"O Pau D’arco é um beijo do sol em árvore favorita"
José Américo de Almeida
Hoje, no caminho de sempre,
o inesperado me chamou pelo nome.
Entre o verde das árvores
e os carros em disparada,
um ipê amarelo estava inteiro em flor
- silencioso, luminoso, absoluto.
Não gritava, não interrompia o trânsito
e não pedia nada.
Apenas era.
E por isso mesmo me fez parar por dentro.
Enquanto tudo corria,
ele permanecia.
Enquanto o mundo parecia urgente,
ele parecia eterno.
Seu amarelo vibrante
era quase uma oração
aberta no meio do asfalto,
um lembrete de que a beleza
não precisa de permissão para existir.
Pensei que o ipê floresce
quando já perdeu quase todas as folhas
- e talvez seja esse seu segredo:
quando a vida se despe, ela se revela mais luminosa.
Segui caminho, mas não do mesmo jeito.
Algumas flores não ficam na paisagem,
ficam na alma,
como um sol pequeno
aceso por dentro.
Talvez Deus faça assim conosco:
tira as folhas, esvazia os excessos,
para que a alma aprenda a florescer em luz.









