13.5.26
No natural da vida , o esquecimento, a ausência de ensaios. O passado pode ser presente e o presente já é passado, ou já é futuro? A ...
No natural da vida, o esquecimento, a ausência de ensaios. O passado pode ser presente e o presente já é passado, ou já é futuro? A primavera e o seu improviso de trazer flores nunca iguais, mas sempre condensando eflúvios e belos tons multicoloridos. As estações desse ciclo estão para nos recordar o que fizemos em cada etapa.
13.5.26
6.5.26
Que me desculpem as pessoas antipáticas, mas simpatia é fundamental. Se você reclama do que tem recebido, talvez seja hora de reflet...
Que me desculpem as pessoas antipáticas, mas simpatia é fundamental. Se você reclama do que tem recebido, talvez seja hora de refletir sobre o que tem emitido. Tem gente que acha ruim se chove, se faz sol, se venta. Todo tempo é ruim, e a reclamação está clamando o quê? Não se trata de pregar a positividade tóxica, termo cunhado pelo filósofo Byung Chul-Han,
6.5.26
29.4.26
Já tentei ser um intermitente da própria vida. Quem nunca? Quem não tentou não tem consciência da precariedade que é viver e, tamb...
Já tentei ser um intermitente da própria vida. Quem nunca? Quem não tentou não tem consciência da precariedade que é viver e, também, do quanto é bom enamorar quando cada crepúsculo se interpõe à porta. A poesia, a real, aquela que nos desinstala, (des)conserta, expõe o primeiro e derradeiro grito, mostrou-me que há mistérios que não podemos mensurar. É assim que misturo meu sangue ao de outros.
29.4.26
22.4.26
Uma colega compartilhou recentemente uma publicação na qual um internauta revela-se preocupado com o “desaparecimento gradual dos dita...
Uma colega compartilhou recentemente uma publicação na qual um internauta revela-se preocupado com o “desaparecimento gradual dos ditados populares entre os mais jovens” e remete à afirmação do cientista Sidarta Ribeiro de que as novas gerações estão cada vez mais literais, avessas a metáforas e à expansão da linguagem.
22.4.26
15.4.26
Muitas pessoas alegam que a falta de espaço do livro em suas vidas se deve à ausência de tempo. Na verdade, isso revela uma forma sutil...
Muitas pessoas alegam que a falta de espaço do livro em suas vidas se deve à ausência de tempo. Na verdade, isso revela uma forma sutil de mostrar desinteresse pela leitura, pois tempo é uma questão de perspectiva. Vejamos.
15.4.26
8.4.26
A persistência de práticas tradicionais no ensino de língua portuguesa revela um problema estrutural: a fragmentação da linguagem em c...
A persistência de práticas tradicionais no ensino de língua portuguesa revela um problema estrutural: a fragmentação da linguagem em conteúdos isolados, sobretudo com a centralidade da gramática normativa, em detrimento de seu uso real. Nesse modelo, a língua é frequentemente apresentada de forma artificial, desvinculada das situações concretas de interação, o que compromete a formação de sujeitos capazes de ler, escrever, falar e escutar de maneira competente. Não existe aprendizagem efetiva da linguagem sem a articulação entre leitura, escrita, oralidade e escuta; quando dissociados, esses eixos produzem um ensino estéril, que transmite regras, mas não forma interlocutores. Assim, a integração dessas práticas deve constituir o núcleo do trabalho pedagógico na educação básica.
8.4.26
1.4.26
Há o que dizer? Não quero conversa. A solidão não é nossa. A solidão não é nem minha nem tua. Depois de ter sido expulso de casa, exp...
Há o que dizer? Não quero conversa. A solidão não é nossa. A solidão não é nem minha nem tua. Depois de ter sido expulso de casa, expulso de casa feito um feto dum útero. Como se um caracol se desfizesse de sua concha. Eu me transmutei.
1.4.26
25.3.26
As aulas de Língua Portuguesa, no contexto da educação básica brasileira, têm historicamente privilegiado o ensino da gramática normati...
As aulas de Língua Portuguesa, no contexto da educação básica brasileira, têm historicamente privilegiado o ensino da gramática normativa — frequentemente de maneira descontextualizada —, assim como a abordagem recorrente de gêneros textuais, ao passo que a produção escrita tende a se concentrar na tipologia dissertativo-argumentativa. Nesse cenário, as práticas pedagógicas voltadas
25.3.26
18.3.26
Abri uma porta sem fechadura. Depois a fechei para retornar a um breve esquecimento de mim. Cansada de ver a incidência do tempo. Não ...
Abri uma porta sem fechadura. Depois a fechei para retornar a um breve esquecimento de mim. Cansada de ver a incidência do tempo. Não adianta se aposentar. Nos aposentos, o relógio corre tão rápido quanto na vida afora. A memória é um quadro permanente na parede deste quarto. Nenhuma saudade é espantável, embora me assombre. Fotografias, roupas, cartas. Toda uma vida que foi e poderia ser.
18.3.26
11.3.26
"Use a erudição como se fosse um relógio de bolso: não saque ela para mostrar as horas, mas diga que horas são se alguém lhe per...
"Use a erudição como se fosse um relógio de bolso: não saque ela para mostrar as horas, mas diga que horas são se alguém lhe perguntar"
Lord Chesterfield
11.3.26
4.3.26
Em se tratando de tradição literária, o nosso país ainda é uma criança. Um tanto mais se encararmos o Quinhentismo, Arcadismo e Barroc...
Em se tratando de tradição literária, o nosso país ainda é uma criança. Um tanto mais se encararmos o Quinhentismo, Arcadismo e Barroco como meros derivados da literatura feita em Portugal. Podemos dizer que as obras literárias ganharam caráter nacional com o Romantismo, através de suas manifestações nacionalistas? Ou com o Modernismo? E o que dizer do movimento antropofágico? Não era uma “alimentação” da cultura europeia? Quanto ao processo editorial do Brasil, pelo que sei, Monteiro Lobato foi o primeiro a fundar uma editora no nosso país, a Monteiro Lobato & Cia, depois chamada de
4.3.26
25.2.26
Muito se tem falado sobre “ler por prazer” como se a literatura se prestasse apenas a uma filosofia hedonista. Essa concepção acrítica ...
Muito se tem falado sobre “ler por prazer” como se a literatura se prestasse apenas a uma filosofia hedonista. Essa concepção acrítica pode ser um desserviço ao ato de ler, acarretando ideias de que não é possível, ou o pior, não é preciso ensinar literatura. Entendo que a literatura propriamente dita não se ensina, mas visamos alertar sobre o quanto ela pode nos proporcionar em matéria de vida; as fantasias, os conflitos, o valor que o mundo literário congrega.
25.2.26
18.2.26
Não sejamos ingênuos diante de tantos discursos e palavras amigáveis. Não é com qualquer um que devemos desabafar. A solidão, por vez...
Não sejamos ingênuos diante de tantos discursos e palavras amigáveis. Não é com qualquer um que devemos desabafar. A solidão, por vezes, nos obriga a isso. Os mais vulneráveis a cair nas artimanhas do verbo são aqueles que não aprenderam a conviver com as perguntas. Estamos cada vez menos afeitos à reflexão.
18.2.26
11.2.26
Ler é uma das maiores habilidades que o cérebro humano é capaz de desenvolver e nós desenvolvemos diversas competências através da lei...
Ler é uma das maiores habilidades que o cérebro humano é capaz de desenvolver e nós desenvolvemos diversas competências através da leitura. Isso pode ser comprovado a partir da obra “O cérebro no mundo digital – os desafios da leitura na nossa era”, de Maryanne Wolf (Contexto, 2019, 256 p.). A autora, neurocientista e psicóloga
11.2.26
4.2.26
Poesia, a quem será que se destina? A quem busca respostas ou a quem não sabe as perguntas? Todos nós precisamos de alternativas poét...
Poesia, a quem será que se destina? A quem busca respostas ou a quem não sabe as perguntas? Todos nós precisamos de alternativas poéticas que nos impulsionem no caminho de uma humanidade que nos faça viver. Um dos principais instrumentos é a palavra, quando esta carrega a necessária carga poética. De versos para nos mostrar o nosso avesso e a diversidade que carregamos. Entre sons, ritmos e formas.
4.2.26
28.1.26
Existe um mito muito difundido no Brasil de que "nome próprio não tem regra". Essa ideia, alimentada por décadas de registro...
Existe um mito muito difundido no Brasil de que "nome próprio não tem regra". Essa ideia, alimentada por décadas de registros civis feitos ao sabor da vontade (ou do desconhecimento) de pais e escrivães, gerou uma confusão ortográfica que persiste até hoje. No entanto, do ponto de vista da norma-padrão da língua portuguesa,
28.1.26
21.1.26
Cada vez que olho para uma distância não inaugurada, vejo o quanto de mim ainda precisa chegar. Tenho sede de fazer passado. Mas, não ...
Cada vez que olho para uma distância não inaugurada, vejo o quanto de mim ainda precisa chegar. Tenho sede de fazer passado. Mas, não me esqueço do presente. É só existindo no que acredito que me componho. Não sei quanta pulsão há em mim, porém disponho meu sangue. Jamais poderia dizer as palavras que digo se um dia elas não tivessem me faltado...
21.1.26
14.1.26
Quanto mais refletirmos , mais seremos guiados por aquilo que realmente desejamos e queremos do que por aquilo que os outros impõem s...
Quanto mais refletirmos, mais seremos guiados por aquilo que realmente desejamos e queremos do que por aquilo que os outros impõem sobre nós por acharem que se trata de um objeto ou ideia de que necessitamos. O desejo é da esfera inconsciente, e o querer pertence ao nível consciente. A lógica produtivista e neoliberal tem automatizado as nossas escolhas.
14.1.26
7.1.26
Recordações; lembranças perseverantes . Ah, quanto é bom olhar as nossas vivências. O passado passa a ser uma ironia, porque, queiram...
Recordações; lembranças perseverantes. Ah, quanto é bom olhar as nossas vivências. O passado passa a ser uma ironia, porque, queiramos ou não, ele nos remete ao presente-futuro. Só é livre quem não está no tempo – Clarice Lispector sabia disso: “Experimento viver sem passado, sem presente e sem futuro e eis-me aqui livre”.
7.1.26
31.12.25
Os da casa não suspeitavam de nada. Entravam e saíam sem notar que a abertura que tinham uns com os outros não passava de um espelho qu...
Os da casa não suspeitavam de nada. Entravam e saíam sem notar que a abertura que tinham uns com os outros não passava de um espelho quebrado. Todos os dias se esbarravam no além-túmulo. Nas mãos, água. Nos pés, terra. O tempo não modificou para melhor como acreditavam, segundo uma sabedoria tola do povo.
31.12.25