Ele foi um homem da paz. Um manso, no melhor sentido da palavra, que é o das bem-aventuranças cristãs. Um humilde de coração, apto, portanto, a herdar o reino da terra. Assim foi desde sempre, e mais ainda quando, já maduro, abraçou de vez a fé católica ao ingressar na Ordem dos Carmelitas, da qual se tornou destacado membro.
Conheci-o mais de perto ao chegar à Procuradoria da UFPB em fevereiro de 1980. Ele já estava lá, ao lado de Fenelon Medeiros Filho, de Adair Chaves, de Edilso Valente e de Eimar de Paiva Macedo, todos sob o comando experiente de José Alves de Oliveira. Era o final do reitorado de Lynaldo Cavalcanti, e a universidade vivia dias jubilosos de expansão acadêmica e administrativa. Discreto, quase silencioso, Guerra,
José Leite Guerra ▪️ GD'Art
Ele iniciou sua carreira literária como poeta, mais precisamente com um livro de poemas que marcou época na aldeia dos anos 1960/1970: O Circo, do qual quem pode falar melhor é Sérgio de Castro Pinto, bardo contemporâneo e amigo de Zé Leite, assim como Hildeberto Barbosa Filho, estudioso do célebre Grupo Sanhauá. Guerra sempre perseverou na poesia, mas depois foi alargando sua área de atuação, principalmente
Já maduro, com nome na praça e vários livros publicados, namorou a ideia de se candidatar à Academia, ideia essa que cheguei a estimular, conhecedor que era de seu valor intelectual. Mas faltava-lhe um requisito fundamental para qualquer candidato: uma mínima desenvoltura para sair a campo a pedir voto, presencialmente ou não, vendendo o seu peixe, que, no seu caso, era fina lagosta, diga-se a bem da verdade. E assim esse legítimo projeto não prosperou. E ele ficou no sereno assistindo ao desfile dos mais afoitos.
O Almeida de seu sobrenome é o mesmo de José Américo. E, certa vez, ele contou-me a visita que, rapazinho recentemente formado, fizera ao parente ilustre no casarão do Cabo Branco, em busca de uma colocação no serviço público, naqueles tempos já longínquos em que o concurso era uma exceção. E o patriarca não lhe faltou, assim como não faltara, por exemplo, ao jovem Genival Veloso, então acadêmico de medicina.
Emilia e José Leite Guerra ▪️ Facebook: jose.leite.54379
Acompanhei à distância seu calvário derradeiro, sofrendo na alma o que ele sofria no corpo debilitado. Fui covarde, confesso, e por isso não quis vê-lo na despedida. E não quis porque nada teria para dizer-lhe naquela hora decisiva, hora em que as únicas palavras que contam são as do amor familiar e as da religião, quando é o caso.
Entretanto, deixo aqui minha modesta homenagem a esse ilustre paraibano que nos deixou no último 29 de agosto, esperando fazê-lo em nome de todos os que conheceram e admiraram esse homem reto e admirável chamado José Leite de Almeida Guerra.
Muita força para Emília e para as meninas, sempre meninas.









