Mostrando postagens com marcador Milton Marques Júnior. Mostrar todas as postagens

“O padre triste perguntou-me o meu nome, que eu pronunciava Tedrico . O outro, amável, mostrando os dentes frescos, aconselhou-me q...

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“O padre triste perguntou-me o meu nome, que eu pronunciava Tedrico. O outro, amável, mostrando os dentes frescos, aconselhou-me que separasse as sílabas e dissesse Te-o-do-ri-co.”

O parágrafo que abre este artigo foi retirado de A Relíquia (Edição crítica de Carlos Reis e Maria Eduarda Borges dos Santos, Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2021, p. 84), uma das mais importantes obras de Eça de Queirós (1845-1900).

Carta a Tarcísio Pereira Meu caro Tarcísio Pereira, por indicação sua, fiz uma visita ao Panteão Nacional de Lisboa , instituição mon...

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Carta a Tarcísio Pereira

Meu caro Tarcísio Pereira, por indicação sua, fiz uma visita ao Panteão Nacional de Lisboa, instituição monumental cuja existência, confesso, ignorava completamente. Conhecia o Pantheon romano, erigido por Marco Agripa, general de Augusto, e o Panthéon francês, em Paris, construído para ser o templo da República, cujo braço forte era a poderosa Convenção Nacional, consequência da Revolução Francesa.

Um grande jornal publica uma matéria de página inteira, com dois artigos, sobre a situação da educação. O título da matéria é “Formação...

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Um grande jornal publica uma matéria de página inteira, com dois artigos, sobre a situação da educação. O título da matéria é “Formação dos professores: imprecisões persistentes”, tendo como subtítulo “Uma remuneração mais baixa do que a anunciada pelo Presidente levanta novas críticas”. Além da matéria com chamadas críticas a uma situação não menos crítica, há uma charge ótima, mostrando dois personagens, deliberadamente desenhados pequenos, na amplidão do majestoso espaço dos gabinetes de palácio. Um homem e uma mulher. A mulher, que está com a palavra, dirige-se a um homem com as mãos para trás, em atitude desalentadora, para dizer o óbvio, que ninguém consegue ver: “O mais incrível em tudo isso é que ainda há universitários para crer que nossos anúncios serão seguidos por atos”, com ênfase no advérbio ainda.

Quanto mais lemos o Novo Testamento , particularmente os Evangelhos, mais nos convencemos de estar diante de uma excepcional alegor...

cristo evangelho
Quanto mais lemos o Novo Testamento, particularmente os Evangelhos, mais nos convencemos de estar diante de uma excepcional alegoria. Para explicar o que dizemos, partiremos de dois pressupostos que, aparentemente, se opõem. O primeiro é que tudo o que foi relatado pelos quatro evangelistas – Mateus, Marcos, Lucas e João – é a mais pura verdade, devendo ser entendido como ali se encontra.

Até o Canto XI, o inferno descrito por Dante é de estrutura simples, se comparado ao restante da narrativa, embora as condenações e pun...

dante divina comedia gustave dore
Até o Canto XI, o inferno descrito por Dante é de estrutura simples, se comparado ao restante da narrativa, embora as condenações e punições vão se agravando, do início até ali, testemunhadas pelos dois poetas-personagens, no seu percurso por seis círculos do Inferno. É no Canto XI, a caminho do Sétimo Círculo, que Virgílio explica a Dante, a complexa geografia do Inferno, a partir da qual os círculos restantes serão mais estreitos, tendo em vista a estrutura cônica do Inferno, mais apinhados de condenados e com condenações mais pesadas. O Sétimo Círculo, por exemplo, é dividido em fossas

Os leitores devem conhecer os personagens de Gil Vicente, no Auto da Lusitânia (1531-32), o rico mercador Todo o Mundo e o pobretã...

gil vicente poesia
Os leitores devem conhecer os personagens de Gil Vicente, no Auto da Lusitânia (1531-32), o rico mercador Todo o Mundo e o pobretão Ninguém, que se encontram e dialogam, sendo ouvidos por Dinato e Berzebu, dois demônios, encarregados de fazer a Lúcifer o relato do que as pessoas buscam. Seguindo a tradição, pois Drummond fez uma recriação da cena, eu também resolvi recriar alguns diálogos.

As pesquisas são catastróficas para o governo, pois nada parece dar certo para um governo que prometeu se reinventar, mas não consegu...

As pesquisas são catastróficas para o governo, pois nada parece dar certo para um governo que prometeu se reinventar, mas não consegue entregar o novo mundo anunciado. A razão? Ele se recusa a ver os fatos, que estão escancarados à sua frente:

O que Cristo escrevia? As pessoas em redor, em grande burburinho, agitadas, com pedras na mão, apontavam para uma pobre mulher, acusa...

mulher adultera jesus evangelho
O que Cristo escrevia? As pessoas em redor, em grande burburinho, agitadas, com pedras na mão, apontavam para uma pobre mulher, acusada de adultério, caída, coberta pelo opróbrio, e Jesus Cristo, demonstrando uma tranquilidade que não se coadunava com o momento, escrevia na areia. O que ele escrevia? Não se sabe. Ninguém sabe. Não restou uma frase, uma palavra. Não restou uma letra sequer. Por que em momento tão grave,

Estivemos em Braga, no final de semana passado (22-24/03), em casa de amigos brasileiros, que nos receberam muito bem. Conversa boa,...

braga portugal imperio romano
Estivemos em Braga, no final de semana passado (22-24/03), em casa de amigos brasileiros, que nos receberam muito bem. Conversa boa, regada a um bom vinho e bem apascentada com excelente comida e passeios por essa cidade aprazível e florida, apresentando em cada canto e recanto a sua herança histórica e cultural.

O poeta Marco Valério Marcial (42-102) é quase desconhecido do grande público atual, à exceção dos que são da área de estudos clás...

roma antiga marco valerio marcial
O poeta Marco Valério Marcial (42-102) é quase desconhecido do grande público atual, à exceção dos que são da área de estudos clássicos, mais especificamente, conhecedores da literatura latina. Marcial, no entanto, é um dos mais importantes poetas de todos os tempos, por uma série de singularidades. Tendo saído de sua terra natal, Bílbilis, no sudeste da Espanha, Marcial foi tentar a vida em Roma. Ali chegando no ano 65, foi abrigado pelo filósofo, tragediógrafo e epigramista Sêneca,

Sempre que me refiro à linguagem científica de Augusto dos Anjos, há pessoas que me perguntam sobre a possibilidade de desatualização ...

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Sempre que me refiro à linguagem científica de Augusto dos Anjos, há pessoas que me perguntam sobre a possibilidade de desatualização dos termos, considerando a nomenclatura científica moderna e os avanços da ciência. Há, sim, esta possibilidade, mas a minha resposta segue um mantra, afirmando que devemos ver o poeta em sua época. É óbvio que a poesia de Augusto dos Anjos, como toda grande poesia, é universal. A dor do homem, o conflito com o mundo, a angústia diante da degradação moral e material são inquietações que afligem o ser humano em qualquer época e em qualquer lugar. A sua poesia, portanto, transcende os limites do espaço e do tempo. Neste aspecto, não há discussão.

Fobos (Φόβος) e Dêimos (Δεῖμος) são os filhos diletos de Ares, o deus da guerra (Marte para os latinos), que sempre o acompanham nas ba...

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Fobos (Φόβος) e Dêimos (Δεῖμος) são os filhos diletos de Ares, o deus da guerra (Marte para os latinos), que sempre o acompanham nas batalhas, como se pode ver na Ilíada. Eles estão presentes, secundando o pai, desde o Canto IV, início da guerra, no poema homérico, cujo episódio é por mim denominado de tideidomaquia, ou seja, a batalha do filho de Tideu, no caso Diomedes, respondendo às provocações de Agamêmnon. Na retomada dos combates, entre Argivos (nome genérico para os Gregos) e os Troianos, no início do décimo ano do cerco à cidadela de Ílion ( Ἲλιος, antigo nome de Troia, daí Ilíada), Diomedes, cujo epíteto é “O bom de grito”,

Germano, meu amigo, boa noite! Escrevo ao sabor da emoção. Lembra-se daquela nossa conversa sobre estesia? Pois é, a vida é pura...

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Germano, meu amigo, boa noite!

Escrevo ao sabor da emoção. Lembra-se daquela nossa conversa sobre estesia? Pois é, a vida é pura estesia, exceto para aqueles que não querem ou não sabem percebê-la. Estamos carregados de emoção, mas muitas vezes nos fechamos à sua percepção, preferimos encarar a vida com pessimismo ou com uma gravidade fora de propósito, tornando-nos ou querendo nos tornar impermeáveis a esta capacidade ímpar que a vida nos oferece: sentir a sua beleza incontornável e inquestionável, que nos invade, se estivermos dispostos a aceitar o sensível, o que nos embevece e

Amanhã é o dia 29 de fevereiro de 2024, um ano bissexto. O intrigante é que herdamos dos romanos, o nome e a função do calendário, na...

Amanhã é o dia 29 de fevereiro de 2024, um ano bissexto. O intrigante é que herdamos dos romanos, o nome e a função do calendário, na sua significação de quantidade de dias do ano e da sua divisão em doze meses, e, nesse calendário, não há o dia 29 de fevereiro, nem qualquer referência a ano bissexto. Expliquemos. Embora não tenhamos guardado a maneira romana de contar os dias, o mundo ocidental por ele colonizado, bem como o restante do mundo, aonde Roma não chegou, adotou o chamado Calendário Juliano, por uma questão prática ditada pelas atividades comerciais.

⏤ Vovô, me disseram que a vida nunca acaba. Isto tem sentido? ⏤ Não procure o sentido, Arthur. Sentido é passado, acabado, perf...

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Entre grafites e pixações, se dividem as paredes e os muros de Coimbra. É possível, no entanto, encontrar um nexo entre os vários grafi...

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Entre grafites e pixações, se dividem as paredes e os muros de Coimbra. É possível, no entanto, encontrar um nexo entre os vários grafites que selecionamos, em algumas descidas pelas ladeiras e escadarias da cidade. De olho no que encontramos escrito, tentamos construir uma narrativa, que oferecemos ao leitor.

Um dos erros que se comete frequentemente, com relação aos textos antigos que envolvem mitologia, é achar que se trata apenas de um t...

mitologia zeus
Um dos erros que se comete frequentemente, com relação aos textos antigos que envolvem mitologia, é achar que se trata apenas de um texto literário ou de uma fábula tola e não verdadeira. É preciso que se repita que, na sua origem, mito é uma narrativa de uma verdade possível naquele instante em que ela, a narrativa, foi criada, em princípio, oralmente. Por outro lado, quanto mais recuado o texto mitológico, mais carregado de um sentido de religiosidade.

Não posso dizer que nunca tive veleidades poéticas. Todos temos, sobretudo quem lida com a palavra e a estuda constantemente através d...

poesia infantil massa modelar
Não posso dizer que nunca tive veleidades poéticas. Todos temos, sobretudo quem lida com a palavra e a estuda constantemente através dos bons autores. Fixei-me, no entanto, no ensino da Literatura e não em produzir Literatura. Afirmo com todas as palavras que não sou poeta, sou apenas um versejador que, à força de ensinar que o poema é para o ouvido e não simplesmente para os olhos, acabei por fazer um livro de epigramas, fruto das minhas leituras de Catulo, Marcial e Gregório de Matos, e outro de poemas infantis para os meus netos, Arthur Ígbà e Clara Lis.

Meu amigo, bom dia! Ontem, você me enviou um vídeo sobre os corpos celestes, de modo que pudéssemos, entre eles, situar a Terra e ...

universo buraco negro
Meu amigo, bom dia! Ontem, você me enviou um vídeo sobre os corpos celestes, de modo que pudéssemos, entre eles, situar a Terra e ver o seu tamanho, relacionando-a com os demais planetas, satélites, asteroides, nebulosas e galáxias. Lembrei-me do que dizia sempre, em sala de aula, sobre a relação entre a grandeza do universo e a do nosso planeta. A estrela mais próxima da Terra é Alpha Centauri, também conhecida como Rigil Kentaurus, encontrando-se à distância de 4,37 anos-luz.

No final de semana passado, entre os dias 19 e 21 de janeiro, Alcione e eu deixamos a vida reclusa nas paredes austeras do vetusto Se...

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No final de semana passado, entre os dias 19 e 21 de janeiro, Alcione e eu deixamos a vida reclusa nas paredes austeras do vetusto Seminário Maior da Sagrada Família de Coimbra, e entregamo-nos a uma flânerie por Lisboa. Deixemos claro que foi uma entrega comedida que nem cedeu, nem pairou “acima dos mundanos tectos”, no dizer do poeta do Eu. Aproveitando os belíssimos dias de sol, encontramos amigos e visitamos o que foi possível visitar, numa cidade de tantos encantos. Eu, particularmente, pude reviver o meu último encontro com Lisboa, há 23 anos. Posso afirmar que a “velha cidade” está, ainda mais, “cheia de encanto e beleza”, como apregoa a famosa canção.