja preparado para todas as circunstâncias. Quando as vidraças são quebradas com facilidade, o ambiente fica mais exposto à continuidade das críticas,
por não conseguirem mais esconder a sujeira que as vidraças escuras evitavam mostrar.

Aí vem a pergunta: ao tempo em que eram estilingues, jogavam pedras nas vidraças, sem a preocupação de examinar se eram sujas ou limpas? Ou apenas importava o desejo de quebrar as vidraças, causar estragos inconsequentes? Os que estão agora na posição de vidraças, devem estar prontos para o enfrentamento das pedras que os atingirão. E não adianta, querer se protegerem lançando pedras de volta.

As vidraças só se fortalecem com atitudes que demonstrem senso de responsabilidade, honestidade, competência e transparência. Esse é o desafio dos que estão eventualmente dominando a situação. Uma vidraça trincada nas primeiras pedradas que lhe são lançadas, mostra fragilidade e anima os portadores dos estilingues a continuarem atacando com maiores chances de êxito nas suas intenções.

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O problema é que quando a vidraça estilhaça, oferece oportunidade a que venha outra em melhor estado para ser colocada no seu lugar. Isso é a lei natural das substituições. Quem toma conta da vidraça, além de ser obrigado a se mostrar capacitado para defendê-la, tem que saber ouvir as reclamações com a mesma serenidade de quando é alvo de elogios. Assim também deve ser o comportamento dos que, juntos com ele, se dispõem a salvaguardar a vidraça para que ela não se fragmente com rapidez.

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  1. Rui está se revelando como um bom analista das virtudes e dos defeitos da alma humana. Muito bom!

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  2. Não acho a analogia com a gangorra boa. Supõe que estar "por cima" é o lugar "bom" ou "certo".

    Acho que a realidade é mais complexa. A vida não é só binária, cartesiana, polarizada. Somos múltiplas pessoas, temos múltiplas facetas e agimos e reagimos sob tensões e pressões distintas e as nossas resposta não são as mesmas pela manhã ou à tarde.

    Pessoalmente, acho que vivemos um momento em que essa polarização vem sendo reforçada de forma artificial e os antagonismos nos extremos servem mais aos interesses de clãs políticos que a partidos e ideologias.

    Isto posto, diria que não ser vidraça nem estilingue deveria ser o ponto de partida. E note, isso não significa se omitir ou se ausentar do debate. O afastamento dos extremos não leva ao Centro, leva ao equilíbrio.

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