O Regent's Park foi um presente de reis. Jamais imaginei um espaço como aquele fora dos paraísos que já vi pintados e descritos, ou das...

Puro êxtase

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O Regent's Park foi um presente de reis. Jamais imaginei um espaço como aquele fora dos paraísos que já vi pintados e descritos, ou das utopias.

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Belíssimos salgueiros derramavam-se, frondosos, no solo e na água, lembrando-me a “willow tree”, de que Ofélia, louca, tomba para morrer afogada entre flores. Cisnes, alguns negros, deslizavam entre plantas aquáticas. Casais – com ou sem crianças – tomavam sol na tarde fria, deitados na grama “sem formigas” – como Ione observou – dando de comer a pombos que vinham voando de longe, atraídos pelo banquete, e a esquilos que desciam das árvores, lestos e ondulantes com suas caudas espessas, recebendo alimento das mãos dos doadores, como se fôssemos todos puros como Francisco de Assis e Branca de Neve.

E dentro dos 166 hectares do Regent´s Park, no círculo chamado Queen Mary's Gardens – os Jardins da Rainha Mary - , demos com a excessiva beleza e o perfume de trinta mil rosas de quatrocentas variedades – cada uma com seu nome numa placa -, além de canteiros de flores de tão maravilhosa variação de cores, que me lembraram os distantes dias em que eu punha o amarelo de Nápoles, o azul da Prússia e o vermelhão chinês juntos na paleta, em tentativas inúteis de criar maravilhas iguais.

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Agora, o Museu Britânico! Um imenso complexo de edifícios neoclássicos majestosos, centrados por um cilindro que me lembrou o tronco de Yggdrasil, a árvore do conhecimento das lendas escandinavas, com os ramos, lá em cima, servindo de caixilhos para os vidros do alto teto transparente que nos cobria a todos, no pátio extenso.

Passando no meio de uma multidão que dialogava com atores vestidos como legionários romanos e uma centúria de dançarinas dançando, tecelões e ceramistas do tempo do Imperador Adriano trabalhando, entramos numa série praticamente infinita de espaços.

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Eram ambientes vastos, locupletados de Arte e História, onde nos deparamos com uma coleção de impensáveis sete milhões de objetos maravilhosos, colecionados desde 1753, reunindo três mil anos de civilização egípcia, dezessete salões com os fantásticos destroços do gênio grego, sete magníficas salas com o gênio assírio, nosso espanto estendendo-se em volta, com o contato direto com o Império de César e a Etrúria, com a China, a Índia, os geniais Aztecas, a Babilônia, etc, etc.

Sendo o “British” o único museu londrino que permite filmagens e fotos, filmei – com minha pequena Sony - uma senhora lendo para outra a parte grega da Pedra da Roseta. Fiz um travelling longuíssimo do fabuloso friso em altos-relevos dos vívidos cavaleiros trazidos do Pártenon por Lord Elgin e fotografei cada fantástico fragmento do combate entre atenienses e centauros isolado nas paredes.

Ione posou para mim diante dos gigantescos touros alados de Khorsabad, dos esplêndidos baixos-relevos do palácio de Nínive, das enormes cabeças de Ramsés II e Amenófis III, dos sarcófagos soberbos vindos do Vale do Nilo, tudo – sempre – envolvido em puro êxtase!


W. J. Solha é dramaturgo, artista plástico e poeta
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