Pela grade fechada com dois cadeados e correntes vejo duas borboletas fazendo uma ronda no gramado da praça. Parecem voar aleatoriamente...

Borboletas e soldadinhos

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Pela grade fechada com dois cadeados e correntes vejo duas borboletas fazendo uma ronda no gramado da praça. Parecem voar aleatoriamente, um par de surfistas naturais pela onda verdinha. Mas, na verdade, a natureza é mais que perfeita para fazer as coisas sem um propósito. E logo questiono-me em qual missão estarão as duas ex-lagartas que se metamorfosearam de seres rastejantes para espécies de vôos disformes e ao mesmo tempo brincalhões. Talvez seja encantar, feito fadas de uma manhã, e não digo apenas, porque encantar é uma arte.

As duas borboletas, de tamanhos aproximados, seguem seu destino como pequenos aviões em rota panorâmica por entre as plantas. Uma de tom alaranjado forte com detalhes negros nas asas, mais comuns pelos matinhos das calçadas e restos de áreas esverdeadas, a outra branca também com pinceladas naturais em preto nas estruturas esvoaçantes e costumeira dos mesmos ambientes.

Voam com as horas, sem ver horas, senhoras do próprio curto tempo entre as metamorfoses. Crisálida, pupa, hibernação, transformação. E surgem com o nome de borboleta para viver semanas, meses... passageiras que se eternizam para olhos atentos. São flores avoantes pelas terras de mato ralo, baixo, moitas e capins, flores, o que se chama de jardins e parques.

Símbolo da transformação, são almas eternas da natureza em constante mudança, efêmeras em permanência física. É alerta da necessidade de equilíbrio em explosão de cores, entendimento. Como diria Richard Bach em "Fernão Capelo Gaivota": "O que a lagarta chama de fim do mundo, o homem chama de borboleta". São sábias feito caixa de lápis de cor e suas infinitas possibilidades.

Ah, mas existem outros seres belos e enigmáticos pelas praças, parques e terrenos baldios da cidade. Geralmente escondidos entre as folhas baixas das castanholas. Os membrancídeos... Ops!
Melhor chamá-los pelo nome popular: soldadinhos. Insetos, também chamados vulgarmente de viuvinhas, surgem como pontinhos pretos com pequenos riscos brancos nas suas asinhas.

Frágeis, minúsculos com o corpinho estruturado entre 10 a 12 milímetros. Encantadores, eles se destacam com o fundo verde da folhagem. Existem vários tipos, uns bem difíceis de serem percebidos. Mas refiro-me aos aquartelados nas castanholas, uma tropa inteira, em marcha ou em formação de parada. Nesse caso, são soldadinhos com uma camuflagem que não funciona bem.

Em voo, praticamente desaparecem na imensidão do mundo que os rodeia. E com pouso suave nem sentimos quando somos transformados em heliponto. Geralmente, os humanos crianças são apresentados a estes seres que depois somem de suas vidas e ao serem reencontrados desembarcam memórias, infantis. Os soldadinhos são máquinas do tempo, pois gravam algo lá de trás e ressurgem inesperadamente, inexplicavelmente, na nossa vida.

Bom, como sinto-me meio criança sempre, nunca os perdi de vista. É uma certeza de garantir oxigênio para o menino eterno. De certo mesmo sobre os soldadinhos das plantas, assim como as borboletas: eles são de paz.

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  1. Bravo caro Clóvis Roberto..belo texto.
    Tens razão.. " os soldadinhos das plantas, assim como as borboletas: eles são de paz."
    Parabéns🙌🙌🙌🙌🙌🙌🙌🙌🙌🙌
    Paulo Roberto Rocha

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    1. 🙂🤜🤛 São sim. E trazem leveza à vida. Obrigado amigo.

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