Ziraldo revelou, no livro autobiográfico O menino maluquinho, que seu caderno escolar era assim: um dever e um desenho. Não cheguei ao exagero de Ziraldo, mas reservava a primeira página dos meus cadernos escolares para desenhar e pintar uma paisagem. Algumas colegas do antigo curso primário gostavam dos desenhos e me pediam para reproduzi-los nos seus cadernos. Era uma tarefa que me dava muito prazer, sentia-me importante.
“O que explica isso, seu descomungado? Por que terminar julho desse jeito?”, perguntaria, em estado de embriaguez, Nezinho do Jegue. Quando sóbrio, ele assim não se comportaria. Lúcido, era dado à bajulação. E Odorico Paraguaçu responderia: “Os finalmentes justificam os obstantes”. É claro que estou a falar das criações do talentoso Dias Gomes.
Peço desculpas aos que me leram ou lerão pelos erros. Escrevi em um dia de total silêncio.
É tão óbvio. Lulu Santos já dizia: “A vida é mesmo assim.” Por que razão estou cansando os que me leem com algo tão corriqueiro. Estranho. Ao acordar e começar a limpar o apartamento tão grande para mim e dois cachorros, fiquei pensando no paradoxo que Deus nos reserva.
E a estrada se abre em artérias sanguíneas negras interligando mundos. E pontinhos seguem percorrendo distâncias em várias direções. Enquanto uns vão, outros voltam... Talvez seja o contrário: uns voltam enquanto outros vão. Muitos, ficam parados, inertes, observando filosoficamente o vai-e-vem.
Aproximadamente até os anos 70, os cardiologistas do mundo inteiro acreditavam que as mulheres tinham baixo risco de desenvolver doenças cardiovasculares e, quando apresentavam essas condições, acreditava-se que, em sua maioria, eram simples de resolver — ou seja, de fácil controle clínico. Tal conclusão era fruto da má interpretação das queixas femininas nos consultórios médicos e da falta de pesquisas envolvendo o seu coração.
O respeito é, sem dúvida, uma das pedras angulares sobre as quais se edificam as relações humanas. Em um mundo repleto de diversidade, onde cada indivíduo traz consigo uma bagagem única de experiências, crenças e sentimentos, a capacidade de respeitar o outro é um verdadeiro ato de amor. É um reconhecimento de que, apesar das diferenças, todos nós buscamos a mesma coisa: compreensão, aceitação e conexão.
A miséria humana não se restringe à carência de recursos financeiros ou bens materiais; trata-se, sobretudo, da negação da dignidade, da escuta, do cuidado e do sentimento de pertencimento. Embora tenha raízes estruturais na injustiça social, a miséria se aprofunda por meio do silêncio, da indiferença e da naturalização do sofrimento. As chamadas "dores sociais" emergem de ambientes marcados
Vitor Nogueira
pela exploração e pela desigualdade, e se manifestam no corpo e na psique por meio de sintomas como a depressão, os transtornos neuróticos ou de personalidade — caracterizados pela forma como o indivíduo interpreta a si mesmo e estabelece relações com os outros.
Quando a conversa gira em torno das preferências, no que diz respeito às frutas, já vou esclarecendo que para mim só existem duas: a pitanga e as outras. Hão de estranhar. Por que pitanga? Bem, meus amigos e minhas amigas, já diziam que nariz e gosto cada um tem o seu (no original era outra parte do corpo e não nariz, mas vamos considerar assim). Pois bem, gosto de pitanga e pronto!
Com o título traduzido como "Uma bela vida", em cartaz nos cinemas, o filme Le dernier souffle aborda, com leveza, a finitude, o medo do fim, os cuidados paliativos, e aponta para o importante aumento da população idosa na França.
Hiperativos, imperativos. Comecei a semana dizendo “não” para poder dizer “sim” a um outro “eu”, que não se manifesta e que está cansado de ser demandado – e sufocado – pela vontade alheia. Cancelei compromissos que me impus para atender o outro, retirei cursos da lista, me desinscrevi de canais de Youtube, risquei livros da lista, doei alguns, suspendi a assinatura de algumas plataformas de “streaming”, organizei computador, pastas digitais, documentos, tudo isso na tentativa de organizar minha mente.
Desde a infância tenho comigo a imagem das colunas de sustentação existentes na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, de Serraria, como a lembrança mais constante de monumentos históricos de minha cidade. Imagens que se misturam com velhas moradias perdidas no meio do mato e nos canaviais.
Dizem que no início dos tempos não havia distância entre as palavras e as coisas. Cada objeto ou ser era o que significava e, reciprocamente, significava o que era. A palavra “fogo” queimava, a palavra “medo” tremia, e um vocábulo como “dor” parecia gemer.
Muitas passagens de nossas vidas ficam no tempo, não deixam rastro marcado no sentimento se não buscarmos o fio que nos une a elas. Livros, cadeiras, fotos, roupas, objetos que despertem o abrir de emoções, guardadas em algum espaço especial de nossa memória. O próprio vento pode despertar histórias e momentos somente seus,
Resenha do inesquecível
Foi à boquinha da noite,
Em solo paraibano,
Que a Academia de Letras
Celebrou nosso Ariano.
Ângela, Gustavo e Carlos,
Cada um com seu talento,
Partilharam seus acervos
Com enorme desprendimento.
A primeira coisa que se experimenta ao dirigir em uma cidade com trânsito disciplinado é o surpreendente nível de solidariedade e educação reinante nas ruas e rodovias. Em nenhuma situação passa-se na frente do outro e, em todas, dá-se preferência a quem precisa ultrapassar. Ao pedestre, então: todo o respeito imaginável!
Ainda alcancei os bondes em João Pessoa. Mas, diga-se, já em seu finzinho, pois nasci em 1955 e eles foram extintos nos anos 1960. Tenho uma vaga lembrança de um certo bonde no Ponto de Cem Réis, uma de minhas mais remotas recordações da infância. Não lembro com quem eu estava naquele momento; certamente com papai, imagino, mas não consigo vê-lo naquela cena já esmaecida na memória. Se não me engano, foi no governo de Pedro Gondim que eles desapareceram da paisagem aldeã. Pela equivocada mentalidade da época, não eram compatíveis com a modernidade urbana que começava a se instalar entre nós. Lisboa e outras cidades europeias provam o engano dos nossos dirigentes, tão influenciados, lamentavelmente, pela cultura norte-americana de irrestrito culto aos automóveis. Tivessem sido preservados, hoje seriam uma charmosa atração turística.