Se eu morresse hoje, partiria feliz. Ninguém me deve nada — nem dinheiro, nem desculpas. Tudo está perdoado e, como cantou Piaf, varrido, esquecido.
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A alegria do meu viver é algo que invento, cultivo e bebo diariamente.
Sou como aqueles romanos da Antiguidade, que se lembravam constantemente da morte a fim de poder viver intensamente, embriagando-se de pequenos prazeres — da companhia dos queridos, de música, livros, sonhos, risos largos e da poesia miúda que vive nos escaninhos desta nossa vida tão breve.
Sou fiel à minha felicidade. Eu a quero presente, embora a vida seja pontilhada de dores, decepções, tragédias e miudezas doloridas. Encaro tudo isso com a necessária coragem, busco em mim a força inesgotável que constrói o reerguimento.
Construí meu próprio decálogo de serenidade: tecido de compaixão, de perdão, de autopreservação. Não roubo, não me corrompo, não reclamo de coisa alguma, não falo mal dos outros. Cada um que se entenda com a própria consciência. Eu só quero paz, brisa no rosto e o riso dos meus amores.
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O tempo que se gasta com mau humor, com picuinhas e fofocas é tempo perdido, desperdiçado. Horas de vida devoradas por azedume e rancor.
Hoje, contemplo as minhas imperfeições e me vejo na impossibilidade de condenar os outros. “Compassiva”: eis o adjetivo que desejo para mim.
É verão no hemisfério norte e parei de me cobrar. Escreverei livros no inverno, ouvindo a chuva cair. Hoje quero as tardes quentes na varanda, com passarinhos piando, lendo livros que me encantam. Às vezes nado, tomo sorvete, danço sozinha, canto desafinada ou passeio apreciando árvores carregadas de flores e frutos maduros.
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Esta semana fiz bolo, encontrei meus amigos e liguei para os filhos. Coisas rotineiras, mas que me encheram o coração de uma felicidade simples e boa. Porque ainda estou aqui, e é sempre tempo de amar. Com a urgência dos que sabem que um dia tudo isso será passado e só restará o eco do nosso riso entre as folhas das árvores do amanhã.