Definitivamente, esse foi o verão dos dublês de ricos. Tão marcante assim, só o verão da lata no Rio de Janeiro (1987), quando o nav...

Dublê de rico

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Definitivamente, esse foi o verão dos dublês de ricos. Tão marcante assim, só o verão da lata no Rio de Janeiro (1987), quando o navio Solano Star jogou fora milhares de latas com maconha, e elas boiaram até as areias das praias lotadas.

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O verão foi embora, porém apresentou-se como o mais criativo dos últimos muitos verões. E aconteceu aqui na Paraíba. Com certeza, sociólogos escreverão teses sobre o fato, e economistas dirão do impacto dessa massa de dublês de ricos na economia local.

Funciona assim: juntam-se uns 20, 30 pobres premium e alugam uma casa para passarem o verão. Compram também um jet-ski e uma lancha. Em cotas, bem entendido. Essa é a grande sacada: as cotas. O primeiro a usar o jet-ski por um dia só vai ter direito a usá-lo novamente um mês depois. Com a lancha há um detalhe imprescindível. Cada cotista ganha um adesivo diferente e cola no casco da embarcação quando for seu dia de usá-la, porque, nas fotos que com certeza postarão na internet, ninguém vai poder identificar a mesma embarcação navegando com tanta gente diferente, né?

Os dublês de ricos têm noção de espaço, e a casa alugada será ocupada por três dias pelas famílias de cada um dos
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pobres premium. Não poderia ser de outro jeito, porque eles mandam vir lá das brenhas toda a parentada para exibirem sua “riqueza”.

Porém, antes de o querido leitor pensar que há qualquer ranço com os desvalidos de grandes fortunas, é necessário registrar que o sistema de cotas está chegando à dita alta sociedade.

Uma amiga querida me disse que está em um grupo que compra bolsas caríssimas, dessas de 100 mil reais. Todo mês ela paga uma cota de 2 mil reais:

— “Marquinho, não é só pela economia. Ocorre que as grandes grifes de bolsas, como a Birkin, não vendem para qualquer um. É necessário que antes a cliente compre uma série de outros produtos para se cacifar na fila de espera. Fica mais fácil no nosso grupo, porque já existem clientes antigas da fabricante Hermès e resolvem tudo. O mais interessante é que, em nosso grupo, já está havendo a cota da cota. Funciona assim: eu divido minha cota com uma amiga de Recife. Numa semana eu uso a bolsa, na outra semana quem usa é ela”.

Fui contar isso na padaria, e o amigo gargalhou:

“— Danou-se, nesses dias vão vender cotas de garotas do job”.

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